A Lenda

43 Eu voltei por você


Notas iniciais
Gente, desculpem a demora em postar, mas aqui está o novo capítulo, espero que gostem

Capítulo 43 — Eu voltei por você

Alexandra sumiu com um clarão de luz que quase cegou os olhos de Snape protegidos rapidamente por suas mãos trêmulas. Assim que a Casa dos Gritos voltou ao seu normal o homem retirou as mãos do rosto e olhou para a sala destruída e abandonada. Viu aos seus pés a poça de sangue que saíra de seu próprio corpo. Sentiu náuseas e se esforçou para não vomitar. Era tudo tão surreal, tão estranho e incrível que se dissesse em voz alta ele mesmo não acreditaria no que aconteceu.

Com cuidado, pois seu corpo ainda estava dolorido, se levantou segurando-se nas madeiras velhas e podres. Quando se endireitou sentiu uma pontada no peito indicando claramente que seu pulmão fora atingido pelo veneno da cobra antes que Alexandra pudesse lhe salvar. Alexandra. Quem diria que a descendente das Trevas, vinda da linhagem de Merlin o salvaria para que pudesse se vingar daquele que mentiu para si prometendo-lhe a liberdade que jamais viria. Olhando para seus dedos, onde podia sentir a vibração da magia poderosa que ela lhe dera, constatou que jamais veria Alexandra novamente, ela se fora para sempre. Entregara sua alma.

- Não vou lhe decepcionar, Alexandra.

A voz fraca de Snape repetiu essas palavras até ele mesmo acreditar nelas. E foi com essa fé que ele moveu seus pés em meio ao sangue no chão e rumou para fora daquele lugar agourento. O túnel parecia não acabar e por algumas vezes se desequilibrou caindo e arranhando-se nas raízes embrenhadas nas paredes de terra. Estava fraco, sabia disso, seus músculos protestavam a cada passo e seu peito ardia com a respiração, mas ainda assim continuou andando rumo a saída sentindo que quanto mais perto ficava de Hogwarts e de Harry mais forte ficava. Talvez essa sensação fosse apenas psicológica, mas precisava se agarrar a esperança de que teria forças para derrotar o Lord antes do fim. Precisava fazer isso por si, por Alexandra e por Harry.

Harry. Esse nome lindo pertencente ao menino sapeca que o conquistou fazendo-o desistir de tudo que era seguro e se embrenhar pelas incertezas do amor. Harry que estava no meio daquela guerra naquele exato momento. Será que ele já vira as lembranças? Será que já sabia a verdade? Será que já fora para seu destino?

- Não. — Gritou quando a lembrança do que Harry teria que fazer veio-lhe a mente. — Não, Harry, não.

Mesmo sem saber se conseguiria, mesmo sem forças nas pernas ou em qualquer outra parte do corpo Snape se pôs a correr, precisava chegar a Harry antes que se entregasse a morte pela mão do Lord. Precisava impedi-lo disso, não poderia admitir que ele se fosse, não agora que voltou. Suas pernas batiam uma na outra em sua corrida atrapalhada, seu peito parecia a ponto de explodir e havia estrelas pipocando em seu rosto, ainda assim continuou correndo, precisava correr, seguir adiante. Não havia voltado para ficar sozinho, ficaria com Harry, eternamente com Harry. Eles dariam um jeito com o Lord das Trevas depois, dariam um jeito. Juntos eles conseguiriam fazer isso, tinha certeza de que juntos conseguiriam tudo. Tudo. Mas precisavam estar juntos.

Foi com alívio que viu a luz da lua no céu noturno do lado de fora daquele buraco, a qual escalou com dificuldade após paralisar o Salgueiro Lutador com a varinha que nem mesmo percebera que jamais deixara suas vestes. Ao se afastar do alcance dos galhos da antiga árvore, Snape parou um instante encostando-se em uma pedra grande, sua mão apertou o peito sentindo pontadas crueis, porém não conseguia saber se era pela dor ou pela imagem que brilhava em suas íris negras. Hogwarts estava em chamas, pedras estilhaçadas compunham uma obra de arte grotesca como se alguma criança revoltada destruísse a bela pintura que fizera anteriormente. Ao contrário de antes em que a certeza da morte lhe retirava a possibilidade de sentir, agora a vida lhe trazia as emoções gritantes.

