A Lenda de Luttern
7 Capítulo 7 - Perseguição
Notas iniciais
Avy teve a típica sensação de que estava caindo enquanto dormia, mas dessa vez ela não acordou, como de costume.
A garota caía do terraço de um castelo em ruínas, algo muito grande e forte a tinha empurrado. Seu corpo doía por alguns cortes e ferimentos, mas ela não sabia ao certo como os ganhou. No sonho ela estava muito assustada. Finalmente Avy afundou na água, não tinha a cor que as águas de rio deveriam ter, era preta, e queimava, queimava muito, e ... Algo estava irritando sua orelha.
– Avy!
Avery acordou, Mais um pesadelo.
– Ei, Avy... Tá acordada?!
A garota virou para o outro lado da cama. Becky e seus imensos olhos azuis estavam à sua frente cutucando a orelha dela com o dedo.
– Becky — ela falou com os olhos quase fechados de sono, ainda parecia estar dormindo — o que você... Ai, para com isso! — ela reclamou tirando a mão da garota.
– São 03:00 da manhã... O que você tá fazendo acordada? O que você está fazendo me acordando?!
Sono a deixava irritada.
– Eu sei que são 03:00 da manhã, mas... Ai minha nossa, de novo!
Avy fez careta.
– O que foi?
– Não ouviu?- Becky perguntou com os olhos arregalados.
– Não.
– Acho que estou ficando louca...
A quase-ruiva suspirou.
– Era pra isso que você me acordou...? Dorme que passa...
Ela já estava virando novamente para voltar a dormir, quando Becky a puxou de volta.
– É sério, Avy... Estou ouvindo coisas.
Avery resmungou alguma coisa.
– Que tipo de coisa?
– Faz silêncio e encosta a cabeça no chão.
O que é isso agora, assalto?
– Você só pode estar brincando... tá frio pra caramba!
– Por favor, é sério.
Contra sua vontade, ela obedeceu, desceu da cama e encostou a cabeça no piso de madeira frio.
– Eu mereço... — resmungou sarcástica.
Depois de um tempo naquela posição, em silêncio, conseguiu ouvir passos de pessoas correndo, parecendo nervosas, também ouviu algo que parecia ser vidro quebrando.
Seus olhos também arregalaram.
– O que você acha que pode estar acont...
– Não faço ideia — Becky estava agora procurando algo debaixo da cama.
– Acha que pode ser algo, tipo assim... Sério?
A garota dos olhos azuis achou a lanterna que procurava, parou de pé e a acendeu.
– Vamos verificar.
–--
As duas desciam as imensas escadas de pedra do castelo, com o maior cuidado possível, para não serem pegas.
Becky ia à frente iluminando o caminho.
– Você fica brava quando tá com sono.
– Fala baixo! — Avy cochichou, irritada — Acho que não devíamos estar tentando descobrir coisas desse tipo.
– E se for algo perigoso? Tipo alguém estar tentando invadir o castelo.
– Porque alguém iria invadir?
– Não sei... É o ano que a lenda da maldição se profetiza, tudo pode acontecer.
Becky encolheu os ombros.
As escadas estavam quase no fim.
– Mas, afinal... Onde você está pensando em...
Passos e uma sombra apareceram na escada que levava aos fundos da torre.
– Ali!
As duas foram às escadas do fundo, não conseguiam ver nada além de uma sombra, que mesmo seguindo correndo, não alcançavam.
Chegaram até o último degrau, o dono da sombra devia estar no corredor à direita, de onde não tinha vista da escadaria.
– Pegamos! — Becky gritou, pulando no corredor, com Avy atrás, jogando o feixe de luz na cara DOS sujeitos.
– Ei... Vocês não são invasores... — Avy falou.
Matt e Andy apareceram na luz da lanterna.
– Que decepção... não acredito que acordei de madrugada para descobrir que o barulho vinha de vocês dois... Vamos Avy, você já pode voltar ao seu sono. — Becky virava-se para voltar, mas então Matt a puxou de volta.
– Ei, ei, ei... Becky!
Ela lançou um olhar de " O que foi?? "
– Não éramos nós que estávamos fazendo o barulho que vocês ouviram — Andy falou — quer dizer, pelo menos não todo o barulho.
Avy e Becky se entreolharam confusas.
– Nós também ouvimos passos correndo, tem alguma coisa acontecendo aqui... ou pelo menos tinha, se é que nós deixamos escapar. — Matt explicou.
Os quatro se olharam por um tempo, procurando mais algum barulho.
Segundos depois ele apareceu.
– Vamos! — Becky gritou, subindo as escadas e puxando a fila.
