A Lenda

17 Uma reviravolta de sentimentos


Gente, quero agradecer os reviews e as cobranças para atualizações, mostra o quanto vcs gostam da fic e esperando ansiosamente por mais e mais.... Não vou corrigir os erros agora, pois estou sem tempo, então esqueçam-os.... ok....bjusss espero que gostem, vou tentar postar o próximo o quanto antes.

Capítulo 17 — Uma reviravolta de sentimentos

- Eu perguntei o que faz aqui e exijo que responda agora.

Harry deu um passo para trás ao ver o homem avançar. Jamais estivera frente a frente com Snape vestido e encarnado em seu comensal, jamais imaginou que desejaria encarar a morte do que encarar aquela máscara marcada e suja de respingo de sangue igual a capa negra e pesada que revestia o corpo tenso do comensal.

- Eu queria comer doce. – Respondeu Harry achando melhor não mentir, afinal, Snape poderia muito bem ler em sua mente se era verdade.

- Você queria comer doce? – Perguntou Snape com total descrença. – Além de um acéfalo, você é completamente imprudente, Harry Potter. Tem alguma noção, consegue ao menos imaginar o perigo em que se colocou?

- Eu usei a capa e o mapa.

- Uma capa e um mapa não bastam para a sua segurança, o que fará uma capa contra um grupo inteiro de comensais?

- Comensais em Hogsmead? Pensei que eles não viessem para cá.

- Comensais andam por todos os lugares, não existem regras que os segurem caso desejem passar. Não há humano que fique vivo se o comensal não quiser. – Recitou Snape quase encostando a máscara no rosto de Harry. – Você não sabe o que um comensal é capaz de fazer. Imagino o que poderia acontecer com você, o santo Potter, se um dos comensais o encontrasse como eu encontrei, sentado no chão, vulnerável comendo doce, tão deliciosamente indefeso.

- Eles não podem me tocar, teriam que me levar direto para Vol...

- Não cite esse nome. – Sussurrou Snape tapando a boca de Harry com sua mão e o olhando com mais raiva ainda por trás da máscara. – Você é o maior tesouro do Lord, ele o quer por inteiro, mas comensais também adoram quebrar regras e muitos dos que estão percorrendo as casas no final da rua iriam à loucura se pudessem tocar em seu lindo rostinho ou foder seu corpo sem misericórdia de seus gritos.

Harry arregalou os olhos e tremeu violentamente com o pensamento. Automaticamente levou a mão até a barriga e a apertou como se pudesse sentir o pequeno ser que ali crescia e pudesse lhe dizer que tudo ficaria bem no final.

- Sim, seu precioso bebê. Você não gosta tanto de dizer que é nossa filha? Você não pensou nela. Tem sorte de eu colocar um rastreador em você e saber primeiro que estava aqui, antes que te achassem e o levassem. Se o Lord tiver acesso a essa criança ele vai prendê-lo em um calabouço com feitiços postos por ele mesmo que nem Dumbledore conseguiria desfazer, usaria seu corpo, o sucumbiria ao nojo e imundice do cárcere e no fim talvez pudesse matá-lo junto com ela ou criá-la como dele.

- NÃO! – Gritou Harry jogando-se para frente e abraçando Snape com força. – Ele não pode tocar nela, nunca. Por favor, prefiro morrer a deixar que ele toque nela.

- Então pare de agir como uma criança idiota e aja como o futuro pai da única esperança do mundo. Deixe de ser um inútil...

Um movimento na rua fez Snape parar de falar e virar-se para a porta olhando através do vidro. Pelas cortinas da porta era possível ver a sombra de alguém do outro lado da rua. Harry engoliu em seco quando a figura começou a andar em direção a loja.

- Cubra-se. – Sussurrou Snape soltando Harry e indo até a porta.

- Sev? – Chamou uma voz fina. – É você que está aqui?

Harry arregalou os olhos ao ver a comensal entrar na loja trajando uma veste decotada e uma máscara horrível cobrindo-lhe o rosto envolto em cabelos cheios e desalinhados. Não precisava que ela tirasse a máscara para saber que ali estava Belatriz Lestrange olhando para Snape.

