A Lenda

28 Padrinho e Madrinha


Notas iniciais
Oieeee..... gente eu amei todos os reviews, nossa a empolgação de vocês é contagiante, eu não consigo parar de escrever essa fic, pois toda hora quero ler o que vocês acharam.... então aqui vai um capítulo para vocês.... não acontece muita coisa, mas eu achei muito bonitinho....
Bjusssss

Capítulo 28 – Padrinho e madrinha.

Por um momento Harry achou que algo estava errado com o tempo, afinal, os dias não passavam de maneira alguma. Fazia quase dois meses que ele, Rony e Hermione estavam na escola, mas aparentava fazer um ano. Harry começava a ficar ansioso. O seu tempo foi gasto com muitas pesquisas na biblioteca, incluindo a área reserva que a professora McGonagall liberou para o trio. Claro que não iria conseguir encontrar nada lá que lhe ajudasse a localizar as Horcruxes, esse trabalho seria muito mais baseado na constatação de onde Voldemort poderia ter escondido os artefatos e mais ainda, o que eles eram. A biblioteca estava servindo para poder aprender a maioria das azarações que ainda não tinha conhecimento.

Hermione, que sempre fora a melhor dos três em feitiços, azarações e poções, começava a se impressionar com o desempenho de Harry. O menino que antes levava notas razoáveis nas aulas ouviu do professor Flitwick, que supervisionava os meninos enquanto treinavam, que se ele estivesse em um exame de N.I.E.N.s teria tirado nota máxima em Feitiços. A professora McGonagall não fora tão entusiasmada, mas lhe dera um sorriso que valia por qualquer nota dez nas provas. Mas não havia nada que se comparasse ao seu crescimento na parte de poções, mesmo sem o livro do príncipe que agora estava perdido em algum canto na Sala Precisa. Harry parecia travar uma luta pessoal ao fazer as poções, sua concentração era tamanha que ultrapassava em muito a de Hermione. As poções evoluíram com grande velocidade e em dois meses o menino conseguia produzir poções que nem mesmo os alunos do sétimo ano conseguiam.

Slughorn ficara impressionado com o menino e lhe dava muitos créditos pelo seu avanço, mas Hermione e Rony sabiam muito bem que o motivo daquela súbita melhora era pelo antigo professor de poções. Era como se o menino quisesse mostrar para o homem, mesmo ele estando bem longe, de que ele era capaz de ultrapassar seus limites quanto as aulas em que sempre fora taxado como um idiota sem cérebro. E mais ainda, era como se quisesse mostrar que podia chegar ao nível dele e ultrapassá-lo, sendo melhor que ele. Melhor para poder derrubá-lo, matá-lo.

Hermione sempre tremia quando o menino dizia que em meio aos seus planos de encontrar as Horcruxes e as destruir estava o de encontrar e matar Severus Snape. A menina não conseguia acreditar que Harry fosse capaz de algo tão cruel, mas o ódio que transbordava de seus olhos quando percebiam que estavam se afogando em tristeza era tão grande que se tornava assustador.

O relógio andava devagar e Harry continuava ansioso. Os treinamentos pessoais com os professores – os alunos foram para casa logo após o funeral do diretor – só o deixava ocupado por um tempo limitado. Segundo McGonagall todos eles tinham muita coisa para fazer, principalmente ela que se tornara diretora de Hogwarts tendo que lidar com burocracias do Ministério e o assédio do Profeta Diário. No fim do dia, tudo que o menino queria era ir para a ala hospitalar, se deitar e olhar para o pequeno berço no final do recinto.

Faltava pouco para que finalmente pudesse pegá-la com suas próprias mãos e carregá-la em seu colo vendo-a sorrir e babar enquanto encarava seus olhos verdes. Talvez quando a pegasse ela se propusesse a abrir as pálpebras e deixá-lo descobrir qual era sua cor. Mas tudo isso ainda iria demorar um pouquinho, algumas horas. No dia seguinte Lys seria toda sua.

Com esse pensamento Harry fechou os olhos e adormeceu esquecendo-se de tomar a poção que Madame Pomfrey deixava na cabeceira para ele. A poção do Sono sem Sonhos jazia intacta enquanto o menino mergulhava no mais profundo inconsciente.

SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

Quando percebeu, Harry estava parado no alto da torre de astronomia, lugar em que não pisara mais desde a morte do diretor. Não sabia como fora parar ali, estava na ala hospitalar e agora estava diante do céu noturno e cheio de estrelas. Era começo de verão e a brisa era morna. Gostosa e confortável. Ao se aproximar do balaústre o menino percebeu que não conseguia enxergar a escola. O jardim que nessa época deveria estar com um verde forte era encoberto por uma nuvem negra que o impedia de vê-lo. A água do lago não refletia as estrelas e nem a lua. Tudo era só negro.

De repente, como se mil dementadores saíssem daquela escuridão, um frio surreal ultrapassou sua pele congelando seus ossos e fazendo seus dentes tremerem. Estava começando a sentir dor de cabeça como se tivesse bebido água gelada muito rápido. Tudo girava devagar lhe deixando enjoado e um medo apoderou-se de si causando-lhe tremores que nada tinham haver com o frio.

Sem hesitar virou-se e começou a correr em direção ao castelo, mas no momento em que se virou deparou-se com uma parede lisa em que não havia nem mesmo um buraquinho de camundongo, muito menos uma porta que levasse a outro lugar.

- Você não conseguirá passar.

Harry se virou imediatamente ao ouvir a voz nas suas costas. Aquela voz sedosa e arrastada que lhe arrepiava a nuca. Ele estava ali, bem diante de si, perigoso e lindo como sempre. Não, não era como sempre. Snape não usava suas vestes negras habituais, usava uma calça preta de risca e uma camisa de seda cor verde escuro, era brilhosa e caia perfeitamente por cima de seus músculos. Os dois botões de cima estavam abertos e deixavam a vista um pedaço do tórax. Harry ofegou ante a visão, mas logo se lembrou quem estava a sua frente e sacou a varinha.

- Fique longe de mim.

- Calma, Potter. Não vim te agredir. – Disse Snape com as mãos levantadas. – Vim lhe dar um aviso.

- Não tenho que escutar nada de você. Seu assassino.

- Eu não tenho tempo para isso. – Disse o homem se irritando. – Demorei dois meses para conseguir falar com você, então me escute.

- Não tenho que te escutar. Você matou Dumbledore, e agora eu irei te matar.

Harry tentou lançar feitiços contra o homem, mas nada saia de sua varinha. Sentiu um desespero lhe apossar e pensou que assim que olhasse para o homem ele estaria rindo e lhe mataria na mesma hora, mas Snape estava estranhamente quieto.

- Você não vai conseguir me atingir aqui. Estamos em um sonho. Preciso que me escute.

- Não!

Esquecendo-se de sua varinha que não funcionava, Harry avançou contra o homem. Não interessava que Snape fosse mais alto e forte que ele, iria bater em seu corpo até sangrá-lo completamente e ele morrer, tiraria Snape de sua vida completamente, sumiria com a pessoa dele. Mas realmente Snape era mais alto e forte, pois nem ao menos conseguira encostar direito no professor. As mãos de ferro se fecharam contra seus pulsos o impedindo de mexer os braços.

“As pernas, use as pernas” pensou Harry antes de começar a chutar o homem com toda a sua força. Mas Snape não seria um comensal se não conseguisse conter uma vítima em desespero para sobreviver. Rapidamente e com agilidade o homem empurrou o menino contra a parede e o prendeu com seu corpo colocando uma das pernas no meio das pernas de Harry que parou imediatamente com a proximidade daquele corpo. Snape lhe dissera que era um sonho e Harry queria muito acreditar naquilo, já que sentiu seu corpo reagir ao contato do ex-professor.

- Pare de ser um idiota, Potter. Não tenho muito tempo, não posso sustentar o feitiço. Escute! – Gritou quando o menino fez menção a começar a falar algo.

- A menina, ela está bem? – O tom de voz de Snape era mais baixa e mais parecida com a que ele usava quando estava na cama. Aquilo causou mais raiva no menino.

- O que te interessa? – Perguntou Harry com ódio visível. – Você nunca se importou com ela e agora a abandonou.

- Esconda-a.

