A Lenda de Luttern
8 Capítulo 8 - A Marca de Silverstrow
Notas iniciais

– Então parece que Silverstrow está atrás do escolhido — Disse sr.Hart, a encarando aguçadamente. Todos já haviam saído da sala e estavam agora fazendo a prova.
– E eu sou a escolhida. — Avy completou.
– Sabe o que isso quer dizer? — Ele levantou e começou a andar pela sala — nem os alunos com poderes fortes de Veridion estão preparados para uma batalha real. Eles nunca enfrentaram nada disso antes. Um grande erro do castelo foi não tê-los preparado o bastante.
– Achei que eles treinassem sempre — disse Avy.
– Eles treinam, mas aqui, estamos falando de algo realmente grande. Estamos falando de Joseph Silverstrow e uma multidão de monstros e criaturas horrendas. Já estou preocupado com os alunos de anos aqui, que são realmente fortes. E Joseph não está interessado neles — ele se virou para ela — ele está interessado em você.
– Está querendo dizer que não estou preparada para enfrentá-lo? — ela perguntou.
– Não leve para o lado pessoal, Avery. Todos podem ter força o suficiente para enfrentar o que quer que for. Basta a preparação, e esse é o nosso problema. Nosso tempo é extremamente curto. Joseph provavelmente já sabe que a escolhida é você, desde o momento que a fez desmaiar quando olhou nos olhos dele. Sabe como são os Silverstrow, um olhar e tem todos os seus segredos na palma da mão. O que temos então? Avery, mais do que apenas lutar, você terá que sobreviver e destruí-lo. Mais do que tudo, sobreviver. Nosso futuro está em você. Vou recorrer a aulas reforçadas sobre as adagas com Raver, e pedir, se for possível, que sua espada seja reforçada. Joseph é extremamente forte, ele vai te perseguir, e você terá que aguentar até o final. Promete que vai conseguir?
A pressão era extrema para ela. O destino de um universo sobre uma pessoa que nem poderes possuía.
Ela respirou fundo.
– Vou.
–--
Ela foi liberada a descer até o campo de batalha. A última avaliação estava acontecendo, um garoto fazia raízes nascerem do chão enquanto outro as eletrocutava.
Becky não havia ganhado de Violet, mas também não fora ferida . Ela perdeu feio, mas ganhou uma nota razoavelmente boa, geralmente Meredith levava em consideração quem batalhava com Violet. Andy havia ganhado, e Matt e sua dupla haviam empatado.
Do outro lado do campo Avy via Andy e Violet juntos. Violet viu ela e soltou um sorriso maléfico.
– Ih, lá vem — falou Matt.
A última batalha já havia acabado.
Violet se aproximou de mãos dadas a Andy.
– Não vai participar das avaliações? — ela perguntou à Avy.
– Não — a garota respondeu — eu não estava em nenhuma das aulas, então...
– Isso não é desculpa — Violet sorriu friamente — temos praticamente uma guerra se erguendo, e você é a escolhida, você terá que enfrentar criaturas muito piores do que as que já enfrentou, deveria ver como está indo, não deveria?
– Violet, eu acho que não precisa.. — Andy tentou defender Avy.
– O que está acontecendo? — Meredith se aproximou.
– Eu só estava dizendo à Avy que talvez fosse legal ela fazer a avaliação apenas para que você pudesse ver como ela estava indo para poder orientá-la no que está ótimo e no que precisa ser melhorado. — continuou Violet.
Avery respirou fundo.
– Bem, talvez seja mesmo uma boa ideia — disse Meredith — mas talvez não hoje.
– Por que não?! — riu Violet — agora que eu estou disposta a ajudá-la na avaliação.
Meredith balançou a cabeça.
– Tudo bem para você, Avery?
– Eu não estou preparada, não estava esperan..
– Está com medo de perder?! — Violet a cortou.
Avery fechou os olhos e respirou fundo, tentando neutralizar a vontade de dar um soco na cara dela.
– Ok, Violet. Se ganhar em toda batalha é o que você precisa para sentir-se superior.
A garota a fuzilou com um olhar. Realmente, o olhos cinzentos eram uma arma letal dos Silverstrows.
Becky se aproximou e sussurrou no ouvido de Avy, antes delas começarem.
– Não olhe nos olhos.
Elas caminharam um pouco mais adiante, não ao centro, mas em um lugar em que havia espaço. Avy transformou os anéis em espadas, usaria as duas. E não olhou nos olhos de Violet por um momento sequer.
– Quando quiser — disse Violet, incentivando-a a começar.
