A Lenda
33 O novo diretor
Notas iniciais
Acabei de terminar esse capítulo, não tive tempo de revisar e não terei tempo de revisar, pois hoje vou sair, pois é pascoa e o coelhinho vai me visitar.... ebaaaaaa..... então espero que gostem e me deixem reviews...... até mais.....
Capítulo 33 – O novo diretor.
Snape olhou para baixo, diretamente para suas mãos estendidas. Encontrou-as pálidas e sujas com lama preta que escorria lentamente como o choro da morte marcando sua pele com rastros negros até caírem no chão aos seus pés descalços e frios formando uma pequena poça que aos poucos aumentava carregando para o ambiente o tremor que fazia os dedos compridos tremerem de frio, de medo e de pânico.
Já nem conseguia se lembrar quando fora a última vez que se deixara sentir a avalanche de pânico como naquele momento. Provavelmente fora há tanto tempo que nem achasse ser possível sentir novamente, mas ali estava ele em pé no banheiro gelado vendo suas mãos entregar-lhe completamente. Baixou-as até a pia onde se apoiou sentindo que logo suas pernas não o sustentariam. Ergueu os olhos para o espelho e viu seu próprio rosto refletido. Seus olhos estavam assustados e olhavam atentamente para seus cabelos escorridos e cheios de lama escorrendo por seu rosto diretamente para o chão. Estava sujo, machucado, cansado. Queria tanto poder simplesmente fechar os olhos e esquecer, adormecer levemente sendo carregado para algum lugar distante onde não pudesse ser atingido por nada, mas cada vez que fechava suas pálpebras só o que vinha eram as nítidas imagens da perseguição ao Potter no alto céu londrino. Ainda estava vivido em sua mente o momento em que o comensal da morte a sua frente apontou a varinha diretamente para as costas de Harry, sabia que Harry estaria com alguém da Ordem, mas não fazia a menor idéia de quem era a pessoa. E se aquele que estava atrás de Lupin fosse o seu Harry? E se aquela maldição o atingisse machucando-o, derrubando-o da vassoura impedindo-o de fugir?
Não podia permitir, seu feitiço atingiu o Harry no rosto. O machucou seriamente, mas pelo menos afastou o outro comensal. Ele foi atrás deles, voou pelo céu com a varinha na mão forçando-se a cumprir seu papel de comensal enquanto tentava impedir os comensais de seu aproximarem. Foi então que bateu na barreira invisível e não pode fazer nada além de ver Lupin ir embora com um Harry machucado, mas vivo.
Até ali tudo estava certo, ele deveria ir para o ponto de encontro com os comensais, mas enquanto voava em direção ao chão seu braço ardeu com a fúria de Voldemort. Esse mínimo momento de distração foi suficiente para que um feitiço atingisse sua vassoura quebrando-a no meio e fazendo-o cair diretamente dentro de um lamaceiro em algum campo afastado de onde teve que aparatar para o ponto de encontro.
Somente agora a realidade da possível perda o consumia por dentro fazendo arder seu amago. Ele podia tê-lo perdido, podia tê-lo perdido para sempre ali naquela noite, naquele céu cortado por feitiços. Podia tê-lo perdido.
Suspirando abriu o casaco pesado e o jogou no chão, abriu os botões de sua camisa e o deixou cair no chão também. Seu peito trazia as velhas cicatrizes que um dia os lábios jovens de Potter beijaram. Suas costas, porém, lhe demonstravam cortes novos causados por feitiços hostis e sua queda que quase lhe arrancou a respiração. Retirou a calça e sentiu vertigem ao levantar a cabeça. Há quanto tempo não comia? Era melhor comer depois do banho, o Lord não ficaria nada satisfeito se não conseguisse se concentrar.
Dito e feito Voldemort estava furioso com a fuga de Harry Potter, sua reunião fora feita nos belíssimos jardins da mansão Malfoy, pois todos os comensais que participaram da emboscada estavam ali para prestar contas. Snape, agora limpo e levemente alimentado, estava postado do lado direito do Lord e trazia em seu rosto um semblante frio e vazio, completo de desgosto. Em sua mente havia apenas o desprazer de estar na presença daqueles vermes que tremiam diante da presença de seu mestre. O tremor de horas atrás quando o medo o tomou já não se fazia presente.
- Vejo que ainda faltam alguns servos. – Disse a voz de Voldemort calando imediatamente aqueles que ainda cochichavam. – Cuidarei deles depois. Vão aprender que ninguém foge de Lord Voldemort.
