Notas iniciais
Olá meus amados leitores, quero muito agradecer a todos vocês por todos os reviews que me mandaram, chegamos a mais de 200 e o entusiasmo de vcs é uma grande arma para me incentivar.... bjussss

Capítulo 27 – Luto

Nunca houvera dia mais triste do que aquele na escola de magia e bruxaria de Hogwarts. Todos e tudo pareciam ter conhecimento da alma que se fora.

Harry estava de pé diante da janela da ala hospitalar olhando para a triste paisagem do lado de fora. Não que a floresta, o lago e o jardim fossem feios, muito pelo contrário, eram belíssimas imagens, mas estavam tão frias e gélidas como se fossem pinturas em preto e branco que davam completo aspecto de depressão.

A floresta, outrora imponente e austera, agora aparentava fraqueza e desolação. A água do lago não tinha uma única marola, a lula gigante se reservara em seu luto ou apenas dormia nos recantos mais escuros daquelas profundezas. No fundo não interessava. Nada mais interessava, pois aos olhos de Harry, Hogwarts jamais seria a mesma sem aquele bruxo alto, magro e louco dizendo palavras completamente fora de contexto e que eram as mais sábias que já escutara.

Não, Hogwarts não seria a mesma sem Dumbledore.

Sabia que Dumbledore não fora o único diretor da escola, mas era como se ela sempre o estivera esperando, quietamente parada aguardando-o e quando o teve ficou completa. Moldara-se aos seus gostos, permitiu que sua alma fosse integrada em cada pedaço de pedra que formavam o antigo castelo. E agora ele se fora. Se fora pelas mãos longas e hábeis e Severus Snape.

A dor no peito de Harry era tão grande que chegava a ser quase palpável, na verdade se quisesse conseguiria tocá-la com seus dedos frios, poderia brincar com ela na palma de sua mão. O menino não chorara, pelo menos não mais. O luto finalmente o assolou deixando-o letárgico.

Via pela janela que os elfos arrumaram o jardim para o belo e triste funeral. O corpo do diretor estava devidamente seguro e guardado na sala de McGonagall que aparentava estar mais forte do que realmente estava. Harry a viu chorando atrás de uma cortina na ala hospitalar, mas não conseguiu se aproximar para consolá-la. Não encontrava consolo nem para si mesmo. Então, apenas a deixou chorar até que Madame Pomfrey fora lhe abraçar e citar palavras bonitas e reconfortantes que não conseguiram atingir o menino. Harry permaneceu na escuridão de seu torpor.

Fazia frio e Harry se encolheu enquanto afastava-se da imagem dos bruxos que chegavam aos poucos ao castelo, muitos deles amigos de longe e outros apenas bruxos que tinham consideração por Dumbledore. Caminhou lentamente em direção ao final da ala hospitalar onde fora colocada uma pequena incubadora que nada mais era do que um berço repleto de feitiços para que a pequenina criança pudesse terminar o desenvolvimento de sua magia. Apesar de saber que não podia, o que Harry mais queria naquele momento era poder tocá-la nas rosadas bochechas, aproximar seus dedos da pequenina mão que por diversas vezes abrira e fechara como se procurasse algo para segurar, alguma coisa que lhe desse a base de segurança que tivera durante os sete meses de gestação.

Era somente diante da visão da menina dormindo que Harry conseguia sorrir. Lys dormia tranquilamente a sono solto sem nem ao menos imaginar o que poderia ter acontecido. Ela não sabia de sua história, de sua origem. Apenas Harry sabia e se lembraria todos os dias dos momentos que propiciaram sua vinda ao mundo.

- Harry?

- Oi Mione. – Disse a voz fraca se virando.

- Como você está?

- Não sei, sinceramente eu não sei.

- Ah, Harry, eu sinto muito.

Harry sentiu o abraço quente da menina e sentiu que deveria retribuir, mas não foi capaz de colocar seus braços ao redor dela. Estava demasiado quebrado para demonstrar algo mais além de completa tristeza.

- McGonagall pediu para te chamar, as pessoas já chegaram.

- Eu sei, vi pela janela. – Respondeu o menino se desvencilhando de suas mãos. – Eu já vou.

- Você pode realmente ir?

- Sim, Madame Pomfrey disse que as poções fizeram um ótimo trabalho na minha recuperação.

- É bom te ver em pé. – Disse Hermione passando a mão delicadamente no rosto do amigo. Harry fechou os olhos momentaneamente e se lembrou de um momento muito parecido com esse, porém com outra pessoa. Ao abrir os olhos percebeu que sua dor estava mais transparente do que imaginava, pois Hermione chorava a sua frente. – O que ele fez com você, Harry?

