A Lenda de Luttern

6 Capítulo 6 - Teia


Notas iniciais
Uma nova ameaça surge, e uma nova pista aparece...

Violet ficou parada apenas encarando por um tempo, depois balançou a cabeça e saiu.

– Ah, droga — reclamou Andy, indo atrás dela.

Avy simplesmente não sabia o que fazer.

– Devo fazer alguma coisa? — perguntou ela.

– Absolutamente não. — disse Becky, passando a mão no monte de neve que Andy criara, agora espetado rigorosamente com milhares de estacas de gelo — não deixe essa bola de neve maior do que já está... — ela riu — Entendeu? bola de neve, porque... Ok, não é hora para piada.

– E não tem graça também — respondeu Matt, e Becky deu um soco leve no braço dele.

Avery suspirou.

– Isso não é bom.

Eles foram treinar na floresta que rodeava o castelo antes da ponte, pois mais gente chegava e a notícia se espalhava rápido. Pelo jeito quase todos no colégio estavam sempre falando de Violet. Avy só não entendia o motivo.

– Por que a Violet causa todo esse impacto no colégio? O que ela tem de mais? Para mim ela é só um rosto bonito com muito lápis preto e altamente estressado que acha que pode fazer o que quiser.

– A dona desse rosto bonito e estressado também é filha de Joseph Silverstrow — informou Matt.

– E quem é esse?

– Ah, quem ? — disse Becky levantando as sobrancelhas — é só tipo, o maior inimigo dos últimos tempos que essa dimensão teve que enfrentar. Faz tempo, uns 15 anos atrás. Acabou quando ele desapareceu misteriosamente.

– Quantos anos Violet tem?

– 15 — respondeu Matt — ela era um bebê recém-nascido.

– Acho que você consegue entender agora o porque de Violet ser do jeito que é. Tanto seu pai, Joseph, e sua mãe, Katherin, eram alunos de Verídion. Katherin era de Windstein, e seu poder era literalmente uma tempestade, tornados, raios, tufões, enfim. E era uma das melhores alunas, tanto como Joseph, ele era... Aparentemente normal, e tinha um amor enorme pelo pai. Ambos com a mesma desconhecida força. A da ilusão e visão. Os olhos cinzentos dessa família são a arma mais perigosa, apenas um olhar de ataque e seus maiores medos parecem ser reais na sua frente, alterando seu psicológico e o deixando louco. nada vence o psicológico numa batalha, como sempre dizem, sua mente pode ser sua maior arma, ou sua maior inimiga. O pai de Joseph era imortal, o único poder que o filho não herdou. J. Silverstrow ia todo final de semana visitar o pai, até que, em uma reunião de pais, ocorreu um ataque de uma criatura com cem cabeças flamejantes. dizem que os antigos diretores da época, os pais de Sr.Hart, simplesmente fugiram, e o pai de Joseph morreu tentando enfrentar o monstro sozinho. Desde então Joseph mudara, jurou vingança mais do que tudo, na mesma época que descobriu que Katherin estava grávida. Ele mandou monstros para atacar o castelo, iniciou uma guerra, mas acabou considerado morto depois que sumiu perto do abismo sem fim e nunca mais apareceu. Katherin também não foi mais vista, mas encontraram Violet depois de uma batalha, ela tem a marca de Silverstrow no pulso, não tinha como esconder seu trágico passado. — explicou Matt.

– E Violet tem a mesma força maligna do pai. Sr.Hart diz que os dois são muito parecidos, tanto no temperamento quanto na aparência — comentou Becky — E ainda por cima também tem um pouco do poder da mãe. A única aluna que possui dois poderes diferentes.

– Aquele dia que fomos conversar com sr.Hart, parecia que eles discutiam sobre ela estar vendo o pai. Isso é possível, sendo que ele já está morto?

– Ninguém podia afirmar de fato que ele estava morto, ele simplesmente desapareceu.

– Bem — disse Avy — parece que ele não está.

– E Violet tem saído escondido para encontrá-lo. — disse Becky.

– Achei que ela o odiasse. — relembrou Avy.

– Ela o odeia.

Matt balançou a cabeça.