Alguns comensais tremeram, outros arregalaram os olhos assustados, eles o adoravam e o temiam ao mesmo tempo. Alguns haviam percebido faz tempo que fizeram a escolha errada, mas não há como voltar, é uma escolha feita para toda a vida. Snape sabia disso muito bem.
- Quero entender como havia sete Harry Potters e nenhum deles foi capturado. – Disse Voldemort com uma voz tão fria que era capaz de cortar a pele. – Ninguém sabe? Que lástima.
Snape era capaz de sentir o medo exalar da pele dos comensais e sabia que aquilo só alimentava mais e mais a sede de Voldemort. Sem saber eles davam ao Lord o pleno controle de suas almas.
- Não tolerarei mais erros como esse. Quando eu der uma ordem, quero que ela seja cumprida ou já se esqueceram do desastre que foi a tentativa de sequestra-lo do trem de Hogwarts?
A imagem do trem vermelho veio a mente de Snape sem aviso junto com os olhos verdes do menino. Aquela falha causara-lhe uma noite inteira de tremores pelos cruciatus dados pelo Lord, fora horrível aguentar a cólera de Voldemort, mas Snape permaneceu sã prendendo-se a única coisa que o deixava no controle de tudo. O ódio pelo seu algoz. Porém aqueles comensais não faziam a menor ideia do que era o cruciatus de Voldemort. Na certa iriam enlouquecer antes de conseguir implorar a morte.
Voldemort dissera mais algumas palavras que Snape não prestou atenção e então os comensais se dispersaram. Snape forçou-se a se concentrar em seu papel quando os olhos vermelhos postaram-se em si.
- Acompanhe-me Severus.
Snape não contestou, nem esperou outra ordem apenas cruzou as mãos atrás das costas e acompanhou o homem para dentro da mansão. Voldemort parecia flutuar no chão de mármore sendo acompanhado por Nagini que sibilava comunicando-se com seu mestre. Chegaram até a biblioteca onde Voldemort entrara e ocupara a poltrona diante da lareira. O fogo, pelo que Snape percebera, tinha o tom azulado e muito bonito. Poderia ficar o dia todo assistindo a dança das labaredas não fosse Voldemort o chamando para mais perto e indicando a poltrona em frente onde Snape se sentou calado e aguardou.
- Estou decepcionado, Severus. Meus servos não estão sendo tão uteis como eu pensei que seriam e isso inclui você.
Snape nada disse, pois sabia que o Lord não iria aturar que dissesse algo, aquela não era uma conversa de perguntas e respostas, era um aviso.
- Confiei em você e você falhou miseravelmente, porém suas informações serão muito importantes para mim. Precisarei de você em Hogwarts.
- Perdão, milorde. – Disse Snape cauteloso. – Acredito que será muito difícil voltar lá sem ser visto. Os aurores quase me pegaram antes de conseguir entrar no escritório dele.
- Mas você conseguiu e falou com o quadro dele, contou sua mentira de sempre e o velho tolo mais uma vez acreditou em seu arrependimento, até mesmo depois de morto Dumbledore posta todas as suas fichas no amor. Como é tolo. – Riu-se Voldemort. – E agora ele acredita que você fez aquilo para salvar a alma do pobre Draco. Isso é bom, assim ele continuará confiando em você e todos os passos da ordem da Fênix serão passados para você, mas não se preocupe com isso agora. Quando chegar o momento certo de voltar a Hogwarts eu irei te avisar.
- Claro, milorde.
- Mas fique ciente, Severus, que não vou aturar mais erros de sua parte.
- Sim, milorde.
Não foi preciso esperar uma ordem, Snape sabia que estava dispensado, então simplesmente levantou-se e saiu da biblioteca rumando para fora da mansão, Belatriz fez um gesto indicando que iria se levantar da poltrona onde estava para ter com ele, talvez lhe incomodar com sua presença ou rir com as ameaças contra a pessoa que amava, mas seu olhar fora tão bruto que ela apenas parou onde estava e o viu partir.
Snape aparatou em uma rua vazia perto de um rio sujo que infestava as casas antigas e maltratadas, foi exatamente para uma delas que o homem rumou adentrando a uma sala pequena e tão abandonada quanto seu dono. Fazia tanto tempo que não aparecia naquele lugar. Um ano se passara desde o momento em que se ajoelhara no chão em frente a Narcisa Malfoy e jurara fazer o que levou sua vida a ruina. E agora lá estava ele naquele muquifo olhando para as prateleiras repletas de livros velhos e empoeirados. Não havia uma única foto, a lareira recebia o repouso de decorações frias herdadas por seus pais e que Snape queria ter coragem de jogar no lixo.