Avy fez o primeiro golpe com a espada, que atravessou a imagem esfumaçada de uma falsa Violet.
– Estou percebendo que não está me olhado nos olhos... — ela sussurrou de trás dela.
Quando Avy virou com mais um golpe, ela havia desaparecido.
– Opa — ela disse agora do lado da garota. Uma coisa simples de decifrar em Violet, é que se não olhar nos olhos, ela não será capaz de te derrotar, mas continuará te enganando sumindo várias vezes e triplicando(ou mais) a própria imagem.
Avy não virou para o lado, mas Violet surgiu na sua frente de repente, e sem querer Avy acabou a encarando.
– Que grave descuido — a Silverstrow sussurrou — O que está vendo agora?
As coisas ainda não estavam muito diferentes, apenas... embaçadas.
– Você tem olhos interessantes Avy, são... esverdeados cor de mel? Eles são misteriosos, pelo jeito você não sabia muito sobre si mesma há uns três ou quatro dias atrás. Talvez você ainda não saiba nada sobre si mesma... Sabe o que eu vejo? Eu vejo algo maligno neles, no passado, e no futuro. Vejo também o abandono de uma mãe.
Essa já tinha ido longe demais.
– Pelo menos eu pude conhecer minha mãe.
Violet lançou aquele olhar maligno novamente, mas antes que pudesse dizer alguma coisa...
– É um ataque!!! — um garoto entrou gritando, logo depois foi pisoteado por um dragão de 20 metros de altura com três cabeças.
– Essa não — soltou Meredith — preparem-se — ela ordenou.
O dragão soltou um jato de fogo.
– É um dragão de fogo — disse Andy — se eu e Becky conseguirmos congelá-lo internamente ele perde a força.
Becky assentiu.
O primeiro ataque partiu de alunos das plantas, que criaram raízes multantes prendendo a criatura ao solo. Mas ela logo soltou um jato de fogo e as derreteu, depois correu na direção em que todos estavam.
Andy se erguia em montes de neve que fazia surgir, enquanto Becky concentrou a mão ao chão, congelando todo o lugar em que a criatura pisava,
O monstro escorreu, e soltou fogo enquanto caía. Graças a Violet, que surgiu na frente de todos usando vento como escudo, fazendo todo o jato se voltar contra a criatura, as pessoas conseguiram se salvar e não virar espetinho por um segundo.
Alunos naturais saíram por trás, tentando não serem percebidos, e prenderam a fera no chão com raízes, reforçando-as com a ajuda de Joe, que criou uma corrente elétrica de alta voltagem entre as plantas.
No chão, o dragão se debatia, mas ainda soltava fogo, enfraquecendo o escudo e Violet. As flechas de Andy não eram fortes o bastante para destruírem três cabeças concentradas em chamas.
Violet já não aguentava mais e o escudo cessava, deixando algumas chamas passarem, uma inclusive, queimou feio o braço dela e a garota cambaleou para trás, perdendo a força do escudo.
– Essa não — disse Matt, se transformando em dragão (bem menor que a criatura, era o que era capaz de conseguir).
Matt voou até Andy, que o carregou com o poder do gelo, então o dragão menor, desviando de jatos de fogo, se aproximou da criatura e soltou um jato de gelo. O fogo do monstro foi cessando, de cabeça em cabeça, até desaparecer.
– Certo — orientou Meredith — agora precisamos destraí-lo para acertá-lo ou congelá-lo inteiro.
– Eu vou — disse Violet. Seu braço estava horrível, a jaqueta de couro chamuscada, rasgada, sendo possível ver a pele queimada em bolhas.
– Seu braço está horrível — comentou Meredith.
– Não importa — falou Violet — eu consigo, não preciso de esforço para me teletransportar.
– Tem certeza?
Ela assentiu.
Em um segundo já estava encima do dragão, que a tentava abocanhar, mas sua imagem transformava-se em fumaça. O plano da distração ia bem. Por precaução Kin a ajudou. Ele se acendeu inteiro em chamas, e de seus pés um skate voador de fogo surgiu, ele voou, chamando a atenção da fera.
O último passo era com Avy. Enfiar a espada no coração do dragão.
Ela avançou, enquanto o dragão se distraia com Violet, quando estava prestes a atacá-lo, ele virou-se, mas teve tempo da garota pular para defender-se. Violet mudou de posição para que ele não conseguisse ver Avy, e então a menina finalmente conseguiu, metendo as espadas fundo no coração.
O dragão deu o último grito e foi morto.
