A Lenda
44 Depois do fim
Notas iniciais
Desculpem os erros tá, estou mega atrasada para o trabalho e terminei de escrever quase agora,......
Capítulo 44 – Depois do fim
O barulho simplesmente cessou quando as pessoas aos poucos perceberam o que estava acontecendo, era algo tão estranho e inesperado que não houvera nem mesmo exclamações, apenas o silêncio aterrador que comprimia o ar dentro do salão enquanto muitos espremiam-se envolta do centro da atenção. Era surpreendente, era confuso, era assustador e ainda assim não havia palavras a serem ditas naquele momento, pois o beijo que se seguia era de tal forma perfeito que tornar-se-ia um pecador aquele que o interrompesse. Finalmente, após alguns minutos, uma voz baixa se fez ouvir no meio da multidão.
- Eles estão...
- Sim, Neville, eles estão.
A resposta veio de Gina que apertara seu braço de leve dando um pequeno sorriso para sua cara de bobo antes de voltar o olhar para os seres apaixonados no meio do salão. Não podia negar que Harry ainda mexia consigo, mas sabia que ele não lhe pertencia, pertencia ao homem que acariciava seu rosto com carinho ao mesmo tempo em que enterrava os dedos no cabelo revolto puxando-o para perto de si. Sentiu inveja, aquele beijo não era simples, não era nem mesmo de paixão, era um beijo de alívio. O típico beijo que se dá quando se sabe que aquele não será o último.
Era isso que Harry sentia enquanto deixava a língua de Severus invadir-lhe a boca com calma, não havia motivos para pressa, agora teriam todo tempo para beijar, agora seriam um do outro para sempre. Harry deu um sorriso em meio ao beijo e abraçou-se mais fortemente ao homem deixando que todo o medo saísse de seus ombros. Passou os dedos pelos cabelos negros e os enterrou ali até sentir que os dedos longos de Snape se afastavam devagar junto com os lábios finos até ser somente um roçar distante. Snape levou sua mão gelada até sua bochecha e a acariciou até que suas pálpebras se abriram o permitindo encontrar os olhos negros queimando em sua direção.
- Você está aqui. – Sussurrou Harry.
- Sim, estou.
A resposta de Snape veio com um sorriso torto enquanto Harry sentia cada detalhe daquele rosto machucado e sujo. Passou a ponta do dedo pelo maxilar, depois a bochecha, olhos, sobrancelha, testa, nariz, linha da boca até finalizar no queixo. A barba estava por fazer pinicando sua pele, normalmente Harry reclamaria, diria que o queria com o rosto lisinho, mas naquele momento não importava, nada importava. Devagar também sorriu torto para o homem.
- Severus? – Chamou o homem baixinho.
- Sim. – Respondeu Snape colocando sua mão sobre a do menino e entrelaçando seus dedos.
- Você me beijou.
- Eu sempre vou te beijar. – Respondeu trazendo o menino mais para perto e colocando o rosto em seu peito enquanto fechava os olhos para ouvir melhor as batidas do coração acelerado.
- Severus, estamos no meio do salão principal.
Os olhos de Snape se abriram imediatamente. Foi somente após Harry lhe dizer isso que se deu conta de que realmente estava no meio do salão principal, sentado no meio de um gigante circulo formado por estudantes sujos e machucados, funcionários com olhos arregalados e aurores com feições duvidosas.
- Me tire daqui. – Pediu baixinho para o menino.
Harry apenas assentiu e se levantou dando a mão para o homem se apoiar e levantar, porém Snape ainda estava fraco devido tudo que passara e o esforço que fizera em dominar Voldemort nos últimos minutos. Seu corpo não se aguentava em pé, suas pernas estavam trêmulas e bambas. Mais uma vez tentou levantar, mas foi impossível, Harry não conseguia sustentá-lo e ele mesmo estava fraco demais para tentar se apoiar no menino com mais força.
- Espere, preciso descansar. – Pediu se deitando por completo no chão.
- Ah, meu Deus. Me diz que está tudo bem.
- Está tudo bem. – Disse olhando para o menino e vendo sua preocupação.
- Não mente para mim.
- Você precisa começar a se decidir, Harry Potter. – Brincou Snape tossindo.
- Potter não, eu...
- Harry Potter, afaste-se imediatamente desse homem!
Harry levantou a cabeça procurando o dono daquela voz. Não demorou a encontrá-lo encarando-o com olhos azuis determinados. Era um auror, se lembrava muito bem dele no trem quando voltou para a casa de seus tios, seu nome era Tommy Crals, conhecido por ser durão e seguir a risca as leis bruxas. Harry até admirava o empenho do homem em se tornar o melhor Auror que o Ministério pudesse ter, mas naquele momento a única coisa que queria era dar um soco na cara dele e o fazer sumir imediatamente, pois aquele auror apontava a varinha diretamente para o peito de Severus.
- Abaixe a varinha, por favor. – Pediu Harry se levantando.
- Saia de perto desse assassino, senhor Potter e deixe o Ministério tomar conta desse maldito como se deve.
O auror fez um leve aceno de cabeça e a multidão começou a se afastar quando diversos aurores se aproximaram com suas varinhas a postos. Harry engoliu em seco não acreditando do que estava vendo. No chão Snape tremia, mas se virava de bruços tentando se levantar.
- Vocês não vão chegar perto dele.
- Senhor Potter. – Chamou o auror Tommy o fazendo olhá-lo. – Entendo que depois de tudo o que passou o senhor esteja instável, mas vou pedir novamente para que se afaste desse homem, temos que prendê-lo e levá-lo.
- Ninguém tocará nele.
O senhor Tommy respirou fundo e abaixou sua varinha, porém foi o único, todos os outros aurores estavam com suas varinhas devidamente apontadas para Snape já em pé. Snape olhou para toda aquela multidão e não se importou com os aurores que estavam prestes a levá-lo para um julgamento injusto que o colocaria diante da morte novamente. Estava realmente cansado dessa história de morte, queria apenas viver durante muito tempo sem ter que se importar com ela.