Harry não respondeu, pois não havia como colocar em palavras o que estava sentindo. O que Snape fez a ele? Como poderia explicar isso de uma maneira simples para a menina sem assustá-la. Poderia dizer que ele o traiu, o abandonou, mentiu ou o destroçou, mas tudo isso era uma resposta ínfima demais para ser usada. Não, o que Snape lhe fizera fora muito mais do que isso.

O estrago feito pelo homem era algo que nem ao menos conseguia decifrar em palavras. Snape o deixara entrar lentamente em sua vida, o fizera compartilhar sentimentos poderosos e sinceros, profundos e íntimos com ele, confessara o amor que inevitavelmente sentira. Snape o fizera derramar lágrimas de preocupação e tristeza, pena e angústia. Ele lhe dera o que faltava em sua vida, o preenchera com sua essência estranha e o completara com seu corpo e então quando se sentia preenchido, ele retirou tudo aquilo de si.

Ao olhar para as lágrimas que caiam do rosto da menina, Harry se lembrou de que fora exatamente assim que se sentira quando o feixe verde saiu da varinha do mestre de poções, como se estivesse caindo lentamente a caminho do chão mais duro e frio. Tremera com a raiva que deslizava aos poucos por dentro de si como uma labareda cruel que lambia a tora de madeira em uma fogueira do inferno. Era algo tão destrutivo e ruim que por um momento Harry sentira que se desligara do mundo. Os sentimentos bons que tivera e sempre cultivara foram esquecidos. Os sorrisos de seus amigos, o riso alto de Rony e o brilho no olhar de Hermione não foram capazes de lhe manter, tudo fora queimado pelo ódio que o consumira e o empurrara em direção ao homem.

E depois veio o arrependimento. Não por tê-lo atacado, mas por ter se entregado, dado seu coração em uma bandeja de prata para que ele o guardasse consigo. Seu amor, tão puramente sentido fora desprezado e pisado. As entregas na cama, os gemidos gritados dentro dos quartos enquanto sentia o corpo dele em cima do seu e seu membro penetrando-o hora com rapidez, hora com calma absurda. Tudo virara arrependimento.

Que tolo fora em amá-lo e continuar o amando.

O pior que Snape fizera fora exatamente isso. Ele permitiu que o amasse tanto que o amor não se foi com sua fuga, o amor ainda estava em sua alma atormentando-o com lembranças de momentos que jamais deveriam ter acontecido.

- Onde está o Rony? – Perguntou Harry fugindo dos pensamentos sobre Snape.

- Está lá embaixo com os outros Weasley.

- E o Gui?

- Também está lá embaixo, acordou um pouco antes de você e fez questão de ir ao funeral mesmo com Madame Pomfrey e a senhora Weasley dizendo que ele deveria ficar aqui e repousar. As feridas ainda não cicatrizaram completamente e Fleur tem que ficar limpando-as toda hora e mesmo assim ele quer estar lá fora.

- Todos querem. – Disse Harry monotonamente.

- Todos querem dizer adeus ao diretor. Vamos, Gina e Luna estão guardando nossos lugares.

Harry assentiu, mas antes de sair deu uma última olhada para a pequenina menina que continuava dormindo a sono solto sem se importar se ele estava ou não ali. Ao descerem as escadas era óbvio que todos estavam do lado de fora, o castelo nunca fora tão vazio assim, nem mesmo nas férias de final de ano e páscoa. Havia um silêncio deprimente e Harry queria sair dali o quanto antes. Apressando o passo os dois chegaram aos jardins aonde diversos bruxos vindos de lugares longínquos sentavam-se em cadeiras de bronze perfeitamente alinhadas de frente para um túmulo de mármore branco onde repousava o corpo velho de Dumbledore.

- É ele. – Sussurrou Harry.

- Sim, é. – Concordou Hermione entrelaçando sua mão na do amigo e a apertando enquanto caminhavam devagar.

Todos os rostos se viraram para os dois quando passaram, claro que não olhavam para Hermione, ela não passava de uma aluna de Hogwarts, mas Harry era o menino que sobreviveu e que testemunhara o assassinato do grande Alvo Dumbledore. Nunca houvera na vida um instante em que mais queria que todos esquecessem quem ele era do que naquele momento em que via o corpo do professor a sua frente. Hermione puxou sua mão para se caminharem a um conjunto de cadeiras dispostas na primeira fileira, mas Harry não se mexera. A menina olhou para ele e o viu olhar para o corpo de Dumbledore, ela esperou alguns segundos e logo ouviu baixinho.

- Eu preciso.