- Fez uma parada para comer um docinho? Não deveria, essas coisas estragam os dentes. Tinha alguém aqui? Você o matou?

- Não há ninguém aqui, Bela. Ouvi um barulho e vim investigar, encontrei um vidro de bala quebrado por um gato que se escondeu. Não tem nada aqui.

- Um gato? Então é melhor matá-lo, quem sabe se não é alguém da maldita ordem. Seria muito bom matar algum daqueles ratos.

Harry segurou a respiração quando Belatriz chegou extremamente perto de si. Era possível sentir o cheiro enjoativo de sândalo que exalava da mulher.

- Eu disse que não tem nada aqui. – Ralhou Snape pegando a mulher com força pelo braço e a arrastando para longe de onde estava Harry que poderia respirar novamente.

- Humm, adoro homens que tem um aperto forte. – Disse Belatriz com uma voz fina e baixa enquanto acariciava a mão do comensal que ainda a apertava. – Rodolphos nunca soube a dose certa, ele me ama demais para me machucar, mas você acertou em cheio, meu caro.

A voz de Belatriz entrou como navalha nos ouvidos de Harry.

- Adorei quando me jogou na cama como uma vagabunda e me tratou como um verme. Até mesmo aqueles tapas foram agradáveis. – A mulher riu enquanto Harry sentia que iria vomitar. – Foi a melhor foda que eu já tive.

- É melhor calar essa boca, Belatriz, ou jamais desejará minhas mãos perto de seu pescoço novamente.

- Adoro ameaças, vamos ver até quando você vai me negar, sei que uma hora a necessidade aperta. Nesse momento estarei lhe esperando. Sabe onde fica meu quarto.

Belatriz riu e saiu do recinto esperando Snape do lado de fora. O homem olhou rapidamente para o balcão da loja onde Harry estava escorado e se virou indo embora junto com Belatriz. Assim que a porta se fechou, as balas no chão se mexeram formando uma única palavra que Harry não ousaria desobedecer mesmo que seus joelhos quase não o sustentassem.

“VOLTE”

Imediatamente Harry voltou para o depósito da loja e se esgueirou pelo túnel de volta ao castelo. Ao sair da estátua da bruxa de um olho só percebeu que não teria tanta sorte como na hora de ir. Quase imediatamente que pisou no chão ouviu o miado da gata horrenda do zelador. Andando rápido, mas silenciosamente, foi em direção as masmorras, mas quase colidiu com a professora McGonagall e Flitwick.

Finalmente chegou às masmorras e nem mesmo parou para pensar em qualquer coisa relacionada a Malfoy que estava de vigília pelos corredores frios. Em sua mente só tinha a urgência em seguir as ordens de Snape.

Ao fechar a porta dos seus aposentos, Harry deixou seus joelhos dobrarem cedendo ao peso de seu corpo cansado. Sua tensão e nervosismo foram postos para fora por meio de lágrimas que caiam com força pelo seu rosto. Podia ter morrido ou pior, causado a morte dela.

- Burro, idiota, inútil.

Somente após minutos em que se entregou ao completo desespero por tudo que ouvira que levantou e entrou embaixo do chuveiro com roupa esperando que a água forte levasse tudo de ruim que sentia. Mas aqueles sentimentos estavam tão impregnados que não desceu pelo ralo, lhe fez companhia enquanto se arrumava e sentava na cama esperando por Snape.

O barulho que o relógio fazia enquanto esperava era muito pior do que a própria espera. Eram quase cinco horas da manhã, em pouco tempo o sol surgiria no horizonte e Harry não escutara um único barulho nos aposentos.

TIC TAC TIC TAC

De repente o relógio parou de girar, alguém abrira a porta. Harry se mexeu na cama sentindo como suas pernas estavam doloridas e dormentes devido a posição igual por muito tempo. Esperava que Snape viesse ao seu quarto, arrebentasse a porta e lançasse palavras cruéis na sua cara, mas o relógio começou a rodar de novo e Snape ainda não aparecera. Devagar Harry saiu da cama e se aproximou da porta temendo abri-la, mas não adiantava esperar, uma hora acabaria enfrentando a aura do mestre de poções. Respirou fundo e abriu a porta.