- Desculpe senhor Potter, mas isto está além do senhor. Podem levá-lo.
Harry se virou bem a tempo de ver a varinha de Snape voando diretamente para a mão de um auror enquanto outro lhe lançava um feitiço que o derrubou e o amarrou com cordas finas, mas extremamente fortes.
- Não! – Gritou Harry correndo em sua direção.
Snape se debatia inutilmente tentando se livrar das cordas, seus dentes estavam cerrados pela força que fazia, mas ainda assim era possível ouvir as maldições que lançava para os homens que se aproximavam. Harry lançou feitiços para os aurores que caíram afastados e desorientados, mas logo foi segurado por dois homens fortes que o impediam de se mexer. Sentindo as mãos grossas apertarem seus braços com força chegando a machucar Harry assistiu aos aurores estuporarem Snape e o levantarem. O homem estava mole, mas ainda estava consciente e olhando diretamente para si como se pedisse desculpas por aquilo.
- Não entendo seu ataque. – Disse o auror Tommy se aproximando dois passos e olhando para Snape com os cabelos negros caídos em seu rosto suado. – Esse homem é um comensal da morte, um assassino não somente de Dumbledore, mas de inocentes, trouxas, mulheres, crianças. Não há nada nele, não vale nada. Ou melhor, até vale, o beijo do dementador. – As palavras de Tommy enchiam Harry de raiva inflando o monstro adormecido. – A única coisa que esse homem merece é a morte, uma morte solitária e cruel. – Harry fechou as mãos em punho e rosnou como nunca antes. O senhor Tommy o olhou incrédulo e riu. – Senhor Potter...
- NÃO!
Harry não soube ao certo como fez aquilo, mas a varinha lançou seus feitiços que ao invés de seguir em frente fizeram uma curva acertando os aurores que lhe seguravam. Em seguida correu na direção de Snape derrubando quem se colocasse a sua frente. Tommy Crals não podia estar mais impressionado. Em um instante Harry estava nas mãos de seus homens e agora estava ali, diante de si com a varinha apontada diretamente para seu pescoço.
- Não sou Harry Potter! – Gritou fazendo a escola inteira exclamar e os olhos de Tommy se arregalarem. – Sou Harry Tiago Snape, marido de Severus Prince Snape e também o salvador do mundo bruxo, aquele que derrotou Voldemort para que vocês pudessem respirar e dormir em paz junto com suas famílias. Como tal eu exijo que liberem meu marido nesse exato momento.
Snape não conseguia entender muita coisa que diziam, mas sabia muito bem o que Harry acabara de gritar para a escola inteira ouvir. Ele era seu esposo. Um sorriso torto nasceu em seu rosto.
- Não vou me repetir. Liberem-no agora.
Tommy não conseguia acreditar ainda nas palavras do menino, mas elas foram ditas com tanta convicção que conseguia sentir dentro de si que eram verdadeiras. Os olhos verdes estavam determinados a soltar aquele homem e sendo Harry quem era sabia que não poderia enrolar demais. Era apenas um adolescente, mas um adolescente que matara o bruxo das trevas mais poderoso.
- Soltem-no. – Disse o auror se afastando dois passos. – Ele estará livre apenas por hoje, amanhã faremos perguntas.
- Amanhã eu me preocupo com o amanhã, agora vão cuidar dos comensais que fugiram que do meu marido eu cuido.
Com um sorriso torto Tommy e os outros aurores se afastaram de Harry e Snape que se apoiava no corpo do menino. Quando todos estavam longe Harry ajeitou o homem em seu ombro e olhou para seu rosto. Snape estava branco feito papel e seus olhos começavam a se fechar.
- Severus, fique acordado. – Pediu vendo o homem se esforçar para manter os olhos abertos. – Droga, precisamos levá-lo para a ala hospitalar. Alguém me ajude.
Ninguém se mexeu, todos permaneceram parados em seus lugares, alguns até mesmo deram as costas. Ninguém queria ajudar o assassino. Sentiu raiva, como poderiam fazer isso?
- Por favor, alguém me ajude. – Pediu Harry novamente quase sucumbindo sob o peso de Snape.
- Eu te ajudo, Harry.
A voz de Hermione entrou doce em seu ouvido quando a menina se aproximou e segurou Snape pelo outro braço o apoiando em si. A menina estava machucada e visivelmente cansada, mas estava ali consigo.
- Vamos levá-lo para a enfermaria. – Disse Harry ajeitando o homem em seu ombro. – Não posso usar feitiços, não sei as extensões de seus ferimentos.
- Tá bom. – Respondeu Hermione entre os dentes. Snape era realmente pesado para ela.
- Espere Hermione. – O senhor Weasley saíra do meio da multidão e viera ao seu lado retirando o peso do homem de seus ombros e o colocando em seus próprios ombros livrando a menina daquela obrigação. – Eu o levarei. Sei que confiam nele. Mas até que tudo esteja devidamente explicado não sairei de perto.
- Senhor Weasley...
- Vamos logo para a ala hospitalar Harry, você pode reclamar depois.
Engolindo as palavras malcriadas que queria lhe dizer Harry seguiu em frente junto com o mais velho da família Weasley e levou Snape pelos corredores destruídos e escadas quebradas até chegarem a ala hospitalar que por incrível que parecesse, estava intacta, provavelmente devido algum feitiço protetor que Madame Pomfrey colocara para proteger os feridos que ali estavam.
- Onde o deixaremos? – Perguntou Harry olhando para os lados. – Todas as macas estão ocupadas.
- Coloquem-no no meu escritório. – Disse Madame Pomfrey aparecendo atrás de uma maca distante. – Há uma cama de armar lá para casos de super lotação e é mais reservado.
