A Lenda
22 O começo do fim
Gente, preciso mesmo agradecer a todos vcs pelo reviews que recebi, são lindos... muito obrigada mesmo, vcs me dão muita força para continuar a escrever essa história, esse capítulo é um pouco mais curto, pq eu queria mostrar apenas essa parte dos dois após o incidente de Harry e Gina....escrevi o capítulo enquanto passava o final de semana na praia, para vcs verem como vcs me dão inspiração..... bjussss
OBS: como eu estava ouvindo a musica Don't Speak enquanto escrevia e achei a letra igual ao que eu estava escrevendo coloquei a letra em algumas partes da história... bjussss
Capítulo 22 – O começo do fim.
You and me (Você e eu)
We used to be together (Nós costumávamos estar juntos)
Everyday together always (Todo dia juntos, sempre)
I really feel (Eu realmente sinto)
That I'm losing my Best friend (Que estou perdendo o meu melhor amigo)
I can't believe this could be the end (Eu não posso acreditar que esse poderia ser o fim)
It looks as though you'r eletting GO (Parece, no entanto, que você está deixando acontecer)
And IF it's real (E se isso for real)
Well I don't want to know(Bem, eu não quero saber)
Dizem que o eclipse solar é um fenômeno muito bonito de ser visto, tão forte em sua plenitude que fere os olhos se visto a olho nu. É o momento em que o calor se esconde atrás da sombra e a noite impera o dia.
Um eclipse foi exatamente o que os negros olhos de Snape viram quando a menina de cabelos de fogo correu em direção ao seu sol. Ele viu a sombra rastejar rapidamente pelo gramado se aproximando, acompanhando os passos corridos dela. Os filetes negros alcançaram o corpo do menino e o dominaram quando os braços femininos agarraram seu pescoço apertando-o, levando-o de encontro a ela. A sombra continuou se espalhando pelo gramado matando as folhas verdes até encostarem-se a seus pés e subirem por seu corpo congelando suas veias e esfriando o calor que o sol causava-lhe. Seu sol morrera assim que suas mãos postaram-se na cintura dela, apertando-a de leve, fazendo-a sentir arrepios, talvez até ofegar. Tudo o que era seu, que era para ser somente seu.
Mas o eclipse finalmente se completou quando os lábios dela tocaram os dele. E então toda a luz fora embora e a noite desfilava presunçosa cobrindo tudo com seu manto espesso de negror. O sol não mais apareceu, fora massacrado e escondido pela lua. Seu sol fora completamente despedaçado.
Por todos os lados havia alunos vestidos com seus uniformes coloridos formando um desenho abstrato na multidão, mas que a seus olhos tornavam-se vermelhos. Vermelho como sangue que via subir pelas paredes do castelo e derramar-se no gramado afogando as pessoas em desespero. Sangue que saia de seus olhos vagos e perdidos.Os alunos que desciam das arquibancadas esbarravam em seus ombros e continuavam correndo em direção ao grifinório capitão da equipe vencedora, mas Harry não poderia lhes dizer nada, seus lábios ainda estavam ocupados.
Os olhos de Snape se estreitaram quando a dor chegou a sua alma pegando-a em suas mãos e a apertando aos poucos até que doesse, até que fosse insuportável permanecer parado apenas contemplando o quadro de destruição. Sentindo a mão tremer em direção a varinha e o céu tornar-se preto Snape virou-se sem dizer uma única palavra, sem demonstrar um único olhar de tristeza e se dirigiu ao frio das paredes nuas do castelo.
Harry segurou Gina firmemente pela cintura e a empurrou liberando-se do abraço da menina e a olhando com completa surpresa.
– O que você está fazendo? – Perguntou indignado.
– Te beijando oras. – Gritou a menina antes de sumir na multidão.
Harry fechou os olhos com força quando percebeu que o olhar de Snape havia sumido de suas costas, ele tinha ido embora.
– Severus. – Sussurrou Harry virando-se e dando um passo a frente.