A sala estava em plena penumbra. Tudo parecia que estava certo e em seu lugar, menos a silhueta na poltrona. Harry apontou a varinha para o ar e recitou o feitiço que iluminou a sala mostrando Snape sentado na poltrona ainda com suas vestes de comensal. Suas pernas estavam afastadas uma da outra mostrando claramente o cansaço que percorria seu corpo, um dos cotovelos estava apoiado no braço da poltrona facilitando que pudesse apoiar a cabeça na mão fechada em punho, o outro braço se estendia para fora e em sua mão estava a máscara prateada. Mas nenhum desses detalhes, nem mesmo o sangue que pingava de sua capa, eram mais cruéis do que os olhos dele.

Snape não lhe deu uma única palavra enquanto o olhava com claro ódio, era visível o esforço que fazia para não se levantar e esmagar o pescoço do menino com suas mãos. Causar-lhe o pânico e medo que sentira ao entrar naquela loja e encontrá-lo tão próximo da possível morte que caminhava por aquelas ruas disfarçada de homens nojentos que se submetem a imundice de suas mentes insanas. Nem mesmo conseguia olhar para os olhos verdes sem imaginar o que eles poderiam ver se não tivesse chegado antes.

- Severus...

- Cale a boca. – Disse Snape entre os dentes. – Eu não quero ver você, não quero falar com você. Desapareça da minha frente antes que eu faça algo de que me arrependa.

- Mas eu posso explicar.

- Explicar? O que você pode dizer em sua defesa, Harry Potter? Que a estupidez de sair no meio da noite sem proteção tendo em vista que milhares de comensais estão loucos para te pegar é completamente desculpável por um desejo? Pois saiba que isso não tem desculpas.

- Eu...

- Cala a boca. – Gritou Snape avançando para Harry e o prendendo com força na parede. O menino exclamou de dor pela batida em suas costas, mas nada impedia Snape de segurar-lhe com força e o olhar de perto o fazendo ver o próprio reflexo de medo. – Não há no mundo uma única palavra que possa dizer agora para explicar o que fez. Eu estou com ódio de você, não quero vê-lo, quero que suma da minha frente.

- Para que? Vai atrás da Belatriz? – Perguntou Harry com raiva tentando se libertar.

- Não venha mudar o jogo e tentar se fazer de coitado que isso não dará certo. Meu passado é meu e não lhe interessa com quem me deitei ou não. Deveria ter se preocupado mais com o fato de com quem estou dividindo minha cama agora, com quem estou casado e esperando um filho. Maldita hora que dei ouvidos para Dumbledore.

Snape soltou Harry tão de repente que o menino quase caiu no chão, seus braços ardiam pelo aperto das mãos de ferros do homem que virara de costas e fechara as mãos em punho tão fortemente que era possível ver as marcas do sangue que não circulava. Harry ameaçou dar um passo a frente, mas deu um para trás e encostou-se à parede novamente onde apenas ficou olhando para as costas do homem.

Na mente do professor só passava perguntas aleatórias que distorciam sua razão. A principal pergunta era se fizera certo em aceitar o conselho de Dumbledore e se entregar um pouco mais ao sentimento que o menino despertara em si. Talvez se não tivesse feito isso o desespero que lhe tomou o coração nesse momento não existisse e não precisaria pensar nas diversas possibilidades em que não pudesse ter os olhos verdes olhando-o com veneração e nem pudesse contemplar as bochechas brancas mancharem-se de vermelho com apenas um toque de sua mão.

Vários minutos se passaram e apenas se deixou ficar em pé olhando para o nada enquanto respirava e tentava controlar-se. Antes de conseguir virar tentou resgatar de sua mente a imagem que sempre lhe acompanhava nos momentos de maior tensão, aquela imagem que lhe transmitia paz e tranqüilidade. Procurou por Lilian em suas memórias e sua mente, mas diante de seus olhos só aparecia Harry, os olhos de Harry, a pele de Harry, o carinho e a inocência de Harry.