Sua barriga roncara, mas ele ignorou, sabia que não tinha se alimentado direito, porém aquele detalhe não passava de um incomodo possivelmente ignorado. Cansado por ainda não ter dormido desde a emboscada, o homem subiu pela escada escondida atrás de uma porta e adentrou ao seu antigo quarto onde só mudara a cama que ficara demasiada pequena para ele. Suspirando fez um feitiço que limpou o local rapidamente deixando completamente habitável. Depois retirou a roupa e somente de cueca foi até o guarda roupas procurando um camisolão para dormir. Ao retirar o que precisava percebeu que havia uma mudinha de roupa perfeitamente guardada por si mesmo que queria deixar como uma lembrança mínima de seu passado.
As mãos grandes agarraram a camisetinha minúscula com força a trazendo para seu peito ao mesmo tempo em que lembranças vinham a sua mente. A camisetinha que fora sua quando ainda era um bebê ardeu em seus dedos quando fechou os olhos. Normalmente lembrava-se do menino, de seus olhos verdes, olhos brilhando, seu sorriso cativante, suas conversas idiotas e suas infantilidades. Sempre recordou-se dos toques, os beijos ardentes, a pele macia, os gemidos do corpo tremendo embaixo do seu enquanto se derramava dentro dele, mas jamais se lembrou daqueles momentos voltados a ela.
O fato de ter uma filha agora parecia algo muito distante e temeu que acabasse por se esquecer. Por isso sentou-se na cama e deixou que as recordações viessem naturalmente. Harry olhando-se no espelho com as mãos espalmadas no ventre liso. A pequena protuberância que um dia o menino reparar ao tomar banho e que fora rapidamente lhe mostrar ainda nu e pingando água no tapete da sala.
- Olha, Severus. – Ele dissera abrindo os lábios em um sorriso. – Seu filho.
Lembrou-se de recuar a mão quando Harry tentara fazê-lo tocar ali. Tinha receio, medo do desconhecido, mas sentiu seus olhos lacrimejarem ao quase sentir a emoção do dia em que estivera velando o sono de Harry na ala hospitalar e postou sua mão na barriga dele e sentiu-a mexer ou quando seu coração batera mais forte ao ouvir que algo estava se mexendo lá, era ela, era sua filha.
- Minha menina. – Deixou escapar entre os lábios ao abrir os olhos. Era triste o fato de não vê-la. Odiava-se por não ter segurado a mão de Harry na hora de seu nascimento. Ele não estivera ali ao lado deles e nem estaria. Seu sangue corria nas veias da pequenina criança, mas talvez ela nunca soubesse , nunca chegasse a descobrir que ele era seu pai. Como queria ter uma chance de segurá-la em seus braços. Mas não aconteceria e talvez ela ficasse melhor sem ele. Ele não era merecedor de seu esplendor.
Engolindo o nó na garganta e respirando fundo para retroceder as lágrimas, Snape levantou-se e guardou a camisetinha novamente já forçando o cérebro a se concentrar em seus passos seguintes. O Lord dissera que só o chamaria quando necessário e isso poderia demorar, então teria tempo para fazer algumas pesquisas sobre uma antiga lenda em uma antiga biblioteca italiana. Mas somente depois de dormir, estava realmente cansado.
SSSSSSSSSSS
As folhas grossas e delicadas dos antigos livros eram viradas com pouco cuidado por dedos finos que agora estavam sujos de poeira. Seus negros olhos, apesar de cansados, passavam pelas linhas escritas a mão em uma língua morta. Por sorte conhecia muito bem o latim e aramaico, pois os transcritos eram datados de anos perdidos. A lenda da Luz e das Trevas passara por civilizações tão antigas que muitas não entravam nem mesmo nos livros mais antigos ou bem informados de Hogwarts. Algumas vezes passavam séculos sem sequer um indicio dela e ai vinha diversas informações, muitas vezes confusas de pessoas que diziam ser descendente de uma delas.
Snape sabia que precisava tomar cuidado, pois as mentiras e fraudes também acompanhavam as verdades sempre camuflando-a, levando para um caminho inverso até se estivesse perdido e não houve como achar o caminho de volta. Sabia não podia cair nessa armadilha e por isso ainda procurava o que precisava naquele local sufocante na biblioteca da Itália. Mais de um mês se passara e ele ainda não achara a resposta, seu coração começava a se desesperar. O tempo se esgotava, sabia disso, o Ministério já fora tomado pelo Lord e ele logo seria chamado. Precisava dessas respostas antes disso, antes de não ter mais tempo.