– Não. – Disse Hermione segurando seu braço. – Harry, todos estão olhando, se você for atrás dele agora todos vão perceber.
– Preciso ir atrás dele, preciso explicar, ele vai entender tudo errado.
– Espera um pouco então, só alguns minutos, depois eu vou com você até lá e te darei cobertura.
– Ei, o que aconteceu? – Perguntou Rony abrindo espaço pelos companheiros que se amontoavam sobre ele. – Está tudo bem?
– Não, Rony, não está tudo bem. Gina fez uma grande besteira.
– Eu vou matar aquela menina! – Rosnou Rony.
– Não! – Gritou Harry quando o ruivo se dirigia ao aglomerado que eram os jogadores e os torcedores. – Ela não tem nem mesmo noção do que está acontecendo. Não é culpa dela. Por isso eu preciso vê-lo, tenho que explicar isso a ele.
– Aguarde mais um pouco. Se você for agora será um desastre.
Hermione não tinha a menor ideia de que o que acabara de falar era completa verdade e que o fato de segurar Harry por míseros vinte minutos fizeram toda a diferença no futuro daquele ser inocente que se mexia no ventre do menino, pois a alma de Snape naquele momento tremeluzia de ódio e mostrava-se em seus olhos sedentos. O homem andava as cegas pelos corredores vazios e deprimentes. Suas mãos permaneciam fechadas em punho, fortemente seladas como se pudesse deixar algo escapar se as abrisse. Sentia a dor em sua pele, o formigamento do sangue parado ávido por movimento, mas não as abria, ele queria a dor.
Our memories (Nossas memórias)
Well, they can be inviting (Bem, elas podem ser convidativas)
But some are al together (Mas algumas são totalmente)
Mighty frightening (Poderosamente assustadoras)
As we die, both you and I(Enquanto nós morremos, ambos, você e eu)
With my head in my hands (Com a minha cabeça nas minhas mãos)
I sit and cry (Eu sento e choro)
A cada passo que dava aproximando-se das masmorras sentia a capa negra cobrir-lhe o corpo com um capuz e descer lentamente até seus pés arrastando-se no chão desfazendo-se em fumaça e sumindo no vácuo deixado para trás. Ao chegar a seus aposentos trancou-se na sala e a sentiu tremer ante o poder de sua dor, dor que lhe apertava o peito ao reviver mais uma vez os lábios daquela menina nos dele, nos lábios que haviam beijado os seus, que passearam em sua pele fazendo-a queimar de prazer como pensou jamais ser possível. Mas muito mais do que o prazer que lhe davam, aqueles lábios eram os mesmos que lhe prometeram nunca o abandonar, jamais o deixar cair na areia movediça de solidão na qual agora estava quase sufocado.
Como fora tolo, idiota e ingênuo.
Snape se aproximou do bar devagar e pegou uma garrafa de uísque bem antiga que trouxera da casa de seu pai quando soube de sua morte. Com facilidade abriu a garrafa e a virou diretamente na boca. Como fora burro em pensar, em realmente acreditar nas palavras doces que saiam da boca vermelha daquele menino, crer que algum dia poderia ser o tudo de alguém. As palavras já eram falsas no momento em que chegaram a sua boca para serem proferidas. Ele não era nada, apenas um boneco nas mãos hábeis dos malditos mentirosos.
– VOCÊ MENTIU! – Gritou para o vazio arrancando o calendário que Harry tinha para se lembrar dos exames marcados e jogando-o na lareira para queimar como sua alma queimava.
A garrafa rapidamente fora esvaziada e por seu pescoço caiam as gotas salientes que escorreram pelo queixo. Passou a mão limpando-as e recebeu as imagens dos lábios travessos lhe sorrindo de leve e se aproximando com seu dono sentando em seu colo e se abaixando fazendo os lábios atrevidos tocarem sua pele onde havia acabado de molhar com uma gota que escapara de seu copo, relembrou a língua quente molhando sua pele desde a base do pescoço passando pelo seu pomo de adão até chegar a sua mandíbula e ali depositar uma mordida safada.