Harry parou de se mexer. Seus olhos estavam arregalados. Os olhos negros estavam tão carregados de culpa e angústia que era doloroso e por mais que odiasse sentir aquilo, o que mais queria era abraçar o homem, deixá-lo ciente de que estava tudo bem e transar com ele.

- Esconda-a. – Repetiu. – Com o feitiço fidelius, deixe o segredo com alguém de confiança e jamais conte para qualquer pessoa, nem mesmo para você até tudo acabar. Está me ouvindo? Você precisa deixá-la em um lugar seguro, longe e protegido. A poção que deu à ela não é suficiente.

- Do que está falando? Não vou abandonar minha filha e nem ao menos saber onde ela está.

- A guerreira das sombras nasceu.

Harry abriu a boca ao ouvir isso, mas antes que pudesse formular qualquer frase o Snape a sua frente começava a se dissolver em nuvem como se o vento começasse a levá-lo embora.

- O feitiço está se rompendo. Faça o que eu disse. Esconda-a com alguém de confiança. Esconda-a.

- Como posso confiar em você depois de tudo? Como posso ter certeza de que não é uma mentira.

Snape olhou para ele e tocou em seu rosto com carinho, seus olhos entristeceram e neles apareceram os sentimentos que vira no dia em que o homem gritou por ele no banheiro. Era cruel ver.

- Você não saberá, terá que confiar em mim, Harry.

Antes que a imagem sumisse por completo, Harry sentiu os lábios do homem encostar-se aos seus em um beijo casto e profundo que fez seu peito arder. Quando a sensação sumiu o menino abriu os olhos e se viu olhando para o teto da ala hospitalar. Eram quatro horas da manhã e ele estava encharcado de suor. O sonho tinha sido tão real que o menino levou os dedos aos lábios em uma vã tentativa de segurar o gosto do homem. Não adiantava, já tinha ido embora.

- Foi apenas um sonho. – Disse para si mesmo deixando o corpo cair pesadamente na maca desconfortável.

Por um momento permaneceu deitado com os olhos fechados e apenas tentando não pensar em nada. Mas no momento seguinte o menino deu um pulo de sua cama, já era o último dia. O dia em que finalmente pegaria a menina em suas mãos novamente. Com um sorriso bobo perdido em seu rosto demasiado amassado e vermelho, Harry se aproximou do berço. Faltava pouquíssimo agora. Logo Madame Pomfrey iria retirar o feitiço que protegia a menina e ele poderia segurá-la.

- Falta pouco. – Sussurrou para a menina que dormia. – Falta muito pouco.

SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

- Vamos, Madame Pomfrey, por favor.

Hermione dava pulinhos no mesmo lugar enquanto esperava a mulher terminar de arrumar alguns vidrinhos de poções no armário para depois se aproximar do berço. Harry não estava pulando, mas sua ansiedade era muito maior do que de qualquer outra pessoa.

- Tudo bem, já estou indo.

A enfermeira se aproximou do berço e sacodiu a varinha fazendo dissolver os feitiços que protegiam a pequena criança. Como se estivesse apenas esperando um sinal de que alguém iria tirá-la de lá, Lys se mexeu no bercinho abrindo e fechando a mãozinha gordinha. O sorriso de Harry se arreganhou em seu rosto de uma forma estranha. Fazia tempo demais que não conseguia sorrir daquele jeito, talvez sua mandíbula até mesmo travasse com isso. Em meio ao entusiasmo o menino se adiantou com as mãos estendidas querendo tocar na menina, mas Madame Pomfrey ergueu os dedos o impedindo de continuar. O rosto furioso e confuso de Harry era gritante.

- Calma, senhor Potter. Ela não é uma goles que você pega de qualquer jeito, é um bebê e é muito frágil.

Harry recuou a mão e viu a enfermeira se abaixar e pegar a menina no colo. Os olhos de Harry brilharam quando ela estendeu a menina em sua direção. Tinha que confessar que estava morrendo de medo daquele momento.

- Agora dobre seu braço, isso, assim mesmo. Dessa forma você apoia a cabeça dela em seu braço e com o antebraço você apoia o corpo. Isso mesmo, caso tenha medo pode colocar o outro antebraço embaixo também para dar mais apoio.

