A Lenda De Devin
4 O Aviso
Alan acordou, em seu quarto, lembrando-se da imagem de Dev naquela noite, do céu estrelado com uma explosão magnífica de cores boreais, e percebeu que estava sorrindo com tudo aquilo. Era perfeito, sim, e muito. Mas pressentiu que algo de mal ia acontecer, e logo.
Levantou, arrumou-se, e resolveu sair do quarto para tomar um ar. Não sentia falta de casa, faziam apenas alguns dias que estava ali, mas sentia-se bem, confortável, não queria voltar mais. Seus pais o menosprezavam, não tinha amigos e nada que o prendesse à sua antiga rotina. Caminou pelos corredores vazios, parou diante de uma pequena fenda, e percebeu que deveria ser umas 9 horas, pela posição do sol. Desceu para comer alguma coisa, e quando voltou, encontrou um pequeno duende em seu quarto.
–O-olá, senhor Alan?
–Sim, sou eu...
–Eu tenho um recado do Rei Lanty. — deixou uma pequena carta em cima da mesa de canto, e andou apressado, com uma expressão assustada. — Por favor, ajude-nos... é muito importante... — falou diante da porta, e saiu porta afora, afobadamente.
"-Mas.. que diabos de recado deve ser esse, tão importante?", pensou em voz alta Alan, enquanto dirigia-se até a mesa. Abriu o envelope selado e tirou um pequeno pergaminho do seu interior.
"Alan,
Envio-te esta carta informal pois tenho um comunicado sério a fazer-lhe, uma convocação, na realidade. O reino vizinho roubou o principal bem de nosso reino, a Pedra Raerual. Ela ficava em domínio dos sacerdotes da montanha, e pelo que sei, orcs invadiram o templo, mataram alguns sacerdotes e levaram a Pedra Sagrada com eles, à mando do Rei do reino Hélix. Precisamos de sua ajuda, pois isso foi uma declaração de guerra, praticamente, e queremos que você nos ajude.
Devin é uma elfa com fonte de seu poder na Raerual, ou seja, sem ela, Devin não é mais a princesa, e poderá ficar fraca. Se isso não for motivos suficientes para você ficar ao nosso lado, eu lhe prometo a mão dela em casamento. Assim que tomar uma decisão, venha o mais rápido possível à minha sala. Obrigada.
Lanty."
Alan ficou confuso com a carta, ele iria lutar na guerra, simplificando? Não sabia lutar, não tinha forças, ia morrer no primeiro minuto em um confronto! Mesmo assim, pelo que pode perceber, a Pedra Raerual era a fonte do poder nobre e psíquico de Dev, e ele precisava dela mais do que tudo!
Correu para a sala de Lanty, no mesmo minuto. Não haviam guardas na parte de fora da sala, e empurrou levemente a porta, que estava encostada. Entrou.
–Oh Alan, sábia decisão. — Falou Lanty, sentado majestosamente em seu trono. Estava cercado de guardas. — Bem, eu preciso lhe dar mais detalhes sobre como você poderá nos ajudar ainda...
–Eu nunca lutei, mas eu estou pronto para ajudar no que for preciso — proferiu Alan, depois de fazer uma curta reverência -, se isso for ajudar a Dev. Apenas diga-me, majestade, em que posso ajudar-lhe.
–Eu tenho conhecimento de que você costumava jogar uma espécie de jogos em aparelhos na sua vida cotidiana, certo?
–Sim, eu jogava, mas...
–Bem, que tipo de jogos eram?
–Estratégia, luta, guerras, jogos desse tipo. Porque a pergunta, majestade?
–Isso nos vai ser bastante útil, Alan. Você já andou em cavalos, alguma vez?
–Não.. em cavalos não.
–Bem, será um pouco complicado, mas um serviçal lhe acompanhará até o nosso estábulo depois. Você aprenderá a voar, em dragões.
–Dr-dragões? Dragões... de verdade? — ficou espantado, realmente. Era um garoto nerd sedentário, nunca havia praticado nenhum esporte, muito menos cavalgado, e iria aprender a voar?
–Bem, aí está o duende que lhe acompanhará. Desejo-lhe boa sorte. E, obrigada, mais uma vez.
–O-obrigado...
Retirou-se da sala, após fazer outra curta reverência à majestade, e seguiu o pequeno duende. Saíram do castelo, e entraram em uma pequena carruagem, até uma parte mais afastada do reino, mas que ainda estava dentro dos limites dos muros altos e aparentemente impenetráveis, que lembravam os da antiga cidade de Tróia.
Alguns minutos depois, Alan e o duende, que se apresentara como Abaturc, desceram e foram até uma espécie de estábulo. Não era como um estábulo qualquer, dos que Alan conhecia, pois era muito maior, e alto. Entraram, e depois de caminharem por vários corredores e passarem por vários portões enormes, pararam diante de um pátio. Alan estava maravilhado com o que via; dragões de todos os tipos, cores, tamanhos e espécies. Viam-se saídas para partes separadas, acima das colinas, para os tipos de dragões específicos. Um grande portão que levava até um monte de gelo, para os dragões da neve; outro portão com uma colina para dragões de terra; um outro descia e dava para ver uma água cristalina ao fundo, e um vulcão mais afastado, com um portão interligando-o. Claro, ficavam muito afastados, levaria-se horas para chegar lá, mesmo com uma carruagem, e todos os dragões tinham coleiras, para evitar que se descontrolassem e/ou fugissem.
Abaturc deixou Alan observar todos por algum tempo, e depois interrogou despretensiosamente o humano à sua frente.
–E então... Qual é o que você vai querer?
–Eu posso escolher qualquer um?
–Sim, são todos propriedade do Rei, e você tem permissão para escolher qualquer um, fora os que estão no habitat natural, nas colinas e vales ao fundo, pois esses já estão sendo treinados.
–Bem... qual você me aconselharia?
–Sinceramente, eu não faço a mínima ideia, senhor. Mas você não quer ir até lá, dar uma olhada de perto?
–Isso seria... — Alan não escondia a felicidade e excitação em sua voz -.. seria demais! Vamos lá!
Foram até perto dos dragões, e Alan ficou parado em frente ao portão, não queria correr riscos logo agora. Um dragão negro, jovem, aproximou sua cabeça de Alan, e ficou por ali. Parecia que o dragão o havia escolhido; Alan também tivera empatia com ele.
–Bem, e esse negro?
–Ele domina um poder elétrico; consegue criar raios e trovões, com energia.
–Então... eu acho que já me decidi.
–E qual vai ser o nome de seu dragão?
–Acho que Spindle combina com ele.
E assim, começaria seu treinamento, para conquistar de volta o mais rápido possível a Pedra Raerual, para devolver à Dev seu poder e sua nobreza. Queria a ver sempre em seu explendor, não gostaria de tê-la fraca psicologica e fisicamente, afinal, era uma princesa, e a garota mais linda que seus olhos tiverem a oportunidade de ver...
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