A Lenda

21 E quando te acho te perco


Olá pessoal, quero muito mesmo agradecer os reviews que recebi, foram muito importantes para mim....bjusss

Capítulo 21 – E quando te acho te perco.

Quando abriu os olhos devagar sentindo-se ainda sonolento e cansado, Harry bufou ao perceber onde estava. Mais uma vez estava deitado na maca da ala hospitalar onde já estivera diversas vezes sempre se recuperando de algo. Sorriu de leve lembrando-se de cada momento em que estivera ali, suas aventuras com os amigos. Suspirou olhando para o lado e vendo o vaso de flores que provavelmente Hermione colocara ali. Mas por quê? Qual fora o motivo que o levara a estar mais uma vez naquela cama desconfortável? Franziu a testa tentando lembrar e demorou alguns minutos para se recordar do quadribol. O jogo! Será que ganharam ou perderam? Não saberia até que saísse daquele quarto. E deveria sair logo, sinceramente estava se sentindo muito bem.

Mas Madame Pomfrey não o deixaria ir assim, primeiro faria uma bateria de exames para saber se estava tudo certo mesmo ou se estava apenas mentindo para ela. Caiu com a cabeça novamente no travesseiro lembrando-se do exato momento em que o balaço errante batera justamente em suas costelas, colocando a vida de sua filha em risco. Por sorte ela não sofrera danos e estava tudo bem, graças a... Severus. Severus que o olhou assustado e temeroso ao perceber o que aconteceria enquanto voava em direção ao pomo. Severus que o carregou com pressa e desespero até a ala hospitalar, que ficou ao seu lado dando lhe apoio e prometendo que tudo ficaria bem, que o chamou de marido mais uma vez e que nesse momento estava dormindo pesadamente com a cabeça apoiada no começo de sua barriga e a mão espalmada por cima dela.

Os olhos de Harry se encheram de lágrimas ao esticar a mão e a colocar em cima da dele entrelaçando seus dedos devagar com medo de acordar o homem, mas Snape parecia estar muito cansado e provavelmente não acordaria assim tão facilmente. Por isso aproveitou a chance de observá-lo em um momento em que não podia usufruir de seu auto-controle. Um sorriso bobo esticou-se pelo rosto de Harry vendo a boca de Snape levemente aberta deixando cair em sua pele um filete de baba, sua respiração estava calma e lenta, seus olhos faziam leves movimentos evidenciando o sonho que estava tendo. Provavelmente Snape jogara um feitiço em si mesmo para diminuir o peso de seu corpo, pois mal conseguia senti-lo ali. Levou a outra mão até o cabelo negro e o acariciou devagar sentindo a textura, era gostoso, poderia ficar assim durante muito tempo, só deitado com Snape abraçado ao seu corpo e sua mão nos cabelos dele. Seria perfeito.

Não. Será perfeito.

Seu futuro era incerto, sabia disso, mas sabia também que estaria tudo bem, pois estaria com Snape e sua filha. Dentro de alguns meses a menina nasceria trazendo a esperança para todos e Snape sempre a protegeria, estaria sempre ao seu lado, acompanhando cada passo dela, ouviria sua primeira palavra e diria com seu jeito convencido e arrogante de que aquilo fora para ele. Se encheria de orgulho ao vê-la dar seus primeiros passos e sorriria quando ela pedisse seu colo. Claro que a parte da educação, as broncas e disciplina seriam cargas que somente aquele homem carregaria permitindo que a criança tivesse uma educação exemplar como uma verdadeira dama, ou melhor, princesa. Uma verdadeira princesa da vida.

- Sim. – Sussurrou sorrindo e acariciando sua barriga com o dedo. – Você será uma perfeita princesa.

- A mais bonita. – Disse baixinho a voz de Snape, fazendo Harry se surpreender com a frase.