Harry se adiantou passando pelas primeiras fileiras e subindo os três degraus que o separavam do diretor. Hermione fora junto consigo e não largara sua mão um único instante, ele agradecia por isso, talvez não tivesse forças para ir sozinho.

O corpo de Alvo Dumbledore apresentava-se coberto com suas vestes brancas com estrelas douradas. Seu cabelo branco fora devidamente escovado e arrumado, o que dava uma impressão estranha, pois Dumbledore jamais tivera o cabelo assim tão liso e ajeitado, nem a barba tão brilhosa e com as pontas aparadas. Não, o Dumbledore que conhecia era mais “humano”, simplesmente um homem que de tão ocupado esquecera-se de pentear o cabelo.

O medalhão de Sonserina estava em seu bolso e antes de voltar Harry o apertou em suas mãos e fez uma promessa.

- Eu prometo que vou encontrá-los. As horcruxes e Snape. E vou destruí-los.

Hermione jamais sentira tanta determinação na voz de Harry e teve receio de que o menino fizesse uma loucura ali mesmo ou apertasse sua mão com força demais devido o empenho que tinha em continuar recitando sua promessa. Mas Harry apenas tocou de leve a mão do professor e se afastou indo em direção aos amigos. Viu Luna, Gina, Neville e Rony, todos com olhos desolados e tristes. Hermione sentou-se ao lado de Rony, entrelaçando suas mãos e pousando a cabeça em seu braço na busca de um conforto. Harry se sentou entre Hermione e Gina.

- Que bom que está melhor, Harry. – Disse Gina pegando sua mão levemente.

Harry assentiu e permaneceu calado vendo o restante das pessoas chegarem e McGonagall então pedir silêncio. O novo Ministro da Magia se apresentou e começou a dizer palavras belas e difíceis que nada se pareciam com o diretor. A certa altura Harry nem ao menos ouvia o que ele dizia, apenas se lembrava da primeira frase louca daquele homem excêntrico: Pateta! Chorão! Desbocado! Beliscão! Obrigado.

Sem perceber começou a rir baixinho com cada lembrança que nem sabia ter, Hermione o olhou indignada, mas Rony percebeu o que acontecia e compartilhou do mesmo sorriso. Mas a felicidade das lembranças logo fora afastada para dar lugar a outro sentimento, a saudade. Não somente a saudade de Dumbledore, mas de tudo, desde os explosivins de Hagrid até as aulas estranhas de Trelawney.

- Harry. – Sussurrou Gina enquanto recitavam algumas frases estranhas no velório. – Quero te pedir desculpas.

- Por quê? – Perguntou Harry franzindo o cenho.

- Por ter feito Snape brigar com você.

Harry olhou para a menina de olhos arregalados. Gina o puxou para mais perto para que pudesse sussurrar em seu ouvido sem que os outros pudessem ouvir.

- Mamãe me contou depois que eu disse o motivo do professor ter me castigado. Ela me explicou as suas condições e que era por isso que ele fez aquilo comigo.

- Não, Gina. Seja lá o que ele tiver feito, fez por que é mau. – Sussurrou Harry sentindo a raiva começar a assola-lo novamente.

- Tanto faz. Só espero que me perdoe, eu não sabia.

- Tudo bem, não foi sua culpa.

Harry sorriu para a menina e passaram os outros minutos explicando-se. Gina lhe contou que fizera aquilo, pois já não conseguia mentir para si mesma sobre os sentimentos quanto ao garoto e Harry lhe explicou que mesmo que não tivesse Snape, eles não poderiam ficar juntos. Ele tinha as Horcruxes.

Finalmente, após o canto dos sereianos e as flechas dos centauros o funeral chegou ao fim e os convidados se foram. Harry esperou que muitos se levantassem e saíssem primeiro para finalmente se erguer. Minutos depois entrava furioso e determinado pelo castelo. Não acreditava que o Ministro tivera o disparate de vir ter com ele.

“Então, você é realmente um homem de Dumbledore”.

“Sim, eu sou”.

O senhor Weasley ajudou Gui a voltar para a enfermaria onde deveria permanecer deitado por um tempo para que os ferimentos pudessem fechar de uma vez. Rony ficou ao lado do pai, mas a senhora Weasley se aproximou de Harry que estava agora olhando para a menina novamente.

- Ela é linda. – Disse a mulher sorrindo vendo a menina mexer os bracinhos enquanto dormia. – Parece com você, Harry.

Harry nada comentou, mas achava difícil conseguir dizer se ela se parecia mais com ele ou com Snape, afinal a menina ainda era uma recém-nascida, mas preferiu não falar nada, apenas continuar olhando para a criança.

- Quanto tempo ela ainda terá que ficar aqui?