Preferiu não se virar, apenas caminhou de volta para a poltrona e se largou por completo encostando a cabeça no encosto e fechando os olhos. Harry esperou um pouco para ver se o homem falaria alguma coisa, se gritaria novamente, mas quando percebeu que Snape estava cansado demais para falar qualquer coisa arriscou se aproximar devagar. Passo após passo caminhou até diante do homem e se ajoelhou no meio de suas pernas pousando a mão nos joelhos firmes. Snape não se mexeu. Quase chorando Harry percorreu a perna com suas mãos e a levou para as costas dele enlaçando sua cintura com seus braços e descansando a cabeça em sua barriga.

- Sei que não adianta nada. – Começou Harry baixinho. – Mas me desculpa. Não queria te deixar assim, não queria por minha vida em risco. Fiz algo estúpido, mas foi porque fiquei com receio de te dizer o que queria. Não pensei em nada mais além do que queria, sou um idiota sim, mas, por favor, não me afasta de você. Não vou suportar ficar longe.

Harry apertou o rosto molhado de lágrimas nas vestes pesadas e o abraçou com mais força. Após alguns segundos sentiu a mão de Snape encostar em seus cabelos revoltos e mexê-los como se fizesse um carinho desastrado.

- Vamos deixar uma coisa clara, Potter. Quando aceitei casar e ter um filho com você, eu sabia de tudo que iria vir depois. Enjôos, hormônios, desejos e muito mais coisas que acontecerão enquanto carrega um filho no ventre. Eu estou preparado para lidar com isso, mas preciso que me conte, não posso adivinhar. Então daqui para frente quando tiver um desejo você vai me dizer ao invés de sair procurando realizá-lo por conta própria.

- Eu vou, prometo que vou te contar tudo, nunca mais vou esconder algo de você. Juro.

- Então estamos entendidos. Eu vou tomar um banho, é melhor ir dormir um pouco se quiser se despedir de seus amigos antes que eles voltem para suas casas.

Snape levantou-se deixando Harry sentado no chão da sala e foi para seu quarto tomar seu banho. Harry ficou sentado por um tempo apenas pensando em tudo que havia acontecido e entendeu que realmente fora estúpido. Enquanto o tempo passava as coisas clareavam e outras apenas o deixavam mais e mais confusos. Quando o relógio bateu seis horas da manhã Harry se levantou, mas não foi ao seu quarto, dirigiu-se diretamente para o quarto de Snape e abriu a porta devagar. O professor estava deitado em sua cama com o braço sobre os olhos, estava de pijama e preparado para dormir.

- Severus? – Chamou Harry baixinho para não acordá-lo se estivesse dormindo.

- Sim. – Respondeu Snape sem se mexer.

- Posso entrar?

A resposta demorou um pouco e Harry já estava querendo voltar para a sala.

- Pode.

Um mínimo sorriso se abriu nos lábios do menino e seus pés se colocaram a frente até a cama. Atrevidamente, sem pedir permissão, subiu ajoelhado no colchão e se aproximou do homem.

- Posso te perguntar uma coisa?

- Sim.

- Você... – Harry parou de falar assim que percebeu que não deveria ter começado a querer saber o que iria perguntar. – Deixa pra lá.

Quando o menino ia saindo da cama sentiu a mão de Snape apenas encostar na sua. Imediatamente parou de se mexer e o olhou. O homem estava apoiado em um dos braços e o olhava sem o mínimo de raiva, não havia nada ali além de puro cansaço.

- Pergunta.

Harry se aproximou novamente e olhou bem nos olhos de Snape antes de finalmente conseguir liberar a questão que lhe incomodava.

- Você e a Belatriz são amantes? – Todas as letras saíram rápidas de sua boca e Harry temeu que Snape não tivesse entendido e pedisse para repetir. Não teria coragem. Mas por sorte o homem entendeu cada palavra e respirou fundo antes de lhe responder.

- Potter, eu tenho uma vida antes de você. Passei por coisas que não vale a pena dizer e fiz coisas que jamais lhe contarei. Entre uma dessas coisas está Belatriz. O que aconteceu entre nós é passado, foi um erro cometido em um momento de necessidade como muitos outros. Não pense nisso.

- Então depois que vocês saíram da loja, vocês não...você sabe.

- Não aconteceu nada entre nós e não vai acontecer. Ela não é nada para mim. Eu não tenho ninguém.