Sua raiva era maior porque só conseguia acesso aqueles documentos a noite quando a segurança ali era menor e sua entrada era abafada por um estuporamento e obliviate nos dois seguranças. Um suspiro alto foi dado quando sentiu o nó no umbigo dado pelo feitiço que colocara em si mesmo para indicar o nascimento do sol e a abertura da biblioteca. Era hora de ir, arrumar os documentos, reanimar os guardas e sumir como a última sombra que era coberta pelos raios solares. Não seria naquela noite que descobriria quem era a descendente das Trevas.
Mais duas semanas se passaram e Snape continuava revirando páginas e mais páginas, porém dessa vez com um sopro de esperança, encontrara finalmente uma pista que talvez o levasse para o caminho certo. Queria muito poder perguntar a Alvo, mas entrar em Hogwarts agora era arriscado e sabia que o diretor não tinha a informação exata de quem era a pessoa, só sabia que Voldemort já a conhecia. O tempo se esgotava e Snape precisava de mais, talvez uma semana e então estaria de posse do segredo mais importante de seu mestre. Só mais uma semana.
Entretanto, Lord Voldemort precisava de seus serviços imediatamente e sabia que seu braço não pararia de arder até que o obedecesse, por isso guardou os livros, mas pegou para si a informação mais valiosa e aparatou em uma casinha abandonada ali perto. Rapidamente recolheu os poucos pertences que ali deixara já que aparatação em uma distância tão grande como Londres e Itália pedia energia muito grande e fora para aquela biblioteca todos os dias. Rapidamente se arrumou e se concentrou com determinação no destino girando nos calcanhares e sentindo o típico puxão no umbigo de que estava se deslocando. Seus pés tocaram o chão com leveza e quando abriu os olhos estava mais uma vez no vale próximo a mansão Malfoy. Sentia seu corpo cansado pelo esforço, mas ainda assim se forçou a caminhar até a mansão e a sala de jantar onde o Lord o esperava sentado como sempre na cadeira da ponta com Nagini aos seus pés.
- Chamou-me, milorde? – Perguntou Snape ajoelhando-se. O Lord odiava que seus servos ficassem mais altos do que ele.
- Há muitos minutos. – Disse Voldemort baixo em sua voz sibilosa.
- Peço perdão meu senhor, não estava apresentável.
Snape já esperava pelo que viria e não se surpreendeu ao sentir as garras afiadas cravarem-se em sua mente rasgando as imagens em busca de algo que o denunciasse, que informasse ao Lord que seu fiel servo estava fazendo algo para o outro lado. Mas sabia que ele nada encontraria. Sua determinação em encontrar a filha de seu mestre para dar uma chance a sua própria filha era tão grande que facilmente mostrava ao Lord imagens nítidas de um Snape ocupado com poções, leituras e sexo com desconhecidas. Quando o Lord saiu de sua mente parecia extremamente satisfeito. Severus ainda era seu fiel servo.
- Fico satisfeito que tenha se divertido em suas “férias”, Severus, pois precisarei de você efetivamente em Hogwarts. O ministério dará o boletim amanhã, você entrará pelo portão da frente e se sentará no gabinete mais importante, como diretor da escola de magia e bruxaria de Hogwarts. Alguma vez sonhou com isso?
- Nunca ousei sonhar tão alto, meu senhor.
- Porque é um tolo. – Disse Voldemort levantando-se e fazendo Nagini se mexer mais perto de Snape que estremeceu com o contato da escama gelada da cobra, mas não se mexeu. – Deve-se pensar alto Severus e fazer o possível para conseguir o que quiser, passar por cima do que tiver que passar.
- Sim, milorde.
- Agora vá arrumar suas coisas, amanhã você voltará para Hogwarts junto com os Carrow. Precisamos garantir um ensino decente para nossos pequenos bruxos e preciso que guarde a escola, eu sei que Potter vai aparecer por lá.
- O que o faz ter tanta certeza, milorde? – Perguntou Snape sem emoção alguma na voz, mas morrendo de excitação por talvez conseguir alguma coisa da boca do próprio mestre sobre seus futuros planos.
- Eu conheço Potter muito bem, sei que terá uma hora em que ele vai aparecer lá.
- Caso ele apareça, o que devo fazer?
- Prenda-o e me chame. Estarei fora, mas voltarei na mesma hora, mas somente caso seja sobre Potter.
- Posso perguntar onde vai?
- Claro que não. – Vociferou Voldemort parando na frente de Snape e o obrigando a encará-lo. – Lord Voldemort não compartilha de seus segredos. Deveria saber disso, Severus.
- Perdoe-me, milorde.
- Basta que saiba que estou garantindo meu pleno futuro no comando do mundo bruxo.
