A Lenda

34 O castigo de Gina


Notas iniciais
Olá gente, aqui está o capítulo que tanto esperavam, por um lado tem o castigo da Gina e por outro.... hummmmm, vcs terão que ler.

Capítulo 34 – O castigo de Gina

O diretor, sentado na maior cadeira do local tomara um único gole de seu suco antes das corujas entrarem pelas janelas esvoaçando suas asas molhadas pelo sereno. A diminuição de quantidade de corujas era visível, antes eram tantas aves adentrando o local que tudo virava uma algazarra. Agora, porém, era raro ver mais corujas do que as dos pais dos sonserinos que eram os únicos a receber encomendas e a falar animadamente enquanto o restante da escola aprendera a ficar de mãos vazias e bocas caladas.

Entretanto algumas corujas perdidas entregavam as edições matinais de O Profeta Diário e O Pasquim e foi após uma dessas entregas que o caos reinou. A princípio o movimento não foi notado, mas aos poucos Snape percebeu que muitas cabeças viravam-se para cochicharem e aos cochichos seguiram-se as exclamações e depois o falatório cada vez mais alto quase retornando ao habitual de manhãs antigas. Porém em uma manhã antiga seria Dumbledore quem estaria sentado ali olhando para os alunos e em seus olhos teria algo como curiosidade e divertimento ao invés de irritação fria e cortante de Snape que olhou para Amico sentado ao seu lado e fez um aceno de cabeça. O comensal levantou-se sendo seguido por sua irmã que carregava um sorriso cruel no rosto. Ambos percorreram os corredores entre as mesas recolhendo os exemplares das revistas e ralhando com os alunos que os desafiaram.

- Não pode permitir uma coisa dessas. – Disse Minerva quando Denis Creevey levou um tapa na cabeça e uma ameaça de detenção com cruciatus. – Isso é violência.

- É melhor não se meter em nossos modos de ensino. – Disse Aleto aproximando-se e entregando a revista para Snape que mantinha-se calado.

- Modo de ensino? Desde quando abuso de poder e tortura são modos de ensino? – Perguntou Minerva levantando-se exaltada.

- Desde que temos carta branca dada pelo Ministério para nossas aulas.

- Um Ministério fajuto e controlado por um louco!

- Como se atreve?

Toda a escola parara para ver as duas professoras discutindo em alto e bom som. Os outros professores não se atreveram a abrir a boca contra eles, tinham medo de suas ameaças, eles eram comensais cruéis por natureza e pessoas como Sprout, Slughorn e Flitwick, apesar de poderosos, não agüentariam a força de cruciatus, mas McGonagall não tinha medo e nem receio. Os alunos sempre a avistaram discutindo com os irmãos Carrow e por vezes saindo aborrecida da sala do diretor. Amico e Aleto sabiam que apesar de detestá-la não deveriam entrar em um duelo com ela, além de muito mais poderosa do que eles a mulher de idade avançada era uma das poucas que conseguiriam agüentar sessões de cruciatus. Seria loucura, por isso ambos só ficavam gritando uma com a outra.

Apesar de toda a algazarra a sua volta, Snape só tinha olhos para a manchete na revista estranha de Xenófilo Lovegood que noticiava aquilo que O Profeta Diário tentava esconder. Havia uma imagem grande de três pessoas correndo pelo átrio do Ministério ainda aquela manhã. Snape reconheceu imediatamente os cabelos esvoaçantes de Hermione Granger e ao seu lado o rosto assustado e determinado de Harry Potter enquanto corria apontando a varinha por sobre o ombro. A imagem se repetiu diversas vezes e todas as vezes os olhos de Snape prenderam-se nos olhos do menino pensando se agora ele estaria bem ou se estaria machucado de alguma forma. Teria que vê-lo para ter completa garantia de tudo, tinha que ver com seus próprios olhos.

Com alívio por finalmente ver uma notícia dele Snape fechou a revista e finalmente percebeu que a discussão de Aleto e Minerva agora era compartilhada entre os professores e alunos. Aquelas vozes estavam lhe dando dor de cabeça e antes que duelos fossem travados o diretor bateu a mão com violência na mesa e se levantou.

- Basta.

A voz, apesar de ser pronunciada em tom baixo, reverberou com tanta força que não se ouvia um único som naquele recinto, parecia até mesmo que as pessoas haviam parado de respirar. Seus negros olhos não transpareciam mais do que irritação quando o passou por todo o salão observando atentamente as crianças assustadas e revoltadas assim como os professores perplexos. O medo começava a invadir o ar aos poucos conforme um sorriso torto abria-se em seu rosto emoldurado pelos cabelos negros.