- E se eu a deixar cair? – Finalmente fez a pergunta que mais temia desde que o feitiço do berço foi desfeito. Para sua surpresa a enfermeira sorriu.

- Não vai deixar cair.

O menino arregalou os olhos quando a menina foi colocada em seus braços e tentou se ajeitar da melhor forma possível tentando não derrubá-la. Era tão pequena e leve que chegava a parecer uma boneca de criança.

- Não precisa inclinar o corpo para trás, Potter. Ela não vai cair. Viu.

Hermione tinha lágrimas nos olhos quando o menino se virou para olhá-la e Rony se aproximou da cabecinha.

- Pelo menos o nariz é igual ao seu, Harry.

Hermione soltou uma gargalhada tão alta que a menina nos braços de Harry mexeu-se bruscamente levantando os bracinhos. Harry estava maravilhado. Segurava sua filha em seus braços, sua pequena menina, sua criança amada e protegida. Dentro de seu peito algo explodia tão intensamente que não foi capaz de segurar e deixou escapar em forma de lágrimas grossas e cristalinas que caiam por seu rosto enquanto ainda admirava a menininha.

Lys ainda era apenas um bebezinho de pele fina e rosada. Seu rostinho era pequenino e enrugadinho, os lábios finhinhos e as mãos gordinhas e minúsculas. Harry pegou uma das mãos da menina e a sentiu apertar seu dedo com força, ou pelo menos com a força de um bebê. Tão delicada. Devagar levou a mãozinha até seus lábios e beijou-a.

Quase no mesmo instante imagens entraram em foco em seus olhos fechados. Viu o mar a frente, frio e impetuoso batendo nas rochas enquanto o vento cortante balançava seus cabelos bagunçados. Estava novamente na Grécia, viu Snape ao seu lado. Era sua primeira noite com o homem. A noite em que ela fora concebida. Lembrou-se de seus tremores quando o corpo nu dele tocou no seu e sua dor quando o penetrou.

Parecia que fazia mil anos que acontecera. Fora apenas a nove meses.

A mãozinha estava quente enquanto outras imagens vinham sem que mandasse ou permitisse. Snape retirando a coberta de cima de si depois de ter entrado no quarto do mestre sem ter permissão e correr assustado de volta para cama quando o homem o viu. A mão gentil que acarinhou seu rosto, a língua que lambeu seu mamilo e os lábios que o beijaram com doçura.

As lágrimas caiam de seu rosto com ferocidade, a mãozinha continuava a apertar seu dedo.

Snape lhe achando na Dedos de Mel, depois acariciando seu cabelo enquanto implorava seu perdão. O puxando para perto de si ao dormir. A mão em sua barriga sentindo a criança ali dentro. O amor feito de manhã antes mesmo do café. Os toques gentis sempre feitos em momentos inesperados e sem que houvesse palavras questionadoras sobre isso. Os abraços vulneráveis. A entrega. Os prazeres lhe dado quando sua barriga cresceu. Os cuidados com sua saúde e proteção. Os beijos no ventre inchado.

Hermione soluçou atrás de si, mas ainda assim não abriu os olhos, continuou lembrando, continuou segurando a mãozinha.

Finalmente o esconderijo na floresta, o rio e a cachoeira. O amor feito dentro da água, os beijos dados de graça, o amor feito com devoção. Os gemidos em seu ouvido. O sussurrar de seu nome e a frase maldita. “Eu te amo, Harry”.

Apenas um toque, um único toque daquela menina e tudo que escondera nos confins da memória, tentando aprisionar para que o ódio conseguisse prevalecer, soltou-se no espaço e viajou por seu corpo atingindo-o diretamente onde mais doía.

Harry abriu os olhos vermelhos e inchados e olhou para a menina. Lys mantinha os olhinhos brilhantes abertos e direcionados a si. O interesse era claro nos olhos verde vivos como os seus. Enfim, o tempo parou. Harry não conseguia fazer outra coisa além de olhar para a menina e sorrir, jamais em sua vida tocou em algo mais puro que aquilo. Nem mesmo quando Hagrid mostrara os filhotes de unicórnios no quarto ano.

- Oi. – Sussurrou baixinho. – Oi, meu amor. Eu sou seu pai. Você é linda.