- Até o final do ano letivo. Segundo Madame Pomfrey ainda tem muito tempo para que ela se desenvolva.

- E você ficará aqui sozinho? Sabe que as aulas foram canceladas e que os alunos vão voltar para a casa mais cedo devido o acontecido.

- Eu ficarei aqui com ele, mamãe. – Disse Rony que se aproximara aos poucos.

- Eu também vou ficar aqui, senhora Weasley. Não vamos deixá-lo sozinho.

A senhora Weasley sorriu e começou a dizer para Harry como deveria então cuidar da criança. Logo Madame Pomfrey chegou, seus olhos ainda estavam vermelhos, mas ela não chorava, segurava-se firme enquanto examinava Gui e depois ia em direção a Harry. A senhora Weasley fez o favor de dizer a Pomfrey que estava dando algumas dicas de como cuidar da menina e logo Madame Pomfrey começou a dar dicas também. Rony olhou para Harry indicando claramente que as duas estavam tão entretidas em conversarem sobre bebês que nem ao menos se lembraram de que Harry não poderia tocar na menina até que saísse da incubadora.

Harry sentia-se tonto com todas aquelas informações, queria muito se deitar e calar todas as vozes ao seu redor, mas logo Quim, Lupin e Olho Tonto apareceram na ala hospitalar irritando Madame Pomfrey devido o barulho dos visitantes.

- Peço, por favor, que se retirem. Temos pacientes e precisamos de quietude aqui dentro.

- Isso terá que esperar, preciso conversar com Potter. – Respondeu Olho Tonto com sua voz grossa caminhando em direção a Harry com uma rapidez que não convinha a um homem de perna de pau. Rapidamente Harry fechou as cortinas que envolviam o berço da bebê e se aproximou do homem. – Ouvi que ficará aqui até o final do ano letivo, Potter. Preciso enfatizar a importância de você voltar para casa até que cumpra a maioridade, então vamos ficar no castelo fazendo rondas para protegê-lo e o escoltaremos até a casa de seus tios até o dia de ser transportado.

- Não preciso de seguranças. – Disse Harry, odiava o fato de que a maioria dos aurores se deslocariam de seus deveres para o escoltar. – Vou ficar muito bem aqui em Hogwarts.

- Assim como Dumbledore? – Muitos Ohs foram escutados quando o ex-auror falou daquela forma sobre o diretor. – Alvo Dumbledore morreu dentro de seu próprio castelo para proteger você. Não vamos jogar a morte dele no lixo.

Harry calou-se imediatamente e olhou determinado para o homem, o grande olho azul elétrico girava de um lado para o outro, mas o olho escuro estava fixo nos seus. Harry estava enfurecido por isso, Dumbledore morrera para lhe proteger e agora eles queriam colocar mais pessoas atrás dele, será que não percebiam que todos que estavam atrás dele morriam?

Olho Tonto foi embora junto com Quim, Lupin ainda ficou ali junto com Tonks e a família Weasley até que Madame Pomfrey, tomada de grande exasperação expulsou todos dali deixando apenas Harry, Rony, Hermione, Gui e Fleur.

- Harry, o que você vai fazer daqui para frente? – Perguntou Hermione. – Quer dizer, sei que quer ir atrás das Horcruxes, mas você tem uma filha.

- Ela pode ficar conosco. – Disse Rony. – Pelo menos com a minha mãe. – Acrescentou dando ênfase de que estaria com Harry onde quer que ele fosse. – Minha mãe cuidaria muito bem dela.

- Eu sei disso e imagino que sua mãe não iria se importar, mas realmente ainda não sei o que fazer, não tive tempo o suficiente para pensar em algo.

- Agora você terá dois meses e estaremos aqui para te ajudar. – Disse Hermione. Rony concordou sorrindo bobamente.

- Obrigado. Mas sabe a única coisa que eu queria mesmo saber nesse momento? – Perguntou vendo os amigos levantarem as sobrancelhas em uma clara interrogação. – Queria saber o que ele está fazendo.

SSSSSSSSSSSSSSS

Os olhos de Belatriz estavam atentos em seu mestre. Voldemort estava ardendo em contentamento pela morte de Dumbledore e exibia em seus olhos vermelhos o clamor de quem pensa na vitória que logo viria. Nagini estava, como sempre, enrolada aos pés do dono sibilando contra Bela em clara demonstração de que não gostava da mulher.

- Calma, Nagini, Bela não é inimiga. – Disse Voldemort calmamente sem olhar para a mulher. – Pelo menos não para mim.

- Mas certamente para os trouxas. – Completou a mulher.

- Certamente. – Concordou Voldemort. – Como foi a noite?