- A impressão da revista O Pasquim está proibida e qualquer aluno, professor ou funcionário que for pego com qualquer exemplar estará passível de punição. Não haverá conversas paralelas e nem cochichos sobre essa notícia. Fiz-me claro? – Perguntou Snape esperando uma resposta que não veio. – Perguntei se fiz-me claro.

- Sim, senhor, diretor. – Responderam os alunos ao mesmo tempo.

- Ótimo. – Disse antes de virar-se para os dois professores que se encaravam firmemente com tanto ódio um do outro como piores inimigos. – Aleto fique encarregada de recolher quaisquer exemplares da revista e me entregar, depois dê o devido castigo ao infrator.

- Com prazer. – Disse a comensal sorrindo torto e fazendo com que a mão de McGonagall fechasse-se em punho fortemente.

McGonagall olhou para Snape com raiva e os lábios cerrados, seu rosto apresentava a vermelhidão de nervoso nas bochechas e era possível sentir as ondas de magia poderosa que ela emanava. Snape desejava profundamente poder contar a ela toda a verdade, aquilo tiraria de seus ombros o grande peso da mentira, mas não podia contar, ninguém mais além de Dumbledore poderia ter conhecimento de alguma coisa. Ainda assim desejava que a bruxa facilitasse um pouco sua vida, já tinha problemas demais para cuidar. McGonagall abriu a boca para falar algo, mas Snape ergueu um dedo e a fez calar. Com a sobrancelha erguida se virou para os alunos.

- O café acabou, dirijam-se as suas devidas aulas imediatamente. – Os alunos se moveram em silêncio saindo do grande salão e somente então Snape se virou para Minerva. – Trate de cuidar somente do que diz respeito a sua disciplina Minerva ou terei que tomar as devidas providências para afastá-la de seu posto.

- Me demitir?

- Exatamente. – Disse se aproximando e torcendo para que a mulher entendesse sua frase seguinte sussurrada como se fosse somente para ela ouvir. – Então se deseja proteger seus alunos queridos sugiro que fique calada e em seu lugar.

Dizendo isso saiu do salão pelo aglomerado de alunos retardatários que abriam-lhe caminho. Seus passos eram duros e apressados, sua mente trabalhava furiosamente enquanto pensava no que poderia acontecer com os alunos se Minerva saísse, na aparição de Potter e mais ainda nos avanços de sua busca pela filha de Voldemort. Estava tão concentrado que nem mesmo percebeu o olhar cravado em suas costas.

Neville não conseguia desviar os olhos das costas do diretor enquanto ele andava rapidamente pelo corredor esvoaçando sua capa negra como um demônio que caminhava em seu território infernal. Foi somente quando o homem virou no outro corredor que Neville apertou a alça da mochila e subiu a escada tentando não se visto por Filch, Madame Norra, os Carrow ou mesmo a Brigada Inquisitorial que viviam querendo pegá-lo, mas Neville era mais esperto do que os outros imaginavam. Rapidamente o menino cortou caminho pelas entradas secretas e chegou a porta da ala hospitalar sem ser visto. Devagar abriu a porta e entrou encontrando Madame Pomfrey arrumando o travesseiro de uma das macas. Quando a enfermeira viu o menino soltou um gritinho mínimo de surpresa e correu para fechar a porta rapidamente com um feitiço.

- O que faz aqui, senhor Longbottom? Sabe que o diretor proibiu qualquer visita a ala hospitalar. – Disse a enfermeira com os olhos assustados.

- Isso porque ele não quer que descubram o que houve com ela.

O olhar de Neville passou da mulher para a maca no fundo do recinto onde uma menina de cabelos vermelhos repousava com o rosto sereno de quem dormia tranquilamente.

- Como ela está? – Perguntou Neville indo até o lado da maca e pegando a mão dela entre as suas. Estavam geladas.

- Não teve melhoras significativas, continua dormindo.

- O que ele diz que aconteceu?

- Que depois de mandar o senhor para a detenção, conversou sobre as conseqüências de atitudes rebeldes e a mandou para a floresta proibida procurá-lo. O resto o senhor sabe, Hagrid a encontrou horas depois desacordada. O diretor acha que ela se perdeu e topou com alguma criatura ou planta que a deixou assim.

- Mentira. – Disse Neville com raiva. – Gina é a mais forte de nossa turma, sabia muito bem se defender e jamais se perderia na floresta. Foi ele, eu sei que foi ele.