Snape apertou de leve seus dedos e acariciou sua barriga antes de muito lentamente aproximar o rosto e depositar um beijo delicado. Harry postou a mão na boca e fechou os olhos com força enquanto sentia que seu coração começava a explodir dentro de seu peito. De repente, sem nenhum aviso, sua mão foi retirada de sua boca que foi rapidamente tomada por lábios frios e urgentes. Suas lágrimas derramavam-se em seu rosto e misturavam-se em suas bocas deixando-as salgadas e não menos desesperadas. Harry apertava suas mãos nos braços de Snape enquanto sentia as mãos grandes perderem-se em seus cabelos emaranhados levando seu rosto de encontro ao seu, prendendo-o em seus lábios. Lábios que desceram por sua mandíbula e atacaram seu pescoço causando-lhe um arrepio intenso.

Harry gemeu quando os dentes rasparam em sua clavícula e sorriu ao sentir os dedos apressados subirem sob sua camisa e apertarem seu mamilo sensível. Mas assim que levou suas mãos por baixo da roupa do mais velho e tocou em sua pele fria sentiu seus dedos tremerem ao se molharem em algo espesso. Os lábios de Snape ainda tomavam seu pescoço em um desespero quase cego, o corpo do homem estava evidentemente excitado, mas Harry não conseguia mais se mexer, apenas sentia o líquido escorrer lentamente em seus dedos que estavam agora vermelhos pelo sangue rubro.

Com olhos arregalados de medo Harry usou toda a força que tinha para empurrar o homem e usou o momento de surpresa dele para levantar sua roupa e expor o tórax repleto de ferimentos de onde saiam o sangue ainda fresco.

- Mas o que...? – Balbuciou Harry.

Assim que conseguiu assimilar o que estava acontecendo Snape se levantou e arrumou a roupa fugindo dos olhos de Harry.

- Enxerido como sempre, senhor Potter. – Rosnou Snape se virando com raiva e encontrando os olhos assustados do menino.

Harry estava com a mão erguida como se ainda tivesse esperança de tocar na pele do homem, assim que percebeu que isso não aconteceria baixou a mão deixando-a cair mole em cima de seu colo. Sentindo novamente as lágrimas o invadirem passeou seu olhar pelo corpo de Snape percebendo somente agora a roupa que ele usava.

- Por que está com suas vestes de comensal? O que aconteceu com você?

- Não lhe interessa. – Sibilou Snape pelos lábios cerrados.

- Interessa sim. – Disse Harry levantando-se e sentindo as lágrimas secarem pela raiva que começava a consumi-lo. – Tudo que acontece com você interessa a mim.

- Não se intrometa onde não deve. – Rosnou Snape virando-se com a intenção de ir embora.

- Não fuja. – Pediu a voz quebrada de Harry fazendo-o se virar e encontrá-lo frágil estendendo a mão para si. – Vamos conversar, por favor.

Snape olhou para a mão estendida e novamente para a cortina fechada, com um suspiro rodou sobre os pés e foi se sentar na cadeira ao lado da cama rejeitando a mão do menino.

- Não sei por que ainda paro para te escutar, nossas conversas são sempre infrutíferas e desgastantes.

Harry se virou e encarou o homem sentado exalando sua raiva. Como o amava, como sentia que não poderia mais viver longe dele. Um dia ele vai entender, pensou Harry, um dia.

- Você ainda está bravo, pelo jogo?

- Bravo? – Questionou rindo baixinho e levantando a sobrancelha ao olhá-lo se aproximar. – Eu estou puto de raiva de você, Potter.

- Me desculpe.

- Já lhe disse que suas desculpas não mudam o fato de estar sempre se colocando em risco, sendo irresponsável e lesado ao ponto de quase morrer em um jogo idiota por não conseguir seguir uma ordem.

- Eu estava com raiva de você.

- Isso não é desculpa. – Sibilou o homem fechando suas mãos em punho nos braços da cadeira. – O que você fez não tem como ser desculpável. Poderia ter sido muito pior do que três costelas quebradas. Já parou para pensar, oh grande Potter, o que teria acontecido se aquele balaço tivesse batido de frente com você? Ou se você tivesse caído de bruços?