Fechou os olhos por um único instante sentindo pesar pelo local destruído, pelas almas ceifadas tão cedo, os inocentes que se foram em meio ao desespero e sangue. Abriu os olhos logo em seguida, não podia perder tempo com pesares, precisava encontrar Harry, encontrá-lo e não largá-lo mais, ficar ao seu lado para sempre e o impedir que fizesse o que tinha que fazer.

- Vamos achar um jeito, Harry. Apenas esteja vivo. — Pediu caminhando torto em direção ao castelo.

Tudo estava silencioso naquela parte do terreno, não havia gritos ou choros, não havia nada mais do que o completo silêncio. Sua testa franziu para aquilo, não estava certo. Onde estava a guerra, onde estavam os comensais e os membros da Ordem. Onde estava Harry?

A resposta lhe veio como um solavanco na alma, um soco no estômago fraco que o fez virar-se para o lado e vomitar sangue. Sentiu mais uma vez o mundo desmoronar aos seus pés. Com a boca suja pelo líquido rubro e os olhos marejados de desespero avistou novamente a figura inerte nos braços de Hagrid. Os cabelos despenteados estavam apontando para todos os lados como sempre, desalinhados e sujos. O braço esquerdo pendia ao lado do corpo e os olhos estavam fechados.

Era tarde. Harry já fizera o que fora predestinado para ele, morrera para salvar aqueles que em silêncio choravam por sua partida. Snape escorou na parede e sem tirar os olhos da figura distante escorregou para o chão sentindo que a força o deixava aos poucos. Não havia mais Harry. Não podia ser. Não dessa forma, poderia não existir Severus Snape, mas jamais poderia não existir Harry Potter. Ele era Harry, era o menino irritante e arrogante que... era seu menino, seu homem, seu esposo e amante. Seu amor. O perdeu.

As palavras de Voldemort eram vazias, não significavam nada para ele e nem para Neville Longbottom que se adiantou com a coragem que jamais vira no menino gorducho que destruíra mais caldeirões do que toda a escola junta. O assistiu ir adiante e enfrentar Voldemort como nenhum comensal já teve coragem, ouviu suas palavras, as sentiu entrar em seu corpo e de alguma forma o preencher com a certeza de que aquilo não tinha terminado.

Neville estava certo. Precisava continuar de pé como ele, Harry morreu, mas continuava dentro de todos eles. Precisava continuar, se Harry se entregou então só faltava uma coisa, precisava tirar o colar do homem e permitir que o matassem. Talvez Longbottom ou Granger. Alguém com força o suficiente para isso, talvez ele mesmo.

Isso, ele mesmo iria matar Voldemort. Um suicídio do Lord das Trevas. Assim mataria os dois e tudo estaria resolvido. Mataria Voldemort, vingaria Alexandra e se encontraria com Harry. Era exatamente isso que faria.

Porém o destino sempre gostou de brincar com sua vida e naquele momento em que se posicionou e estava pronto para invadir o corpo de seu mestre viu o que preencheu seu coração. Harry simplesmente se levantou e atacou Nagini com força antes de sair correndo. Seus olhos piscaram duas vezes antes de conseguir acreditar que ele estava vivo. Harry estava vivo e seu grito juntou-se aos dos guerreiros no pátio recomeçando a guerra, lançando feitiços com tanto poder que os comensais não eram pareis para eles. Um a um caiam no chão duro sem chance para erguer os olhos novamente. Viu como muitos fugiram passando próximo a si, mas preocupados demais com suas próprias vidas para sequer se importar com ele. Antes de seguir adiante em busca de Harry permitiu-se um respirar aliviado e um levantar de lábios de felicidade.

Quando todos se dispersaram Snape, agora sentindo firmeza nos músculos e uma determinação incomum no corpo, seguiu para dentro do castelo se esgueirando pelas paredes e escondendo-se atrás de pedras até chegar ao salão principal. Viu que ali dentro todos estavam novamente em silêncio prestando atenção no menino que se revelara. Harry ganhava tempo com Voldemort e isso o deixaria em vantagem. Afim de chamar menos atenção retirou o sobretudo negro e ficou apenas com sua camisa branca que agora estava manchada de vermelho e suja. Caminhou lentamente por trás das pessoas no salão até um canto nas sombras. Avistou Harry e Voldemort se encarando, viu como Harry estava imponente, parecia mais velho, mais sábio e experiente. Voldemort parecia frágil, doente. Sabia que por algum motivo ele estava morrendo.