O senhor Weasley agradeceu, arrumou o corpo de Snape que agora estava completamente inconsciente e rumou para o fim da ala entrando no escritório da enfermeira. No canto ao lado da estante de livros medicinais estava a cama de armar que ela falara. Harry se esforçou para sustentar todo o peso de Snape enquanto o senhor Weasley arrumava a cama e então o colocaram devidamente deitado. Madame Pomfrey se adiantou e pediu que Harry o ajudasse a retirar a roupa de Snape para que pudesse examiná-lo. Rapidamente as roupas negras e ensangüentadas foram jogadas fora, Snape estava agora seminu, Hermione virou-se de costas e Rony, que nem mesmo percebera que estava ali, franziu a cara.
- E então Madame Pomfrey? – Perguntou Harry aflito.
- Calma senhor Potter...
- Snape, é senhor Snape. – Disse o menino fazendo a medibruxa olhá-lo surpresa.
- Ok, senhor Snape. Preciso fazer todos os exames para ter certeza de como ele está. Precisará aguardar um pouco e em silêncio, preciso me concentrar.
- Tá bom. – Disse Harry assentindo com a cabeça e aproximando-se de Hermione, mas sem tirar os olhos do homem deitado na maca.
Alguns minutos se passaram enquanto Madame Pomfrey fazia seus devidos testes e exames passando a varinha por toda a extensão do corpo de Snape. Harry estava mais do que aflito com a falta de informações, queria agora mesmo saber o que estava acontecendo. Seu nervosismo era claramente visível por isso Hermione abraçou seu braço aconchegando-se em seu corpo e apoiando a cabeça em seu ombro.
- Calma Harry, vai dar tudo certo, você vai ver.
Harry queria dizer que só estaria tudo certo quando Snape estivesse acordado e completamente curado, mas ficou quieto, temia que se falasse alguma coisa acabasse vomitando. O senhor Weasley continuou em pé ao lado da maca com a varinha em mãos. Sabia que era necessário, que somente ele e Hermione sabiam da completa verdade e por isso não desconfiavam do homem, mas os outros o encaravam como um assassino, ainda assim sentia raiva por isso. Finalmente a medibruxa guardou a varinha no bolso e chamou Harry para mais perto. Imediatamente o menino se adiantou e sentou na cabeceira da cama acariciando os cabelos negros que caiam na testa de Snape.
- Bom, senhor Snape, Severus não tem ferimentos visíveis que possam lhe causar danos. Esses ferimentos no pescoço, braço e tronco são claramente de picadas de cobra e foram recentes, mas estão devidamente curados e cicatrizados. Testei o sangue para ver se encontrava algum veneno, por sorte havia apenas uma pequena dose não letal que poderei extrair com algumas poções que tenho. Porém Severus está completamente esgotado. Seu nível de magia e sua força vital estão quase em zero por cento, eu diria que uns três ou cinco por cento. Seja lá o que ele fez teve que usar muita força e magia.
- E o que isso significa? Ele vai ficar bom?
- Sim, ele ficará bom, mas vai demorar alguns dias, talvez semanas, isso dependerá do próprio Severus. Terei que mantê-lo completamente sedado para que seu corpo se recupere completamente antes de acordar, pois o conhecendo como conheço ele jamais ficará quieto na maca.
- Então é somente repouso, certo? – Perguntou Hermione ao lado do senhor Weasley.
- Repouso e poções restauradoras para ajudar a acelerar o processo. Será difícil, mas não impossível. Ele irá se recuperar.
- Graças a Deus. – Sussurrou Harry olhando para Snape completamente inconsciente.
- Harry. – Chamou o senhor Weasley. – Peço que me desculpe Harry e que me entenda. Sei que ele é seu marido e que você confia nele. – O menino assentiu franzindo a testa. – Mas terei que confiscar a varinha dele junto com os aurores no grande salão e deixá-lo amarrado a maca.
- Amarrado? Por que se ele está inconsciente?
- Acredite Harry, será necessário e tenho fé que você sabe que se um auror entrar aqui para fazer isso será muito pior. Estou tentando amenizar as coisas para todos Harry.
Harry olhou para o senhor Weasley e depois para Severus. Sabia que o homem estava falando a verdade, que aquilo era realmente preciso, mas não conseguia acreditar que teria que vê-lo preso e subjugado quando ele era o devido herói. Era realmente inacreditável, mas necessário.
- Está bem.
O senhor Weasley fez um meneio com a varinha e amarras se prenderam aos pulsos e tornozelos de Severus. Harry não gostou delas, mas tinha certeza que poderia ser pior.
- Senhor Pot... Snape – Consertou-se Madame Pomfrey se aproximando novamente. – Vou precisar lavá-lo e por mais que eu saiba que ele é seu marido, preciso que saia, pois tenho que fazer meu trabalho e o senhor precisa de um banho também.
- E precisa falar com o Ministério. – Completou o senhor Weasley.
- Não. – Sussurrou Harry. – Com o Ministério não, hoje pelo menos não. Deixe para amanhã. Falarei com quem quiserem, mas amanhã. Hoje vou apenas tomar um banho e ficar com Severus.
O senhor Weasley assentiu e disse que iria avisar o Ministério. Hermione e Rony disseram que se quisesse poderiam ficar com ele, mas Harry dispensou a ajuda e agradeceu antes que eles fossem embora de volta para o salão. Madame Pomfrey pediu que Harry usasse o banheiro no final da ala hospitalar que seria dos enfermeiros caso tivesse um na escola além dela. Harry assentiu e se adiantou para o banheiro percebendo claramente que ele não era usado a muito tempo.
- Monstro. – Chamou ouvindo o claro barulho da chegada do elfo.
- Chamou mestre Harry Potter?
- Agora é Snape, é mestre Snape.
- Me desculpe senhor, Monstro pode ajudá-lo, mestre Snape?
- Sim, Monstro. Preciso tomar um bom banho, tem como limpar rapidamente ele banheiro e preparar um banho para mim?
- Claro meu senhor.
Harry sentou em uma cadeira pensando que o elfo traria panos e escovões para limpar o banheiro, porém Monstro apenas estralou o dedo e o banheiro estava igual um banheiro novo. Não havia pós ou sujeira no piso, a banheira brilhava em seu bronze areado, as janelas permitiam agora que a luz fraca da manhã entrasse. Monstro já se adiantava para a banheira e a enchia de água e sais de banho.