- Completamente satisfatória. Aquela vila precisava mesmo de uma boa lavagem, tinha muita porcaria por lá. Trouxas imundos felizes em suas vidas medíocres. Urgh.

- E Severus?

- O que tem ele?

- Como se comportou?

Bela franziu o cenho ante a pergunta, mas não hesitou em responder ao mestre.

- Snape agiu como sempre, preferiu as crianças. Praticamente nos obrigou a dá-las todas para ele.

- Espero que ele tenha se divertido pelo menos. Ele merecia um agrado depois do que fez por Draco.

Voldemort olhou para o lado e viu o corpo inconsciente de Draco perto de sua cadeira. O menino sucumbira a dor dos cruciatos de Severus e se deixara desmaiar.

- Fraco. – Disse Belatriz. – Falei para Narcisa que ela pegava leve demais com o menino, deveria ter sido mais firme. Se fosse meu filho...

- Mas não é. Você não tem nem mesmo a capacidade de gerar um herdeiro com Rodolfhus, não é mesmo, Bela.

Belatriz cerrou os lábios. Sempre odiou as insinuações de Voldemort sobre sua suposta incapacidade de gerar um filho.

- Saia daqui, Belatriz. Sua admiração está me enjoando mais do que sua indignação com o que eu falo.

- Não estou indignada, meu senhor. Escuto com atenção tudo que o senhor fala e....

- Cale-se. Mandei sair.

- Sim, senhor, milorde.

Belatriz fez uma reverência e saiu sem dar as costas para o mestre. Assim que fechou as portas da biblioteca onde estavam, a mulher encostou a testa na madeira bruta e suspirou. Era insuportável que amasse tanto aquele homem ao ponto de se submeter a humilhações tão grandes, mas o amava e isso era só o que bastava.

Não querendo ser pega na porta quando o Lord saísse foi em direção a sala de estar. Alguns comensais estavam jogados por ali, bebendo, rindo ou dormindo. Lucius estava ao fundo no piano. Bela enojara-se do cunhado desde que o viu decair ao ponto de ser um verme acabado. Narcisa estava ao seu lado, mas tão pouco parecia estar bem, ambos estavam definhando perante o poder que Voldemort começava a demonstrar e principalmente sobre o filho deles.

Não havia ali nada que lhe interessasse e o Lord não lhe dera uma única missão ou ordem para cumprir a deixando completamente tediosa. Era bem melhor ir se deitar então, quem sabe Rodolfhus já voltara da missão que o Lord lhe dera e assim poderia se divertir um pouco. A mulher subiu os degraus da escada que levava aos quartos da casa devagar, não tinha pressa alguma para chegar até sua cama.

“Trouxinhas feinhos, morreram rapidinho” ia cantarolando enquanto passava seus dedos devagar pelas paredes do longo corredor deserto. Quando tocaram em uma porta ela se abriu minimamente e pela pequena fresta Bela pode ver a silhueta do homem parado diante da janela. A atenção de Belatriz ficou alerta e sua visão bem mais aguçada. Com cuidado empurrou a porta silenciosamente e entrou no quarto suntuoso fechando-a logo em seguida com um leve clique.

- Vai embora, Belatriz, não estou com paciência para você. – Disse a voz arrastada.

A mulher sorriu molhando os lábios com a língua enquanto dava dois passos adiante e para mais perto do homem. Seus olhos estavam bem atentos para a capa jogada no chão e a camisa que agora estava aberta expondo o peito que via pelo reflexo da janela. O peito marcado por cicatrizes.

- Sabe que não irei sair daqui até ter o que eu quero.

- Então irá definhar nesse quarto.

O copo de Uísque que estava pendurado nas pontas dos dedos finos foi levado devagar até os lábios frios que sorveram o líquido com extrema...sensualidade, pelo menos aos olhos da mulher que fitava os traços finos dos músculos que transpareciam sob a camisa branca.

- Ora, não seja assim tão...agressivo. – Riu-se erguendo a mão para tocar no ombro do homem.

Os movimentos foram tão rápidos que a mulher nem ao menos teve tempo de pensar. O copo com o líquido escuro caiu sobre o tapete derramando seu conteúdo, a mão da mulher fora agarrada com força e virada para trás de suas costas, uma varinha apontava diretamente para sua garganta e os olhos negros faiscavam de ódio tão perto de seu rosto que quase conseguia nadar dentro deles.

- Não se atreva a encostar em mim, vadia.

- Por que tanta raiva assim, Snape? Por um acaso está arrependido de ter matado aquele velho babão? – Perguntou rindo-se. – Ou será que...? Não! Severus Snape está assim por perder um amor.

- Cala a boca, Belatriz. Ou vai se arrepender amargamente por isso.

