A Lenda De Devin
7 A Aldeia
Alan e Spindle estavam voando sobre quilômetros e quilômetros de florestas densas e fechadas, perigosas até mesmo para o mais corajoso e preparado guerreiro (o que, certamente, não era o caso de Alan, a despeito da responsabilidade que o jovem carregava consigo), até que fora possível avistar uma pequena comunidade. "Talvez seja uma aldeia hostil...", pensou Alan, distraído. "Aquela? Não, são humanos. É uma pequena concentração de camponeses, que produzem alimentos e fornecem guerreiros para a proteção do castelo do nosso Rei Lanty.", disse Spindle. Alan sempre se esquecia que seu dragão podia ouvir e responder seus pensamentos. Talvez um dia ele se acostumasse...
O dragão negro assentiu com seu mestre que uma pequena pausa seria deveras auspiciosa — afinal, estavam viajando há quase dois dias sem descanso, e mesmo um animal como Spindle precisava de descanso. Alan olhou para o céu, e notou que nuvens formavam-se de forma rápida, enegrecendo o céu antes azul-celeste. Para ele, tudo conspirava a que parassem e ficassem alguns dias aproveitando da estadia de humanos à serviço do Rei, mas o que Alan não notou fora o brilho escuro que a pedra que carregava em seu colar emanava.
Pousaram alguns metros da aldeia, próximo à plantações e a pomares de frutas até então desconhecidas para Alan. "Mestre, vá com calma, lembre-se de apresentar o Selo do Rei para os camponeses.", disse o dragão, lembrando ao companheiro que aldeias produtoras como esta, quando tão próximas à florestas perigosas — como a Floresta Blackshadow, situada entre a capital élfica e a cadeia de Montanhas Icestorm (que demarca a metade da jornada de Alan e Spindle) — são precavidas com aventureiros, que podem ser ladrões ou piratas vindos pelo rio que corta a Floresta Blackshadow.
Alan adentrou os limites da cidadela, passando por alguns camponeses de vestimenta simples, protetores da aldeia, que trajavam vestes semelhantes aos dos camponeses, mas um tanto mais adornados, tinham uma espada embainhada em sua cintura e elmos de couro. Entrou em uma grande construção de pedra, com uma arquitetura medieval, feita de pedra e com dois andares de altura. Havia uma placa na entrada, indicando que esta era a estalagem e taberna da cidade.
Dirigiu-se ao balcão da estalagem Ironstronge, situado entre duas grandes escadarias de madeira, para pedir pouso e alguma informação sobre a aldeia e o que mais conseguisse. Pegou um pequeno sinete que encontrou em cima do balcão e tocou.
–Olá, aventureiro. O que você necessita? — falou o homem que acabara de sair de uma porta lateral, atrás do grande balcão de madeira.
–Ah, olá, eu gostaria de lhe pedir pouso. Estou à serviço do Rei Lanty. Tenho um dragão à minha companhia que também precisa de cuidados...
–Sim, você poderia me mostrar o Selo do Rei? — disse o homem enquanto o observava misteriosamente, com curiosidade nos olhos. — Quero dizer, nós não podemos confiar em você assim.
–Claro, claro. — dito isso, tirou de uma pequena bolsa a pedra que a Rainha lhe dera. Dentro dela, havia um símbolo, movimentando-se pelo vazio formado pela pedra transparente, mas de brilho intenso. — Isto serve?
–Bem, acho que isto serve, sim. Quanto ao seu dragão, leve o até o outro lado da nossa cidade, lá existe um antigo grão-mestre de dragões, que ainda possui sua estalagem com alguns dragonetes. Ele poderá lhe ajudar. Tenha uma boa estadia.
Alan pegou o pequeno pergaminho e colocou em sua bolsa. Virou-se e saiu da estalagem. Olhou para o céu novamente — estava um tanto nublado, com nuvens escuras aproximando-se pouco a pouco, mas o sol ainda brilhava tímido. Estava absorto em pensamentos, observando as muralhas da aldeia e logo mais atrás, a floresta formada por árvores gigantescas, quando viu, de longe, um casal sentado perto de um pequeno poço, conversando. Lembrou-se de sua princesa, e entristeceu-se por estar distante dela. Era também sua melhor amiga, sua confidente, sua amada. Pegou o pingente que ela havia lhe dado, e ele brilhava com uma gama de cores vermelha, que o acalmou e acalentou profundamente.
Sem parar de pensar em sua amada, foi até seu dragão. Havia muito o que fazer antes de partir desta cidadela desconhecida.
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