- Vamos meu senhor Snape, eu ajudo o senhor.
Com a ajuda de Monstro, Harry retirou a roupa e a deixou de lá entrando na banheira e sentindo a água quente relaxar seus músculos tensos. Era bom sentir algo tão aliviante após um dia cansativo como aquele. Ergueu a mão para ensaboar o corpo, mas estava cansado e esgotado, deixou a mão cair dentro da água novamente e apoiou a cabeça na beirada da banheira sentindo os olhos começarem a se fechar.
- Pode descansar, mestre Snape, Monstro tomará conta do senhor. Monstro dá banho em mestre.
A idéia pareceria repulsiva a principio, mas o cansaço nem mesmo lhe permitiu pensar, apenas fechou os olhos e se deixou ficar nas mãos de Monstro. Ele cuidaria bem de si, sabia disso. Realmente não se arrependeu de ter dormido alguns minutos na banheira, quando acordou estava devidamente limpo e já vestido em uma cama de armar no canto. Era bom sentir o corpo livre do sangue e lama em que se enfiara no meio da guerra. Suspirando levantou e encontrou Monstro jogando suas antigas roupas fora.
- O que está fazendo? – Perguntou levantando e alongando os braços em meio a um bocejo.
- As roupas estão impregnadas de sujeira ruim, mestre Snape. Monstro trouxe roupas novas de seu malão no Largo Grimauld, senhor. Essas daqui vão para o lixo.
- Mas, são minhas roupas.
- Estão ruins, sangue de gente ruim. Não é bom para mestre Snape.
Harry deu de ombros, estava cansado demais para brigar com seu elfo, a invés disso agradeceu a ajuda dele e saiu do banheiro voltando para o escritório da enfermeira sem olhar para as macas ocupadas na ala. Não queria saber que estava ferido ou quem estava prestes a morrer, muito menos quem morrera. Queria apenas se deitar ao lado do homem na maca. Snape estava atrás de um biombo. Harry se aproximou e viu que ele estava devidamente lavado e vestido com um pijama da enfermaria. Permitiu que um sorriso aparecesse em seu rosto enquanto se deitava ao lado dele, Severus odiaria saber que Madame Pomfrey lhe vestiu daquela forma.
- Amanhã será difícil, Severus. Mas vamos passar por isso juntos, estamos juntos agora e nada poderá nos separar.
As palavras eram verdadeiras, nada mais poderia separar os dois, eram amantes destinados um ao outro e Harry faria o possível para não ter que se afastar do homem. Suspirando aconchegou-se melhor passando o braço pela cintura do homem e deitando a cabeça em seu peito onde podia ouvir o coração batendo fraco. Aquela batida era como uma canção de ninar, logo Harry estava entregue ao sono novamente, um sono limpo e sem pesadelos.
Se Harry pensava que o amanhã seria difícil, estava completamente enganado. Não fora difícil, fora mais do que difícil. Segundo Madame Pomfrey, dormira o dia todo, o que era mais do que necessário para que pudesse descansar de tudo que passara, porém mal amanhecera e os aurores já batiam em seu escritório exigindo que Harry fosse ter com eles. A princípio o menino se negou a falar com o Ministério naquele momento, mas o senhor Weasley lhe garantiu que seria muito melhor já resolver toda a história.
O problema era que ninguém acreditava em suas palavras, nem mesmo nas lembranças que Harry mostrou a eles junto de Hermione. Segundo eles as palavras de um menino ludibriado pela paixão, mesmo que fosse o salvador do mundo bruxo, não valia de nada, e as lembranças de Hermione poderiam ser facilmente modificadas por um bruxo qualificado. Por isso Harry passara dias entre o Ministério e Hogwarts. As lembranças teriam que ser analisadas por peritos até que se confirmasse não ser apenas um truque. Harry ficara nervoso na ocasião, mas Hermione conseguira conter sua raiva dizendo que aquilo era padrão e que eles logo logo liberariam Snape de qualquer suspeita.
A aflição de Harry havia amenizado com as palavras reconfortantes de Hermione, mas só fizeram piorar quando uma semana depois soubera por meio de um patrono de McGonagall que Severus havia acordado. Harry queria ir imediatamente para a escola, porém o patrono o avisara que agora seria impossível conversar com Snape. O Ministério não deixaria que se aproximasse dele.
- Mas como assim julgamento? – Perguntou quando voltara para a escola e procurara McGonagall para pedir informações do que estava ocorrendo.
- Sim, julgamento, Harry. Severus era um Comensal da Morte, braço direito de Voldemort. Acha mesmo que eles deixarão que fique a solta?
- Mas eles tem outros comensais para caçar.
- Nenhum tão valioso quanto Snape. Lucius Malfoy se entregara no Ministério e dera o depoimento informando os devidos nomes de comensais em troca de redução em sua pena em Azkaban, Belatriz morrera e os outros comensais mais próximos estão mortos ou presos. Porém nenhum deles era tão próximo de Voldemort quanto Severus. Não consegue enxergar, Harry? Snape é um achado para o Ministério. Eles vão procurar, questionar, até extrair todas as informações. Somente após isso é que vão pensar se ele merece a liberdade ou a prisão.
Apesar de saber que aquilo era a completa verdade Harry não queria acreditar nela. Mas as palavras de McGonagall se provaram mais do que verdadeiras. Os dias passaram e Harry não podia ver Snape que estava agora preso em uma sala na masmorra de onde não poderia sair devido sua condição que ainda não estava boa. Segundo Madame Pomfrey a pressão do Ministério e o fato de ficar enclausurado sem sua varinha afetara o modo de cura que estava demorando mais do que o previsto.
- Então não há nada que fazer? – Questionou a senhora Weasley quando fora até a Toca visitá-los.
- Infelizmente não, senhora Weasley. – Ele terá que ficar lá preso até que tudo se resolva, até que esse julgamento estúpido termine.