– Então Silverstrow está de volta depois de 15 anos. Como a lenda dizia "o antigo inimigo está de volta"

– O que acha que Joseph Silverstrow tem a ver com a Lenda? — perguntou Avy, preocupada.

– Não sei. Mas creio que em breve vamos descobrir e...

Matt parou de falar quando um vulto preto passou entre as árvores. Depois um ruído monstruoso foi ouvido e o tempo fechou.

Becky se preparou para atacar.

– Vamos, apareça, estamos preparados!

Mais um vulto preto passou. Quando eles olharam para trás, uma gárgula gigante monstruosa ruía com as asas abertas e o olhar sangrando.

Becky fez o mesmo ataque de estacas que quase tirou a vida de Avy.

Inesperadamente, o poder apenas atingiu e congelou uma árvore, pois o monstro havia desaparecido.

–--

Violet ignorou Andy o dia inteiro.

Poucos minutos antes da meia noite, o horário em que as portas eram trancadas, ela gastava o tempo na ponte que levava até a entrada do castelo, observando o rio correndo agitado sob ela. Essa noite não iria sair escondido. Não que ela tinha medo do que sr.Hart poderia fazer se descobrisse que ela tem saído de novo, a garota apenas não estava no clima.

Já fora três noites que ela deixava seu quarto e saía, por teletransportação. Ela tinha esse poder, e também o de ler sua mente, sabendo o que você vai fazer antes mesmo de você, se multiplicar e "bugar" seu cérebro com imagens e ilusões psicológicas.

E sim, nas três noites ela encontrara o pai., que de uma hora para outra resolveu mostrar que não estava morto.

– Finalmente achei você! — Era Andy. Usava uma jaqueta jeans e andava na direção dela.

– Falei para não me procurar.

Andy suspirou.

– Para com isso, Violet. Ainda tá brava por causa daquilo? — ele parou na frente dela, centímetros de distância.

– Daquilo o quê? — ela provocou.

Andy suspirou de novo e passou a mão no cabelo, bagunçando-o.

– Eu já disse. Eu estava apenas a ajudando.

– Você tá sempre ajudando todo mundo.

– Quer que eu pare de ajudar as pessoas?

Ela revirou os olhos.

– Não é isso. Quero que pare de ajudar pessoas que só estão interessadas em você.

Andy riu.

– A garota quase foi acertada com mil estacas de gelo.

– Mil estacas de gelo que vieram da desastrada da sua irmã, que por acaso é amiga dessa garota, pode ter sido tudo um plano para você salvar ela. Não confio na sua irmã, ela não gosta de mim, e ela é maluca.

Andy riu novamente.

– Ela pode ser maluca, mas é uma das melhores pessoas que eu conheço, e nunca faria isso.

– E por que não?

– Porque ela sabe que eu te amo.

Violet não conseguiu e deixou um meio sorriso escapar.

Andy se aproximou, pousando as mãos em sua cintura, e beijando sua testa.

– Relaxa, ok? — ele sussurrou.

– Você gosta mesmo de mim? — ela perguntou, séria.

Ele apertou os olhos azuis.

– Por que tá perguntando isso?

– Por que... Sei lá. Você é sempre legal, e tá sempre ajudando todo mundo, e todo mundo te ama. E eu sou totalmente o contrário disso.

– Não é totalmente o contrário disso — ele disse — E é por isso que eu gosto de você. Porque eu sei quem você é de verdade, sem que você precise esbaldar isso.

Ela sorriu e ele passou a mão no cabelo longo dela. Logo o sorriso se desfez.

– Você sabe que eu tenho encontrado Joseph. — ela falou.

Andy suspirou e balançou a cabeça, decepcionado, mas sem se afastar ou tirar a mão da cintura dela.

– Não quero que continue fazendo isso.

– Você também acha que ele pode me influenciar e me fazer seguir o mesmo caminho que ele?

– Não, porque eu te conheço e sei que você não deixaria. Mas acho perigoso o que está fazendo. Você sabe o que ele é capaz de fazer, se ele está de volta depois de tanto tempo, é porque tem algum interesse em jogo. Cuidado, ele pode estar tentando te usar.

– Eu nunca respondo as perguntas dele. Eu o odeio.

– Então por que continua se encontrando com ele?

Ela suspirou.

