A Lenda De Devin
2 O início
Na beira do penhasco, Alan teve uma visão de algo inacreditável. Era como uma cidade, mas não era habitada por humanos, e sim por criaturas altas, com rostos finos e delicados, cabelos compridos de cores variadas — de longe, o jovem conseguia distinguir alguns cabelos azuis e lisos, outros em tons de roxo e cacheados, como se fossem naturais. Viu apenas alguns relances de cabelos brancos em armaduras reluzentes. Então eles eram mesmo... elfos?
Alan conhecia pouco sobre elfos, tudo o que sabia provinha dos jogos que normalmente dispunham uma classe élfica para os jogadores criarem seus personagens. Nestes jogos era sabido que eram excelentes arqueiros tinham destreza e agilidade inigualáveis, além de serem muito belos, altos e terem vida longa. Eram bastante altos comparados à Alan, que era um garoto de estatura baixa. Alan estava deslumbrado com isso tudo, mas não sabia por onde começar, nem se deveria se aproximar mais.
Passou por um grande pórtico feito com algum tipo de madeira branca, entalhado com formas harmônicas ora arredondadas e ora pontudas. Haviam algumas sentinelas no pórtico — e estas sentinelas possuíam cabelos brancos, lisos, armaduras de malha brancas com detalhes em roxo e verde. Como não pareceram ser hostis, Alan adentrou então os limites da cidade.
Pelo que pôde observar, concluiu que estes elfos vivam em árvores, e faziam jus às lendas de serem criaturas devotas da natureza. Continuou observando atentamente tudo e todos, e sendo observado com mais desconfiança do que ele mesmo os via. Bem, ele era um garoto baixo, com feições diferentes, olhos escuros, — bem diferentes dos tons de violeta, anil e cinza que os elfos carregavam — cabelo negro e curto e um traje completamente... estranho. Continuou andando, até que encontrou um grande salão, embutido em uma árvore. Todas as construções nesta cidade eram assim, feitas dentro das grandes e frondosas árvores, grandiosas o suficiente para criar ambientes amplos em que qualquer criatura humanoide pudesse viver. Assim, logo entrou no salão principal e notou que todo aquele espaço era decorado, era possível sentir uma atmosfera diferente da presenciada no universo de Alan. Haviam estátuas belas de animais desconhecidos, algumas estátuas com símbolos e no centro daquele local pendia uma luminária entalhada com motivos de espirais, ondas e uma triquetra no centro. Um elfo aproximou-se de Alan e falou alguma coisa ininteligível para os leigos ouvidos do jovem. Uma outra língua, certamente.
–O-oi, você poderia me dizer aonde estou? — falou Alan — Eu estou perdido, não sei como vim parar aqui, alguém pode me ajudar?
O elfo assentiu com a cabeça antes de sair. Alan continuou caminhando pelo salão para tentar descobrir mais sobre o lugar. Haviam poucos elfos por ali, mas todos olhavam para ele. Parecia ser um objeto de curiosidade por ali — e na verdade, era mesmo. O elfo que havia "falado" com ele desceu as escadas em espiral que situavam-se no outro lado do salão, seguido por uma elfa. Ela tinha longos cabelos brancos e lisos, e portava um diadema em sua cabeça. "Deve ser alguém importante", pensou, "pois em qualquer local, um diadema é sinal de nobreza. Ainda mais um reluzente desta forma, com uma pedra tão bonita no centro...". Logo, o elfo que lhe havia atendido fez uma reverência à elfa, e saiu.
–Então, você é um humano? O que fazes aqui?
–S-sou.. Eu não sei como vim parar aqui, eu queria voltar para casa.
Alan estava impressionado, pois a elfa falava sua língua muito bem, sem falar que era encantadora. Usava um vestido longo, azul claro, que deixava seus ombros e pescoço à mostra e um colar de ouro, provavelmente, com um pingente na mesma forma do símbolo que havia visto no muro do beco.
–Oh, onde está a minha educação? Eu nem mesmo me apresentei... Sou Devin, princesa dos elfos.
–Meu nome é Alan, sua majestade. — abaixou a cabeça em reverência, da mesma forma que o elfo havia feito — Eu sou... bom, não importa. Prazer em conhecê-la.
–Prazer. Bom, venha comigo, vou te mostrar onde você pode ficar.
Devin foi andando, e atravessou o salão com Alan atrás. Foram andando pela floresta, por uma trilha entre as plantas. O jovem queria perguntar a ela o porquê de tudo isso, de ser atendido logo pela princesa desta cidade desconhecida, de estar ali, o porquê de haver tantas réplicas daquele símbolo que o portal que o trouxera para lá continha, mas preferiu ficar em silêncio. Com exceção de algumas perguntas que a princesa o fazia, como por exemplo, a sua idade, não falou muito. Ele desejava saber mais sobre ela, porém sentiu receio, afinal, ela era uma princesa...
Devin parou diante de uma frondosa árvore, muito maior que a última. Entraram no local e haviam várias escadas, que levavam para diferentes troncos dela.
–Estou lhe acompanhando até a Sala do Trono, pois o Rei e a Rainha élficos estão esperando sua vinda, Alan. Vamos.
As dúvidas dele triplicaram neste momento, pois não sabia o que aconteceria, nem como eles poderiam ajudá-lo. Também lhe era duvidoso o fato de que de alguma forma, parecia que era para ele estar ali, que todos o aguardavam. Só o que lhe restava era confiar em Dev e aceitar o destino que lhe esperava.
Fale com o autor