- Isso mesmo, Severus, seja cruel comigo. Sei que é isso que você quer. Você se apaixonou por alguém e agora ela deve te odiar. – Os olhos do comensal se estreitaram perigosamente e a mão de Belatriz começava a adormecer com a força do aperto. – Eu sei o que você quer.

- Eu quero você fora daqui!

Snape empurrou Belatriz com força na parede fazendo-a bater a cabeça antes de ter o pescoço devidamente agarrado por sua mão forte. A mulher sentia a força dos dedos perigosos, o bafo de bebida que vinha da boca de Snape era forte, ele deveria ter bebido a noite toda depois que voltaram.

- Não, Snape. Você quer tirar a imagem dela de sua mente. Quer esquecer como é tocar na pele dela, sentir o gosto dos lábios rosados e mais ainda o som da voz dela gemendo. “Ah Severus, isso, mete, vamos, isso. Ah! Deus, que gostoso. Eu te amo, Severus.” – Riu-se gostosamente vendo o espanto nos olhos negros antes da mão pesada desferir um tapa tão forte que a derrubou no chão.

- Isso Severus, continua. Eu sei que você quer, que você precisa.

Snape olhava para a mulher no chão como se estivesse vendo um verme muito nojento que sabia que precisava matar, mas que não conseguia. Odiava as palavras dela, os toques dela em seu corpo, porém ela tinha completa razão. Precisava tirar o gosto de Harry de seus lábios, esquecer o prazer que era tocar em seu corpo jovem e escutá-lo gemendo em seu ouvido, gritando seu nome enquanto o penetrava com força.

Por um momento fechou os olhos e viu os olhos verdes brilhantes de Harry sorrindo para si e os lábios se mexendo, mesmo que não emitissem nenhum som, claramente dizendo que ele o amava.

Precisava imediatamente tirar Harry de sua mente. O menino era puro demais para ele, seu corpo, sua alma. Tudo era puro demais para que preservasse em sua mente. Não, ele merecia a sujeira e imundice.

- Você tem razão, Bela. Eu preciso. – Disse enquanto abria a calça. – Que melhor vadia do que você?

Os olhos negros brilharam de loucura enquanto se abaixava e pegava os cabelos negros puxando fortemente e levando o rosto da mulher até seu membro flácido. Bela não reclamou ao ter o rosto mergulhado nos negros pelos de Snape e nem quando o homem a bateu para que abrisse a boca. Snape forçou o membro dentro da boca da comensal até que suas bolas estivessem praticamente engolidas para só depois tirar causando tosse na mulher.

- Será que não consegue nem mesmo fazer um boquete decente, Bela?

- Ora, Rodolfhus não é um bom professor, Severus.

- Eu não quero saber de Rodolfhus, você é uma vadia e eu quero que me chupe decentemente.

Bela sentiu sua cabeça bater novamente na parede, mas não teve tempo de reclamar, pois o membro de Snape novamente foi posto dentro de sua boca e agora não havia mais para onde fugir, havia uma parede que segurava sua cabeça para que não recuasse. Apesar ser completamente depreciativo, Bela amava ser tratada como um rato, era deveras prazeroso ver o quanto de prazer causava nos homens por lhes dar a liberdade de tratá-la como sempre desejaram tratar uma mulher. Tão prazeroso que mesmo o próximo tapa em seu rosto, mais forte do que os outros, deixou-a molhada de tesão.

Snape encostou as mãos na parede quando sentiu o pênis endurecer na boca da mulher que se divertia deliciosamente usando os lábios, a língua e as mãos. Fechou os olhos e imediatamente lhe veio a mente a imagem de Harry ajoelhado perante si, abrindo suas calças com nervosismo e entusiasmo e tirando seu pênis para fora de sua cueca. Os olhos verdes do menino estavam tão contentes e alegres como se aquilo fosse o melhor sorvete que uma criança pudesse provar. Sentiu mais do que se lembrou dos lábios quentes que se abriram e tomaram seu membro com carinho dentro de sua boca clamando sempre por mais, chupando-o para dentro como se fosse um convite. Harry não desviou seus olhos de seu rosto e nem mesmo fugiu quando se derramou dentro de sua boca. Harry lhe aceitou com amor.

Isso fora depois do Natal quando finalmente deixara-o sentir seu corpo por completo, isso fora quando sentira em seu peito a força daquele sentimento estranho e complexo. Isso fora após seus olhos brilharem de contentamento pelos beijos apaixonados e aquilo fora antes do mundo desabar.

