Era o primeiro dia de viagem, e ainda estava escuro quando Alan acordou. Desarmou seu pequeno acampamento, contemplou o nascer do sol por alguns instantes e lembrou-se do motivo de sua viagem. Sua amada... sonhava com ela todas as noites. Podia lembrar-se claramente, sonhava com a princesa mesmo antes de conhecê-la. Via-na nos sonhos como uma deusa, com uma aura ao seu redor, um vestido branco e ornamentos diversos. Talvez ela estivesse em sua vida há mais do que ele pudesse se lembrar...

Olhou em volta, mas não encontrou seu dragão, Spindle. Lembrou-se: dragões costumam explorar áreas desconhecidas, disse-lhe seu treinador. Pegou a ocarina em sua bolsa e tocou algumas notas ao vento, e em poucos instantes viu o animal místico sobrevoando sobre o sol, deixando Alan animado e com a mente cheia de pensamentos variados. Spindle podia ler seus pensamentos claramente, e logo estava em terra para que seu amigo e ele partissem à caminho do castelo do inimigo, para a batalha mais importante de suas vidas — e dos dois mundos que conhecera também. Alan apreciava a paisagem que o lembrava do universo de Tolkien e sentia-se parte das histórias da Terra Média, acreditava que isso era apenas um sonho impossível. Lembrou-se do dia anterior, tudo o que acontecera lívido em sua mente.

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Logo após o Rei dar-lhe a espada, Alan fora até os estábulos, para pegar seu dragão, porém fora impedido em um dos diversos corredores. Era uma voz conhecida, suave como o vento primaveril.

–Alan, espere, preciso falar-te uma coisa antes de partir... — Era Devin, correndo ao seu encontro, uma visão deslumbrante como nenhuma outra poderia ser.

–Si.. — Fora derrubado pela elfa, logo que ela pulara em cima do guerreiro que a protegeria. — Ei, calma, tudo ficará bem!

–Eu sei, eu apenas... não queria... deixá-lo ir embora. Queria ir com você.

Devin enlaçou seus braços sobre o pescoço de Alan, deitados no chão e roubou-lhe um beijo. Era um beijo urgente, e transmitia a ele tudo que ela queria dizer mas não tinha coragem — ou mesmo não sabia como fazê-lo.

–Mas você é a princesa, você precisa ficar aqui. — Levantou-se e ajudou-na a se levantar — Estás ficando mais fraca com o tempo, Devin.

–Sim, eu sei... eu sei... Mas não demore mais. Vá. Precisa partir o quanto antes.

–Adeus, minha princesa. Eu voltarei, e nos encontraremos em breve, eu acredito.

Devin o abraçou novamente, beijou-no e entregou-lhe um colar. Havia uma pedra na corrente dourada, que brilhava com uma intensidade sem igual. Alan observou o pingente atentamente, nele via todas as cores possíveis, e no centro havia um pequeno diamante de luz branca.

-Fique com isso, Alan. Te protegerá, será sua luz na escuridão, sua guia quando se sentir perdido e seu consolo quando precisar de um. Eu te amo...

Alan deu seu último beijo em Dev, e partiu, sem querer afastar os olhos de sua Devin. Ela, por sua vez, viu-no partir lentamente. Sorriu. Alan sumiu em outro corredor, também sorrindo, apesar de todas as dificuldades que viriam logo mais. Dev dava-lhe forças para enfrentar quaisquer obstáculos que viessem, e Alan dava à princesa calma e paz interior, necessárias para que continuasse vívida sem a força mágica de sua pedra. Era a força do amor.