A Lenda De Daskari E Os 100 Oponentes
4 Capítulo 3 - End of Line
Conseguimos entrar no edifício sem alertar a segurança e subimos de elevador até o último andar. Pegamos ainda um lance de escadas e finalmente chegamos à cobertura. O edifício tinha cerca de 20 andares, a queda seria de mais de 60 metros de altura. Eu, Reonaru e Gris nos aproximamos da lateral da cobertura, olhando para baixo e dando as mãos.
Reo preparou o ritual.
–Deste modo iremos chegar ao mesmo tempo, mas em locais diferentes — Reo disse, deixando-me ansioso — Mas... E se a gente saltar e não conseguir chegar? Quero dizer, se Daskari realmente não existir?
Fiquei em silêncio por uns segundos e depois disse:
– Segundo a lenda, o humano que vive aqui na terra é o campeão de Daskari, que enfrentou milhões de guerreiros e venceu 100 oponentes para vir a terra como ser humano... Milhões, lutando por uma vida comum... O mundo deveria ser um lugar de Paz, depois de tantas lutas. As pessoas deveriam deixar as espadas de lado e descansar, mas trazem este instinto de guerra de Daskari. E... Além de apenas acreditar numa lenda, eu tenho... Uma intuição sobre meus pais. Quero tentar.
– Daskari existe — Gris disse, tentando convencer a si mesma — O portal só permanecerá aberto por alguns minutos, vamos
De repente ouvimos um barulho atras de nós. Virei-me e avistei Furoimo. Eu não tinha mais tempo. Ele tentou correr para impedir o salto, mas puxei Gris e Reo, e pulamos antes que o meu irmão pudesse fazer algo.
A queda foi rápida, mas foi o suficiente para ouvir o grito de horror de Furoimo. Antes de chocar no chão, nossos corpos ficaram leves e de repente tudo mudou a nossa volta. Entramos em um campo de energia colorida, e comecei a ser levado para longe de Gris e Reo, que se distanciavam também.
– Vamos nos encontrar rapidamente. Eu prometo — gritei, mas fiquei sem saber se eles me escutaram, porque logo sumiram.
Um enorme peso saiu de meu peito. Daskari existia. Viajei por mais alguns segundos até cair num chão frio. Estava em um lugar escuro, rodeado de túmulos. Uma neblina densa cobria meus pés e eu podia enxergar o céu, que tinha muito mais estrelas do que na Terra e uma lua laranja. Olhei à volta e vi que sentado em uma das lápides estava uma figura mórbida, vestindo uma capa azul escura. Suas mãos tinham apenas ossos e seu rosto estava coberto por um capuz, mas consegui enxergar seus olhos, que eram azuis brilhantes como estrelas:
–Bem vindo à Cemitery, Ex-Campeão.
–Cemitery? — perguntei confuso — Aqui não é Daskari?
–Não. Aqui é o que fica entre a Terra e Daskari. Existe apenas duas regras para sair daqui, então se quiser ir logo preste atenção... Este lugar é onde ficam todos os humanos depois que morrem. Vocês devem passar por aqui antes de ir para Daskari como um tipo de teste.
–Então você é a Morte? — Dei um passo para trás.
–Meu nome é Dead’sbone. A primeira regra é que você deve pegar esta foice que está na minha mão.
"Isso vai ser complicado" pensei, encarando a morte com frieza.
–A segunda regra é que deverá perfurar seu Dorso usando minha foice. Assim, significa que aceita a morte e poderá ir para Daskari — Ele sorri — Sabe quanto tempo esperei para te encontrar? Não deve ter noção.
–Então acabe logo com isso de uma vez... — respondi mesmo sem entender o que aquilo significava.
Corri na direção da criatura, não consegui tomar a foice e acabei escorregando. Tentei me equilibrar e segurar o braço do oponente ao mesmo tempo, mas fui lançado para longe e caí numa pilha de ossos.
–Espero que este não seja seu único truque. — Dead’sbone largou a foice no chão e caminhou em minha direção. Levantei-me e tentei desviar de Dead’s. Corri até a arma, mas levei um soco na barriga e voei longe outra vez.
–Isso é tão entediante. — Ele suspirou — Pensei que você fosse alguém digno pelo que disse antes de vir pra cá, disse que iria tentar, não é? Não estou vendo você tentar nem um pouco. Pare de brincar! Pegue logo a foice!
Ao ouvir aquelas palavras, levantei com dificuldade, estava segurando um osso na mão. Olhei nos olhos de Dead’s e depois, para a sua volta.
–Você disse que aqui é o lar dos mortos, não disse?
–Não disse nada mais do que isso. — Dead’s aumentou a guarda e olhou para trás, para ver se a foice estava lá e tomou um susto — Sumiu? Mas como você fez isso?! Espere, não foi você quem pegou a foice, foi...
–Saiore! Que bom te ver outra vez! Ignorei o meu desafio para te encontrar, e consegui! — Gris sorriu e correu até Dead’s — Mande-nos para Daskari.
– Precisamos enfiar essa foice em nossos dorsos. — eu disse, um pouco apavorado por pensar em ver Gris fazer aquilo.
– Tudo bem — ela disse, e em um movimento enfiou a foice.
Gris gritou e quando eu pisquei, ela havia ido embora, deixando a foice cair no chão. Peguei-a e olhei para a criatura.
– Parabéns por escolhe-la como namorada. Mas ainda nos veremos, Saiore.- Dead's pegou sua arma e jogou para Saiore.
–Mas da próxima vez não vou apanhar de você, ouviu? — eu fiquei mais confiante que nunca.
–Uma dica garoto, você vai ter que ficar esperto em Daskari, pois vai estar em combate à qualquer momento, procure pelo artesão de espadas e peça à ele a espada da maldição de Leverdi.
–Entendi! — E assim, enfiei a foice em minha carne. Gritei com todas as minhas forças, mas logo a dor sumiu, e eu perdi os sentidos.
–Fim do capítulo-
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