Snape engoliu em seco. Voldemort estava falando de sua filha, a guerreira das sombras. Ele iria vê-la e Snape teria que ficar enclausurado entre grossas paredes tentando descobrir o paradeiro dela.
- Pode ir, Severus.
Quando a manchete chegou pelo Profeta Diário, Snape já estava diante dos portões da escola, os feitiços saiam aos poucos após encostar sua varinha no metal. O portão abriu com um rugido permitindo sua entrada e a dos irmãos Carrow que guincharam de contentamento nas suas costas. Havia dentro de si um misto de sentimentos confusos ao pisar no gramado seco daquela manhã ensolarada. Sentia uma emoção forte por voltar ali, por estar em casa e revirava-se de raiva por eles não estarem mais ali.
Avistou ao longe a singela casa de Hagrid, o meio gigante estaria ali dentro com seu cão de caçar javalis? Apesar de não se importar com ele, precisaria de sua presença para algumas coisas. Depois de um tempo o castelo preencheu completamente sua visão com suas pedras grossas e cruas fortemente protegidas por magia se estendendo até as torres que finalizavam em cones verdes. Era belo e poderoso.
- Hogwarts. – Sussurrou o comensal ao seu lado. – Finalmente nossa.
Os irmãos Carrow estavam excitadíssimos para serem os professores de DCAT e Estudos dos Trouxas. O controle das crianças jovens era uma dádiva com a qual nunca sonhariam e que agora estava nas mãos deles. Snape os via quase pulando de alegria ao seu lado e só tentava imaginar o que poderia fazer para poupar as crianças do cruel destino que lhes aguardava.
- Então a velha veio nos esperar, que ótimo. – Disse Aleto quando a imagem de McGonagall foi avistava na porta de entrada.
Snape se impressionou com o rosto compenetrado da mulher, parecia que nada demais estava acontecendo além da recepção de boas vindas de três bruxos, mas ele sabia que por dentro a bruxa fervia de ódio por ver o assassino de Dumbledore caminhar calmamente pelo jardim acompanhado por violentos comensais que teriam pleno acesso aos seus pupilos. Se não fosse algo burro a se fazer, a mulher duelaria com os três naquele mesmo momento, e Snape sabia que ela conseguiria derrotá-los.
- McGonagall. – Cumprimentou Snape sem emoção na voz olhando para os grandes e azuis olhos da mulher que o encarava com dureza.
- Snape. – Havia tanto ódio na voz da mulher que Snape se impressionou que não vazasse pelo lado dos lábios. – Vejo que trouxe seus guarda costas.
- Na verdade são os novos professores, mas acredito que já saiba dessa informação. – Disse Amico dando um passo a frente.
- Professores? Me lembro muito bem de seu débil desempenho nas aulas, Amico. Até mesmo Pirraça tem mais competência do que você.
- Ora, sua velha! – Gritou o comensal empunhando a varinha sendo acompanhado pela irmão.
- Não! – Disse Snape indicando que os comensais deveriam abaixar as varinhas, o que fizeram com muita relutância. – Não vamos começar com o pé esquerdo. Recebemos ordens e vamos cumpri-las devidamente. – A voz de Snape era como sempre baixa e arrastada enquanto se dirigia aos comensais, mas apesar disso era potente e forte indicando que não deveria ser desobedecido. – Os alunos irão chegar em algumas horas. — Disse virando-se para a mulher. – Quero todos no salão juntamente com todos os funcionários. Vou para minha sala, não precisa me acompanhar, eu sei o caminho.
Snape passou pela mulher com passos firmes e se dirigia a escada quando ouviu a voz dela reverberar pelo corredor vazio.
- Mas é claro que sabe. Quantas vezes você não se trancou com ele lá em cima, provavelmente contando mentiras que ele acreditou porque ele confiava em você acima de todos. Ele confiou em você, era o único que confiava, que brigava e calava a boca de todo mundo que dizia o contrário. Ele confiou em você.
Aquela frase fez o homem arder de fúria e caminhar rapidamente até a mulher ficando a menos de cinco centímetros dela que não recuou, apenas o encarou como se estivesse vendo a morte e dissesse claramente que não a temia.
- Não é porque cumprimos ordens que não posso desviar-me delas. Cuidado com o que diz, não vai querer me contrarias.
- Não tenho medo de você.
- Deveria.
Snape voltou a caminhar pelos corredores e escadas tentando bloquear de sua mente as frases recém citadas pela professora e as antigas gritadas por Harry. É claro que ele sabia que Dumbledore confiou nele. Snape sabia muito bem que o diretor era o único a confiar nele, a brigar com qualquer um que dissesse o contrário. Ele sabia disso e se arrependia pelo fato de jamais ter agradecido, mesmo que Dumbledore já soubesse do tamanho de sua gratidão.