- Não, eu não pensei em nada disso. – Disse Harry encolhendo-se ao realmente perceber que fora completamente tolo em fazer uma coisa daquelas.

- É claro que não pensou! – Disse Snape evidenciando sua cólera. – Sua mente infantilizada só consegue pensar no que você quer, no que é importante para você. Seu egoísmo o impediu de pensar sobre tudo ao redor, inclusive na segurança da criança que carrega em seu ventre.

Snape se levantou e aproximou-se devagar do menino fazendo-o se encolher mais em seu próprio pequeno corpo trêmulo.

- Só o que você consegue fazer é quebrar regras e seguir o caminho do grandíssimo Potter. Será que consegue ao menos entender a gravidade de seus atos?

- Eu entendo, me desculpe, fui um idiota sim. Deveria ter pensado nela.

- E em mim. – A frase dita baixinho fez Harry levantar os olhos molhados e encarar o homem com surpresa. – Você por um acaso pensou no que me causaria se algo acontecesse a você?

Harry não respondeu, pois realmente não pensou em nada, muito menos em Snape. Então, se algo acontecesse a si Snape sofreria. Sim, claro que sim, a resposta era clara como a água. Snape sofreria como qualquer ser solitário e negligenciado que se apega desesperadamente a primeira pessoa que o aceita e o compreende e depois é arrancado dessa pessoa sentindo seu chão desabar embaixo de seus pés. Às vezes se esquecia do quanto Snape era frágil, o quanto as paredes que o professor erguia ao redor de seu coração e alma camuflavam seus desejos simplórios de aceitação e amor. Em certos momentos chegava a ter pena dele.

- Estou tão cansado, Severus. – Disse Harry chegando perto e tocando no rosto do homem. – Muito.

Harry baixou sua mão e andou até a cama parando ao lado de seu criado mudo. Ali em cima tinha uma tigela com água, alguns panos limpos e as poções que Pomfrey usava para limpar ferimentos.

- Deixe-me cuidar de você.

Snape levantou a sobrancelha ao ver Harry colocar a tigela com água em cima da cama e os panos ao lado antes de estender a mão em sua direção. Desconfiado Snape não aceitou a mão do menino e apenas o encarou de longe.

- Por que eu deixaria fazer tal coisa?

- Porque sou seu esposo e é isso que um esposo faz. Eu quero cumprir minha promessa. – Snape estreitou os olhos não entendendo o que o menino falava. Harry sorriu de canto e fechou os olhos lembrando-se nitidamente das palavras que dissera com medo a apenas três meses. Dessa vez teve muito mais força para dizer, pois dessa vez era completa verdade. Eram palavras sentidas no fundo de sua alma e não simplesmente lida em um pedaço de papel. – Severus Prince Snape, você me aceita em sua vida para ocupar o posto de seu esposo e me permite conquistá-lo a cada dia, cuidar-te a cada enfermidade, sorrir a cada conquista, levantar-te a cada caída e principalmente amar-te a cada sopro de vida que existir em mim?

Snape arregalou os olhos de surpresa ao ouvir as palavras dos votos de casamento de Harry, dessa vez ditas com bem mais convicção. Harry estava diante de si com os olhos verdes determinados e ainda assim brilhantes e infantis como os do menino que dissera sim para si.

- Deixe-me cumprir meu papel.

Harry pegou a mão de Snape e o levou até a cama abrindo os botões de sua roupa e derrubando-a no chão até que seu tronco estivesse completamente exposto mostrando os cortes fundos como se diversas facas tivessem passado em sua carne cortando-a superficialmente para não matar, mas funda o suficiente para machucar. Fazendo o possível para não chorar Harry estendeu a mão e tocou por cima de um dos ferimentos, Snape recuou instintivamente.

- Potter, não...

- Não vou pedir para que me conte. Eu quero saber, mas só quando você estiver pronto para contar. – Disse Harry pegando o pano limpo e o molhando na água. Com cuidado começou a passar nos machucados limpando-os. – Precisamos conversar.

- Eu sei.

- Então por que me evitou todos esses dias.