Os vidros da garrafa se espalharam pela entrada ao ser arremessada contra a porta antes do homem cair largado na poltrona e perder-se em pensamentos apertando os dedos nos braços da poltrona ao se lembrar de cada ato que pensou ser verdadeiro, aqueles carinhos que ganhava sem pedir, o acalento dado após seus recorrentes pesadelos, a preocupação que antes jamais recebera, o prazer que só encontrara naquele corpo inocente e o amor, o maldito amor que lhe fora entregue mesmo não fazendo a menor ideia do que fazer com ele.
Era tudo mentira.
Mentira, sempre mentira, essa era a grande sina de sua vida, ser uma mentira e receber em troca a falsidade igualmente cruel. “Não”, pensou quando a dor das lembranças o jogou em um mar ardente que rasgava-o aos poucos deixando em seu lugar um nada, um buraco, vazio, oco.
Enquanto exercia apenas o ato simplório de respirar, deixava-se se sentir voltar ao nada de sua vida, ao início da tempestade quando ainda é sentido apenas o vento forte e frio. Sentiu as paredes erguerem-se ao seu redor, paredes que aos poucos aquele menino o ajudara a derrubar expondo-o, mostrando-o em seu âmago. Deixou-o mergulhar fundo em seu eu, tão fundo que fora capaz de senti-lo onde nem mesmo Lilian chegara. Era um lugar que jamais soubera que existia, que nem mesmo pensara ser possível ter. Era um cantinho minúsculo e sagrado onde sem querer guardara o amor que ele lhe dera, o trancara sem ser possível deixa-lo ir. Inconscientemente levou a mão ao peito e apertou fortemente o local doloroso onde aquele pequenino amor prisioneiro quebrara em mil pedacinhos o órgão que antes não existia, que cresceu a cada sorriso angelical que invadia seus sonhos.
– Não posso. – Rosnou para si mesmo amaldiçoando-se por deixar que Harry Potter fizesse o impensável. Plantar um coração em seu corpo oco somente para depois arrancá-lo com suas próprias mãos apertando-o até que o sangue escorresse por seus dedos.
Don't speak (Não fale)
I know Just what you're saying (Eu sei tudo o que você está dizendo)
So please stop explaining (Então, por favor, pare de explicar)
Don't tell me 'cause it hurts (Não me diga porque isso magoa)
Don't speak (Não fale)
I know what you're thinking (Eu sei o que você está pensando)
I don't need your reasons (Eu não preciso das suas razões)
Don't tell me 'cause it hurts (Não me diga porque isso magoa)
“Harry”, sussurrou baixinho ao ouvir a porta se abrir lentamente empurrando os cacos de vidro da garrafa de uísque que jogara. Da poltrona onde estava sentado pode sentir o medo que exalava dele, a tensão em que seu corpo se encontrava, podia imaginar os olhos arregalados de temor enquanto andava devagar sobre os cacos estalando sob seus pés inchados enfiados em um tênis que adaptara para ele. Era incrível como conseguia até mesmo sentir o calor do sangue acumulado em suas bochechas brancas.
O buraco em seu peito aumentou mais ainda o fazendo cravar as unhas em sua pele querendo aliviar a dor violenta que o atacou assim que viu pelos seus olhos baixos o corpo do menino se aproximar da poltrona parando diante de si.
– Severus?
Os olhos de Snape se fecharam com força assim que ouviu seu nome proferido pelos lábios trêmulos de Harry. Como sempre, desde o inicio, achara que seu nome ficava bonito naquela voz jovem. Era delicioso ouvi-lo gemer baixinho em seu ouvido clamando por seu nome, ronronando, quase chorando. Viu que o menino iria começar a falar, mas não podia mais ouvir aquela voz, a dor era cruel demais. Levantou a mão livre pedindo que se calasse e ouviu o silêncio pedido ser obedecido.