- Isso é uma acusação muito séria, Longbottom. – Disse a mulher olhando sobre os ombros como se alguém pudesse ouvi-los. – Espero que não saia espalhando isso por ai, sabe que acabará castigado.

- Não ligo para isso. – Sussurrou Neville se aproximando do rosto da menina e tirando um fio de cabelo de sua testa. – Posso ficar alguns minutos?

- Senhor Longbottom o diretor não gostará de saber que deixei o senhor entrar aqui, quanto mais ficar.

- Por favor, só um pouco.

- Cinco minutos somente.

- Obrigado.

Madame Pomfrey foi para os fundos da ala hospitalar e Neville se sentou ao lado da menina fazendo juras de vingança e tentando entender o que havia acontecido com ela. Gina queria responder, mas seu corpo não respondia aos seus comandos. Ela ouvia a voz de Neville ao seu lado e sentia seu toque, queria muito responder, mas sua voz estava presa. Queria dizer que foi atrás dele para cumprir a detenção com ele, mas que algo a atacou sem que visse, queria dizer que estava bem e que não deveria se preocupar.

Mas qualquer tentativa era vã, pois ao ameaçar acordar uma dor lancinante a invadia atingindo seu corpo como brasa. Ardia tanto, queimava tanto e seu corpo nem ao menos se mexia. Algumas imagens distintas apareceram diante de suas pálpebras fechadas e no momento em que apareciam não era mais possível ouvir a voz de Neville ou sentir a vontade de contar aquela história para ele. Pois as imagens diante de seus olhos eram parte da verdade.

Via-se nitidamente sendo jogada na masmorra escura em companhia de Snape que se infiltrara nas sombras. Snape apertou-lhe o pescoço com força tirando-lhe o ar e causando vertigem, manchas brancas explodiram em seus olhos enquanto seu cérebro era provado de oxigênio. Ele só a soltou quando a sentiu perder os sentidos. O corpo de Gina bateu fortemente no chão, mas ninguém estava ali para notar. Seus joelhos ralaram e sua calça rasgou sobre o chão áspero. Ela tossiu e sua garganta arranhou enquanto seu peito doía com a força que usava para levar oxigênio para ele, aos poucos as manchas brancas sumiram e ela conseguia ver o nada a sua frente.

A menina tremeu ao ouvir uma risada cruel soar no ar, um riso maligno que não tinha origem, parecia estar em todos os lugares, inclusive dentro dela. Gina sempre fora conhecida por ser corajosa e destemida, mas naquele momento ela tremia de medo. Instintivamente levou a mão até o cós dos jeans em busca de sua varinha, mas não havia nada ali, a varinha sumira.

- Procurando por isso? – Perguntou a voz gélida em seu ouvido.

Gina sentiu a ponta da varinha tocando-lhe a pele sobre o pano grosso das vestes bem no meio das omoplatas onde normalmente repousava a mochila. Aos poucos sentiu algo liso e escorregadio subir por seus braços e se enrolar em seu pulso com força. Um grito rouco saiu de sua garganta quando seus braços foram erguidos acima da cabeça e seu corpo içado e preso por algo no teto. Seus pés estavam a vários centímetros do chão.

- Me solte! – Gritou se mexendo nervosamente e sentindo seus pulsos cortarem.

- Quanto mais se mexer, mais ficará presa.

Os passos de Snape se aproximavam e a cada passo a luz incidia mais forte sobre o ambiente permitindo que Gina visse o rosto pálido emoldurado pelos cabelos negros. Ele estava tão frio como a morte deveria ficar diante de sua vítima.

- Por que não me mata logo, Snape? – Perguntou a menina entre dentes. – Eu sei que é isso que você quer.

- Matar você? – Perguntou com a voz letal se aproximando da menina. – Não quero matá-la, não agora pelo menos.

- Então o que quer?

- Fazê-la sofrer do mesmo modo como eu sofri quando você tocou nos lábios dele, quando o abraçou e acariciou seus cabelos. Não deveria ter feito aquilo, ele era meu.

- Tudo isso por ciúmes? – Questionou Gina. – Você é louco.

- Talvez, ainda assim isso não te isenta do que fez.

- Eu não quero nada com Harry.

- Ah! Quer sim. – Snape sussurrou e ergueu a mão tocando na testa dela devagar. – Está tudo aqui na sua mente, eu vi cada desejo, cada esperança e querer. Eu sei o quanto você quer poder tocá-lo e senti-lo tocando em você. Mas... – Desceu os dedos pelo rosto dela até eles serem afastados pelo rosto virado. — ...você jamais saberá como é bom estar perto dele, sentir aquele calor emanar do corpo dele enquanto se aproxima para abraçá-la deixando-a sentir o perfume natural de baunilha.