- Potter. – Respirou fundo pegando a mão do menino e a apertando em seu rosto. — É difícil. – Disse beijando a palma da mão do menino antes de continuar. – Eu nunca em minha vida passei por isso.

- Também é a primeira vez que me caso, Severus, e...

- Não. Eu nunca tive alguém que se importasse. Havia apenas uma menina. — Disse apoiando a mão quente em suas bochechas e fechando os olhos. – Ela era a única que se importava verdadeiramente comigo, que não ligava para como eu era esquisito e fechado. Ela conhecia minha família, sabia como fora minha infância. Ela cuidava de mim, pelo menos até outro aparecer e roubá-la. – Snape pigarreou antes de continuar falando ainda de olhos fechados. – Ela havia começado a me ensinar o que era gostar e se importar, talvez se tivéssemos mais tempo eu aprenderia o que era o amor, como ele era e como eu lidaria com ele. Mas não tivemos tempo.

Harry ouvia aquelas palavras e sentia um aperto no coração, Snape jamais lhe contara sobre sua vida, além do mais essencial e superficial. Na verdade tinha a impressão de que ninguém além de Dumbledore sabia de sua história. No entanto ali estava ele, Severus Snape contando sobre seu passado e as dores da solidão. Não conseguia nem mesmo imaginar como era difícil para aquele homem lhe dizer qualquer coisa sobre seu passado, mas ficava feliz, Snape confiava nele.

- Depois dela não havia nada. Ela se fora e eu caminhei para o lado errado, me afastei e esqueci tudo que sua doce voz havia me dito. As pessoas me usavam, tiravam de mim o que queriam e me largavam. Nunca houve alguém que fizesse o que você faz. – Snape abriu os olhos e viu as duas esmeraldas brilhando. – Eu não estou acostumado a me importar e que se importem comigo. Eu não sei lidar com isso que está acontecendo, Potter. Eu sempre fui apenas um homem solitário vivendo para obedecer as ordens de seus senhores e de repente me vejo casado com um aluno menor de idade que sempre fora o motivo de minhas cóleras e que está carregando minha filha em seu ventre. As vezes penso que não vou conseguir suportar tudo isso.

- Severus, para! – Disse Harry pegando o rosto do homem em suas mãos e o obrigando a olhá-lo. – Eu também estou assustado. Tenho dezesseis anos, não vivi nada, não entendo nada e estou na mesma situação que você. Mas sei que conseguiremos passar por isso, juntos.

- Juntos?

- Sim, eu e você. Mas isso só vai acontecer se conseguirmos nos entender. Severus, eu estou cansado, esgotado de brigar com você, de sempre ouvir seus insultos e humilhações. Você precisa entender que eu não sou um bicho de estimação em quem você pode mandar, eu sou seu esposo, eu selei um contrato para o resto da minha vida. Eu não fico atrás de você e nem na sua frente, eu estou ao seu lado. – Snape suspirou e puxou Harry para mais perto colocando sua testa na do menino. – Então, quando você estiver com raiva, triste ou simplesmente entediado, por favor, fale comigo ao invés de vir para cima de mim com suas palavras afiadas ou suas garras de ferro.

- Potter, sabe que eu...

- Eu sei, sei que não sabe como agir quando faço alguma coisa errada ou quando você está com raiva ou magoado e que a única forma de alívio que conhece é causar dor nos outros. Eu sei. Mas tente impedir que sua insegurança, seu medo e seu ciúme o dominem.

Snape assentiu antes de afastar o rosto de Harry do seu e olhar intensamente para seus olhos fazendo com que o menino visse pela primeira vez a chama que se aquecia dentro de suas íris.

- Você me pediu para nunca o abandonar. – Disse Harry sorrindo em meio as lágrimas. – É um pedido tão idiota. Eu te amo, Severus, será que um dia vai acreditar nisso?

- Talvez, um dia.

- Teremos tempo, vou fazê-lo acreditar e quem sabe até me amar também. – Sorriu triste. – Mas enquanto isso não acontece vou conseguir que se acostume com as coisas mais fáceis, como cuidar de você por exemplo. – Disse pegando novamente o pano e a água.