Todos estavam ofegantes, o campo de batalhas estava quase tão chamuscado quanto a jaqueta de Violet, havia gelo no gramado e muitos equipamentos quebrados. E claro, um dragão gigante morto no meio do espaço.
– Acabou! — comemorou Becky, levantando os braços.
– Eu acho que é só o começo... — ouviu-se Andy dizer, de trás da criatura.
Becky, Avy, Matt e outras pessoas foram até ele.
No pescoço do dragão, um "S" em fonte trabalhada estava marcado.
Violet estreitou os olhos, com dor do braço ferido, levantou uma das mangas da jaqueta de couro queimada.
Ela tinha um S idêntico marcado no pulso.
– É a marca dos Silverstrow. Eu nasci com essa identificação, mas essa — ela apontou para a criatura — É um aviso. Ele está convertendo monstros para o lado dele.
– Se ele pode converter monstros — disse Matt — quer dizer que também é capaz de converter pessoas.
Violet assentiu.
– Está bem claro o que está acontecendo aqui — disse Meredith — Silverstrow está começando uma nova guerra.
–--
– Alô? — Avy perguntou, no telefonema que tinha direito duas vezes por semana. Lá eles possuíam celulares, mas geralmente só funcionavam entre os alunos de Verídion. Quer dizer, tente achar uma operadora com torres em outro universo.
– Quem fala? — Ouviu-se a conhecida voz de Laureen da outra linha.
– Sou eu, a Avy. Estou ligando do...
– Avy!! Te liguei umas mil vezes no seu celular! Porque não atendeu?!
– Talvez porque a minha operadora não tem torre de sinal em outro universo. — A caçula podia sentir a irmã revirando os olhos em sua casa — Tenho direito a duas ligações semanais para casa pelo telefone do castelo.
Havia duas salas para telefonemas em cada andar da torre de dormitórios. eram pequenas e os dias eram revisados. Os de Ayy eram nos domingos e quartas, às 20h.
– E como é aí? Vocês chegaram bem? Achei que fossem sair pela manhã, mas quando acordei não estavam mais lá. E havia arranhões e móveis quebrados por toda parte.
– Se chegamos bem? Eh... Aconteceram alguns imprevistos. Algumas gárgulas apareceram, portais tiveram que ser abertos desesperadamente. Mas estamos vivos, então... Sim, acho que chegamos bem.
– E como eu não ouvi nada disso?
– Quando eu digo que você tem o sono pesado. Você. Tem. O . Sono. Pesado — Avy riu — Você é mortal, coisas como poderes, magia e monstros não são para fazer parte de sua realidade. Então você simplesmente não vê ou não sente absolutamente nada. — ela fez uma pausa curta — quanto a esse lugar... Bem, ele é insano. As pessoas têm poderes, e sabem batalhar como ninguém. E é um castelo enorme, tudo nele é maravilhoso, as paisagens, a floresta de pinheiros, o rio cristalino que passa por baixo da ponte, as crenças e histórias desse lugar também são fascinantes.
– Já fez amigos?
– Acho que sim. Divido o quarto com uma garota chamada Becky, ela é a melhor amiga do Matt, então passo a maior parte do tempo com eles, e de vez em quando o Kin está junto.
– E quanto aos garotos? Algum especial? Quero conhecer seu primeiro namorado!
Avy enrusbeceu e fez careta.
– O que?! Eu não tenho namorado, Laureen! É meu 3o. dia aqui!
– Não tem ainda– Laureen riu.
– Sem chance — disse Avy — ele é irmão da minha amiga, isso seria estranho. E ele tem namorada... E ela é uma cobra.
– Aww — a irmã murmurou — então tem um boy!
– O que?! — Avy disparou — eu estava brincando! Não importa, temos coisas bem mais importantes e sérias para nos preocuparmos aqui.
– E o que é?
– Bem... Parece que Verídion era um lugar seguro antes de eu entrar, mas agora que eu cheguei monstros estão atacando constantemente. E um antigo inimigo que havia desaparecido retornou. Sr.Hart diz que é tudo relacionado a lenda, que já está começando. Um aluno morreu e outro desapareceu. O diretor disse que eles foram alvos errados, e quem Silverstrow está atrás é a escolhida. No caso, eu.
– ele está te querendo para que exatamente?
Avy balançou a cabeça, mesmo sabendo que não havia ninguém para notar isso.
– Eu não sei. Não parece fazer sentido. Dizem que eu devo impedir uma maldição de acontecer. Mas se isso é o que eu devo fazer, porque Silverstrow iria querer me eliminar? Será que ele quer tanto a vingança pela morte do pai que destruiria a si mesmo e ao seu universo? Não faz sentido... Aliás, ele sabe sobre a maldição, sabe o que ela é.