- Filch! – Chamou Snape vendo o zelado andando com sua gata nos calcanhares.
- Ah! Professor Snape. – Cumprimentou o outro dando um sorriso com seus dentes podres. – Que bom tê-lo de volta.
- Obrigado. – Agradeceu Snape sabendo que a felicidade de Filch era por agora poder castigar os alunos infratores da forma que eles realmente merecem. – Leve os professores Carrow para seus aposentos.
- Sim, senhor.
Snape forçou-se a seguir até a entrada do gabinete do diretor, a cada passo suas pernas pareciam ficar mais e mais pesadas e seus pés prendiam no chão, até sua capa parecia pesar como chumbo em seus ombros. Sua respiração saiu cortada ao ver a gárgula de Fênix o encarar com seus olhos de pedra antes de girar e deixar a vista a escada em espiral que o homem subiu. Seus ouvidos ficaram surdos por um momento e seu coração estreitou, da última vez que fora até ali não tivera tempo de entender onde estava, mas agora que entendia sentia-se sufocado como se o escritório fosse enfeitiçado para roubar o ar de seu intruso, mas no fim descobriu que era apenas o medo que o deixava paralisado sem capacidade de sentir o toque da madeira em seus dedos gelados.
Avistou o escritório exatamente como se lembrava. Os instrumentos estranhos estavam expostos pela sala fazendo barulhos baixos e soltando leves fumaças que se perdiam no ar. Os armários estavam fechados, mas sabia que encontraria antigos livros, mais engenhocas e poções raras e importantes. Será que um dia conseguiria encostar ali? Abri-los e usá-los? Afastou os olhos dali e os postou na mesa que agora estava vazia exceto por uma caixinha no canto que Snape pegou e abriu encontrando drops de limão. Sorriu por dentro e fechou a caixinha finalmente erguendo os olhos para o quadro central na parede. Alvo tinha o maior e mais bonito quadro, sua moldura era de ouro com entalhes delicados, Snape sabia muito bem que Dumbledore teria preferido algo mais simples e talvez rabiscado por algum aluno do primeiro ano ou até mesmo por um elfo como Dobby, seria muito mais parecido com ele.
- Oi, Alvo. – Disse Snape postando a caixinha de drops novamente na mesa.
- Meu garoto. – Disse Dumbledore sorrindo em sua moldura. – Seja bem vindo, diretor. Sente-se.
Snape baixou os olhos para a cadeira de shintz que estava ali na frente aguardando-o. Sua garganta travou, jamais se imaginara sentado naquele lugar, parecia algo improvável. Ergueu os olhos novamente para o quadro e percebeu que Alvo ainda era capaz de lê-lo com facilidade.
- Será que podem me dar licença? – Pediu Dumbledore aguardando que os antigos diretores saíssem de suas molduras deixando-os sozinhos. – O que foi Severus? – Perguntou com o mesmo tom de voz de sempre.
Snape balançou a cabeça e a abaixou deixando que os cabelos negros tampassem seu rosto. Ele demorou para falar, parecia ensaiar suas palavras, medi-las.
- Isso não é certo. – Disse por fim.
- O que não é certo?
- Isso. – Disse abrindo os braços e indicando o gabinete. – Eu não deveria estar aqui Alvo, não devo me sentar na sua cadeira. É errado.
- Não há nada de errado, Severus. – A voz do ex diretor era calma e tranqüilizadora. – A vida tomou o rumo que deveria e você está aqui agora, tudo isso é seu. Por favor, sente-se.
Snape levantou a cabeça mais uma vez para o quadro e seus olhos endureceram com a duvida formada em sua mente. Devagar caminhou pé ante pé para trás da escrivaninha, seus dedos tocaram no encosto da cadeira a afastando um pouco, a madeira estava gelada e era firme como seu ex ocupante. Seus ombros enrijeceram quando sentou naquele local. Por um momento achou que era perfeito para si, mas depois percebeu que era completamente fora de padrão para si. Ela parecia muito grande, muito poderosa e temerosa. Com um arrepio se levantou soltando um sonoro não e se sentou na velha cadeira de sempre, mais desconfortável e crua, porém que se encaixava perfeitamente em seu corpo.
- Vai ter que se acostumar, Severus. Você é o diretor agora.
- Eu sei.
Snape postou a mão fechada em punho embaixo do queixo e olhou para o poleiro de Fawkes que jamais voltou.
- Os alunos vão chegar logo, precisarei falar com eles. Vou para meus aposentos.
