A Lenda dos Guerreiros de Centurian

18 Capítulo 18 - Topáz e o Mal Entendido


Gaio liderava a formação , o dragão preto era maior e veloz. Os Guerreiros atravessaram Centurian com algumas paradas ocasionais para descanso, mas a viagem estava sendo monótona e cansativa.

O sol havia se posto há muito e o deserto começava a esfriar, era uma noite clara, a lua estava grande e redonda, as estrelas brilhavam como contas perdidas na imensidão do céu enegrecido.

Centelhas de luzes apareceram no deserto indicando que Topáz estava ali, o dragão de Hugo fez a manobra para aterrizar numa clareira, ao lado do povoado podia-se ver um buraco profundo em forma de cone.

Eles desceram de seus companheiros voadores e aguardavam os dragões se dissiparem numa nuvem de fumaça para dentro das gemas mágicas.

- Finalmente, terra! – Serena comentou aliviada e sua voz soou cansada.

- Você está pedindo terra? Pensei que as sereias preferissem água. – Hugo espetou.

- Não seja desagradável! – Eólia olhou-o de viés, começava a ficar intolerante com as alfinetadas de ambos.

- E onde iríamos conseguir água no meio do deserto? – Thor admoestou.

- Tudo bem! – Hugo riu alto e com gosto. – Eu sei quando não estou agradando.

- O que terá acontecido aqui? – Thor disse impressionado – vocês viram aquela cratera enquanto descíamos?

- Seria impossível não notar... – Aquele formato de cone era familiar demais, porém ela não tinha provas.

- Tem uma enorme pedra cravada com algo entalhado aqui! – Serena chamou a atenção para si. – Não consigo ler, a luz do luar é insuficiente.

- “Chama flamejante” – o fogo surgiu na palma de Hugo. – Alguém pediu fogo?

- Eu queria luz, mas serve de qualquer forma – e ordenou – Chega mais perto! Eólia veja se consegue ler...

- Está escrito em élfico. – Thor aproximou-se – “Em memória aos que morreram na Guerra, pois seu senhor os abandonou a própria sorte...”

- Os nomes de todos os habitantes que faleceram está aqui, a maioria homens... – Eólia disse num fio de voz – metade de meu povo está enterrada aqui.

- Então... Aquela cratera ali é Zahfir? – Thor estava surpreso – Eu ouvi meus pais contarem que o Rei Dragonnis procurou os elfos para descobrir uma forma de levar uma cidade inteira para os céus.

- O nome de meu avô não está entre os mortos nas batalhas. – Eólia franziu a testa – como isso é possível? O Rei de Lan ficou para lutar com os soldados que ficaram para trás. Mamãe me disse que ele evocou vários dragões para transportar jovens, mulheres e crianças, os idosos foram transportados pelos portais. – seu humor estava alterado e bateu na pedra – Isso é uma grande mentira!

- Depende, Eólia! – Hugo disse calmamente – Digamos que o que temos aqui são meias-verdades. Porque considerar que a verdade que conhece é única? O povo de Zahfir tem a metade de uma verdade e o povo que ficou em Topáz tem a outra metade da verdade. Você não acha melhor ouvimos o que o povo daqui tem a dizer para que possa ter a compreensão inteira do que ocorreu?

- Infelizmente eu tenho que concordar... Meus irmãos e minhas irmãs brigavam sempre. Muitas vezes eu tive que ouvir os dois lados para não ser injusta ao apartar uma briga.

- Se eles acham que foram deixados para trás... Temos que provar a eles o contrário... Vejamos o que podemos fazer para ganhar novamente a confiança de metade do seu povo, Eólia.

- Vocês têm razão Serena, Thor! – conseguiu sorrir – Obrigada Hugo!

- Tomara que consigamos uma hospedaria com água quente. – Serena tremia – Estou com frio.

- Agora você quer água? – embora soubesse que havia água suficiente em Topáz, Hugo admoestou – considere-se com sorte se tivermos um gole d’água para beber.

- Você poderia esquecer que eu existo? – Serena respondeu num tom seco.

- Se você fizer o mesmo, juro que eu tento... – Hugo disse revirando os olhos.

- Venha! – Thor conduzia Eólia para o povoado – Deixemos esses dois discutindo, o melhor a fazer é deixá-los para trás.

- Quem está discutindo? Serena e Hugo retrucaram enquanto se apressavam para acompanhar os outros dois companheiros.