- Tem a mim. – Disse Harry timidamente.

- Sim. – Concordou vendo os grandes olhos verdes encherem-se de amor, um amor que não merecia e que lhe era dado de graça. – Eu tenho você. Agora preciso dormir, estou cansado.

- Está bem. – Disse Harry baixando a cabeça e olhando para as mãos. – Posso fazer outra pergunta?

- Sim.

- Posso dormir com você?

Snape pensou em dizer não, precisava realmente dormir, estava acordado a mais de vinte e quatro horas e sentia o peso da última diversão dos comensais em suas costas, mas não conseguiu negar o pedido carente do menino.

- Pode.

Harry sorriu e se deitou no canto da cama. Snape se arrumou embaixo das cobertas e olhou para o menino encolhido no canto, afastado de si com medo de passar algum limite. As imagens da última reunião com o Lord ainda estava em sua mente, a risada grotesca de Voldemort quando contou a Narcisa que seu filho finalizaria sua tarefa até o final do ano letivo, talvez antes disso. Viu os olhos verdes o olhando e se lembrou de Dumbledore lhe dizendo antes de sair ao encontro do Lord, que confiava plenamente que ele poderia cumprir o Voto Perpetuo. Um sentimento de perda se instalou em seu peito fazendo-o estender o braço pelo colchão e pegar a mão do menino trazendo-o para perto.

O grifinório descansou a cabeça no peito de Snape e o sentiu acariciar suas costas enquanto afundava o nariz em seus cabelos e exalava seu cheiro. Aos poucos sentiu o sono começar a chegar e carregá-lo para o calor dos braços acolhedores. Antes que se entregasse completamente ouviu a voz de Snape sussurrando.

- Por que tenho que te perder também?

Perder? Não, jamais. Harry queria lhe dizer isso, dizer que jamais o perderia, que poderia contar sempre com sua presença e seu amor, mas estava cansado demais para falar qualquer coisa, resolveu apenas dormir.

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Era triste a imagem do trem vermelho andando pelos trilhos, pegando velocidade enquanto lançava ao céu sua fumaça clara. Os alunos estavam aglomerados dentro de suas cabines sorrindo e contando aos amigos o que fariam em suas férias. Rony e Hermione estavam com a cabeça para fora da janela acenando animadamente para Harry que os avistava indo embora. Logo o trem fez uma curva e já não era possível ver sua bela cor rubra.

Apesar de ter escolhido ficar e saber que seu feriado seria perfeito, pois estaria junto com Snape, bateu-lhe uma dor no coração, era o primeiro feriado, desde que descobrira que era bruxo, que não passaria com Rony e nem com Hermione. Era estranho mudar algo tão comum, não teria os cuidados da senhora Weasley e nem as graças dos gêmeos, muito menos as perguntas engraçadas do senhor Weasley ou o quadribol com Gina.

Ainda com esse sentimento estranho no peito Harry voltou pelo caminho que levava até Hogwarts e andou devagar sentindo o frio bater em seu rosto como se fossem as ondas gélidas do mar que batem nas pernas nuas de quem se aventura em suas águas. Ao chegar ao castelo avistou Snape subindo a escada das masmorras, mas não foi até ele, continuou andando e subiu até o último andar atingindo a torre de astronomia, a mais alta e distante.

Harry se adiantou até o parapeito e olhou para a imensidão que se mostrava a sua frente, o lago negro estava quase completamente congelado e as árvores já vestiam suas capas de neve causando um mosaico branco e lindo aos olhos jovens do menino.

- É estranho. – Disse Harry fechando os olhos e sentindo a presença forte atrás de si.

- O que é estranho?

- Não estar com eles no trem indo para a Toca.

- Ainda pode ir para lá. Não vou obrigá-lo a ficar.

Harry se virou e olhou para o homem parado a apenas alguns passos de si, sorrindo lhe estendeu a mão. Snape pareceu resignado e contrariado, mas no fim tirou a mão do bolso do casado e a colocou sobre a do menino sentindo-o puxá-lo para perto. O professor postou suas mãos no parapeito ficando frente a frente com Harry que acariciou seu rosto com carinho.