Após alguns minutos de completo silêncio abriu os olhos e retirou a mão do peito deixando que o mar infernal invadisse o restante de seu corpo queimando-o como seu coração queimou ao levantar os olhos e ver as duas esmeraldas molhadas pelas lágrimas que ainda caiam por seu rosto infantil. Devagar Snape se arrumou na poltrona e baixou a cabeça novamente olhando diretamente para a barriga grande do menino. Muito devagar se aproximou e levantou a blusa de quadribol dele deixando a protuberância exposta.
Um mínimo sorriso abriu-se em seus lábios, mas não fora suficiente para chegar aos seus olhos. Pensamentos confusos e certos atravessaram sua mente como dois cometas com medo de se encontrarem. Estendeu a mão e tocou a barriga devagar sentindo a movimentação da criança ali dentro. A criança que agora era tudo que lhe restara, um bebê que jamais mentira para si, o único ser puro e inocente. Harry levou sua mão até em cima da de Snape, mas assim que tocou na pele do homem ele retirara sua mão.
– Não toque em mim! – Rosnou voltando a se encostar na poltrona.
– Severus, por favor, deixe-me explicar. – Chorou Harry.
– Cala a sua maldita boca! – Gritou o homem levantando-se e se aproximando do menino.
Harry recuou um passo olhando com olhos arregalados de medo para o homem a sua frente. Snape estava com os olhos cerrados e mais negros do que o próprio mal. Dele exalava o mais perfeito ódio e ressentimento. Nem mesmo Voldemort conseguia exalar esse poder maléfico que paralisou Harry vendo-o levantar a mão e tocar em seu braço com leveza enquanto seus olhos perdidos e enlouquecidos o encaravam esquadrinhando seu rosto. A mão subiu pelo braço passando pelo cotovelo e subindo até os ombros onde passearam devagar por cima da roupa em direção ao seu pescoço onde parou acariciando a pele macia.
– Severus, deixe-me...
– EU MANDEI CALAR A BOCA!
A mão de Snape fechou-se com força em seu pescoço fazendo-o sufocar e sentir desespero. Snape ia matá-lo. Snape por sua vez sentia o corpo tremer enquanto via os olhos arregalados e a boca aberta em pleno pedido de socorro. Como queria fazê-lo sentir a dor que agora invadia os recantos mais inóspitos de sua alma causando-lhe um frenesi de raiva, mas nem mesmo suas mãos fechadas em garras no pescoço fino o fariam saber o que ele causara. Seus olhos deleitavam-se com a visão de Harry sem ar, prestes a desfalecer em seus braços, morrer em suas mãos com uma morte menos dolorosa que a sua, sozinho e enganado. Mas antes que o oxigênio faltasse em seu cérebro Harry conseguiu balbuciar duas únicas palavras que pararam por completo as ações do homem.
– Nossa...filha.
As mãos de Snape afastaram-se de seu corpo e Harry quase caiu com a tontura causada pelo sangue veloz que subia pelas veias sedentas. Seu corpo tremia enquanto tossia sentindo a dor do ar entrando em seu pulmão vazio.
– Por quê? – Perguntou Harry olhando-o com o rosto choroso.
– Eu te pedi uma única coisa, Potter. – Disse Snape olhando-o raivosamente e cerrando os dentes. – Uma única coisa, mas você não foi capaz de fazer isso, você não foi capaz de ficar longe dela.
– Eu não tenho nada com ela, Severus. Eu sou só seu. Eu juro.
– Jura? – Disse Snape zombando de seu juramento. – Pois eu não acredito em suas palavras, Potter. Elas são falsas.
– Não! Elas são verdadeiras, Severus. Por favor, me escute, me deixe explicar tudo para você.