- Pare!

- Não, senhorita Weasley. A senhorita queria saber como era estar com ele e estou te contando, pois quero que se torture cada vez que souber que ele jamais será seu. Você nunca vai sentir o gosto doce dos lábios dele entregues a si. Aquilo que você fez no final do jogo não se compara em nada com o real. São como morangos frescos e suculentos que se derretem em minha língua. Ah! – Suspirou fechando os olhos, seu coração palpitava de ansiedade e excitação. – Cada beijo era mais doce do que o outro e era apenas um simples prelúdio para o que vinha depois, os toques leves e suaves como pena da asa de um anjo até que ele ficava tão excitado, tão duro que qualquer anjo teria vergonha de como ele se mexia em cima de mim rebolando e gemendo enquanto eu sentia o calor de seu corpo suado e trêmulo. – Os olhos negros tremeram de prazer ao prender o maxilar dela entre as mãos e o apertar fazendo-a gritar. – E então, quando ele gozava era meu nome que ele gritava, o meu, saído do fundo da garganta rouca pelo boquete feito. Ah! Senhorita Weasley, você nunca saberá o que é isso. Porém...

Gina arregalou os olhos quando ele abriu sua capa escolar e passou a varinha sobre o pulôver cortando-o em uma linha perfeitamente reta, porém ele fez questão de abrir botão por botão de sua camisa enquanto falava.

- Você vai sentir o que eu senti com aquele beijo após o jogo e mais ainda o que eu fiz ele sentir.

- Eu já entendi. – Gritou Gina se mexendo nervosamente e sentindo o sangue dos pulsos escorrer pelo seu braço. – Eu não devia ter feito aquilo, mas não sabia que ele estava com você. Snape parou o dedo no último botão e ergueu os olhos para a menina. Seus cabelos estavam bagunçados grudando na testa suada e suja, seus olhos estavam molhados pelas lágrimas do medo e ela sussurrava. – Eu sei que você é louco e cruel como só um comensal pode ser, mas também sei que você o ama mais que tudo, eu sei que você tem algo de bom, pois Harry viu isso em você e por isso o ama tanto. – Os olhos de Snape perderam o foco por um momento e revelaram toda a verdade para a menina, ela não precisava de legilimência, ele deu todas as cartas nas mãos dela. Todo o sofrimento e amor misturados com sacrifícios e ódio. Tudo claramente vistos pelos olhos perdidos naquele rosto cansado e machucado. – Professor?

Snape voltou os olhos para ela e a viu abrir a boca e fechar como se não conseguisse dizer o que estava em sua mente. E realmente Gina não conseguia e se lembrou de seu pai um dia lhe dizendo que nem todas as verdades eram fáceis de se carregar e agora ela tinha uma verdade que não conseguia suportar, pois era bela e cruel ao mesmo tempo. Era a verdade de Snape, a que ele tanto guardava e que deixou escapar em um momento de descontrole.

Nunca acreditara que o amor fosse tudo aquilo que lhe diziam, pensou que era apenas mais uma enrolação boba e infantil, mas agora entendia o quão poderoso ele era, pois o homem a sua frente era repleto dele. Parecia até mesmo que ele nascera dele e que o amor era parte de suas células, Snape morreria por Harry e por ele arriscaria qualquer coisa e qualquer pessoa, igual fez com Dumbledore.

Lágrimas escorreram dos olhos de Gina enquanto encarava o homem. Onde estivera esse sentimento no homem antes, onde havia se escondido e por que se escondeu tão fundo que somente Harry conseguiu desencavar. O que acontecera nesse meio tempo?

- Você é bom. – Ela sussurrou. – Eu sei que você é bom.

Snape fechou os olhos por um momento e respirou fundo. A menina acreditava que ele era bom, realmente acreditava, mesmo presa, machucada e sob forte ameaça. Ela acreditava, assim como Dumbledore e Harry.

- Não, senhorita Weasley. – Disse abrindo os olhos toldados como ferro, frios e vazios. – Não sou bom, sou egoísta, cruel, injusto, assassino. Não há bondade em mim, não tenho espaço para ela.

- Você é sim, eu vi. Me solte, por favor.

- Adoro quando começam a implorar. – Disse abrindo o último botão da camisa branca da menina expondo a pele alva e os seios pequenos sob o sutien simples e rosa. – Vou te torturar como jamais fiz com minhas vítimas e te prenderei em sua mente, você saberá a verdade, toda a verdade sobre o que fiz com você, ou melhor, sobre o que vou fazer com você. Você vai dormir e vai querer acordar para contar a todos o que o malvado professor fez, porém quanto mais consciente ficar menos se lembrará. O que será que a obstinada senhorita Weasley vai escolher?