Snape abriu os olhos e viu que ajoelhado a sua frente não estava Harry e sim a vadia da Belatriz, a meretriz dos comensais que ainda sonhava com o dia em que o Lord das Trevas a aceitaria em sua cama. Os lábios de Snape se crisparam em nojo e ele movimentou-se fortemente forçando seu pênis a encostar-se à garganta dela. Belatriz arregalou os olhos e postou suas mãos nas pernas de Snape, mas o homem não estava ligando para a força que ela fazia para o afastar. Ele agarrou seus cabelos fortemente e se movimentou arranhando a garganta dela fortemente.

- Não se atreva a me morder, Belatriz. Ou será bem pior.

Quando o ápice chegou, Snape puxou a cabeça de Belatriz fazendo-a engolir seu pênis deixando que o líquido de seu gozo escorresse direto pela sua garganta. Após alguns segundos em que Belatriz se esforçava para respirar entre os pelos negros, Snape a jogou para o lado derrubando-a no chão. Belatriz tossiu e cuspiu, quando finalmente falou sua voz estava rouca.

- Seu desgraçado. – Xingou com a mão na garganta sentindo a dor que a bruta penetração lhe causara. – Você me machucou.

Snape ainda estava em pé com as calças arriadas e o pênis flácido balançando. Um sorriso torto apareceu no rosto dele e seus olhos brilharam, mas quando Belatriz olhou atentamente percebeu que eles estavam desfocados como se Snape não estivesse realmente vendo-a, como se nem ao menos estivesse ali. O homem se aproximou e se abaixou tocando um dedo no rosto da mulher.

- Eu te odeio. – Quis gritar Belatriz, mas sua voz rouca só conseguiu emitir alguns grunhidos estranhos, ela tossiu novamente com dor.

- Eu sei que você me odeia. – Disse Snape divagando. – Você gritou isso para mim lá no jardim. – Belatriz franziu o cenho não sabendo do que ele estava falando. – Você me pediu para te aceitar e te tomar como eu sempre quis. Ah, você realmente não sabia o que isso significava. Mas eu vou mostrar, vou mostrar realmente a forma que eu como as vadias que se deitam comigo. Você pediu tanto.

Belatriz sentiu-se arrepiar, jamais vira Snape daquela forma. Claro que ele era bruto, sabia disso e sempre gostara de suas pegadas mais fortes, suas estocadas violentas e até dos seus tapas. Mas jamais imaginaria que Snape fosse ficar tão perigoso assim. Imediatamente levou a mão até o bolso de seu vestido, mas arregalou os olhos quando o encontrou vazio.

- Procurando por isso? – Perguntou o homem mostrando a varinha da mulher.

- Devolve. – Pediu com um rosnado que queimou lhe a garganta.

- Eu acho que não. Eu vou trancar essa porta e silenciá-la, pois não quero ninguém nos interrompendo enquanto você grita.

Sim, aquela fora a primeira vez que Belatriz realmente sentiu medo de Snape, pois o homem que agora se despia estava completamente fora de si e a loucura dele estava nítida em seus olhos negros. Nem mesmo o comensal de Snape era daquela forma. Até mesmo o comensal tinha mais misericórdia.

- Agora que tal brincarmos um pouco?

SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

Quando Snape abriu os olhos já estava escuro. Mexeu-se levemente e sentiu seu corpo protestar, estava quebrado e dolorido. Não era como se tivesse tomado cruciatus e sim como se tivesse se exercitado demais. Devagar esticou o corpo e o largou novamente na cama.

Já fazia mais de vinte quatro horas que havia fugido de Hogwarts com os outros comensais, mais de vinte e quatro horas que matou Dumbledore. Provavelmente o funeral já teria ocorrido. Minerva era muito rápida no quesito de arranjar as coisas para qualquer tipo de convenção, mesmo que fosse um tão triste. Era incrível como sempre imaginara que estaria presente no momento em que o corpo do velho manipulador fosse enterrado. Ele deveria estar lá, sentado na primeira fileira olhando para sua lápide e sentindo o buraco que se abria no peito enquanto o dele não mais se mexia com a respiração forte que tinha. Minerva provavelmente o mandaria dizer algumas palavras, mas ele se negaria completamente e continuaria sentado enquanto ouvia as palavras chatas e entediantes dos outros.

