A Lenda De Devin
10 A Ida
Alan já estava em seu dragão, observando o mapa que lhe havia sido dado pelo gentil anão Davamros e relembrando os acontecimentos dos dias anteriores.
Lembrou-se da face estupenda de Allushat quando fora admitido pela Luz — Alan fora escolhido para todas as funções existentes em um mago. Seu mestre não entendera perfeitamente como isso acontecera, mas sabia que o jovem não o decepcionaria. Levou-no então cavalgar de volta para o interior escuro e denso da Floresta. Cruzaram com alguns orcs hostis, que estavam em um bando imenso em comparação à Alan e seu mestre. Porém, mesmo recém iniciado, Alan dominou magistralmente o controle da magia arcana e criou torrentes de magia para deixar todos os inimigos inconscientes, sem ajuda alguma do mago élfico que o acompanhava. Allushat estava realmente orgulhoso de Alan, e após tomarem para si algumas bolsas de ouro e dois amuletos, voltaram a cavalgar. Algumas horas após o confronto vitorioso com os orcs, chegaram na Vila Deephallow, encontrando novamente com Davamros. Ele parabenizou o novo mago e pediu que este ficasse mais alguns tempos; queria conversar mais com o garoto promissor. Porém Alan precisava partir, já havia ficado mais tempo do que deveria e também estava com pressentimentos ruins sobre aquela cidadela. Antes de ir, então, despediu-se de seu mestre, que deu-lhe um manto negro e uma veste longa também negra, com detalhes em tons de roxo e algumas pedras detalhando a cintura. Entregou ao jovem também alguns pergaminhos que poderiam auxiliá-lo quando por ventura esquecesse ou não pudesse invocar qualquer magia pela forma usual, bem como uma pedra azul, que traria Alan de volta à vila sempre que quisesse.
Alan antes de visitar seu dragão, voltou à taberna e comprou alguns poucos suprimentos para a viagem — mesmo sabendo que podia conjurar alimento para si e seu dragão, preferia não arriscar — e, então, fora ver Varanir e Spindle. O dragão parecia feliz e saudável, assim como aparentava ser um pouco mais poderoso do que antes de sua estada. Varanir desejou-lhes uma boa viagem e sorte na jornada que os esperava. O garoto entregou-lhe uma quantidade de ouro e então, finalmente, partiu com seu dragão.
"Você está mais poderoso, Alan. Está um pouco exausto; você esteve em batalhas durante estes dias?" Perguntou-lhe Spindle, telepaticamente.
-Sim, companheiro, hoje eu derrotei alguma dúzia de orcs na Floresta Blackshadow. Agora sou um mago... e eu posso sentir a Luz de forma magnífica.
"Wow. Seu cajado... ele é uma forma de comunicarmo-nos. Bem que eu soube que Varanir estava planejando algo com aquele pequeno dente que havia caído."
-O que você quer dizer com isso, Spindle?
"Bem, eu sinto que aí dentro existe uma parte minha. Existe algo seu neste cajado também, e assim, caso você um dia necessite, pode usá-lo para unir-nos em um único ser e assim nos tornarmos mais poderosos. É nisto que acredito."
Alan calou-se, e tornou-se pensativo. Pegou alguns de seus pergaminhos de sua bolsa e tentou ler o conteúdo; simplesmente não conseguia. Era algum tipo de runa, um idioma complicado para um simples humano. Guardou-nas, desistindo, e deitou sobre o dorso de seu parceiro. Resolveu descansar um pouco, observando as nuvens e sentindo o bater de asas do animal mitológico que tomava por amigo. O vento era frio na altitude que estavam, porém Alan não preocupava-se com isto, afinal, era um mago que dominava o gelo, o fogo, o poder arcano e as forças da natureza em si, então os elementos não poderiam fazer-lhe mal.
Adormeceu e sonhou. Sonhou com ela, com Devin. Acordou e sorriu por lembrar-se tão nitidamente de sua elfa, mas tão logo percebeu que quem tanto desejava não estava ali, próximo dele, tornou a pensar, acordado. Sentia que ela ficava mais fraca, e que precisava logo que ele voltasse para ela. Ele também sentia sua falta, mais do que a qualquer outra coisa que pudesse imaginar, mais do que seu computador, seus jogos e seus livros. Seus sonhos tornaram-se reais, o amor chegara em seu coração, mas ele necessitava terminar essa viagem logo. Pensava em seus pais, no que estaria acontecendo no seu mundo, mas não conseguia imaginar. Talvez estivesse há muito tempo longe de seu universo. Talvez tudo estaria sendo uma imaginação de sua mente. Talvez... eram apenas especulações de uma mente nervosa, ansiosa, de um jovem apaixonado. Fechou os olhos novamente, esperando acordar ao lado de Dev. Quem sabe, não é?
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