– Bem — falou Laureen — seja o que for, vocês conseguirão fazer o for preciso.
– Eu espero — Avy fez uma pausa — E quanto a você?!
Laureen suspirou.
– Bem... Eu nunca mais vi Rodrick... E estou em Nova York, a mãe disse que não era seguro ficar no casarão. Vou tentar acreditar nela.
Elas conversaram mais um pouco, mas Avy teve de desligar um pouco antes da hora por um aviso importante que o diretor e os professores iam dar. Quem apareceu dando o recado fora Matt, depois eles subiram até o salão de entrada e encontraram Becky lá.
Todos os alunos lotavam o lugar, sendo que algumas pessoas ficavam até para fora. Kin estava em um canto chorando enquanto Violet e Andy tentavam acalmá-lo.
– Eles eram meus melhores amigos! — ele disse entre lágrimas.
– Eu realmente lamento — disse Violet. Ela estava com o braço ferido enfaixado e Andy mantinha a mão em seu ombro.
– Eles se foram lutando para defender o castelo — Falou Andy — deve se orgulhar deles.
– Eu me orgulho — disse ele entre soluços — Queria poder fazer algo! Queria poder encontrar Noah! Ele deve estar sendo torturado por Silverstrow! Temos que resgatá-lo.
– Nós vamos — assentiu Violet — Noah voltará.
Kin jorrou uma enxurrada de lágrimas enquanto Andy e Violet continuavam a tentar confortá-lo. Kin não estava totalmente curado da aranha. Tinha cortes no rosto e andava mancando.
Sr. Hart surgiu no alto das escadas, Meredith, Raver e outros professores estavam ao seu lado. Eles começaram pedindo silêncio para poderem falar.
– Pois bem — começou o diretor — As notícias que daremos agora não são nada boas. Muitos já devem saber que Joseph Silverstrow está de volta, e que os ataques que sofremos nos últimos dias, tanto o da aranha, quanto o dragão desta manhã, foram provocados por ele, como um aviso. Ele está iniciando uma guerra.
– Para evitar mais destruição e tragédias como as de Cooper e Noah, ambos de Firety, resolvemos aumentar a segurança no castelo — disse Raver — Meredith está desenvolvendo um elemento invisível que cercará o castelo, permitindo apenas a entrada de alunos de Verídion. Estamos pensando também em fazer uma liga de escolta durante a noite. Alunos do último ano se revesarão para fazer a guarda do castelo.
– E agora temos a pior e mais recente descoberta. Joseph invadiu o castelo nesta madrugada. Alguns alunos o viram e até poucos minutos achávamos que isso havia o impedido de conseguir o que queria com a invasão. Mas estávamos errados Joseph roubou o cristal de Verídion, onde se encontra a essência da dimensão Terra, o que mantém toda a dimensão em equilíbrio, a vida e energia que somente as plantas e animais nativos daqui são capazes de ter. Além disso é o que controla o globo De Verídion. Sem esse cristal se torna praticamente impossível a busca por novos alunos. Se ele não for recuperado, as plantas irão morrer e o solo secará. Pode não parecer muito, mas apenas isso causaria o desequilíbrio total não apenas de Verídion, mas de outras dimensões também. Além disso, alunos nativos de Verídion, com poderes que age sobre plantas e animais sofrerão ainda mais, considerando que sua força vêm da natureza de nossa dimensão.
Matt, Avy, Becky, Andy e Violet trocaram olhares.
– Então, basicamente esse é o nosso recado — finalizou Meredith — tomaremos as providências necessárias para resolver o problema e entraremos em contato com as outras dimensões para alertá-las.
– Estão dispensados para a janta — avisou Sr.Hart — Menos Violet e os alunos que estavam na madrugada da invasão. Estes se dirijam a minha sala.
–--
– O que acham que pode ser? — indagou Andy. Os alunos haviam chegado antes mesmo do diretor e de Meredith.
Matt balançou a cabeça.
– Ele disse que tomaria as providências para recuperar o cristal de Silverstrow. A única pessoa que sabe onde Silverstrow está se alojando é Violet.
– Então por que quer conversar com todos nós? — perguntou Violet — eu poderia me teletransportar para lá agora mesmo e voltar rápido.
– Mas é perigoso — Sr.Hart chegou na sala dizendo. Ele fechou a porta — Ainda mais se estiver sozinha.
Violet estreitou o olhar.
– Já estive lá e nada aconteceu.
