A Lenda dos Guerreiros de Centurian
17 Capítulo 17 - O Retorno
O vórtice apareceu e Morphilus saiu dele, encontrava-se ferido, sangrava na altura da testa e segurava o braço rígido, seus olhos procuravam por ela, sorriu ao verificar que Lyan não fugira, porém um ricto de dor passou em sua feição ao caminhar em sua direção, ela usava o Espelho da Verdade para se comunicar com os Guerreiros.
Ele viu o desespero de Eólia ao ver a imagem de sua mãe refletida nas paredes de gelo da caverna.
- Mãe! – acariciou a parede como se pudesse tocá-la – Mãe...
- Guerreiros de Centurian! – a Senhora da Luz parecia preocupada – Eólia nada é o que parece ser... – ela havia pressentido a sua chegada e seu olhar foi de terror ao vê-lo – Não! Morphilus, por favor... Deixe-me...
-Não! Deixe-a em paz... – Eólia batia na parede com toda a força.
A última imagem que viram foi dos olhos suplicantes de Lyan Dragonnis e sua voz suplicando: — Ajude-nos!
Morphilus desabou recebendo o chão frio e a Rainha da Luz correu em direção a ele, terminando abruptamente o contato com os Guerreiros ao se afastar do espelho, ela não havia pensado nas conseqüências disso, pois só queria estar ao lado do Lorde das Trevas.
A face pálida indicava que ele havia usado sua energia vital e agora se encontrava enfraquecido, mais do que ela mesma estivera, ele havia mergulhado na inconsciência e ela precisava trazê-lo de volta antes que sua alma partisse.
- Elixir da Vida! – uma luz translúcida em forma de esfera surgiu entre suas mãos, Lyan introduziu o feitiço para dentro do corpo de Morphilus, causando um impacto momentâneo no corpo gelado.
A cor parecia ter voltado ao rosto dele, segurou-lhe a mão para tentar aquecê-lo, não sabia quanto tempo se passou, sentia os segundos passavam lentamente e cada minuto se tornava um tormento, as lágrimas corriam soltas, nunca havia se sentido tão só, era pura e simplesmente medo de perdê-lo.
- Meu desejo é fazê-la feliz... – suspirou aliviada ao ouvir a voz rouca dele – e, entretanto, só consigo trazer tristeza e lágrimas em seus olhos – ele esticou o braço acariciando seu rosto enquanto secava as gotas que insistiam em cair. – Amo você, Lyan! Como jamais amarei ninguém mais... Talvez, esteja na hora de acabarmos com tudo, não quero mais ser o causador de seu sofrimento e só há um único jeito para isso.
- Qual de nossos desejos se realizará? Quem de nós tem coração mais fortemente determinado? – levantou o queixo em desafio.
Os olhos de ambos se enfrentaram por alguns momentos, a frieza glacial dos olhos azuis de Lorde das Trevas contra o calor afetivo dos olhos verdes da Senhora da Luz.
- Será como tem de ser... Certas coisas não mudam! – ele se levantou abruptamente – Você sobreviverá a mim e nossa filha viverá num mundo melhor... Eu prometo!
Ela se levantou e o abraçou antes que Morphilus pudesse se afastar, pois há muito tempo havia tomado uma decisão e somente agora ousou agir, se o Destino não podia ser mudado, então seria dele durante o tempo que lhes restavam.
- Agora que resolveu ficar por livre e espontânea vontade, não posso tratá-la como minha prisioneira e poderá andar por todo o castelo – surpreso por tê-la em seus braços, ele acrescentou malicioso – exceto por meus aposentos, pois se entrar será minha novamente porque não pretendo me controlar, senhora.
- Então, não há nada de novo. Eu sempre fui sua...- fitou-o nos olhos novamente. – Você precisa descansar! Apóie-se em mim!
Morphilus passou o braço e segurou forte em seus ombros, mas não caminhou.
- Você tem certeza?
- Só se não me quiser...
Ele estampava um belo sorriso, que o rejuvenescia e o tornava atraente, bem parecido com o Jovem Guardião por quem se apaixonara desesperadamente. Eles caminharam em silêncio para os aposentos onde seriam um do outro novamente, marido e mulher se reencontrariam finalmente.
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