Um julgamento que demorou dias, Harry teve que comparecer ao Ministério todos os dias e assistir a homens e mulheres, alguns conhecidos, outros que nunca vira na vida. Havia bruxos comuns, aurores, membros da Ordem da Fênix, estudantes, comensais e até mesmo trouxas que foram até ali para depor contra ou a favor de Severus. Ele mesmo teve um dia todo para esclarecer as dúvidas dos aurores e dos juízes sobre seu casamento com o Comensal da Morte Severus Snape. Harry já estava cansado daquilo. Queria poder descansar, queria poder se ver livre de tudo aquilo, queria estar com Severus, abraçá-lo, beijá-lo. Sentia falta dele, não o via desde que a guerra terminara e devido a demora nos julgamentos já estavam no inicio de Junho, um mês após o final da guerra em dois de maio.
- Bom, senhor Snape. – Chamou Madame Hopkirk, diretora sênior do Ministério e juíza dos julgamentos de Snape. – Após avaliarmos todas as informações devidamente e ouvir as testemunhas, o Ministério informa que o senhor Severus Prince Snape fora devidamente inocentado de todas as acusações.
Harry quase pulara de sua cadeira na sala de julgamento, Hermione o abraçara e Rony dera palmadinhas em seu ombro. Severus estava finalmente inocentado, após tanto tempo o homem estava livre.
- Porém, devo avisá-lo, senhor Snape, que seu esposo estará de agora em diante em vigilância constante do Ministério da Magia até que se prove digno de total liberdade. Qualquer sinal de que ele tenha envolvimento com os comensais fugitivos ou faça alguma coisa suspeita o Ministério terá todo o direto de retirar a liberdade dele. Compreendeu?
- Sim senhora.
- Ótimo, estão dispensados, mas informo que só poderá vê-lo amanhã, senhor Snape, pois temos que ter uma última conversa com o senhor Severus Snape.
Apesar de não ser o que queria, Harry estava satisfeito, apenas mais um dia e poderia ver Snape. Só mais um dia.
- Então, o que fará agora, Harry? – Perguntou Rony enquanto caminhavam para fora do Ministério. – Quer dizer, você está livre do Ministério e só poderá ver Snape amanhã. Que tal comemorarmos? Podemos ir até o Beco Diagonal beber cerveja amanteigada, fiquei sabendo que Luna e Neville estarão lá hoje.
- Eu bem que queria, Rony. – Disse Harry sentindo o sol bater em seu rosto esquentando-o e afastando os males gelados que aquele tempo sombrio lhe trouxera. – Mas tenho que ir a um lugar. Tenho que buscar alguém.
Harry desaparatou em uma viela distante, ao seu lado Rony e Hermione soltavam sua mão. Hermione estava ansiosa e Rony parecia já convencido de que aquilo era bem melhor do que ir tomar cerveja com os amigos. Rapidamente Harry se adiantou pela rua vendo como aquele lugar era bonito. Escolhera muito bem a localidade. Era um bairro no norte da Inglaterra, era calmo e bonito. Havia um parque perto onde crianças brincavam sem precisar se preocupar com nada mais do que a própria diversão. Ele mesmo iria gostar de morar em um lugar como aquele onde as casas eram grandes e confortáveis. Mas sabia que Severus não gostaria, apesar de ser o ideal, aquele local não era em nada parecido com ele.
- Onde é Harry? – Perguntou Hermione olhando para as casas na rua.
- Número duzentos e quatro.
Não era longe, demorou apenas alguns passos para que chegasse diante das casas duzentos e três e duzentos e cinco. Parecia não haver a duzentos e quatro, porém como fiel do segredo sabia que logo ela apareceria diante de seus olhos e dos olhos dos amigos a quem confiou esse segredo. Não errou, a casa branca logo se fez aparecer diante de seus olhos ocupando o espaço entre as outras duas casas que antes não estavam ali. Harry sorriu, ela estava perto, muito perto.
Devagar se adiantou até a porta da frente e estendeu a mão para a campainha. Estava ansioso, com medo e nervoso. Queria vê-la, pegá-la no colo e sentir que ela era real. Depois de tanto tempo longe aquela aproximação parecia apenas um sonho. Respirando fundo tocou a campainha e esperou. Ouviu movimentos na casa como uma correria e então a porta se abriu. Porém não era nenhuma das pessoas que esperava. Quem estava ali dentro era um auror, provavelmente o auror que deixara incumbido de proteger a família, nem mesmo se lembrava dele. O homem ergueu a varinha para Harry e lhe fez algumas perguntas que havia deixado com ele para poder identificá-lo caso aparecesse. Nada que fosse fácil de responder ou adivinhar, eram coisas banais do dia a dia que ninguém pensaria ou se lembraria facilmente, como por exemplo, dizer exatamente o que acontecera quando tentara fazer sua primeira poção na escola. Era até mesmo engraçado dizer que errara a quantidade de vezes que tinha que mexer a poção e por isso ela ficou azul e não vermelha, mas Hermione achou genial esse modo de pensar do amigo.
- Tudo bem, podem entrar. – Disse o auror baixando a varinha. – Está tudo bem, podem sair. – Gritou em direção a um corredor que levaria provavelmente para os quartos.
O primeiro a aparecer fora Tio Válter. Estava tão gordo como sempre fora e com o mesmo bigode cheio que enfeitava a cara de leão marinho. Atrás vinha Tia Petúnia que também não mudara nada, estava alta, ossuda e com a mesma cara de cavalo.
- Então era você. – Disse Tio Válter olhando-o com os mesmos olhinhos miúdos que o encararam durante muitos anos. – Isso quer dizer que acabou não é?
- A guerra? – Perguntou Harry, Tio Valter assentiu. – Sim, acabou no começo do mês passado.
- Tudo isso? Vocês nos deixaram aqui trancados nessa casa, sem poder sair e com um brutamonte mal educado como guarda costas durante um mês?
- Foi necessário.
- Necessário? Necessário era vir imediatamente aqui deixar que saíssemos. Não podemos nos distanciar mais do que alguns metros da casa. Que eu saiba não fomos nós que iniciamos essa maldita guerra, mas fomos nós que ficamos enclausurados.