Harry se ajoelhou chorando e balbuciando com a cabeça baixa em meio a um choro, de seu corpo vinha a evidência de sua angústia em seus soluços e pedidos perdidos de perdão. Snape permanecia de costas apenas respirando fundo aguentando as facadas fundas que sentia em seu peito. Com dificuldade tentou se controlar e mandar todo aquele sofrimento tolo para o fundo, tentou escondê-lo, mas quase perdeu a cabeça quando ouviu as palavras seguintes do menino.
– Eu te amo.
Por um momento desejou se ajoelhar também e levantar o rosto do menino em suas mãos secando as lágrimas com seu dedo sempre olhando em seus olhos jovens e intensos, queria se aproximar devagar e tomar aqueles lábios vermelhos nos seus, tomá-lo para si, reivindicar o que era seu. Sim seu, estava tatuado com sangue em sua alma.
– Eu – Iniciou Snape erguendo os ombros e ignorando o nó na garganta que fazia arder seus olhos. – te dei tudo o que eu tinha, Potter. Tudo. Eu confiei em você e, no entanto, você me enganou, com ela. Quando eu finalmente acreditei, fui enganado da mesma forma que antes. – Snape levantou Harry pelos braços e o fez olhar em seus olhos. – Sabe o que acontece com quem me engana?
Harry balançou a cabeça devagar vendo os olhos negros antes sempre cheios de desejo ao tocá-lo, até mesmo com um pouco de alívio e outra coisa que jamais conseguiu entender. Agora aqueles mesmos olhos estavam mais fundos, tristes e vazios do que quando o conheceu.
– Elas morrem, senhor Potter. Morrem para mim.
Snape soltou Harry devagar e continuou olhando para seu rosto molhado antes de virar as costas e se afastar. Harry viu com temor o homem pegar sua varinha na mesa e olhá-lo perdido em pensamentos.
– Severus, por favor. O que vai fazer? Nossa filha, pense em nossa filha. – Pediu Harry quando a varinha apontou para seu peito.
– Não se preocupe, senhor Potter. A criança não sofrerá nenhum dano, mas vou lhe ensinar que não se deve brincar comigo.
Com um movimento de braço Harry se sentiu ser levado até seu quarto e deitado em sua cama gelada. O menino tentou se mexer, mas era impossível. Sabia que não estava petrificado, pois Snape mexia em seus braços e pernas acomodando-o na cama, mas não tinha domínio sobre seu corpo.
– O que fez comigo?
– Por enquanto, nada.
Harry engoliu em seco tentando se mexer, era inútil. Snape contornou a cama e sentou-se ao seu lado apontando a varinha para seu corpo e o deixando completamente nu. Por um momento Harry tremeu quando a mão grande tocou em suas coxas e desceu pela sua perna. Apesar do medo, sentiu um calafrio quando os dedos subiram pela sua perna devagar.
– É incrível como seu corpo reage ao meu toque. – Sussurrou Snape olhando para suas próprias mãos passeando na virilha do menino.
– Severus, por favor, não.
– Shh. – Fez Snape se aproximando e tapando a boca dele com o dedo. – Prometo que isso não vai machucá-la, ela ficará bem.
– O que vai fazer comigo?
– Não posso matá-lo, mas vou te mostrar um pouco do que me causou hoje. – Sussurrou no ouvido do menino dando uma mordida em seu lóbulo antes de se levantar e rumar para a porta sussurrando ao fechá-la. – Divirta-se.
Harry tremeu de medo, seu quarto estava completamente escuro e silencioso. Seu corpo estava fora de seus domínios e largado nu em cima da cama. Por um momento, quando nada havia acontecido, achou que Snape estava blefando e apenas dando-lhe um susto, mas então começou. Em seu quarto Snape retirava seu casaco em um momento de plena entrega apenas ao torpor que o atingia. Quando o corpo nu recebeu a lufada gélida do vento ele se deitou na cama e olhou para o teto apenas esperando o momento em que os gritos dele ultrapassariam a barreira da parede e entrariam em sua alma.