Eles conseguiram ver pernas dobrando o corredor que levava à última sala do castelo,
Andy tentou congelá-las, mas conseguiram escapar.
Matt se transformou em uma puma, e correu atrás do(s) sujeito(s).
Os três foram atrás, Matt dobrou a esquina de corredores, e chegou a conseguir ver o invasor inteiro de costas em um beco sem saída, tinha o cabelo grisalho e usava uma espécie de capa preta, e então, num piscar de olhos, ele sumiu.
– Porcaria, ele sumiu! — Becky, que vinha logo atrás gritou.
– Ele está na sala principal!
Avy, que estava por último, conseguiu ver.
Os quatro já estavam na sala, Andy tentou lançar mais uma rajada para congelá-lo e impedir que se movimentasse, mas era quase impossível, ele conseguia se teletransportar. E o fazia o tempo todo, acabaram passando por várias salas tentando o capturar.
– Espera aí...- Becky começou — mas ninguém consegue se teletransportar... A não ser que seja um Silvers...
– Corre! — Avy gritou — Ele está na sala da fonte!!!
Os três correram até ela.
Os irmãos Bitters deslizavam velozmente no gelo que geravam dos seus pés.
Eles chegaram na sala, não havia nada lá.
Avy virou-se para trás, lá estava ele, ela olhou nos olhos cinzas e fundos que pareceram muito familiares... E isso foi a última coisa que viu.
–--
Quando acordou, alguns minutos depois, meio deitada, encostada em uma parede, Sr. Hart e Meredith estavam com ela, a sala estava cheia de partes com gelo e neve, e alguns móveis e objetos no chão.
– Ela acordou! — sr. Hart disse.
– Está se sentindo bem? — Meredith perguntou
– O que...
Becky e seu irmão estavam logo à frente, analisando a imensa janela quebrada, com as cortinas rasgadas.
Um pássaro entrou pela fresta da janela.
– Viu alguma coisa? — Andy perguntou.
– Nada — o pássaro, que já havia voltado a ser Matt, respondeu.
– O que foi que aconteceu?- Avy perguntou, tentando se levantar, mas sua cabeça parecia pesar uma tonelada.
– O cara te pegou de surpresa e te fez desmaiar.
– E nós o deixamos escapar. — disse Becky balançando a cabeça.
– Vocês fizeram bem tentando o pegar — Meredith falou.
Sr. Hart parecia pensativo.
– Sr.Hart... — chamou Matt — você acha que aquele devia ser mesmo o Silverstrow?
Ele pensou um pouco.
– ... Se é Joseph Silverstrow, quer dizer, o digamos... Maldição que todos pensavam estar morto? Não existe um guardião no mundo com habilidades como aquela que não seja um Silverstrow... Então, sim. Com certeza é ele.
Os alunos se entreolharam tensos.
– Avy, você foi a única que viu o rosto do sujeito... Consegue se lembrar como era? — Perguntou Meredith.
Ela não viu quase nada além dos olhos, tudo aconteceu muito rápido.
– Eu não vi muita coisa, logo apaguei... Mas, eu vi os olhos, cinzas e fundos... Pareciam familiares...
Ela não conseguia se lembrar com quem se pareciam.
– Familiares como os da Violet? — Andy perguntou.
Uma lâmpada podia ter acendido na cabeça da garota.
– Exato, quase idênticos aos da Violet...
Sr. Hart balançou a cabeça.
– Isso não é bom...
– O que foi? — Becky perguntou, preocupada.
– As coisas não estão indo nada bem aqui. Esse costumava ser um lugar seguro, agora... Veja só. Já não bastava monstros começarem a aparecer, um dos piores inimigos que esse universo já teve está de volta. E conseguiu infiltrar no castelo.
– O que acha que ele queria? — perguntou Avy, preocupada.
– Coisa boa não é — afirmou Sr.Hart — seja o que for, saberemos em breve. Sinto que é uma grande pista sobre a lenda. Sinto também que Silverstrow sabe mais do que deveria.
–--
– AI.MEU.DEUS — foram uma das primeiras frases que dissera Becky ao acordar, atrasada para variar.
Avy se preparava para descer também, no momento vestia os anéis que havia feito com Raver a partir das pedras que se transformavam em adagas. Avy não participaria da prova, pois não havia participado de nenhuma das aulas ainda.
As meninas desciam as escadas e iam em direção ao campo de batalha, enquanto Becky não parava de tagarelar nervosa.
– Se não bastasse eu ter que lutar contra a Violet, agora eu vou ter que lutar com uma Violet raivosa, mais do que o normal, vale dizer... E por sua causa — ela apontou para Avy.