Precisava chegar mais perto, tinha muita gente na sua frente e se não se concentrasse na pessoa certa acabaria invadindo o corpo de outra pessoa e isso o deixaria esgotado. Por isso foi com alívio que avistou a capa de invisibilidade no chão aos pés de Harry. Apontou a varinha para ela e a convocou agradecendo pela atenção dos alunos e professores estarem toda voltada para os dois no meio do salão principal e nem ao menos notarem que a capa voara direto para sua mão. Quando tocou o tecido o sentiu vibrar com a energia do menino que ainda passava naqueles fios. Colocou-a e sumiu no meio da multidão, esgueirou-se devagar até o meio e chegou perto de Harry exatamente no momento em que o menino levantava sua varinha na direção do peito de Voldemort e se preparava para lançar seu feitiço. Rapidamente ergueu sua própria varinha no ar e recitou um feitiço complicado, mas necessário.

Harry estava pronto para dizer o feitiço, sentiu na ponta da língua a palavra querendo liberdade, querendo que o feitiço saísse de sua varinha e atingisse Voldemort no meio do peito fazendo-o sumir. Sabia que era o Senhor da Morte e que a varinha em poder do ser a sua frente respondia somente a si como deveria. Precisava tirá-la dele, precisava que ela viesse a sua mão para enfim terminar com aquele sofrimento todo. Depois que acabasse tudo deixaria seu corpo sentir o luto. Precisava do luto, precisava se agarrar a ele para não ficar louco, pois não conseguia acreditar ainda que Snape morrera e o deixara. Foi com a dor da morte de seu amado que gritou o feitiço para Voldemort.

- O que?!

Sua testa enrugou-se completamente no momento em que o feitiço Expeliarmus atingiu Voldemort fazendo a varinha ricochetear diretamente para sua mão, mas não o moveu um único centímetro. Não entendia como aquilo acontecera. Voldemort deveria no mínimo ter cambaleado, o que lhe daria a vantagem de tempo para mirar a varinha das varinhas e recitar o feitiço que o mataria. A maldição que deixaria para sempre uma marca em sua alma. Mas nada aconteceu. Voldemort não se mexeu, nem antes e nem agora em que se aproximara dois passos. Estava simplesmente paralisado.

Será que lhe lançaram um Petrificus Totalus? Perguntou-se Harry olhando para as outras pessoas em volta esperando ver algum movimento, mas nenhuma delas se mexia. Não havia olhos virando ou peito subindo e descendo evidenciando a respiração. Tudo havia parado como se o tempo tivesse parado. Havia um feitiço que fazia esse efeito, ele conhecia, mas também sabia que para esse feitiço ser executado em tantas pessoas e por tanto tempo era necessário um grande poder, isso sem contar que a pessoa teria que estar encostada nele para que não ficasse paralisado também. Então quem fez aquilo?

Como para responder sua pergunta uma mão apareceu diante de seus olhos. Harry estava com tanta adrenalina que não reparou naqueles dedos longos, não se tocou de que os conhecia bem, apenas ergueu a varinha em direção a ela e aguardou até que a mão puxou sua capa de invisibilidade deixando-a cair ao chão e revelar o ser que se escondia embaixo dela.

A mão de Harry tremeu e a varinha balançou em seus dedos. Não podia ser, ele estava morto. Não havia como acreditar na imagem diante de si, em Snape em pé na frente de seus olhos. Sua boca abriu de surpresa e seus olhos marejaram com o medo de que aquilo fosse uma peça pregada em si. Deu um passo para trás e viu que o homem não se mexeu, apenas continuou o olhando com tanta emoção em seus olhos negros que lhe deixava desconsertado, completamente desarmado.

- Você morreu. – Sussurrou Harry erguendo a varinha mais alto quando Snape se aproximou alguns centímetros.