Sabia que naquele exato momento Harry deveria estar sentindo o calor pelas ancas, os arrepios em sua espinha. Sentiria a pele esquentando prazerosamente como se seus dedos estivessem passando por ela. Podia imaginá-lo ofegando com a boca aberta, quase gemendo com a sensação do prazer invadindo sua mente. Snape fechou os olhos ao ouvir o gemido forte do grifinório como se fosse sua língua que estivesse tocando o círculo de seu mamilo enquanto sua mão rumava para o sul.
Sim, prazer, era esse o castigo de Harry, ele iria sentir o máximo de prazer que conseguiria lhe proporcionar, tudo para que depois, naquele exato momento em que todas as células do corpo estremecem e seu sangue acelera preparando-se para o momento ápice onde sua mente fugiria de tudo ele o negasse deixando-o chorando pela frustração e abandono. Negar seu orgasmo quando seu corpo está preparado para o fazer era pior que muitos dos castigos que impunha aos trouxas. E então depois viria a verdadeira dor, no fundo do peito, o faria sentir como se caísse em um abismo.
Harry gritou no outro quarto, um grito de pavor quando sua pele parecia rasgar e sua carne queimar. Os olhos verdes ficariam arregalados com o medo do vazio, do escuro que o engoliria. Cada parte de seu corpo arderia e não poderia fazer nada enquanto deixava-se cair na loucura.
Snape permaneceu imóvel em sua cama apenas ouvindo os gritos dele enquanto pensava em como aquilo que ele sofrera era bem menor do que o que sentira. Podia se lembrar nitidamente do nervosismo na arquibancada, ao lado dos sonserinos. Seus olhos vagavam pelos jogadores vestidos de verde competindo contra os de vermelho, mas sempre que achava seguro escapava um olhar para o menino na beira do campo e admirava seu rosto ansioso com as bochechas vermelhas e os olhos vidrados e brilhantes. Sorria de leve quando a Sonserina fazia um ponto e a mão pequena era levada até seus dentes que a mordia sem delongas.
“Hummm, eu poderia fazer isso de forma mais prazerosa, Potter”. Pensava antes de voltar os olhos para o jogo.
Recordou-se dos sentimentos controversos de ver sua amada Sonserina ganhar e de ver o sorriso estampado no rosto daquele menino enquanto a Grifinória era vaiada por mais um ponto.Snape apenas ficava imaginando como seria depois do jogo. Talvez a Sonserina ganhasse e teria que vê-lo com uma cara deprimente enquanto fazia beicinho. Antes de beijá-lo iria informar claramente a vencedora da partida, mas depois pediria toda a atenção que merecia. Harry não iria negá-lo, nunca negava.
Mas talvez a Grifinória tivesse sorte e conseguisse a vitória. Os jogadores iriam comemorar um pouco, a senhorita Granger se encarregaria de não deixar ninguém o segurar por muito tempo fazendo assim com que ele voltasse aos aposentos o quanto antes. Seu coração ao certo estaria desesperado para encontrá-lo, ficaram tempo demais separado e isso nunca era saudável. Claro que iria fingir estar odiando a vitória da Grifinória e agiria com sua forma desdenhosa e irônica, talvez até dissesse algo para realmente feri-lo, sabia que nada adiantaria, ele ainda iria ao seu encontro e o beijaria.
E então nada mais importaria, pois os lábios de Harry tinham o poder de o controlar, ou melhor, de fazê-lo perder completamente o controle. Eles se amariam por inconstantes horas em seu quarto, agarrados um ao outro demonstrando a necessidade de contato, Snape entraria em Harry com facilidade e o ajudaria com os movimentos lentos para não se machucar. Tocaria em cada parte daquele corpo, ficaria arrepiado com as juras de amor eterno que o menino lhe sussurrasse, mesmo que jamais acontecesse. Por fim se entregaria ao prazer do gozo espalhando-se dentro do menino enquanto ele sujava o lençol com sua própria essência. Depois Harry sentaria na cama ajeitando-se da melhor maneira que sua barriga permitisse e Snape se deitaria fechando os olhos e curtindo as últimas sensações gostosas do orgasmo antes de sentir a mão de Harry em seu cabelo enquanto o menino caia no sono.Snape jamais admitiria, mas em sua mente ele sorria pelo amor recém feito.