Sorrindo torto e maliciosamente Snape se afastou e conjurou uma cadeira para si onde se sentou descansando as costas e tendo a bela vista da menina amarrada e cansada.

- Por favor. – Ela pediu.

- Eu disse que você imploraria a morte. – Os olhos negros encheram-se então de crueldade, transbordaram para seus lábios repuxados e para o feitiço proferido. – Incendium Ilusion.

Gina jamais imaginou que poderia gritar daquela forma, pensou que não tivesse voz para isso, mas quando o feitiço a atingiu não havia forças para evitar o grito. Ele saiu rasgando sua garganta com força enquanto sua cabeça era jogada para trás e suas mãos se fechavam. Parecia que Snape havia jogado óleo em cima de si e depois atiçado fogo em sua carne. Um fogo maldito que lambia sua pele com violência queimando-a e subindo pelas pernas e troncos até atingir o rosto. O fato de ver a pele intacta não mudava a dor que sentia. Ela gritou, se balançou tentando fugir, mordeu a língua em um ataque forte de dor e gritou de novo, agora era como se o fogo atingisse sua carne e tentasse destruí-la tentando chegar até o seu interior e devorá-lo.

Seus gritos eram estridentes e sua garganta estava estourada, sua boca cheia de sangue pela mordida na língua e seus pulsos esfolados. Snape permaneceu sentado olhando-a quase hipnotizado, por vezes fechava os olhos e sorria como se os gritos dela fossem a melhor e mais relaxante música. Foi somente quando Gina, minutos depois, começou a implorar que ele se levantou e foi até ela. A menina gritava enrolado devido o sangue na boca, mas Snape entendia todas as palavras. Ela pedia a morte, a liberação de seu castigo. Implorou, implorou e implorou para que ele a matasse. Foi quando ela tossiu com falta de ar de tanto gritar que ele cessou o feitiço e ela parou de se debater. Gina respirava rápido e com dificuldade, dava para ver seu peito subindo e descendo. Sua cabeça pendeu para frente quando seu corpo não conseguiu sustentá-la. Ela desabou inconsciente no chão quando Snape a soltou nos pulsos.

- Não lhe darei a morte. – Disse para a menina desacordada cujo o rosto brilhava de suor. – Eu seria misericordioso demais se fizesse isso.

Snape ergueu a varinha e apontou para a cabeça dela recitando um encantamento antigo em uma língua morta. A última coisa de que Gina se lembrava era de cair em um profundo abismo. Agora sabia o motivo de ver duas verdades, ou uma verdade e uma mentira, ela estava presa entre o mundo real e o dos sonhos, entre viver com a mentira ou morrer com a verdade. No fim ela fez o que pareceu mais sensato.

Os cinco minutos haviam se passado e Madame Pomfrey não fora lhe expulsar, então Neville continuou sentado ao lado do leito de Gina, lhe contou a noticia que saiu no Pasquim e como todos ficaram agitados com fato de Harry estar vivo. Ele ia começar a contar os planos que fizera para quebrar o regime autoritário de Snape, mas no exato momento um barulho na frente da ala o fez parar com a boca aberta e o coração acelerado, alguém tentava abrir a porta.

- Rápido, esconda-se. – Ele ouviu Madame Pomfrey dizer em uma voz nervosa.

Rapidamente Neville se escondeu embaixo da maca de Gina sendo escondido pelo longo lençol que caia até o chão. Madame Pomfrey acelerou o passo até a porta, mas antes de chegar até ela a porta se abriu com violência deixando a figura altiva de Snape entrar com a varinha erguida e um ar perigoso e atento em seu rosto. Neville tremeu ante o olhar dele, mas não fez nenhum barulho.

- Pelo amor de Deus! Isso é uma enfermaria. – Exclamou Madame Pomfrey.

- Por que a porta estava fechada? – Perguntou Snape em uma voz letal.

- Porque precisei me ausentar da ala por alguns minutos e o senhor não queria que ninguém viesse até aqui.

- Se ausentou? Por qual motivo?

- Acredito que eu ainda tenha o direito de usar o banheiro.

Snape pareceu desgostoso com a resposta, mas não retrucou, apenas baixou a varinha e a guardou entregando uma caixinha que trouxera na outra mão. Madame Pomfrey viu o conteúdo e se afastou indo para o final da aula. Enquanto isso Snape caminhou lentamente até os pés da maca de Gina. Neville podia ver os sapatos gastos do professor.