- Não consigo mais ficar longe de você, Severus. Esse é o primeiro de muito feriados que passaremos juntos. – Disse puxando-o para um beijo apaixonado onde só havia espaço para o amor que lhe entregava gratuitamente.

Snape não lhe deu resposta, nesse momento era melhor apenas ficar calado e deixar a verdade destruir apenas a si mesmo sem a possibilidade de atingir aquele menino que o beijava com doçura entregando seu amor com tanta devoção. Afastando-se um pouco olhou para os olhos verdes e desenhou um pequeno sorriso em seus lábios duros. Era feriado e a escola estava praticamente vazia, seria a primeira vez que poderia enfim fazer algo fora das paredes das masmorras e aquele pensamento queimava em sua mente. Com carinho virou Harry de costas para si e o abraçou por trás descansando o queixo nos cabelos bagunçados.

A sensação de estar ao ar livre, sentindo o frio envolvente, vendo os fracos raios de sol pintarem a obra prima a sua frente e abraçado com uma pessoa que lhe amava verdadeiramente era tão surreal que preferiu não acordar caso estivesse dormindo. Era a primeira vez que fazia isso e estava até mesmo desconcertado de como deveria agir, jamais namorara, nem mesmo paquerara com alguém. Lilian era algo natural que nascia em uma amizade e naquela época era tímido demais para entender alguma coisa, só sabia que a amava. As outras mulheres eram apenas sexo e nada mais, apenas um escape para sua necessidade fisiológica. Mas com Harry, aquele menino prepotente e mimado, aquele grifinório irritante e abusado, tudo era diferente. Não estava acostumado a ter carinho dado de graça e muito menos cuidado e preocupação. Talvez se realmente libertasse as últimas correntes que lhe prendiam ao medo pudesse ao menos sentir um pouco do que chamam felicidade e quem sabe até mesmo uma pequena porcentagem de amor correspondido.

Achando-se idiota e temendo estar trilhando pelo caminho errado, beijou o topo da cabeça dele e desceu o zíper de sua blusa levantando levemente a camiseta de algodão expondo o ventre que apresentava uma leve alteração em seu tamanho, nada que conseguisse ser visto por cima da camiseta ou descoberto por pessoas que não estavam cientes daquele estado.

- O que...?

Harry não conseguiu terminar de falar, as mãos geladas e grandes de Snape postaram-se em cima daquele pequeno montinho que começava aos poucos dar sinal de que estava ali. O professor o abraçou mais forte e quando virou o rosto para olhar o homem foi surpreendido por seus lábios urgentes e carinhosos. Com a emoção estourando em seu peito postou uma das mãos em cima das de Snape em seu ventre e levou a outra ao seu pescoço acariciando os cabelos negros enquanto sentia o carinho que os lábios do outro faziam em sua boca.

Ao se separarem, Harry demorou a abrir os olhos, temia estar sonhando, mas quando os abriu deparou-se com as lindas pérolas negras repletas de insegurança, medo e desejo de se entregar por completo àquilo que estava sentindo naquele momento. Devagar para não assustá-lo, virou-se sem parar de olhá-lo e levou uma das mãos dele até seu coração fazendo-o sentir como estava palpitante e acelerado.

- É seu, sempre será.

Snape se aproximou mais segurando-o pela cintura e encostando seu rosto no do menino sentindo a respiração descompassada.

- Estou arriscando demais, Potter. – Disse simplesmente antes de abraçá-lo com força e esconder o rosto na curva do pescoço do mais jovem demonstrando sua fragilidade naquele momento singelo de entrega.

- Eu não vou te decepcionar. – Sussurrou o menino silenciando o momento tão belo.

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Harry poderia dizer que naquele momento era a pessoa mais feliz do mundo e começava a viver um momento que jamais, mesmo depois de casado com Snape, imaginou ter. Estava sentado entre as pernas de Snape, no tapete de seus aposentos sendo esquentado por uma lareira magnífica e conversando tranquilamente sobre coisas banais do mundo trouxa.

- Então seu primo te jogou em uma lata de lixo? – Perguntou Snape passando a mão nos cabelos de Harry enquanto o menino contava sobre sua infância.