- Ah, Harry! – Exclamou Hermione ao seu lado. – Deixa eu segurá-la um pouquinho. Por favor?

O pedido da amiga ao seu lado fez Harry finalmente desviar o olhar da criança e se focar nas coisas ao seu redor. Hermione tinha os olhos vermelhos e lágrimas caiam em seu rosto, mas ela sorria de orelha a orelha e parecia maravilhada. Rony também não conseguia disfarçar o entusiasmo. Madame Pomfrey não estava perto.

- Onde está Madame Pomfrey? – Perguntou Harry enquanto Hermione pegava a menina no colo.

- Ela resolveu te dar um pouco de espaço. Oi, menininha linda.

Lys pareceu ter gostado da amiga no mesmo instante, pois agarrou os cabelos de Hermione com as mãos e enfiou-os na boca.

- Não. – Disse a menina tirando o cabelo da boca da criança. – Não pode, é sujo.

- Hoje é sábado, Hermione, dia de tomar banho, sabia?

- Como você é engraçado. – Respondeu Hermione se sentando e pegando a menina e segurando-a em pé.

- Você não vai machucá-la assim? – Perguntou Harry já com o rosto seco, mas com os olhos ainda inchados.

- Você ainda tem muito que aprender sobre criar bebês Harry.

- É tenho sim. Mas não poderei cuidar dela.

- O que?! – Gritaram os amigos juntos assustando a criança. – Ai, desculpe bebê. Rony segura ela um pouquinho.

- Eu?

- É você. Anda.

Rony pareceu muito mais desengonçado agora que estava sentado na cama com a menina em seus braços. Parecia petrificado como se um movimento fosse o suficiente para que a menina desabasse. Lys o olhava com interesse.

- Como assim você não vai cuidar dela?

Hermione olhava para Harry com extrema raiva. Harry também sentia raiva, mas depois de horas pensando no sonho que tivera chegou a conclusão que aquilo fora apenas seu inconsciente lhe dando uma ideia que estava guardada em sua cabeça, apenas matutando. Tinha que admitir que seria muito mais seguro se Lys ficasse escondida sob o feitiço fidelius e longe dele. Com dificuldade explicou isso para Hermione e a viu chorar novamente.

- Isso é tão injusto. Você acabou de pegá-la no colo. Seu aniversário é daqui a dois meses. Você só terá mais dois meses com ela. É sua filha.

- Eu sei.

Claro que sabia. Claro que tinha completa noção de que teria que ficar com a menina apenas por um curto tempo e que depois teria que se afastar e deixá-la crescer com outras pessoas, sem que soubesse de sua existência, sem que tivesse seu contato até que tudo estivesse acabado. Somente então ele poderia voltar e reivindicá-la para si. Caso morresse ela estaria segura e cresceria como qualquer outra pessoa, sem nem ao menos saber o que acontecera. Trataria de deixar uma carta para que fosse entregue caso algo acontecesse. Tudo já estava mais do que esquematizado em sua mente. Toda a segurança de Lys era sua prioridade.

Mais uma vez Hermione se jogou em seus braços e lhe abraçou forte. Dessa vez o amigo retribuiu e em meio aos cabelos volumosos fez o pedido.

- Hermione, quer ser a madrinha da Lys?

- Eu?

- Quem seria melhor?

- Ah! Claro que quero. Obrigada Harry.

- Mas Harry. – Chamou Rony na cama. Hermione correu e tomou seu lugar carregando a menina. – Não temos madrinhas, só padrinhos.

- No mundo bruxo. No mundo trouxa temos uma madrinha e um padrinho e eu quero que você seja o padrinho dela.

- Tem certeza?

- Claro que tenho.

- Ok, eu aceito. Legal, serei padrinho.

Harry sorriu e se sentou na cama, Hermione lhe passou a menina que ele segurou em pé e depois ela se sentou ao se lado e Rony nos pés da cama. Todos olhavam a menina que tinha os olhos verdes mais puros que existiam. Eram os verdes de esperança.

Notas finais
Ownnnn, nossa pequena Lys está contagiando todo mundo....
Bom, tenho que prepará-los. Harry vai tomar uma decisão no próximo capítulo que será com toda certeza uma grande surpresa para vocês.....
bnjinhossssssss