- Chega! – Gritou Harry se levantando. – Não vou ficar discutindo com o senhor. Vim aqui apenas para informar o fim da guerra e buscá-la. – Tia Petúnia fez um movimento involuntário em sua direção, mas que Harry não conseguiu perceber. – Depois que eu me for levando-a vocês podem fazer o que quiser, mudar para onde quiserem. Eu só quero minha filha de volta.
- Ora seu moleque, quem pensa que é para me tratar assim.
- Onde está minha filha.
- Calma Harry. – Pediu Hermione se levantando e postando a mão no ombro do menino. – Vamos todos nos acalmar está bem. Senhora Dursley, por favor. Onde está a criança?
Petúnia olhou para o sobrinho e depois para seu marido. Havia hesitação e medo nos olhos dela, mas no fim ela apenas apontou para o corredor e indicou a terceira porta do lado esquerdo. Harry rapidamente se adiantou para o corredor com Hermione e Rony logo atrás. Quando chegou na porta a abriu com pressa e olhou para o quarto não acreditando no que estava vendo. A varinha em suas mãos tremeu, mas foi de completa surpresa por não precisar usá-la. Veio preparado para o que eles poderiam ter feito com ela devido o que fizeram consigo. Será que ela dormia no chão em um cesto? Será que estava magra que os ossos pareceriam por baixo da pele? Estava preparado para ver tudo isso, mas jamais pensou que encontraria um quarto todo enfeitado de rosa com ursinhos ao redor e no meio um berço com grades para evitar que se caísse. Era um quarto lindo que Harry jamais sonhara em ter.
- Harry! – Exclamou a voz conhecida de seu primo.
Harry nem mesmo teve tempo de pensar antes do menino se atirar para cima de seu corpo em um abraço de urso muito parecido com o de Hagrid. Deus, Duda estava abraçando-o. Com receio e dificuldade dera tapinhas nas costas do primo e o sentiu se afastar devagar. Duda estava mudado, seu corpo estava visivelmente mais magro, ele crescera alguns centímetros durante aquele tempo e suas feições estavam mais bonitas como se sorrir fizesse bem para ele.
- Isso quer dizer que acabou, certo? Não há mais guerra.
- Não Duda, a guerra acabou. – Disse Harry olhando ao redor. – Duda, onde ela está?
- Ah, você veio levá-la. – Disse o menino perdendo o sorriso na voz, parecia claramente chateado. – Ela está no quintal dos fundos. Eu vim buscar uma bolsa de emergência para caso fosse necessário fugir com ela.
Só agora Harry percebera que no chão havia uma mochila grande com diversas roupas de menino e algumas de crianças além dos documentos falsos que fizera para eles e dinheiro. Duda explicou que por não ter notícias suas ele se preparara para caso alguém quisesse achá-los e tivesse que fugir depressa. Harry percebera que aquele menino a sua frente com uma mochila aos pés pronta para a fuga que salvaria sua filha de qualquer atentado jamais poderia ser o Duda que lhe batia na infância. Com um sorriso leve agradeceu o menino e se deixou ser guiado até o fundo da casa. Duda apontou a porta e lhe disse que ela estava lá fora no quintal, provavelmente mexendo no jardim onde gostava de pegar a terra com as mãos.
Harry engoliu em seco e abriu a porta saindo para um sol fraco que banhava sua pele enquanto caminhava lentamente para o centro do quintal. Hermione pegara sua mão e apertara com visível ansiosidade. Ele mesmo sentia o coração dar cambalhotas em seu peito.
- Ah, Harry, não é ela ali?
Hermione apontou para o jardim onde se podia ver perninhas gorduchas de uma criança que se enfiara entre as flores. Harry se adiantou devagar e ajoelhou diante dela. Estendeu a mão já sentindo o aperto no peito. Tocou suas perninhas macias e devagar a puxou para si pegando-a com as duas mãos e a erguendo diante de seus olhos. A menina era branquinha com bochechas vermelhinhas, seus cabelos eram negros como carvão, seus olhos estavam arregalados enquanto tentava identificar a pessoa que lhe segurava, eram de um tom raro de verde escuro. Lindo igualmente o sorriso que ela abriu ao perceber quem era a pessoa que lhe tinha nas mãos. Lys estava com as mãos sujas de terra e o rosto com visíveis manchas de quem acabara de meter uma quantidade de terra na boca para comer. Harry riu quando ela se balançou gritando e rindo para si.
- Lys. – Disse Harry sentindo os olhos marejarem enquanto ainda olhava para a menina que agora estava com quase um aninho. – Meu Deus, como você é linda. – Sussurrou trazendo-a mais para perto e deixando-a bater suas mãozinhas gorduchas em seu rosto sujando-o com a terra marrom do jardim enquanto balbuciava sons estranhos de bebês. – Minha filha.
Harry a abraçou com cuidado sentindo o cheirinho doce de sua pele misturado com o natural da terra. Lys continuou batendo suas mãos em seu corpo e balbuciando sons enquanto ria alto. Hermione se ajoelhou do lado de Harry e tocou a mão da menina que prendeu seu dedo e levou diretamente para sua boca querendo conhecer Hermione da forma que somente bebês sabem, enfiando tudo na boca.
- Ela é engraçada. – Disse Rony fazendo a menina rir mais alto quando o viu.
Lys bateu as mãos e se mexeu nos braços de Harry querendo se soltar. Harry a colocou no chão e a menina engatinhou diretamente para Rony sentando diante dele e erguendo os bracinhos em sua direção.
- Tá vendo, ela reconhece o padrinho.
Harry não conseguia se aguentar de alegria, as lágrimas rolavam pelo seu rosto enquanto via os amigos, padrinhos dela, se divertirem com suas caretas e risos, comentarem de sua sobrancelha que se erguia quando estava intrigada exatamente como Severus fazia. Harry percebia já de imediato o quanto a menina parecia com Snape, apesar do nariz ser pequeno a menina tinha os mesmos traços finos no rosto e um olhar igual quando Severus tem quando se liberta das amarras invisíveis que lhe prendem ao ser controlado que é.