Snape se levantou e ao invés de entrar pela porta atrás da mesa que levaria ao aposento mais suntuoso de Hogwarts a qual jamais teve acesso antes, virou-se para a saída e desceu as escadas da gárgula caminhando lentamente em direção as masmorras. Sentiu-se novamente em casa ao ver aqueles corredores frios e rústicos. Estava acostumado com aquilo, preferia a crueldade do frio daquelas pedras do que o calor das coisas de Alvo
Finalmente parou diante da porta de seus antigos aposentos e respirou fundo antes de abri-la e adentrar ao cômodo que ficara exatamente como deixara. Não parou muito tempo ali, caminhou diretamente para um dos quartos e quando entrou recebeu a dolorida, mas já conhecida, pontada no coração. O quarto de Harry estava completamente vazio, todas as roupas e coisas do menino já não estavam ali, havia somente uma cama fria e abandonada e armários com portas abertas mostrando seu interior desolado. Não havia nem mesmo um único indício de Harry Potter ali.
Snape trancou aquele quarto com um feitiço, jamais o abriria novamente. Foi para seu próprio quarto e ali encontrou suas antigas vestes negras. Separou-as e tomou um banho preparando-se para a chegada dos alunos. Não seria um começo de ano muito bom, tinha certeza disso. Sua certeza foi confirmada quando se postou diante da escola no grande salão e avistou os rostos das crianças recém chegadas. Havia bem menos alunos do que imaginou que teria, os nascidos trouxas estavam fugindo. Seus olhos negros, destituídos de qualquer sentimento, vagavam por alunos assustados, intrigados, medrosos e raivosos.
Quando falou tentou ser o mais claro possível. Não haveria mais a mordomia que Alvo Dumbledore dava aos alunos, os regulamentos de Umbrigde estavam de volta e as aulas seriam muito mais rígidas aquele ano assim como os castigos para quem desobedecesse qualquer ordem dada. Snape ficou surpreso ao ouvir a voz de Neville Longbottom entre os alunos dizendo que não permitiriam que a alma de Dumbledore morresse com aquele regime imposto. Amico abriu um sorriso grande ao saber que já teria uma detenção para aplicar, Snape ficou furioso com Longbottom, o menino era corajoso, mas tolo e atrapalharia seus planos.
Na hora do chapéu seletor todos ficaram impressionados com o fato de ele não ter musica ou poema para recitar, o próprio chapéu sentia que deveria se reservar naqueles tempos. Os alunos foram devidamente separados entre as casas e o banquete se iniciou muito mais silenciosamente do que o normal, não havia a algazarra de sempre, nem as conversas animadas sobre as férias. Não havia o que contar de interessante, todos estavam em um tempo de terror. No fim do banquete Snape apresentou os novos professores e deu mais alguns avisos habituais que mais pareciam ameaças e mandou os alunos irem silenciosamente para seus quartos.
Minerva McGonagall não parou de encarar Snape naquela noite e parecia prestes a dizer alguma coisa, porém Madame Pomfrey colocou a mão no braço da mulher puxando-a para a razão, McGonagall saiu bufando e pisando firme no chão do salão até desaparecer pela porta. Madame Pomfrey respirou fundo e caminhou devagar pelas mesas das quarto casas.
- Papoula. – Chamou a voz de Snape atrás de si, a enfermeira fechou os olhos por um momento, sabia que ele iria falar com ela uma hora ou outra.
- Sim, diretor? – Disse a mulher vendo Snape se aproximar cauteloso, os olhos do homem estavam vazios e duros como pedras negras do inferno mais cruel. Não havia uma única centelha de sentimento quando ele perguntou.
- Como foi o nascimento da criança?
- Normal, como deve ser. – Disse a enfermeira tentando esconder toda e qualquer informação possível sobre Harry e a menina.
- Sabe que se mentir para mim terei que tomar medidas que você não irá gostar.
- Sei muito bem disso, diretor. Mas não há o que saber sobre a criança. Nasceu normalmente, é saudável e um encanto, o que é uma sorte considerando quem é o pai. Agora, se me dá licença, tenho muitas poções para fazer, imagino que teremos muitos alunos na enfermaria esse ano. – Disse a enfermeira dando as costas para o homem.
Realmente administrar aquela escola não seria nada fácil e ficou mais do que comprovado que não quando na primeira semana Longbottom e Weasley apareceram em seu escritório sendo carregados pelo colarinho por Aleto. Snape estava em pé lendo alguns pergaminhos e conversando com Alvo quando a professora adentrou seu escritório carregando os alunos.