Ele deveria estar lá, no entanto estava na mansão Malfoy, utilizando um dos quartos de hóspedes que agora era seu. Levantou-se antes de começar a pensar que fazia mais de vinte e quatro horas que deixara Harry no castelo e viera para seu eterno lamento. Não se incomodou com o fato de estar nu e se encaminhou para o banheiro. Ali fez suas necessidades automaticamente e após o banho fez a barba que deixara por fazer. Quando saiu do banho e se dirigiu para o guarda roupas, nem mesmo se importou com a mulher nua que estava inconsciente no chão, apenas passou por cima dela e pegou sua roupa colocando-a cuidadosamente sem deixá-la amassar. Sem emoção alguma, como se tivesse se desligado de tudo, Snape jogou o vestido negro da mulher por cima de seu corpo e a desamarrou antes de sair do quarto. Sabia que Belatriz nada diria sobre o sexo brutal que a fez ter, nem sobre os machucados ou seu humilhante tratamento. Primeiro por ser mesmo uma vadia submissa, segundo por ninguém se importar com ela, nem ela mesma.

- Milorde. – Cumprimentou Snape com uma reverência.

- Espero que tenha dormido muito bem, Severus e que Belatriz tenha satisfeito suas vontades.

- Ambas as coisas ocorreram muito bem meu senhor.

- Ótimo, você merecia. E ainda há aqueles que dizem que não sou misericordioso e generoso com meus fieis súditos. Diga-me, Severus, quais serão os passos dos professores e aurores de agora em diante.

- Provavelmente McGonagall vai manter a escola funcionando até o final do ano letivo.

- E quanto ao Potter?

Snape sentiu um leve arrepio ao ouvir esse nome, mas tratou de logo esconder aquilo. Por mais difícil que fosse desligar-se de tudo que envolvia aquele menino, precisava esquecê-lo. Estava agora diante de Voldemort e as peças de xadrez se movimentavam pelo tabuleiro arrumando-se em uma das mais brutais partidas que seria jogada.

- Provavelmente vão manter Potter no castelo, fortemente protegido por feitiços e aurores até que o levem para a casa dos tios onde ficará protegido pelo vínculo de sangue.

- Ah, o maldito vínculo de sangue que aquela sangue ruim deixou protegendo-o. – Disse Voldemort descontente. – Tudo bem, ele que fique no castelo ou na casa dos tios, tanto faz. Não poderei tocar nele até que o vínculo seja desfeito o que acontecerá somente após o dia 31 de julho, então deixe-o pensar que estará seguro, depois disso vamos destruí-lo.

- Claro, milorde.

- Você terá uma grande tarefa nisso, Severus. Quero que continue como fiel seguidor de Dumbledore e me informe de todos os passos da Ordem da Fênix.

- Desculpe-me, milorde. Mas como irei fazer tal coisa? Eu matei Dumbledore, me matarão se eu sequer chegar perto de Hogwarts.

- Não vão não. Meu poder perante o Ministério está maior do que imagina, Severus. Quando o ano letivo terminar você entrará como diretor de Hogwarts e os irmãos Carrow como novos professores. Quero-o dentro do escritório de Dumbledore. E eu sei que você conseguirá convencer o velho de que estava na verdade do lado do bem.

Voldemort, que estivera o tempo todo olhando para a lareira virara na direção de Snape e olhara profundamente em seus olhos negros. Snape respirou fundo e engoliu em seco. Odiava ter que encarar aqueles olhos, era como encarar o próprio inferno.

- Você vai conseguir, não vai, Severus?

- É claro, milorde.

- Ótimo, preciso ficar sabendo de todos os passos que a Ordem der. Preciso garantir que tudo saia bem e eu finalmente mate o menino. Somente assim poderei triunfar, apesar de que vai demorar alguns anos ainda para que eu tenha a arma que me dará pleno poder.

Snape não perguntou, não deveria e já sabia do que se tratava, Voldemort estava falando sobre a descente das Trevas, sua filha que pelas contas de Snape deveria nascer dentro de alguns dias.

- Não se preocupe, milorde, tudo dará certo.

- Que bom, pode ir. – Disse sentando-se na poltrona e fazendo carinho na cabeça de Nagini.

- Com licença.

Snape saiu dali com a cabeça zumbindo e foi para fora da residência aparatando diretamente na Rua da Fiação. O rio sujo e fedorento continuava o mesmo, as pedras imundas e cruas continuavam as mesmas assim como a casa velha e feia. Estava na hora de finalmente ficar sozinho e se entregar ao luto. Luto por sua vida, por Dumbledore, por Lily, por Harry e por sua filha. Todos se foram, mortos ou deixados, pouco importava.

Todos se foram e somente ele ficara, largado em desgraça. Estava na hora de se desligar de vez.

Notas finais
Eu sei, vcs devem estar se perguntando como posso deixar Belatriz dessa forma. Mas é que apesar de achar que ela é poderosa, acho que ela é muito cruel e vadia de verdade, então sempre quis deixá-la assim..... desculpem mas eu tinha que mudar alguma coisa ao meu bel prazer....... a escolhida foi a Bela.... bjinhossss