O tempo passou rápido e logo já era tarde. Teriam que voltar. Harry entrou com a menina no colo e a levou para a sala onde ela gritou e estendeu a mão em direção a Duda que se adiantou receoso querendo pegá-la um instante.
- Ela precisa de um banho. – Disse o menino timidamente. – Provavelmente será o último, por favor Harry, deixa eu banhá-la e me despedir dela.
Não havia como dizer não para Duda, não quando ele estava tão na defensiva como naquele momento e não quando Lys amava Duda a ponto de quase chorar por não deixarem ir para o colo do primo. Harry entregou a menina para o primo que a levou para o banheiro preparando seu banho e cantando musicas infantis.
- Ela mudou completamente nosso filho. – Disse Petúnia se aproximando. – A vida de Duda é essa menina agora. Não sei o que será dele quando ela se for.
- Ela é minha filha.
- Eu sei e ele também sabe. Só não estou preparada para vê-lo sofrer. Ela é especial, não sei o que ela tem, mas é diferente, é assustadoramente encantadora. Você tem sorte, Harry, de ser pai de uma criatura como ela.
Não houve mais palavras trocadas entre eles. Harry apenas esperou Duda voltar com a menina no colo. Lys estava banhada, trocada e agora dormia nos braços do menino.
- Eu dei a mamadeira dela, ela estava com fome e acredito que leite seja melhor do que terra, apesar dela viver comendo.
Harry se adiantou e estendeu os braços para pegá-la, Duda hesitou e olhou nos fundos dos olhos de Harry antes de finalmente a estender e ajudar o menino a aconchegá-la para que continuasse a dormir. Hermione e Rony se adiantaram olhando como a menina ressonava calmamente com a mão na orelha em uma clara mania de nascença.
- Obrigado por cuidar dela Duda.
- Não tem de quê. – Respondeu o menino com os olhos molhados.
- Vocês poderão visitá-las quando quiserem, mandarei uma coruja com o endereço onde irei morar. Não vou afastá-la de você Duda.
- Não? – Perguntou o menino visivelmente surpreso.
- Não, ela gosta de você e seria um insulto visto que cuidou dela durante todo esse tempo.
- Obrigado.
- De nada.
Harry mais uma vez agradeceu a todos eles e saiu porta afora com Rony e Hermione. O sol da tarde estava fraco. Logo seria noite. Não podia aparatar, nem viajar de rede de flú tendo Lys tão pequenininha. Então voltaram de Noitibus Andante. Hermione reclamou dizendo que a menina enjoaria e acabaria vomitando, mas para sua surpresa Lys não acordou um único minuto, apenas se mexeu quando Harry a entregou para Hermione segurar um pouco para seus braços descansarem. Após o que pareceu muito tempo eles se viram diante dos portões de Hogwarts.
- Pronto Lys, você está em casa. Amanhã poderá conhecer seu pai. Finalmente conhecer seu pai.
A noite fora difícil, primeiro por que estava ansioso demais para conseguir dormir, segundo por que o tempo não passava e terceiro porque todo mundo queria ver a menina. Mas Harry não deixara que ninguém chegasse perto dela, achou que seria um insulto que todos conhecessem a criança antes de seu próprio pai. Sendo assim vigiou o sono calmo de Lys até que os primeiros raios de sol apareceram e ela abriu os olhinhos. A senhora Weasley o ajudou novamente com as coisas mais básicas que um bebe precisa. Trocar frauda, tomar banho, se alimentar. Tudo isso fora feito antes de caminhar até a masmorra. McGonagall estava diante da porta onde Severus se encontrava e encarava os guardas com seus olhos ferinos.
- O que aconteceu? – Perguntou preocupado.
- Nada demais. Estão fazendo as últimas perguntas, pois ontem Severus não quis colaborar muito. Mas já estão terminando. Agora deixe-me ver essa menina em seus braços. Vamos, me dê ela aqui. – Pediu a professora com seu jeito gentil de sempre. – Oh, meu Mérlin, como você é linda.
Lys estivera quietinha o tempo todo, apenas mordendo o dedo da mão e babando o rosto todo que Hermione fazia questão de secar a cada minuto, mas se reservou a dar um sorriso para a senhora que a segurava, apenas um sorriso, pois suas mãos não foram apontadas para seu rosto enrugado como sempre fazia, muito pelo contrário, Lys se encantara com o chapéu de Minerva e estendia as mãos abrindo e fechando os dedinhos querendo o chapéu. Enquanto a menina se divertia com a professora os aurores saíram da sala sem dizer uma única palavra e foram embora junto com os guardas.
- Fiquem com ela.
Harry se adiantou e abriu a porta da sala trancando-a logo em seguida. Seu coração batia forte vendo o homem sentado na cama de costas para si. Snape não usava mais o pijama da enfermaria, pois estava completamente curado, agora usada apenas calça preta e camisa branca. Sua cabeça estava baixa enquanto respirava cansado. Harry se adiantou e ajoelhou-se na cama atrás de si abraçando seus ombros e enterrando seu nariz na clavícula do homem sentindo seu perfume.
- Eu rezei tanto para chegar esse dia. – Disse Harry beijando a pele do pescoço. – Ah, Severus. Estamos finalmente juntos.
- Sim. – Disse o homem se virando devagar e encarando Harry no olho. – Estamos juntos Harry. Juntos.
As bocas logo se grudaram enquanto seus corpos se mexiam e Snape deitava na cama sob Harry que lhe beijava ferozmente querendo sentir seu gosto como se nunca tivesse provado daquele suco. Snape segurara seu rosto com as duas mãos e o afastara apenas para admirá-lo ofegante e com as bochechas vermelhas. Delicadamente beijou os lábios, depois o queixo, as bochechas, as pálpebras até parar na testa e o puxar para um abraço forte onde não havia espaço para palavras. Os dois permaneceram assim durante um tempo, apenas se sentindo, apenas estando ali juntos até que a porta foi aberta e McGonagall entrara no recinto, sem chapéu. Harry riu baixinho vendo a bruxa arrumar os cabelos bagunçados, mas sem uma expressão fria no rosto, muito pelo contrário.