Snape sentou-se mais ereto e sentiu o pano molhado passar por sua pele causando-lhe um formigamento gostoso enquanto o menino limpava seus ferimentos com cuidado extremo. Era um trabalho demorado, Harry não queria causar-lhe dor, por isso tentava limpar devagar e isso dava tempo para que Snape o observasse o tempo todo, suas expressões sérias, as sobrancelhas juntas em claro pensamento, as mãos delicadas e pequenas, os lábios carnudos que por vezes eram mordidos pelos seus próprios dentes.

- Andou tendo aulas particulares com Papoula? – Perguntou Snape.

- Não. – Sorriu o menino para completo deleite dos olhos negros. – Mas sei como cuidar de um ferimento muito bem. – Disse sem entrar nos detalhes de sua infância com os tios, Snape odiava esse assunto e ficava com ódio de seu tio sempre prometendo que ele teria um pós morte muito ruim. – É melhor que eu seja bom nisso, já que vou cuidar sempre dos seus, até que pare de voltar machucado me deixando preocupado, principalmente quando não sei o que aconteceu.

- Ele me chamou de madrugada. – Disse Snape quando Harry terminou de passar a poção e já estava indo guardar as coisas. – Enquanto eu o via dormir. Queria saber algumas informações importantes e como não pude lhe dar as respostas ele ficou um tanto quanto decepcionado.

Snape ficou tenso ao se lembrar da rápida reunião com o Lord, seus olhos vermelhos transbordando de raiva invadindo sua mente com garras de aço procurando a resposta que queria sobre o que acontecera com Potter e ficando completamente frustrado ao saber que Snape não fizera nada para impedir aquilo.

- Ele queria saber sobre mim. – Sussurrou o menino deixando o pano cair de suas mãos. – Ele te machucou por minha culpa.

- Por favor, não chore por isso. – Pediu Snape se levantando e pegando o rosto choroso em suas mãos.

- Como posso não chorar? Você me aparece aqui todo cortado só porque não deu uma informação para aquele desgraçado, uma informação sobre mim. Você é todo marcado e eu tenho medo de pensar quantas das suas cicatrizes foram por minha culpa. Severus, me desculpe. Por favor, me desculpe. Eu sou um peso em sua vida, sempre fui.

- Eu pensei que era meu esposo. – Disse Snape deixando a cabeça pender para um lado enquanto via um pequeno sorriso nascer nos lábios de Harry. – É isso que eu gosto de ver.

- O que?

Harry não teve resposta, pois os lábios de Snape não poderiam lhe dizer nada enquanto estavam lhe beijando docemente fazendo seu coração se derreter. Com urgência o homem pegou o menino nos braços fazendo Harry enrolar suas pernas em sua cintura e o colocou sobre a maca deitando-se por cima dele sem parar de beijar seus lábios. O ardor em sua garganta da abstinência pelo tempo em que ficara sem tocar o garoto era cruel. A saudade do toque causava uma queimadura por onde os dedos de Harry percorriam apertando sua pele enquanto sentia a sensação gostosa de ser completado por Snape que encarava seus olhos enquanto invadia seu corpo o enchendo com seus melhores sentimentos. Aqueles que ainda não conseguia compreender, mas que estavam ali dentro dele aflorando e o aprisionando.

- Me promete uma coisa, Potter? – Pediu Snape enquanto se mexia embaixo do menino.

- O que quiser, meu amor. Tudo. Ah! – Gemeu o menino em resposta apertando as nádegas de Snape o fazendo ir mais fundo. Suas pernas tremiam.

- Fique longe da senhorita Weasley.

- Por quê?

- Não suporto que queiram o que é meu.

Harry olhou para seu rosto surpreso antes de sorrir abertamente e o beijar enquanto se entregava ao gozo sentindo seu corpo tremer com a intensidade de seu orgasmo. Snape ainda ofegava em seus lábios. Após alguns segundos o homem se deixou cair ao seu lado entrelaçando suas pernas nas do menino e escondendo o rosto na curva de seu pescoço sentindo seu perfume natural. Deu-lhe um beijo casto sentindo a pele macia com gosto de suor. Harry virou o rosto e beijou a cabeça de Snape sentindo os cabelos negros molhados.

