Senti uma forte ventania em meu rosto e ao abrir os olhos estava em queda livre. Do alto eu conseguia ver muitas coisas: cidades, castelos, florestas e desertos. O que me chamou a atenção foi um conjunto de torres no centro de uma cidade, eram gigantescas, oito no total, organizadas em um formato que lembrava uma escada, onde o topo de cada torre estava conectado ao inicio de outra.

Voltei minha atenção à queda, e a sensação de calma que antes me dominava foi tomada por um desespero.

Tinha de encontrar um jeito de aterrissar em segurança e tinha pouco tempo pra pensar, já que a gravidade de Daskari era maior que a da terra.

Olhei em meu dorso e havia uma foice fincada, aquilo me assustou. Tirei a foice do dorso e ouvi a voz de Dead’s: “Suba nela”

Pisei no cabo da foice e ela começou a flutuar, eu parecia estar em cima de um skate.

– Cara! Não me assusta! – gritei aos ventos e depois inclinei meu corpo para baixo, descendo em alta velocidade na direção do solo.

Ter um irmão fera no skate me ajudou bastante naquele momento.

Aterrissei em segurança numa ponte abaixo de mim, a foice rodou em torno de si e desapareceu. Agora eu precisava encontrar o artesão de espadas.

Sentia meu corpo leve, como se não houvesse resistência do ar ou atrito no chão, meus pés deslizavam como se estivesse em um chão de gelo.

Ao tentar correr, eu levei um escorregão e cai de cara no chão. Atravessei a ponte me apoiando na parte lateral, até que consegui chegar ao outro lado.

–Te achei! – alguém disse.

Fui cercado por um grupo de homens carregando espadas desembainhadas, um deles agarrou me imobilizou.

– O que é isso? – tentei escapar, mas recebi um golpe na barriga e cai de joelhos no chão, com as mãos no estômago. Do outro lado da ponte, um grupo se aproximava.

Um deles se destacava por carregar nas mãos um machado maior que ele, com uma facilidade que despertou medo em mim.

– Se eu não tivesse visto você em pessoa, não teria acreditado. – Ele disse, depois de colocar o machado nas costas. – Rukoira Otoiki hoje será morto por mim, Hantoru Aisotsu!

Por que aquele cara me chamou de Rukoira?! Será que me confundiu? Tomara que seja isso, não esquenta, ele vai perceber o engano e vai me deixar ir.

–Soltem-no! – Hantoru ordenou.

–Ufa! Acho que você percebeu que isso tudo não passou de um engano, eu não sou esse tal de Rukoira. – Me afastei dos capangas.

– Cala a boca e luta! – ele voou sobre a ponte e sacou o machado das costas.

Desviei de seu primeiro golpe e corri para o lado oposto, mas acabei escorregando de novo.

– Idiota, como pode cometer um erro desses? – Hantoru lançou o machado horizontalmente como um disco, quase me decapitando.

“Droga, esse chão é muito liso! Assim vou acabar morrendo” – levantei do chão e olhei fundo nos olhos de Hantoru. – Covarde, pelo menos me dê uma espada!

Eu sei que aquilo foi uma idiotice, mas ele não iria me deixar em paz enquanto aquela luta não terminasse. Se for pra perder, prefiro isso dignamente, não fugindo como um rato.

– Uma espada?! Você realmente acha que vai me enganar? Crie sua própria espada!

“Eu posso? Quer dizer... talvez o Rukoira tenha esse poder... é isso!”–levantei as mãos para o alto, Hantoru ficou confuso.

– Já disse que não sou o Rukoira, não tenho esse poder que você mencionou. Meu nome é Saiore Hamatsuma, acabei de chegar da terra!

–Hum? Saiore? – Ele parou para pensar. – Mesmo assim, você ainda é um oponente em Daskari, temos de lutar.

– Não vai querer lutar com um iniciante, vai? Pensa direito, se você me vencer no nível que eu estou isso não vai te trazer fama nenhuma, mas... – continuei mais confiante. – Se me vencer quando eu for um oponente poderoso vai ser a melhor opção.

– Acho que tem razão, até porque só gosto de lutar contra oponentes dignos.

–Mais um motivo pra me deixar ir. – aquilo foi arriscado, mas era a única escolha.

– Você pode ir, mas antes faça um juramento. – Hantoru saltou e parou em minha frente. – Quando nos encontrarmos novamente e você for um oponente bom o suficiente, iremos nos enfrentar.

Nós apertamos as mãos e eu fiz a promessa, depois disso eu deixei aquele lugar, Hantoru me deu uma dica importante antes de eu ir.

– Nesse mundo não existem restrições físicas, atrito, resistência do ar. Lembre-se disso e use a seu favor. A velocidade é o foco, mas não é nada sem o equilíbrio.

–Fim do Capítulo-