- Senhor Snape.
- Sim.
A resposta veio tanto de Harry quanto de Snape que franziu a testa para o menino vendo-o sorrir para si antes de lhe explicar.
- Sou Harry Snape agora. A guerra acabou Severus e todos sabem de nosso casamento.
- Mas, Harry, é perigoso, não deveria ter feito isso.
- Sim, eu deveria ter feito sim. Não me importo com os riscos. Eu estou em risco desde que nasci. Passei por coisas demais, sofri demais. Então se eu tiver que correr riscos e me proteger a cada instante, então que eu faça isso, mas não vou mais me separar de você ou me esconder. Sou seu esposo e te amo demais.
McGonagall teve que pigarrear após alguns segundos, pois Snape puxara Harry para um beijo tão quente e apaixonante que chegava a ser indecente.
- Senhor Snape. – Chamou fazendo os dois finalmente se soltarem. – Tem uma pessoa lá fora que está impaciente e eu quero meu chapéu de volta.
Snape franziu a testa não entendendo nada, mas Harry apoiou a cabeça em seu peito e riu alto.
- Espere aqui, tem uma pessoa que você precisa conhecer.
Harry se levantou e se adiantou para as porta abrindo-as e deixando que todos entrassem. Snape estava visivelmente intrigado, se levantou da cama e viu Granger, Weasley, Promfrey e McGonagall se aproximarem tapando Harry mais atrás.
- Harry? – Perguntou Snape franzindo a testa.
Devagar as pessoas se afastaram e Harry caminhou em direção a Snape segurando Lys em seus braços. A menina estava com as mãos segurando o chapéu de Minerva e mordendo a ponta deixando-a toda babada. Ela parecia não ter reparado em mais nada além do chapéu que mordia, mas assim que Harry retirou o chapéu das mãos dela a menina se virou e encarou o homem atônico a sua frente. Qualquer criança teria medo dele, era alto, com nariz adunco e cabelos negros que lhe emolduravam as feições duras e frias. Ele era temível por qualquer aluno daquela escola, mas ao invés de se encolher perante os olhos negros e arregalados de Snape, Lys soltou um de seus gritinhos, bateu palmas e ergueu as mãos em sua direção exigindo um contato maior.
- Essa, é Lys Prince Snape. – Disse Harry sorrindo e a estendendo para si. – Nossa filha.
Não havia palavras ou ações que conseguisse executar. Sua mente tão brilhante simplesmente não tinha o que pensar. Ele apenas a olhava, a via sorrir e balbuciar fazendo a babar escorrer pelo queixinho. Então ela era sua filha. O ser que cresceu devagar no ventre de Harry, que ouviu se mexer e sentiu chutar sua mão era agora uma menininha grande que o encarava com olhos mais lindos que qualquer anjo de Deus poderia ter. Um sentimento apertou seu peito no momento em que ela mais uma vez estendera a mão para si querendo um contato. Poderia tocá-la, poderia sentir sua pele, o calor de seu sangue dentro das veias? Poderia fazer isso?
Não sabia se podia ou não, mas fez. Ergueu a mão e tocou de leve a dela que imediatamente se fechou em seu dedo e o puxou para a boca mordendo-o e babando-o. Não importava, ele a tocara, era quente e macia. Pura. Sua garganta se fechou e doeu. O que era aquilo que sentia? Que apertava seu corpo como se fosse explodir? Seus olhos ardiam, pois não piscara um único momento. Temia que se piscasse a perderia de vista e não podia perdê-la, não agora que a tinha em suas mãos. Sua filha. Com cuida e sem jeito algum para isso a pegou em seus braços sendo ajudado por Harry que a seu pedido permanecia com a mão nas costas dela. Tinha medo de deixá-la cair. Ela era grande, mas ainda assim pequena, apenas um bebê, era mole e se mexia demais. Jamais segurara um bebê, jamais tivera a glória de ter algo tão inocente e puro em suas mãos. Tinha medo e receio, só o pensamento de deixá-la cair e machucá-la já lhe dava vontade de devolvê-la aos braços seguros de Harry. Mas a vontade de conhecê-la era tão grande que permaneceu ali em pé com ela em seu colo sem se importar com a platéia que assistia aquela visão incrível e única.
Lys agora estava parada apenas olhando para ele, encarando-o como nunca tiveram coragem. Olhava no fundo de seus olhos negros e se via refletida neles, via somente a si e era bela, pois a visão de Snape para sua filha era a mais pura e bela. Ela era dele, um pedacinho dele, o pedaço mais inocente que poderia ter, estava ali nos seus braços. Ela balbuciou alguma coisa e tocou seu rosto com as mãos babadas antes de rir alto o fazendo segui-la com um sorriso que jamais sentiu nascer em seus lábios.
- Oi. – Disse baixinho piscando pela primeira vez e deixando escorrer por seu rosto a lágrima límpida que transmitia seu amor. – Minha filha.
As mãozinhas de Lys bateram novamente nas bochechas de Snape antes de puxar seus cabelos e os meter na boca. Snape não se importou um único instante, apenas a trouxe para mais perto abraçando-a com cuidado.
- Minha filha.
O sussurro era quebrado pela voz embargada. Harry se adiantou abraçando sua família fortemente. Lys estava alheia ao que acontecia, continuava mordendo o cabelo de Snape vendo por cima do ombro do homem as pessoas saindo da sala em silêncio e fechando a porta.
Snape se afastou um instante e beijou Harry com doçura sentindo suas próprias lágrimas misturarem com as do menino.
- Vamos ficar juntos, Harry, eu prometo.
- Para sempre. Para sempre.
O beijo seguinte selou aquela promessa junto com o riso alto da menina que se divertia com o cabelo de Snape enquanto os pais se entregavam ao amor livre.
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