- Então quer dizer que eu sou seu?

- Sim. – Respondeu a voz rouca de Snape. – Vocês dois.

Snape postou a mão na barriga de Harry e a acariciou fazendo o menino sorrir novamente. Não iria perguntar quando que ele começara a gostar do fato de haver um bebê ali, isso era mais uma pergunta que jamais deveria ser feita a alguém como Snape.

- É melhor nos arrumarmos, Papoula teria um ataque nos vendo assim. – Disse Snape erguendo-se no cotovelo e olhando para o menino enquanto ainda acariciava sua barriga.

- Pensei que você tivesse colocado um feitiço para que ficássemos em total privacidade.

- Eu coloquei, mas Papoula também é uma bruxa que sabe desfazer feitiços.

Harry levantou a sobrancelha e riu de sua ingenuidade. Claro que Madame Pomfrey saberia desfazer esse feitiço e uma vez que aquela mulher queira ver seus pacientes não haveria feitiço que a impedisse.

- Você não pode parar o tempo, como fez no casamento?

- Não, aquele feitiço é complexo e exige muito poder, não estou em condições no momento.

- Verdade. – Disse Harry passando a mão pelas linhas finas em que os cortes se transformaram após passar a poção.

Snape teve que usar um pouco de força para liberar as mãos de Harry de seu pescoço, o menino não queria parar de beijá-lo, mas finalmente conseguiu se livrar do abraço e sair da maca colocando suas roupas que estavam espalhadas pelo chão. Harry, após bufar um pouco, também se levantou e colocou sua roupa.

- Onde está? – Perguntou assustado ao passar a mão pelo pescoço e perceber que o colar que Snape lhe dera de Natal não estava ali.

- Está comigo, Pomfrey teve que tirá-lo para te examinar. – Disse Snape retirando de dentro de seu bolso um colar de ouro com um pingente de esmeraldas. – Vire-se. – Harry se virou de costas permitindo que Snape colocasse seu colar de onde não deveria ter saído jamais. – Ele é valioso, pensei que iria deixá-lo guardado.

- Ele podia ser de barbante que eu sempre o usaria. Jamais vou tirá-lo de meu pescoço e quando ela estiver grande o suficiente passarei para ela.

Snape sorriu antes de beijar rapidamente sua testa e se afastar retornando a ter sua carranca a mostra. Harry ergueu as mãos em completa incompreensão antes de Madame Pomfrey abrir as cortinas e olhar com cara feia para os dois.

- Pensei que jamais iria conseguir cuidar de meu paciente. – Disse a mulher com a mão na cintura. – Respeito a privacidade de meus pacientes e seus cônjuges, mas francamente estava quase desfazendo seu feitiço, Severus, e aposto que não iria gostar disso. – Reclamou fazendo Snape trincar os dentes e olhar para ela com os olhos flamejantes.

- Estávamos só conversando sobre o bebê, Madame Pomfrey. – Disse Harry rapidamente antes que Snape dissesse algo ferino para ela. – Severus já estava indo embora.

- Sei muito bem sobre o que conversavam, senhor Potter. – Disse a mulher fazendo Harry ficar completamente vermelho de vergonha, principalmente por Snape simplesmente sair da ala hospitalar o deixando naquela situação constrangedora.

Harry saiu de lá alguns minutos depois ainda se lembrando de sua conversa com Snape, da discussão, dos rosnados do homem, de sua tristeza e ira, dos toques, dos beijos, das promessas e pedidos. Pelo que vira sua vida melhoraria bastante daquele dia em diante, Snape aprenderia a tratá-lo como esposo e Harry ficaria longe de qualquer coisa que o colocasse em risco. Era fácil.

