A Lenda De Devin
3 A Paixão
Dev e Alan foram acompanhados do corredor principal até uma sala mais afastada, e era quase impossível chegar lá sem ajuda, pois era fácil se perder dentre todos os corredores e portas que haviam por ali. Mas, de longe, percebia-se que ali não era uma sala comum; haviam guardas desde a entrada do corredor que levava à sala que o Rei e a Rainha élficos estavam, até a porta.
Pararam em frente à porta, adornada com algumas inscrições que Alan não conseguia diferenciar. As maçanetas pareciam ser de alguma gema preciosa, reluziam contra a luz dos candelabros no teto. Um dos elfos que faziam a guarda da sala a abriu, revelando um espaço com uma atmosfera diferente de todos os outros. Alan sentia-se como se estivesse rodeado de magia. Neste salão, havia uma fonte no meio dele, e dois tronos mais atrás; eram feitos de pedras, mas não pedras normais, eram semelhantes à mármore branco, polido e brilhante. Haviam pequenos seres em todo o salão, luzinhas que enchiam os olhos, como fogos de artifício. Também haviam borboletas, e tudo era muito impressionante, nada parecia real ali.
Dev pegou na mão de Alan e o levou até a frente dos soberanos. Fizeram uma reverência, e ele não sabia como se portar perante à eles, mas Devin o ajudava.
–Bem, Alan, deixemos as formalidades de lado. — disse prontamente a Rainha. — Eu sou a Rainha do reino dos elfos, meu nome é Valenthiny, e este é o Rei élfico, Lanty. Queremos lhe dar as boas vindas, e, como sabemos, você quer voltar para casa, certo?
–Sua Majestade, gostaria de agradecer por isso, e, sim, eu gostaria de voltar para casa, se fosse possível encontrar outro portal semelhante ao que eu vim para cá. Saibam que se necessitarem de alguma coisa que eu possa fornecer-lhes, eu o farei com toda a minha dedicação.
–Se precisarmos, então, lhe chamaremos. Seja bem-vindo ao reino élfico, ou, Aithnushar. Bem, Dev irá lhe acompanhar até suas novas dependências. — falou cautelosamente o Rei Lanty. Percebia-se por entre sua expressão que algo sério ia acontecer, mas ele tentava conter. — Talvez necessitaremos de você logo, então, descanse por ora.
Dev e Alan fizeram uma reverência novamente, e saíram da sala. Alan estava ainda tentando entender se havia algo entre linhas na frase proferida por Lanty. "Talvez necessitaremos de você logo"... Isso não devia ser nada bom, pois conseguia captar na expressão facial de Lanty que ele estava tentando esconder algo sério. Mesmo assim, continuou andando, ignorando os guardas e quase perdendo-se de Dev por entre os inúmeros corredores que formavam um grande labirinto.
Esquecendo as preocupações que lhe afligiam, escondeu-se de Dev atrás de uma das paredes, tentando fazer um divertido jogo com ela, ali mesmo. Ela o procurava, e sorria quando ele a surpreendia de repente, pegando em sua mão e girando com ela por entre as salas. Ela era tão jovial, tão surpreendente... Alan arrancava sorrisos por entre os lábios de Devin, o que lhe deixava plenamente alegre. Adorava seus sorrisos, o seu jeito meigo e sua beleza irradiante.
Foi acompanhando Dev, que o levou até seu quarto, em uma outra árvore, no mesmo jardim. Entrou com ele até lá, e falou despretensiosamente.
–Bem, aqui está seu quarto, qualquer coisa, sabe que pode me chamar a qualquer momento. Meu quarto fica logo mais acima, alguns andares a mais, mas eu te ensinarei um atalho até ele, se precisar conversar com alguém...
–Oh, claro! Eu adoraria, Dev. Bem, como Sua Majestade Lanty recomendou, vou tomar um banho agora, e depois vou descansar um pouco. Posso te encontrar no jardim da entrada daqui a umas duas horas?
–Sim, sim, estarei lá então. Quero te mostrar uma coisa. Até mais tarde.. — e Dev beijou-o na bochecha, saindo do quarto logo em seguida, com um sorriso em seus lábios.
Duas horas depois, quando o céu já estava mudando de cores, Alan foi para o jardim, e viu Devin sentada debaixo de uma árvore frondosa. Ela levantou-se, e foi até ele. Usava um vestido longo, e um corselet por cima que realçava seu belo corpo, e deixava Alan mais do que impressionado com tamanha beleza. Mas "quem sou eu, apenas um humano, e ela é a Princesa do reino Aithnushar. Quais são minhas chances com ela?", pensava Alan. Dev aproximou-se, o abraçou, e deu um beijo em sua bochecha.
–Vamos? Quero que veja isso logo... já está quase na hora!
–Vamos, mas aonde?
–Você vai ver, Alan!
Dev saiu por um caminho que parecia não ser usado, pois ali não havia trilha, e Alan seguiu-a, curioso para saber o que o esperava. Conseguia ver que havia uma pequena colina mais à frente, estavam contornando as duas árvores-castelo por trás delas. Era um jardim muito bonito, com flores e árvores que tinham beleza exemplar. Não se viam flores assim em nenhum lugar do mundo em que Alan vivia, eram espécies do reino élfico. Alan parou por um momento, e Devin fez o mesmo, olhando em seus olhos. Ele pegou uma das flores, e olhou para ela, sorrindo, hesitante.
–Elas são muito bonitas. — disse, colocando a flor por entre os longos cabelos de Dev, que deixou escapar um sorriso tímido por entre os lábios.
–Sim, elas realmente são..
–Mas, nenhuma delas compara-se à sua beleza.
Terminando de falar isso, Devin aproximou-se mais dele, faltando pouco para seus corpos encostarem-se completamente, mas virou-se e correu em direção à colina, sorrindo com seu jeito jovial que deixava Alan cada vez mais encantado com ela. Alan a seguiu, correndo também, como em um filme. Chegaram no topo da colina, e sentaram-se, lado a lado, observando a perspectiva do horizonte. O pôr-do-sol estava ali, diante deles, e a noite se aproximava lentamente. Era uma vista que ele nunca tinha imaginado presenciar antes, mas agora estava ali, observando a explosão de cores da Aurora Boreal vista ao lado de uma garota por quem estava apaixonado.
Dev olhou nos olhos de Alan, tocou seu rosto delicadamente, estavam tão perto que podiam sentir a respiração um do outro, e ela o beijou. Esqueceram de tudo e todos, nada mais além daquele momento importava. Alan parou, para contemplar a beleza da princesa élfica, que estava ali, que havia entregado-se para ele naquele momento, era tão mágico, parecia ser tão... irreal. Logo ele, alguém que sempre fora desprezado por todos, agora estava ali deitado ao lado de Devin, contemplando as infinitas estrelas que a noite proporcionava à eles. Ainda conseguia distinguir restos da Aurora Boreal que antes os enchia os olhos, algumas cores roxas e verdes em nuvem pelo céu. Estava sendo tudo tão especial... mas ele sabia que nada disso ia ser para sempre.
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