– ... Porque.... Eu nunca soube sobre minha família, minha mãe. Não acredito que ela esteja morta, porque ela não deixaria isso acontecer. Sinto que Joseph pode ter a resposta de onde ela está. Sabe como é duro não ter para onde ir no dia das mães? Antes que diga qualquer coisa, eu também acho que Silverstrow tem planos cruéis com essa volta, e acho que ele deve ser punido pelo o que já fez, eu já descobri onde ele mora. Pode-se dizer que estou também ajudando Verídion em uma investigação.

Ele assentiu.

– Isso seria bastante útil.

– Relaxa, Andy. Sei bem como me cuidar.

A noite estava estrelada, e o clima era agradável, ouvia-se o vento e as folhas batendo na floresta, e o correr da água cristalina no rio.

– São 23:49 — disse Andy, depois de um tempo — como quer gastar esses últimos 11 minutos?

Ela sorriu e o puxou para perto, encostando-se na barreira da ponte. Ele a agarrou na cintura e Violet mexeu em seus cabelos castanhos, trazendo o rosto dele para perto do seu.

O beijo foi interrompido um tempo depois com dois garotos que passavam na ponte, vindo da floresta. Um deles estava sujo com um corte feio no rosto, a camisa rasgada por garras, e mancava, andando com a ajuda do amigo, que estava inteiro, mas sujo e acabado. Eram Noah e Kin.

– Tem algo demoníaco na floresta! — um deles disse.

– O que aconteceu? — perguntou Andy.

– O que estavam fazendo na floresta a essa hora? — perguntou Violet, rindo.

– Isso não importa — eles responderam — Cooper sumiu. Aquela coisa deve ter pegado ele.

– Que tipo de coisa? — perguntou Andy.

– Eu não sei — disse Noah — Era demoníaca, um monstro horrível.

Andy lançou um olhar preocupado a Violet.

– Não podemos deixar Cooper lá sozinho com a coisa — falou Kin, entre suspiros de dor. — temos que voltar.

– Você está ferido Kin, não vai aguentar. Fique aqui e nós vamos — decidiu Andy.

Noah continuou e levou Kin para dentro do castelo, logo na entrada, encontrou Matt, que perguntou o que havia acontecido, e ele respondeu.

– A situação está piorando cada vez mais — ele disse, depois ajudou Kin o levando para a enfermaria.

– Os portões já vão fechar — disse Noah, voltando a ponte.

– Dane-se os portões — falou Violet.

Noah os guiou para dentro da floresta de pinheiros, pelo trajeto que havia feito com os amigos, iluminando sua mão com uma bola de fogo. Tanto Noah, Cooper e Kin tinham esse poder, os únicos do castelo que vinham de Firety. Kin, era o príncipe da dimensão.

– Eu não sei o que está acontecendo — disse Noah — monstros não são vistos há quase mais de quinze anos!

– É o ano que a lenda se profetiza — respondeu Violet — já era imaginável que coisas assim fossem acon...

Violet parou no meio da frase quando sentiu algo áspero e pegajoso a encostar, como uma barreira.

Noah iluminou mais o lugar, e o que tinha a frente de Violet era nada mais, nada menos, do que uma grande teia de aranha multante.

– Ai. Meu. Deus — expressou Noah, sussurrando.

Iluminando mais, descobriu-se que não era a única teia de aranha presente no local. Espalhada entre os pinheiros, haviam várias, todas gigantescas. Um círculo se formava entre elas.

– É um ninho para presas — sussurrou Andy, tenso — Uma armadilha.

– Então ela deve estar por per..

Essa foi a vez de Noah parar no meio da frase. Ele reparou o olhar tenso e a paralisação dos dois a sua frente, e logo depois sentiu uma gota gosmenta cair sobre seu ombro.

Ele fechou os olhos, paralisado com a respiração tensa.

– Está atrás de mim, não está ?- entendeu-se na leitura labial.

Uma aranha gigante, do tamanho de um elefante, com oito olhos vermelhos e pelos os encarava faminta.

"Não se mecha" Violet disse na cabeça dele.

Tudo estaria sob controle, se um maldito galho não tivesse caído.