– Você esteve lá a convite, ele não iria atacar um convidado — falou o diretor, balançando a cabeça — Desta vez você estaria lá para retirar algo dele, uma ameaça. Conhece Joseph e sabe muito bem como ele vai lidar com isso.
Violet assentiu. Era verdade. Joseph não tinha piedade contra nenhuma criatura neste mundo. Nem mesmo a própria filha.
Sr.Hart sentou-se em seu grande banco giratório.
– Além disso — disse ele — Rithin, rei de Windstein, a dimensão do ar, acabou de nos contatar. Sofreram ataques em seu castelo, e o cristal de sua dimensão também fora roubado. Ele quer saber onde Silverstrow está que mandará Voutrix, guardiões nativos de Windstein, guerreiros com asas de anjos, para recuperar o cristal. Eu disse a ele que devíamos combinar o dia e horário para que ambas dimensões, tanto da terra e do ar, recuperassem seus cristais juntos.
– Dessa forma a escolta de Silverstrow seria enfraquecida — completou Avy.
– Exato — o diretor assentiu — Acho que todos já entenderam o porquê de eu tê-los chamado aqui.
Todos assentiram.
– Quer que nós vamos recuperar o cristal de Silverstrow — disse Becky.
– Eu sei que pode ser uma missão perigosa, aliás, Silverstrow também tem uma escolta monstruosa ao seu dispor... Mas eu vi o desempenho de vocês nas batalhas e a determinação e cooperação durante a invasão. Acho que são uma boa equipe.
Violet lançou um olhar confuso e não-contente à Avy.
– Agora tudo o que precisamos saber é o esconderijo de Silverstrow. — falou Andy.
– Certo — disse Violet, com convicção — É em Windstein. Ele tem um casarão escondido no meio da Floresta Morta, nas profundezas da dimensão.
– Uau — falou Becky — No solo de Windstein?! É realmente profundo.
Windstein é a dimensão do ar, a maioria dos habitantes e criaturas lá residentes voam e têm a capacidade de fazer construções nas nuvens, que é praticamente a dimensão inteira. O solo, praticamente intocável, apenas criminosos e fugitivos lá se acomodam.
A Floresta Morta era uma floresta de árvores secas e sombrias, e muitos corvos por lá sobrevoavam.
Sr.Hart assentiu.
– Certo — disse ele — amanhã providenciarei o mapa da dimensão para executarmos melhor o trajeto antes de partirem — ele fez uma pausa — agora vão jantar e decidirem qual será o horário de partida.
Eles se despediram e foram direto para refeitório, sentando-se todos juntos, pela primeira vez. O lugar estava vazio, a não ser por eles, claro. Era a primeira vez que se uniam daquela forma.
– A comida tá meio... Fria — disse Becky, levantando o macarrão com o garfo.
– Estamos jantando às 10:45 da noite, o que você esperava?! — falou Matt, irônico, e Becky deu o típico soco leve nele. Aquele soco soava mais como um ato de carinho do que de violência.
Eles comeram em silêncio por alguns minutos.
– Eu fui a única que fiquei surpresa por Sr.Hart ter nos escolhido para a missão?! — perguntou Avy.
– Eu particularmente não acho que nos saímos bem no dia da invasão... Quer dizer, quase destruímos o castelo, Avy desmaiou e ele fugiu, levando um dos maiores bens de Verídion. — disse Matt.
Andy assentiu.
– Mas ele estava certo quando disse que viu determinação em nós. Muitos alunos puderam ouvir o barulho, mas ninguém além de nós se importou em levantar e ver o que era.
Eles assentiram.
– Por que sr.Hart não vai junto? Ele se preocupa tanto. — perguntou Avy, dando uma garfada em sua comida.
– Ele deve ficar para cuidar do castelo. Principalmente depois dos últimos acontecimentos. — respondeu Andy.
Violet balançou a cabeça, depois de um tempo, com o pensamento longe.
– De qualquer forma, temos que impedi-lo. Essa guera não acabará quando recuperarmos o cristal — ela suspirou — não é uma guerra apenas contra Verídion. Ele também roubou o cristal de Windstein. Com certeza roubará o das outras dimensões. Ele tem um propósito que devemos descobrir. E impedir antes que seja tarde.
Dava-se para perceber a decepção estampada por trás dos olhos fundos de Violet. Ela não esperava o retorno do pai, muito menos o retorno de uma guerra.
A força e semelhança entre os Silverstrows era surpreendente. Um poder misterioso, sem dimensão conhecida de origem, algo único no mundo.
– Sairemos amanhã de manhã — finalizou Violet — por volta das 6h, nos encontramos no salão de entrada.
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