- Sim. – Respondeu o homem dando mais um passo a frente e sentindo a varinha cutucar-lhe o peito. – Mas voltei para você.

- Não, isso não é verdade. Eu estou ficando louco ou é alguma armadilha de Voldemort.

- Nenhum, nem outro. Eu estou aqui Harry, estou aqui para você. – A mão de Snape tocou a varinha do menino e se aproximou de suas mãos jovens. – Eu voltei para você.

- Não. Por favor, não brinque comigo.

Harry chorou tapando a boca com a mão, seus olhos fecharam-se com força quando o homem afastou sua varinha e se aproximou pegando seu rosto entre suas mãos.

- Olhe para mim. – Pediu Snape. – Olhe para mim Harry, deixe-me ver seus olhos.

O medo de que fosse tudo mentira era muito grande, o assustava. E se ele fosse embora depois, e se de repente sumisse o deixando sozinho de novo, o fazendo sentir a perda mais uma vez? Não suportaria isso.

- Estou com medo.

- Não tenha. – Os lábios de Snape se aproximaram de seu rosto e beijaram-lhe a face corada e quente. – Eu estou aqui.

Devagar Harry abriu os olhos vendo-se diante de olhos negros, brilhantes pelas lágrimas e intensos. Não havia mentiras naquelas íris, aquele a sua frente era Severus Snape, seu esposo, seu marido, seu amor. Não sabia como, não sabia o porque, mas ele estava na sua frente segurando seu rosto, sorrindo para si, chorando por si. Aquele era Severus Snape. Vivo.

- Meu Deus! – Exclamou Harry erguendo as mãos e passando em cada traço do rosto dele sentindo a barba por fazer, as rugas nos cantos dos olhos, a sobrancelha grossa e a linha dos lábios finos. – Você está vivo!

Não havia melhor forma de comemorar do que a que fizera naquele momento de grande emoção. Harry se jogou nos braços do homem e beijou-lhe os lábios com selvageria sugando de si todo o néctar de sua essência, querendo saborear em sua língua o doce sabor de seus beijos. Suas mãos enterravam-se nos cabelos bagunçados e seu coração explodia de tanto bater. Snape não estava diferente, sentia que poderia ser o astro rei naquele momento, junto com Harry, sentindo-o nas pontas de seus dedos. Beijou-lhe os lábios, rosto, pálpebras, mandíbula, pescoço. Apertou-lhe contra o peito, massageou seus braços e passeou pelas suas costas. Queria senti-lo, queria Harry para si, completamente para si. O tomaria naquele exato momento e que se danasse o mundo. Mas não podia. O tempo estava se esgotando, conseguia sentir isso.

- Como você voltou? – Perguntou Harry quando se separaram. – Como?

- Não temos tempo, explico depois. Temos que tirar o colar dele.

Harry olhou para Voldemort e viu o colar brilhando em seu pescoço.

- Nós tentamos, Hermione quase foi morta, Rony ficou ferido, não conseguimos Severus. Não deu nem para chegar perto dele. Será que podemos fazer isso agora? – Perguntou olhando para o monstro paralisado.

- Não, tem que ser tirado por ele mesmo. Só descobri isso agora. Eu tentei tirar quando parei o tempo, mas não consegui.

- Então não há chances.

- Há sim. Eu posso fazer isso.

- Como? – Os olhos de Harry estavam arregalados e assustados.

- Irei entrar no corpo dele e retirar o colar. – Snape ergueu os dedos postando nos lábios do menino quando ele quis argumentar. – Já se passou dois minutos, só posso agüentar mais um com o tempo parado. Me escute com atenção. Vou deixar meu corpo e invadir o dele, vou tirar o colar e quando tirá-lo você me acerta com a maldição, poderei segurá-lo por pouquíssimos segundos, você terá que ser rápido.

- Assim poderemos matá-lo, que ótimo. – Disse o menino sorrindo para Snape que o olhava encantado com a esperança que via. – Mas não irei acertar você não é?

- Temos um grande risco. Tudo que acontecer com ele acontecerá comigo.

- Então não, não vou lançar a maldição da morte em você. – Disse Harry erguendo-se nas pontas dos pés e beijando os lábios de Snape que o abraçou fortemente. – Não posso, não posso. Você está aqui comigo. Não posso te perder de novo e por minhas próprias mãos.