- Ora, ora, ora. – Disse com sua voz arrastada sentando-se com incomodo na cadeira do diretor e olhando fixamente para os meninos. – Mal começamos o ano e Longbottom já leva sua segunda detenção e ainda carrega a Weasley junto. Creio que estejam tentando ocupar o lugar dos antigos infratores Weasley.
- Eles foram pegos tentando convencer os alunos do primeiro ano a formarem um grupo contra nós.
- Nunca imaginei que Longbottom tivesse cérebro para tal coisa. Que eu me lembre você era o único verme que jamais conseguiu preparar uma poção corretamente em minha aula.
- Não fale de Neville assim. – Gritou Gina sentindo a mão de Aleto prender em seus cabelos e os puxar para trás. – Tire as mãos de mim sua nojenta.
- Acho que terei que ensinar boas maneiras para a senhorita. – Disse Snape olhando tão firmemente para a menina que se tivesse poder ela estaria agonizando no chão.
- Então ele conseguiu te ensinar boas maneiras antes de você acabar com a vida dele? – Disse a menina sentindo outro puxão nos cabelos.
Aleto e Longbottom imaginavam que ela estivesse falando de Dumbledore, mas Snape sabia que ela falava de Harry e aquilo inflamou seus nervos, consumiu sua carne e cegou seus olhos. Se levantou e devagar caminhou até diante da menina fazendo com que Aleto soltasse o cabelo dela. Gina o encarou com ódio no rosto cerrado, mas não era ódio suficiente para se sobrepor a fúria de Snape.
- Aleto, leve Longbottom para Hagrid, mande-o levá-lo para a floresta proibida para retirar os corpos dos centauros que foram mortos ontem naquela rebelião. Eu cuido da senhorita Weasley. – Sussurrou Snape perigosamente perto do rosto dela segurando-o com seus dedos, apertando o maxilar da menina.
Aleto sorriu e saiu porta a fora com o menino, Snape esperou alguns minutos em que ficou encarando a menina e se lembrando dos momentos em que ela atrevidamente encostou em Harry.
- Você vai aprender a nunca se meter no que não é assunto seu, Weasley. – Ameaçou pegando-a pelos braços e arrastando-a para fora do escritório. Snape não olhou para trás, sabia que Dumbledore o olhava horrorizado com o que ele faria, não podia deixar que a suplica do velho o fizesse desistir.
Os alunos que passavam afastavam-se dos dois olhando-os com um misto de medo e vontade de proteger a menina. Snape a levou escada abaixo diretamente para as masmorras vendo o sorriso dos sonserinos quando passaram. Alguns até mesmo faziam uma reverencia antes de rir alto. O diretor continuou andando e só parou quando entrou em uma masmorra antiga onde ficavam presos os trasgos. Jogou Gina de qualquer forma fazendo-a cair no chão grudento com os restos das gosmas dos trasgos. A porta foi fechada selando-os no escuro.
- O que vai fazer? Me matar? – Perguntou Gina com um riso no meio da voz trêmula de medo.
- Não. – Sussurrou a voz de Snape no ar. Estava escuro demais e Gina não conseguia saber onde ele estava. Tentou focalizar o ambiente, mas nada aparecia a sua frente, era incapaz de saber onde ele estava. – O que vou fazer será bem pior.
- Vai fazer a mesma coisa que fez com Harry? Vai me destruir como fez com ele? Será que nem mesmo seu marido que carregava a sua filha foi capaz de trazer o bem para você? – Agora o medo era completamente exposto em sua voz. Ela caminhou pelo local com a mão erguida na frente do rosto procurando a porta mesmo sabendo que suas chances de sair dali seriam mínimas. Suas mãos de repente tocaram em alvo áspero e macio, foi tarde que percebeu que tocava no peito sob as vestes do diretor. Mãos feito garras se fecharam em seus pulsos. – Me larga, seu assassino! Você é louco.
- Não, senhorita Weasley. – Sibilou Snape entre os dentes trazendo a menina perto o suficiente para que ela sentisse o hálito dele em seu rosto. – Loucura é o que você vai sentir quando eu mostrar que não se deve enfrentar um comensal.
- Vai me matar?
- Matar? – Perguntou Snape tocando de leve o rosto dela com o dedo. – Quem falou em matar? – Suas mãos se fecharam na garganta dela e a empurraram com força na parede fazendo-a gritar com a dor da batida. – Você vai me implorar a morte. – Disse se aproximando do ouvido dela e sussurrando devagar. – Nunca deveria ter se metido com Harry, ele é meu.
Gina abriu a boca para gritar, mas não saiu um único som de sua garganta quando a luz do feitiço iluminou o rosto de Snape e ela viu a morte.
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