- É, o Duda e sua turma correram atrás de mim quase a tarde toda e só conseguiram me pegar a noite quando tive que voltar pra casa, ai não consegui fugir, eles eram em cinco.

Harry deu uma risada fraca e Snape até acompanhou com seus lábios, mas em sua mente só estava a clara raiva que sentia por tudo isso ter acontecido e ele nem mesmo ter ligado, mesmo sabendo que o garoto era maltratado. Harry se virou de frente e se ajoelhou no tapete começando a contar utilizando as mãos para demonstrar uma história que pareceria até mesmo interessante se estivesse prestando atenção nisso e não pensando em como aquele menino que fora tão maltratado pelos tios, que passara fome trancado em um armário embaixo da escada e que fora entregue a solidão e desprezo, tornara-se esse menino tão encantador e amoroso. Era de se esperar que se tornasse amargurado e ressentido, talvez até mesmo rebelde ou ruim por dentro, mas Harry não era nada disso.

Snape viu o menino parar de falar e o olhar colocando a cabeça graciosamente para o lado em clara confusão.

- O que foi? – Harry perguntou.

- Nada. – Respondeu.

O menino sabia que Snape não o escutara completamente, que apenas o olhou e fugiu com seus pensamentos para algum lugar ao longe, bem longe de si, mas não se importava, já estava ganhando mais do que imaginara.

- Mal posso esperar para amanhã. – Disse Harry sentando no colo de Snape e descansando suas mãos no peito do mais velho.

- O que tem amanhã? – Perguntou Snape confuso.

- Amanhã é véspera de Natal.

- Verdade. – Disse Snape fazendo uma clara expressão de quem não estava nem um pouco animado para aquilo.

- O que foi? Não gosta de Natal.

- Não tenho motivos para gostar. Todo ano é a mesma coisa, ou eu estou aqui ouvindo Dumbledore recitar os mesmos votos de felicidade a todos ou estou com o Lord atacando algum lugar.

- Mas esse ano vai ser diferente. Eu vou fazer você gostar desse Natal, tenho uma surpresa para você.

- Não gosto de surpresas.

- Mas vai gostar, eu demorei para pensar no que iria fazer, mas consegui tudo de que precisava. Amanhã você terá o melhor Natal de todos, Severus Snape.

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Como planejado, Harry levantou cedo, bem cedo para que fosse antes de Snape, e pediu a Dobby que lhe trouxesse uma bandeja de café da manhã bem caprichada. Alguns segundo depois o elfo aparecera com uma bandeja com suco, frutas, cereais, ovos, bacon e leite. Harry agradeceu ao elfo e se dirigiu ao quarto de Snape. Ao entrar tudo estava escuro, mas dava para perceber o homem ainda dormindo confortavelmente em sua cama. Com cuidado deixou a bandeja na mesa ao lado da porta e se dirigiu a cama ajoelhando-se ao lado dele afastando a coberta expondo as costas nuas.

Devagar se inclinou e beijou a pele quente do homem. Passando a mão devagar pela extensão da pele. Sentiu Snape se mexer um pouco e parar. Sorrindo um pouco continuou a beijá-lo desde o pescoço até o cóccix onde sentiu o corpo mais velho tremer levemente.

- Sei que está acordado. – Sussurrou no ouvido do mais velho fazendo-o se virar. – Fiz café para você. – Snape se ergueu sobre os cotovelos e ergueu as sobrancelhas. – Tá bom, pedi ao Dobby que trouxesse uma bandeja de café.

Snape sorriu torto e se levantou indo ao banheiro. Ao sair estava de banho tomado e roupa trocada. Harry se adiantou e o abraçou inalando o cheiro gostoso de sabonete.

- Adoro esse cheiro.

- Deveria tomar um banho também.

- Não, gosto de saber que o suor que fiz sair de você ontem a noite ainda está em mim.

- Sabe que isso não é nada higiênico.

- Estou brincando, eu já tomei banho, acordei bem cedo hoje. Quero que hoje seja tudo perfeito. – Disse sentando-se à mesa junto com o professor e começando a comer. – Falando nisso, vou precisar que você saia por umas duas horas somente, após as seis da tarde.