- Eu ficarei bem, Harry. – Disse Snape soltando o menino e encostando sua testa na dele antes de soltar um suspiro grave. – Eu voltei dos mortos para ficar com você menino insuportável, não voltarei para lá. Jamais te deixarei novamente. Jamais.

- Promete? – Perguntou Harry quando viu Voldemort fazer um mínimo movimento, o tempo se esgotara.

- Prometo.

A palavra foi dita milésimos antes do corpo do homem cair mole aos seus pés e todos voltarem a se mexer. Harry olhou em direção a Voldemort e viu através das pupilas vermelhas o brilho de Snape. Ele estava ali dentro e erguia as mãos lentamente a caminho do pescoço. Enquanto as lágrimas desciam por seu rosto e o público franzia a testa para o corpo que aparecera do nada ao lado de Harry, a mão de Voldemort abriu o feixe do colar e o retirava do pescoço.

- Não!

O grito veio da boca de Voldemort. Harry assustou-se quando viu que o colar voltava aos poucos para seu pescoço. Voldemort lutava contra o invasor de seu corpo. Harry ergueu a varinha e ficou a postos. Assistiu aos momentos angustiantes em que Severus lhe dizia, na voz de Voldemort, para matá-lo, mas logo em seguida era sobreposto pelo próprio Lord gritando em fúrias para que saísse de seu corpo. Foi depois de muito esforço e muito grito que Severus urrou em fúria, jogou o colar no chão e espumou em direção a Harry.

- Mate-me!

Harry não tinha tempo para pensar, apenas ergueu a varinha das varinhas e recitou o feitiço da morte.

- AVADA KEDAVRA!

O feitiço verde saiu com força de sua mão e atingiu em cheio o peito de Voldemort que voou sobre as cabeças dos alunos espantados e bateu na parede oposta caindo sem vida no chão. O peso da maldição da morte era cruel. Harry olhou para sua própria mão e não acreditou no que tinha feito. Ele matara. Ele finalmente matara Voldemort. Não havia mais bruxo das trevas, não tinha mais comandante para os comensais que agora fugiam colina acima. Agora era somente um monte de carne podre jazida no chão do Grande Salão de Hogwarts.

Com o peito hiperventilando Harry olhou para baixo e viu o corpo de Snape jogado de qualquer forma aos seus pés. A algazarra no salão era tamanha que abafava seus chamados e gritos. Harry balançava o corpo de Snape em suas mãos pedindo para que ele lhe respondesse, gritando que ele prometera nunca deixá-lo. Hermione e Rony se aproximaram e tocaram em seu ombro ao mesmo tempo, seus olhos eram confusos. Como Severus Snape fora parar no meio do Salão Principal de Hogwarts se ele estava morto na Casa dos Gritos? Essa resposta seria dada só depois, pois naquele momento, além de Harry chorar chamando por ele, o salão inteiro havia parado com as comemorações e assistiam o desespero do menino que agora batia com o punho fechado sobre o peito do homem.

- Você prometeu. – Disse batendo uma vez no peito dele. – Você disse que não me deixaria. – Bateu novamente. – Me disse que voltou por mim e que ficaria comigo. – Bateu uma terceira vez. – Não se atreva a quebrar sua palavra Severus Snape.

A quarta batida foi tão forte que fez o corpo do homem se curvar quando Snape abriu os olhos e forçou o ar para dentro dos pulmões. Harry sorriu e afastou os cabelos do homem de seu rosto. Muito barulho foi ouvido a sua volta, todos se perguntavam o que estava acontecendo com o menino que acabara de matar Voldemort para que ele pudesse fazer a loucura que estava fazendo.

- Você voltou.

- Eu prometi para você. – A voz de Snape era fraca. – Jamais vou te deixar de novo pirralho. Eu amo você.

Não houve palavras, gritos ou exclamações que conseguisse passar como as pessoas ficaram ao ver Harry Potter sorrir antes de se aproximar de Severus Snape em seu colo e beijar seus lábios com tanto amor quando jamais fora possível descrever.

Notas finais
Uma pequenina menina voltará para a história.... quem adivinha quem é?