A Lenda De Daskari E Os 100 Oponentes
3 Capítulo 2 - No alto do edifício
Notas iniciais
Assim que eu terminei a frase, a porta abriu e Furoimo apareceu com uma sacola de compras. Ele olhou para nós três com cara de reprovação, meu irmão não gosta muito de visitas.
–Então, vamos indo... Até mais, Saiore-san — disse Reo.
– Me liga... — Gris me deu um beijo rápido.
–Até logo. – fechei a porta e deitei no sofá – Furoimo me encarou por um tempo.
– Saiore, eu já disse pra não trazer visitas sem minha presença. Se esta casa pegar fogo a responsabilidade vai ser minha, entendeu?
– Calma, eles não fizeram nada.
–Com você é tudo diversão, não é? Já parou pra pensar nas responsabilidades? Não, porque você é um moleque irresponsável...
–Se você fosse menos estressado estaria tudo numa boa.
– Você não muda mesmo. – ele bufou –Estavam conversando sobre o quê?
– Não é da sua conta.- aumentei o tom de voz.
–É da minha conta sim, eu pago aluguel aqui e eu mando em você. — ele apontou pra mim e aumentou o tom.
–PARA! – eu explodi – Você não é o meu pai e nunca vai ser, entendeu?! – eu gritei e corri para o quarto.
Fechei a porta e tranquei-a.
–SAIORE! Abra esta porta! — ele bateu na porta.
Não respondi nada e ignorei as batidas até que elas parassem.
Mãe, pai... Se vocês estivessem aqui, pensei.
Derrubei as coisas que estavam na cama e comecei a dar socos na parede. A raiva estava me consumindo. Olhei para o notebook que estava aberto, em seguida dei um salto na cama e comecei a digitar.
Este mundo, estas pessoas... São tolas em não acreditar na lenda. Meu irmão é o maior tolo que existe. Mas vou provar que estão errados. Vou para Daskari. Não importa quem eu fui nas últimas batalhas, vou voltar pra Daskari!
Publiquei nas redes sociais, mas nenhum comentário apareceu. Peguei, então, um caderno que estava no meu armário e deixei uma carta para o meu irmão. Guardei três cadernetas no bolso, junto com três canetas e saí de casa sem Furoimoperceber. Passei nas casas de Reonaru e Gris, e embora fossem 23 horas, os dois levantaram com ânimo.
– Mudança de planos. Iremos agora, estão preparados?
–Mais ou menos, deixei um bilhete pros meus pais... – Reo disse meio tímido.
– Também deixei um. O que é isto na sua mão? – Gris me olhou.
– Cadernetas. Reo, se levarmos isto conosco, elas podem chegar a Daskari?
– Existe 50% de chances, mas eu arriscaria que sim. Porque quer levá-los?
–Pensa bem: se podemos levar, podemos trazer de volta, não é?
–Sim. — ele me respondeu acenando com a cabeça.
–Quero escrever um novo livro sobre Daskari. Tenho certeza que Nobutada Jinno foi para Daskari e anotou o que descobriu e voltou, foi assim que ele pode fazer o livro.
– Não sei se conseguiremos chegar lá. – Reo murmurou.
–Como assim? — Estranhei.
–Consegui descriptografar o ritual e descobri que as chances de fazê-lo corretamente são poucas, porque a gravidade pode nos matar na queda. Iremos cair de uma altura imensa, sei lá, a gravidade é de 30 metros por segundo. – ele bagunçou o cabelo – Temos que direcionar nossas quedas quando passarmos pelo portal, o que é muito complicado, porque não sabemos em que momento a nossa consciência mudará de humano para guerreiro. Talvez haja confusão mental, talvez não consigamos direcionar para um lugar seguro.
– Não temos porque ter medo. – eu tentei incentivá-lo.
– Vamos lá, vocês não parecem ser homens!- disse Gris, dando risada.
– Vou até o fim. Se quiserem vir, subam no próximo ônibus comigo ou podem ficar aqui esperando a morte. — respondi decidido.
–Saiore, estou com você. — Gris me apoiou.
–Eu tenho medo de morrer...- Reo olhou para o chão.
Olhei para trás com um olhar sério.
– Sabe, um dia encaramos a morte, cedo ou tarde. O portal é a nossa passagem de ida pra Daskari. Não vou ficar com medo só porque descobriu estes detalhes mínimos. Nós vamos ficar vivos, não será um suicídio como todos dizem. Vamos apenas atravessar um portal e mudar de mundo.
– Eu estou confuso. – ele engoliu seco.
– Existe algo que te prende aqui? – Gris perguntou.
– Só o medo.
–Então é algo que podemos resolver. – eu disse.
–Sabe, fico pensando se posso encontrar minha irmã.
–Ela deve estar lutando agora para voltar em outro corpo. – eu coloquei um braço em cima de seu ombro.
–Obrigado, Saiore, você é um grande amigo. – ele sorriu.
– Vamos? – Gris perguntou, e puxou nós dois para o ônibus que acabara de parar no ponto em frente a casa de Reo.
Quando chegamos na praça norte de Yagieda, descemos do ônibus e subirmos até a cobertura do edifício. Começaríamos o ritual, e logo cairíamos rumo ao portal.
– — -
– Saiore, já chega. Vamos conversar, eu não quero brigar, me desculpe por ser tão neurótico, é que tenho que cuidar de você e ainda pagar os aluguéis e... Saiore? Está ai?
Percebendo que a porta estava encostada, Furoimo entrou no quarto e avistou um bilhete.
“Caro irmão, sei que você tem sempre me protegido, mas não pode evitar algo do meu destino. Estou indo para Daskari junto com Gris Otoiki, minha namorada, e Reonaru Okuroi, meu melhor amigo. Talvez um dia você me encontre em Daskari e se quiser saber... Não vou me jogar de um prédio e morrer, apenas irei passar por um portal, mas para isso, preciso cair do edifício da praça norte de Yagieda, o mesmo que os protestantes caíram. Por favor, não tente me impedir... Se quiser me parar, terá de me enfrentar em Daskari como um guerreiro. Até mais, irmão. – Furoimo guardou a carta e correu até sua moto. Colocou o capacete e acelerou em direção à praça norte de Yagieda.”
– Saiore, não!
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