- E por que eu faria isso? – Perguntou Snape tomando um gole de suco.

- Porque você vai gostar do que eu vou fazer. Eu te prometo que você não vai esquecer-se dessa noite.

- Acho que vou me arrepender amargamente disso, mas tenho mesmo que ir até Hogsmead comprar alguns ingredientes e por sorte a botica abre hoje.

- Obrigado. – Disse Harry se levantando e o abraçando. – Você não vai se arrepender.

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Na hora combinada Snape saiu dos aposentos indo diretamente para Hogsmead. O vento estava cruel e a temperatura extremamente baixa. Fechou melhor seu casado e adiantou-se pelas ruazinhas do vilarejo até chegar a botica que precisava. A placa na porta dizia claramente que estava fechada, mas não para ele, tudo estava sempre aberto para ele. Com apenas um toque de varinha a porta se abriu e Snape adentrou ao recinto olhando com nojo as prateleiras empoeiradas e com reverência as que continham os ingredientes raros e caros que o vendedor guardava com carinho.

- Estamos fechados. – Ralhou o dono da loja se aproximando com um pano na mão e cara de poucos amigos, mas quando avistou o homem parado a porta arregalou os olhos e desfez a carranca. – Senhor Snape? Que honra, não sabia que vinha. O que posso fazer para ajudá-lo?

- Sabe que estou esperando uma encomenda Dausli, não me diga que não tem o que lhe pedi.

- Tenho sim, claro que tenho. – Disse o homem assustado voltando para trás da porta onde estava antes e voltando com um pequenino pacote que entregou a Snape.

Snape pegou o embrulho e colocou no bolso, tirou uma pequena bolsinha com ouro e entregou para o vendedor dando lhe as costas e saindo sem dar explicações. Verificando que ninguém o seguia, foi em direção ao final da vila saindo de seu terreno. Com cuidado esgueirou-se por uma passagem que criara e seguiu seu caminho até sair dentro do armário da Casa dos Gritos. Com cuidado subiu até o último andar e se trancou no pequeno banheiro do quarto velho e destruído. No canto, ao lado do vaso quebrado estava o pequeno caldeirão que deixara aceso fervendo lentamente a rara e difícil poção que estava fazendo.

Antes de acrescentar o último ingrediente, verificou se a textura do liquido estava de acordo e quando viu que sim colocou devagar todas as pequenas sementes que recebera do dono da botica. Pacientemente mexeu a poção por vários minutos até o momento certo de deixá-la saturando por mais algumas semanas.

Quando viu que já estava na hora de voltar, percebeu-se ansioso e curioso. Dois sentimentos nada convencionais para si, mas que o assolavam com força. Queria, enfim, saber o que o esperava ao voltar para seus aposentos. Alguém estava preparando algo para si, uma surpresa provavelmente boa. Snape, pela primeira vez na vida, estava ansioso pelo Natal.

Assim que as duas horas pedidas por Harry se esgotaram o professor desceu os degraus das masmorras e rapidamente se adiantou ao seus aposentos. Antes de abrir a porta fechou os olhos e respirou fundo mal acreditando estar sentindo-se nervoso por aquilo.

Ao entrar mal conseguiu identificar seus aposentos. O ambiente estava iluminado por diversas velas espalhadas por toda a sala. A lareira estava acesa, havia um cheiro gostoso e envolvente no ar, em cima do tapete tinha pétalas de rosas espalhadas delicadamente e no chão ao lado havia uma taça de champagne em um balde com gelo e duas taças além de uma pequena taça cheia de morangos.

Mas o que mais chamou a atenção de Snape, foram os singelos enfeites na lareira, duas meias vermelha com seu nome e de Harry escritas na letra garranchada que o menino tinha.

- Gostou?

Snape seguiu a voz e se deparou com Harry escorado no batente da porta de seu quarto vestido com um roupão branco e um chapéu vermelho.

- Não tanto quanto de sua exótica roupa.

- Não caçoe de mim, meu amor. Você ainda não viu o que tem por baixo. – Sussurrou Harry antes de sorrir maliciosamente e tirar seu roupão deixando-o cair aos seus pés.

Snape engoliu em seco.