– O quê?! Eu? — disse ela — foi você que quase me matou com suas estacas de gelo.
Becky bufou.
– Droga! É verdade! Então a culpa é do Matt, foi ele que veio me contar a notícia enquanto eu estava treinando, ele devia saber que nunca deve se dizer nada que cause impacto em mim, tipo assim, nunca! Tá bem na cara que eu vou fazer merda! Minha vida é fazer merda! Então a culpa é minha mesmo, porque foi eu que pedi para Meredith trocar minha dupla... viu só , Violet vai me mat..
– Ei, vocês duas — Andy chamou, colocando a mão no ombro da irmã, que se virou com tudo, pouco assustada do jeito que ela estava.
– Calma — disse ele — não precisa me atacar com estacas de gelo.
– Engraçadinho... No momento estou caminhando para minha morte que será provocada pela sua namorada, então... O que é que você gostaria? — perguntou Becky.
– Sua morte vai ser um pouco adiada — respondeu ele — Sr.Hart e Meredith querem uma reunião rápida conosco antes de irmos para as provas.
– Graças a deus! — exclamou Becky.
Andy até tinha cumprimentado Avy, mas não foi tão natural como ele vinha fazendo antes. Com certeza era Violet.
Eles continuaram até o hall principal e entraram na sala de sr.Hart, batendo na porta.
Matt já estava lá, sentado em um dos bancos espalhados.
– Certo, então agora acho que só falta a Violet. — informou Meredith, depois de cumprimentá-los.
– Violet?! — Becky arregalou os olhos — Porcaria! — ela sussurrou para Avy.
– Achei que fossemos conversar sobre a invasão de ontem — disse Matt — por que Violet precisa estar aqui?
– Bem, já temos quase certeza de que Joseph esteve aqui ontem, e Violet tem se encontrado com ele. — respondeu sr.Hart, andando pela sala.
Andy expremeu os olhos azuis.
– Estão desconfiados dela?
– Não gosto de afirmar, mas não é estranho ela dizer que odeia o pai, mas mesmo assim ir atrás dele, e depois ele aparece pelo castelo sem querer ser visto?
Andy ia abrir a boca para falar alguma coisa, mas então foi interrompido.
– Claro — Violet surgiu encostada na porta — Por que não culpar a filha dele? Afinal, eles são iguais, não é mesmo?! Mesmo olhar, mesmo temperamento, com toda certeza devem pensar igual também, devem estar juntos em um plano maligno, não é isso que você acha querido Sr.Hart?!
Ele suspirou.
– Violet, sabe que não é assim que eu penso — disse o diretor.
– Mesmo?! Porque acho que era o que você estava prestes a dizer. — ela parou ao lado de Andy — Se vocês querem saber, eu me encontrei com ele apenas duas vezes. E em nenhuma, eu não revelei absolutamente NADA sobre o que está acontecendo aqui. Ao invés disso consegui descobrir onde ele está morando, e sim, ele está planejando algo, está com várias gárgulas para ataque e alguns dragões macabros.
– O que ele te perguntara? — indagou Meredith.
– Perguntou sobre alunos novos. Ele sabe sobre o escolhido. Tenho quase certeza de que as aranhas de ontem foi coisa dele. Noah desapareceu.
– Noah era um dos alunos novos — completou Becky, e Violet assentiu.
– Isso é preocupante. Ele quer o escolhido. Deve saber do que se trata a maldição, e deve estar do lado dela. — disse sr.Hart — mais alguma coisa?
– Sim — ela respondeu, e retirou a chave e o bilhete do bolso — fiquei sabendo que ele esteve aqui nessa madrugada. Não sei ainda como, mas isso vai ajudar a decifrar algo.
Meredith pegou o bilhete e o leu.
– Eis a chave que abrirá sua mente.
– O que acha que pode significar? — perguntou Avy.
– Ou é a chave para algo que ele quer que saibamos, ou é só um jogo para nos fazer perder tempo — disse Violet — seja o que for, vamos descobrir.
Todos assentiram.
– Ah, acrescentando sobre a madrugada de ontem... Eu, Meredith e Raver revistamos todo o castelo, e não encontramos nada faltando. Acho que conseguiram o impedir de realizar o que ele desejava. De qualquer forma, revisaremos de novo. Se tem uma coisa que Joseph é, essa coisa é um gênio. Pode ter programado algo para que ganhasse tempo.
Sr.Hart suspirou.
– Então é isso. Estão liberados para participarem da prova. Menos você, Avy. Precisamos conversar.
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