A criatura gritou, fazendo gosma saltar da sua boca. Num movimento rápido, Noah se iluminou inteiro em chamas, mas surpreendentemente, a criatura pareceu gostar, e em uma pernada o lançou sobre a teia, o deixando imóvel, ele se assustou mais quando viu quem estava do seu lado, morto e sem um braço.

Cooper.

Ninguém era capaz de escapar da teia.

– Socorro! — gritou Noah, vendo que o monstro saltava para o abocanhar.

Andy lançou uma flecha de gelo, que não foi capaz de congelá-la inteira, mas a distraiu. Agora ela saltava sobre Andy. Ele rolou para o lado, a fazendo abocanhar terra, deixando-a cada vez mais enfurecida.

– Não vai conseguir tirar Noah, a teia é praticamente invencível — gritou Violet, do outro lado — Eu vou distraí-la e você atira uma flecha.

– Assim a teia se congelará e quebrará! — ele seguiu o raciocínio.

– Nossa como você é inteligente! Pensou nesse plano sozinho?! — Violet foi sarcástica.

A aranha desabocanhou o chão e continuou a correr até Andy. Violet surgiu na frente enquanto Andy fugia para fora de vista da fera.

Quando o monstro abocanhou Violet, a imagem dela e se transformou em fumaça.

– Parece que você se enganou, não é mesmo? — disse outra Violet, surgindo no alto de uma árvore.

A aranha escalou com uma velocidade incrível, e mais uma vez a imagem da garota se transformou em fumaça.

– Tsc, tsc — riu Violet, agora encostada relaxada no galho de outra árvore — oito olhos e não sabe distinguir o que é real e o que é ilusão.

Dessa vez o monstro recuou ao tentar atacá-la.

Andy aproveitou e lançou uma flecha de gelo certeira no centro do ninho. O gelo foi se espalhando e congelando-a inteira.

– Noah — chamou ele, baixinho — tente se aquecer com fogo o mínimo possível, só para não correr risco de virar picolé.

– Não confia em mim? — Violet desafiou aranha — acabou de se tornar um pouco mais esperta do que eu achei que seria.

Outra Violet surgiu no chão, e aranha pulou em cima dela, que se desfez em fumaça.

– Monstro idiota — ela ressurgiu na mesma posição no galho da árvore — Eu era a real.

Ouviu-se o estalar da teia congelada rachando em pedacinhos e se quebrando no chão, fazendo Noah cair.

Ele se levantou desastradamente e correu da aranha. Violet surgiu na frente para a distrair da mesma maneira, ela a atecava, e depois descobria que era só ilusão.

Em um momento rápido, Andy dispensou o arco e usou estacas de gelo como ataque, elas perfuraram a aranha, a fazendo enfraquecer e morrer.

Violet suspirou aliviada, surgindo ao lado da criatura.

– Acho que acabou.

– Onde está Noah? — indagou Andy, percebendo que ele sumira.

Violet estreitou os olhos e começou a chamar pelo nome.

– Já acabamos com a aranha!

Mesmo depois de muito chamar e procurar pela floresta, nada fora encontrado, nem mesmo um sinal. Eles resolveram que contariam o acontecido pela manhã, principalmente por causa de Kin, o único dos colegas inseparáveis que eram ele, Noah e Cooper, que restou. Ninguém poderia imaginar como ele lidaria com a notícia. Seria uma lástima para todos.

Andy entrou em seu quarto por uma escada de gelo, mandando Matt, seu colega de quarto, deixar a janela aberta. Violet simplesmente se teletransportou para lá.

Quando ela entrou em seu quarto. Um lugar com uma decoração cheia e perturbadora, com muito preto, marsala e estilo gótico; algo brilhante refletia a luz da lua. A garota acendeu o abajur na cômoda, na frente da porta se encontrava o tal objeto refletor. Ela se aproximou e descobriu que era uma chave dourada com desenhos em espirais que alguém havia deixado, mas quem?

Havia um bilhete também, e nele dizia:

Eis a chave que abrirá sua mente

Ass. J.S



Era o bastante.

– Joseph Silverstrow — disse Violet para si mesma.

Notas finais
No próximo capítulo, o inimigo está mais próximo do que nunca... Então é isso, espero que tenham gostado, e até terça! (12/01/16) Xoxo