A Lenda De Devin
1 Portal
Alan era um garoto normal. Bom, normal no seu mundo, já que a maioria das pessoas que tinham contato com o jovem o achavam, no mínimo, estranho. Gostava de animes, mangás, jogava muitos MMORPG's, e, por isso, por muito tempo não teve amigos. Tinha 17 anos, e estava no último ano do ensino médio. Já havia se acostumado com tudo isso, com seu universo fechado, com seus poucos amigos, com as constantes desavenças na família. Sua rotina era a mesma, desde a 8ª série. Acordava, ia para a escola, voltava, almoçava e passava o que lhe restava do dia no computador, vendo animes, jogando, escrevendo. Não era uma rotina muito agitada, mas para ele, isso bastava. Nossa história começa em uma segunda feira, não muito diferente das que ele já havia passado — até hoje.
A rotina se iniciava novamente, como em todas as segundas, como em todos os dias da semana. Estava indo para a escola, o relógio marcava 7 horas da manhã e não havia ninguém nas ruas a essa hora, com exceção de um ou outro trabalhador ou senhores de idade que costumavam passear cedo com seus animais. Ele gostava de chegar cedo na escola, pois assim podia ficar na sala lendo, ou estudando para alguma prova. Não gostava da confusão que se criava logo mais tarde nela, com seus colegas conversando alto, fazendo brincadeiras e alguma piada estúpida e pouco gentil sobre algo que estaria acontecendo no momento.
Estava fazendo o caminho habitual para a escola, quando algo lhe chamou a atenção. Parou, e dirigiu seu olhar ao beco que estava diante de si. Sentia que havia algo errado, mas não sabia distinguir o que. Em uma das paredes, Alan podia ver um símbolo... um símbolo que lhe parecia familiar. Era um círculo que continha alguns desenhos em seu interior, que remetiam o pensamento de Alan aos hieroglifos egípcios. Tocou, e no mesmo instante, fora sugado para dentro da parede. Sentia-se voando, flutuando no vácuo, era uma sensação boa, mas subitamente caiu no interior de uma floresta. Não era uma floresta como as que conhecemos. Sua queda fora amortecida pela vegetação fofa e alta que ali havia. Alan conseguia observar árvores muito altas e enormes. Os troncos eram largos, e as folhas, proporcionalmente. As flores que haviam ali eram muito bonitas, e ele começou a explorar o lugar. Olhou para trás de si, e viu o mesmo símbolo que havia tocado no muro do beco, pairando no ar com um fraco brilho roxo ao seu redor. Tentou tocar no símbolo, para quem sabe voltar, mas sem sucesso. Talvez fosse um portal, pensou ele, mas não sabia como voltaria, já que não fazia a mínima ideia de onde estava, e pelo visto, o portal só poderia transportá-lo para este lugar, ou fora fechado por alguém no outro lado — embora isso fosse uma ideia não muito convincente. Alan acreditava que estava sonhando. Era mais fácil de acreditar.
Viu que havia uma pequena trilha no meio das árvores frondosas, e, logicamente, começou a segui-la, em busca de alguma civilização, ou de alguém para explicar a ele o que fazer, ou como voltar para sua casa.
Andando pela floresta, percebeu flores cada vez mais bonitas, algumas pequenas e outras grandes, com diferentes cores. Haviam plantas variadas, exóticas, que se não pareciam em nada com as plantas que estava acostumado a ver, nem com as que pôde ter conhecimento pelos livros, mas em parte elas se pareciam com as que havia visto em jogos. Andou por algum tempo, mas não conseguia determinar quanto, pois seu relógio de pulso havia parado de funcionar. Já estava cansado, tinha certeza de que não encontraria nada ali e de que logo o despertador iria tocar para acordá-lo desse sonho inusitado. Neste momento, observou logo no horizonte um penhasco. Direcionou-se à beira dele, para tentar observar a densa floresta de cima e perceber algum sinal de um povoado... Aproximava-se das descobertas ímpares que mudariam sua vida.
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