- Realmente não sabe o que aconteceu a ela? – Snape deveria ter apenas balançado a cabeça, pois a enfermeira continuou. – Não acredito nisso.

- Que eu me lembre você é paga para cuidar de pessoas doentes. – Disse Snape sem emoção na voz. – E não para duvidar dos outros, mas se tem tanta dúvida por que não pergunta para a própria senhorita Weasley/

Madame Pomfrey iria dizer que aquilo não tinha graça, mas ouviu uma tosse rouca e viu que Gina acordara. Rapidamente se aproximou da menina e começou a examiná-la, mas Snape não quis esperar nem que ela bebesse água.

- Senhorita Weasley, por favor, nos ilumine com sua visão sobre os últimos acontecimentos.

Gina piscou os olhos e engoliu o mínimo de saliva que sua boca seca conseguira acumular enquanto tentava entender o que ele queria dizer, foi somente após alguns minutos e uma levantada de sobrancelha que ela começou a falar.

- Eu fui atrás de Neville como havia ordenado, diretor. Quando cheguei lá fui atacada, nem consegui ver quem foi, depois não lembro mais nada.

- Ótimo.

Foi a única coisa que Snape disse antes de sair e caminhar para seu escritório com pressa. Não tinha tempo para perder com besteiras. Ao adentrar o escritório viu que Alvo não estava sozinho em seu quadro, havia uma mulher magra e feia que outrora fora diretora de Hogwarts e que agora só sabia fofocar sobre o que acontecia na ala hospitalar onde estava seu outro quadro. Snape não ligou para eles, apenas se sentou na velha cadeira dura de sempre e pegou alguns papeis.

- Então quer dizer que a senhorita Weasley acordou.

- Sim, você já sabe disso e sabe também que não fiz nada para a menina, ela mesma disse.

- Severus, você nunca soube mentir.

- Você não quer ouvir, então não me pergunte, não tenho tempo para nada disso. Preciso ver Harry.

- Novamente?

- Sim.

- Sabe que não deve, esse feitiço é complexo e perigoso na primeira vez, imagine na segunda.

- Não me importo com as chances de morrer, só quero vê-lo. Preciso saber se ele está bem.

- Severus, não se arrisque tanto.

- Alvo, você não sabe como é.

- Eu não sei o que? Como é difícil ficar sentado sem ter noticias da pessoa mais importante da sua vida? Sem ter idéia se está bem ou não, machucada ou ilesa? Acredite Severus, eu sei muito bem.

- Só que Harry não é Grindewald, ele não é tão inteligente assim visto a irresponsabilidade que fez entrando no Ministério da Magia. – Disse Snape exasperado. – Eu preciso saber como ele está.

Sem dar ouvidos para os protestos de Dumbledore, Snape saiu do escritório e desceu para as masmorras. Seus aposentos estavam frios como costumavam ser antes de Harry entrar em sua vida. Estava vazio, mas apesar da solidão comprimir seu coração e deixá-lo sem ar, Snape foi até seu quarto acendeu8 velas ao redor da cama e retirou a roupa. Somente de cueca deitou-se na cama sentindo o tecido tocar-lhe a pele com delicadeza, descansou a cabeça no travesseiro e fechou os olhos com um suspiro. Com um toque de varinha diminuiu a luz até que somente as velas o iluminassem e apontou a varinha para sua própria cabeça concentrando-se o máximo que podia no feitiço complexo que precisava fazer. Somente quando sua mão parou de tremer e seu coração desacelerou a um ritmo calmo e constante que ele fechou os olhos e mexeu os lábios.

- Solinus.

O feitiço clareou suas pálpebras antes de atingir sua mente com ferocidade. Sua mão pendeu para o lado caindo mole sobre a cama deixando que a varinha escorregasse para o chão e batesse com um baque surdo.

Quando seus olhos se abriram avistaram o céu azul e límpido cheio de nuvens brancas e espaçadas. Alguns pássaros voavam de um lado para o outro em uma sincronia perfeita. Snape virou o rosto para o lado e viu sua mão pousada na grama aparada nos limites de uma floresta, as árvores eram grandes e largas, pareciam pertencer a uma floresta muito velha e poderosa. Devagar levantou o tronco e avistou o restante do lugar. Era lindo, uma campina no meio de um lugar sombrio. Havia luz de um sol forte no céu caindo diretamente nas águas claras e límpidas da cachoeira que morria em um rio grande e fundo. Havia flores crescendo ao redor dele, de todas as cores formando um mosaico perfeito e no meio delas, sentado olhando para ele estava Harry Potter.