Mas então, mas rápido do que demorara para pensar no que aconteceria após o término do jogo, tudo acabou. Maldita hora em que dera ouvidos ao que Dumbledore lhe dissera, jamais deveria ter dado vazão aos sentimentos que um dia jurou jamais sentir novamente e que devagar foram libertos pelas mãos hábeis do menino. Perdera o controle, se deixara ultrapassar o limite da razão e se envolver com a magia da sedução e afeição. Sim, ele se perdera nos olhares puros daqueles olhos verdes sem perceber uma possível armadilha neles. Harry era sempre tão entregue e amável passando por cima de seus desaforos e o aceitando em seus piores momentos que sem perceber apegara-se a sua pessoa.
Não, ele não podia ser assim, ele não era afetuoso ou carinhoso, muito menos um adepto aos sonhos românticos. Ele era Severus Snape, precisava voltar a ser Snape, precisava finalizar seus muros e reforçá-los, trancar a sete chaves aquele sentimento nascido nos confins de seu coração e esquecer que ele batia. Precisava esquecer Harry Potter, deixá-lo ir embora, mesmo antes da hora. Talvez até fosse melhor assim. O menino iria embora de qualquer forma e em pouco tempo, talvez ter raiva dele o ajudasse no fato de que iriam se separar. Talvez fosse muito melhor cada um ter sua parcela de ódio do que ver o menino o olhar com aquele desejo homicida enquanto dentro de si queimava o desejo de tê-lo em suas mãos. Isso, era bem melhor.
Snape fechou os olhos com força tentando afastar a dor que sentia pelo fato de ter pensado em jamais ver o menino. Precisava de seu controle, uma chance que o ajudasse a voltar ao inicio de seu penoso castigo onde as sombras e a escuridão eram suas únicas aliadas, onde a solidão era sua companheira e em seu coração só ardia o amor por uma mulher morta.
Essa chance ardeu em seu braço esquerdo assim que entendeu que o silêncio proveniente do outro quarto era pelo claro motivo do menino ter desmaiado de exaustão. Com olhos negros brilhando de loucura olhou para a marca negra no braço e a viu grande, nítida e temerosa. Sim, controle. Devagar se dirigiu ao guarda roupas e pegou suas vestes, pela dor leve que sentia em seu braço não era nada tão urgente, apenas uma reunião breve, por isso tinha tempo para um banho. Debaixo da água Snape concentrava-se em começar a esconder todos os sentimentos e pensamentos fortes que vieram a tona naquele dia devido os acontecidos. Por sorte conseguira deixar tudo no fundo de sua mente protegido por barreiras que o Lord não conseguiria furar. Ao sair do banho deixou as gotas d’água escorrerem em seu corpo enquanto enxugava os cabelos, em alguns minutos estava completamente arrumado e pronto para se apresentar ao mestre.
Ao sair do quarto não olhou para a porta ao lado, apenas caminhou até a porta principal e a abriu recebendo de bom grado a lufada gélida do vento cortante do corredor. A porta fechou enquanto ouvia o zumbido de alunos caminhando pelos corredores ainda alvoroçados pelo jogo. Sem ter a menor vontade de encará-los virou-se em uma passagem antes da barreira que separava seus aposentos. Foi diretamente para a orla da floresta e de lá para os portões principais que se abriram com sua chegada. Antes de aparatar ele se virou e olhou com tristeza para o castelo com o pensamento de que tudo poderia ser diferente. Podia, mas não era.
Respirou fundo e fechou os olhos concentrando-se. Estava na hora de deixar o comensal vigorar em sua alma. Ao abrir os olhos não havia nenhum resquício do Severus de antes, apenas o negror do Snape de agora.
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