Snape pensou que iria demorar muito para conseguir falar com ele, que iria novamente tentar e tentar dia após dia sempre vendo apenas um vislumbre dos sonhos dele para finalmente conseguir se manter e falar com ele gastando suas forças e ficando exausto, mas dessa vez ele já estava lá. Era como se o esperasse o tempo todo. Harry virou o rosto em sua direção e Snape achou que nunca estivera tão bonito. Seus olhos verdes estavam mais brilhantes e maiores atrás dos óculos redondos que encaixavam perfeitamente no rosto jovem que trazia um pequeno arranhão na testa perto da bochecha esquerda. Ele sorriu e esticou a mão na direção dele o chamando.

Não houve um único segundo em que Snape parara para pensar antes de agir, apenas colocou um pé depois do outro e caminhou até ele tocando em sua mão. Estava quente e confortavelmente encaixada na sua o puxando para se sentar ao lado dele. Não podia negar sentir um solavanco em sua alma quando chegou perto do corpo dele. Harry exalava o cheiro gostoso de baunilha que sempre o invadia quando dormia agarrado a ele. Sua mão livre subiu até o rosto do menino deixando seus dedos enterrarem-se nos cabelos bagunçados e seu dedão acariciar a bochecha vermelha.

Fazia tanto tempo que não o tocava, tanto tempo que não olhava nos olhos dele assim a sós sem ter que se preocupar com o fato de que tinha comensais atrás deles. Ali, naquela campina em Hogwarts, dentro dos sonhos de Harry era somente os dois, somente Snape e Harry, casados, apaixonados.

- Harry. – Sussurrou Snape fazendo Harry fechar os olhos e postar sua mão em cima da dele entrelaçando seus dedos.

Snape sentiu seus olhos marejarem sem permissão quando Harry levou sua mão até os lábios dele e a beijou com devoção e carinho.

- Severus. Sinto tanto a sua falta. Tanto.

- Eu também. – Disse Snape segurando o rosto do menino com as duas mãos e o olhando com tantos sentimentos no olhar que eles eram confusos. – Sinto todos os dias. Todos os dias.

Sem nem mesmo pensar Snape trouxe o rosto de Harry para perto e selou seus lábios aos dele sentindo o costumeiro gosto de morango e maciez de pêssego. Harry logo abriu os lábios deixando que a língua desesperada do homem o invadisse e bailasse em sua boca como sempre fizera. Os lábios de Harry eram tão macios e deliciosos, encaixavam-se perfeitamente nos seus deixando-o com água na boca. Enterrou suas mãos no cabelo dele o trazendo completamente para si sentindo o corpo dele encostado ao seu.

- Deus, como você é delicioso. – Disse Snape mordendo seu queixo e descendo os lábios para o pescoço ouvindo um gemido rouco saindo da garganta dele.

Harry apertou os dedos nos cabelos negros de Snape e o puxou fazendo-o jogar a cabeça para trás ficando a mercê dos lábios dele que o invadiram com força e saudade enquanto se sentava no colo do homem. Snape rapidamente abriu a blusa do menino e rasgou sua camiseta deixando-o com o peito nu. Suas unhas passaram pelo peito de Harry passando pelos mamilos rijos e descendo pelo abdômen. Um gemido saiu por sua garganta quando ele mordeu seu lábio inferior. Rapidamente Snape postou suas mãos nos quadris de Harry e apertou sua bunda enquanto o colocava no chão e ficava por cima.

- Tira essa capa, eu quero você. – Disse Harry sem fôlego em meio a um beijo.

Snape ficou de joelhos e tirou sua capa e sobretudo quase rasgando a camisa. Quando seu peito ficou nu ele parou e olhou para o corpo do menino. Era tão lindo, tão perfeito. Seus olhos passaram desde o começo da calça até os olhos verdes e excitados. Teve que se concentrar um pouco para lembrar seu objetivo em entrar nos sonhos dele. Devagar se inclinou sobre o menino e beijou-lhe os lábios devagar e calmo. Ainda de olhos fechados sussurrou para ele.

- Fiquei com tanto medo, Harry. – Abriu os olhos e encontrou os olhos interrogativos de Harry. Queria tanto perguntar diretamente como estava e dar-lhe uma bronca pelo que fez, mas não podia deixá-lo desconfiar, ele tinha que continuar pensando que era apenas um sonho. – Medo que não estivesse bem.

- Estou bem, Severus, estou ótimo e melhor agora.

- Que bom. Era tudo que eu queria ouvir. – Disse Snape antes de atacar os lábios de Harry novamente.

Snape sentia o quadril de Harry levantando-se e encostando no seu fazendo-o sentir arrepios na espinha. Harry mordeu seu lóbulo e arranhou suas costas com desejo enquanto sussurrava em seu ouvido.

- Eu quero você Severus, dentro de mim. Me fode, Severus. Como sempre fazia, forte, dentro, completamente.

Snape levantou a cabeça e olhou para Harry, seus olhos estavam mais do que famintos, estavam loucos de desejo. Sem poder negar a um pedido desse tanto por Harry quanto por ele mesmo, Snape agarrou Harry e o virou de costas no gramado baixando as calças dele rapidamente e jogando-as em qualquer canto assim como as suas. Quando voltou a se deitar sobre o menino gemeu ao sentir suas peles roçando uma na outra. Levou seus lábios para a nuca dele e a mordeu com força antes de descer a língua por suas costas sentindo a pele quente vibrar sobre ela.

- Ah, Severus. Essa língua.

Harry gemeu e se mexeu empinando o quadril e sentindo Snape o agarrando e o lambendo, beijando sua pele, abrindo seus lados e aventurando-se por seus meios deixando-o molhado e excitado. Snape sentia seu próprio membro vibrar com a excitação enquanto lambia e beijava aquele lugar tão especifico e seu. Sua língua desceu por aquele caminho encontrando a base do membro de Harry que gemeu alto ao sentir suas bolas sugadas pela boca esfomeada. A mão firme de Snape se fechou em seu membro e Harry gritou quando ele o movimentou para cima e para baixo puxando o prepúcio e exibindo a cabeça rosada.

- Severus, por favor. Quero você.

Não poderia agüentar o pedido dele, tinha que fazer, tinha que entrar nele e senti-lo quando se tornassem um dó, novamente unidos como sempre deveriam ter sido. Rapidamente Snape se posicionou atrás de Harry e usou a saliva em seu próprio pênis duro posicionando-o e forçando a entrada de Harry. O menino gritou, mas pediu que ele não parasse que continuasse até o fim, que enterrasse tudo até a base e depois saísse e voltasse. Snape o obedeceu agarrando seu quadril com força e o movimentando sentindo-o comendo seu membro que entrava e saia com força atingindo a próstata de Harry que gritava e se contraia chamando seu nome.

Snape deu um tapa forte na bunda de Harry antes de gritar seu nome e cair por cima dele sentindo Harry tremer e gozar também jorrando seu gozo no gramado verde e perfeito. Harry se deitou no chão e Snape deitou do seu lado o abraçando sem sair de dentro de si, queria sentir o quanto ele era quente enquanto o feitiço ainda não acabava, queria permanecer ao seu lado abraçado e beijando sua pele. Queria nunca ter que acordar e voltar para a realidade. Queria tanto ficar com ele, somente com ele, inteiramente com ele.

- Ela é linda. – Disse Harry de repente.

Snape saiu de dentro do menino sentindo ele mesmo um sentimento de abandono. Harry se virou para ele e tocou em seu rosto antes de encostar sua testa na dele e o beijar com aquela doçura que somente Harry conseguia ter. Apesar da felicidade uma dor ultrapassou Snape que se agarrou mais forte ao menino sentindo o quanto estava perto de acabar tudo aquilo ali.

- Eu queria, Harry, estar com vocês, eu queria. Mas não posso.

- Eu sei. – Disse Harry acariciando seu rosto. – Eu também queria, mas você é um comensal, eu sei. Também queria que isso fosse real, mas sei que nunca mais terei você. Eu sinto tanto, Severus. Eu amo você.

Harry sorriu para si, mas sua imagem estava fraquejando cada vez mais, indo embora. Todo o local se desfazia em suas mãos. Desesperado para que nada daquilo acabasse Snape se agarrou com força ao corpo do menino e olhou para seus olhos e falou alto como se caso sussurrasse não conseguisse ser ouvido.

- Eu também te amo, Harry.

A frase mal havia acabado de sair de sua boca quando seus olhos se abriram e Snape se viu novamente em seu quarto. As velas já haviam acabado e apagado. Sua cabeça doía e sangue saia de seu nariz. Não havia forças para se levantar, seu corpo estava pesado e dolorido como se tivesse acabado de cair de um prédio. Mas Snape não se importava com nada disso, queria apenas ficar ali sentindo as dores do corpo se misturarem com as lágrimas que escorriam.

Harry o amava. Ainda o amava.

Um sorriso se abriu em seu rosto antes de cair no inconsciente.

Notas finais
E então, gostaram?