De certo modo realmente foi fácil. Não houve muita coisa que abalasse seu relacionamento com o homem. Apesar de não participar do próximo jogo de quadribol, foi preciso muitas juras e promessas para fazer Snape confiar nele, ficou muito feliz em saber que a Grifinória ganhara o jogo mesmo com um artilheiro a menos, pois Gina ficou em seu lugar como apanhadora. Agora iriam para a final com Sonserina. O jogo aconteceria no final de maio então não havia muito com o que se preocupar até que precisasse acompanhar os treinos, só acompanhar como sempre lhe dizia Snape. A equipe reclamou muito, mas aceitou sua desculpa de que o balaço realmente o machucara e o impedia de jogar quadribol por um tempo.

Gina ainda era um problema que precisava resolver, mas não sabia como. Segundo Snape ela o estava paquerando, Harry sempre achou loucura, nunca reparara nada, Gina estava sendo só Gina, nada mais que isso, mas Snape não gostava então precisava manter um pouco de distância. Estava realmente fazendo seu melhor, sempre se sentava entre Rony e Hermione e tentava não andar muito próximo dela. Claro que isso também gerou uma discussão entre eles quando Harry lhe dera um ultimato dizendo que não iria terminar sua amizade com a menina e que a pouca distância que dera entre eles estava ótima. Snape não lhe abraçou naquela noite.

Mas o tempo passou, a primavera já se fazia presente afastando todo o frio e trazendo um pouco de calor para os terrenos de Hogwarts.

- Você deveria tomar um pouco de sol, Severus. – Disse Harry olhando a água do lago negro pela janela. – Hoje está fazendo um ótimo dia. Queria ir lá fora com você, deitar na grama juntos, ficar de mãos dadas olhando o céu, nos beijar um pouco, dar uns amassos.

- Primeiro, não podemos fazer isso. Segundo, mesmo podendo eu não faria.

- Primeiro, eu sei. Segundo, eu sei também. – Disse Harry se aproximando do homem na poltrona e retirando seu livro antes de se sentar em seu colo e acariciar seu rosto enquanto sentia a mão grande pousar em cima de sua barriga acariciando-a de leve. – Só pensei que iria ser muito bom poder fazer coisas assim. – Disse o menino sorrindo.

- Coisas de um casal normal. – Completou Snape suspirando. – Já falamos sobre isso, Potter, não espere de mim atos românticos, muito menos em público. Eu te dou o que posso te dar.

- Eu sei, e é o suficiente para mim. Por enquanto. Mas e depois, Severus? Depois que tudo isso passar, será que poderemos sair juntos, eu, você e nossa filha? Quem sabe ir à um teatro no mundo trouxa ou no Beco Diagonal para fazer compras para uma suposta casa que vamos ter, ou para nossa filha. Eu sonho com a possibilidade de poder levá-la na Madame Malking para fazer roupas para ela, depois comprar livros e tomar sorvete, você me chamaria de Harry e diria que me amava.

Snape olhou o sorriso enorme que apareceu no rosto do menino enquanto ainda falava das possíveis coisas que poderiam fazer após a guerra com o Lord terminar. Como doía pensar que jamais conseguiria fazer nada daquilo com ele. Snape odiava o fato de que sua vida com aquele menino estava em contagem regressiva. Um dia, ainda naquele ano letivo, Draco tentaria cumprir sua missão e falharia, então ele estaria ali para tomar seu lugar e terminar a tarefa que lhe foi imposta salvando a alma do menino e livrando um velho de seu sofrimento. E então Harry iria embora.

Balançou a cabeça afastando os pensamentos da perda do menino e antes que o garoto terminasse de dizer que adoraria levá-lo para algum parque de diversões idiota o puxou e o beijou como sempre fazia quando sentia a dor opressora da perda.

- Quem sabe um dia, Potter. – Sussurrou entre seus lábios. — Quem sabe, mas primeiro precisa fazer seus deveres.

- Eu já disse que te amo hoje?

- Duas vezes.

- Então te amo uma terceira vez. – Disse beijando-o e se levantando para fazer seus deveres na mesa.

Snape sentiu o negror tomar conta da sala ao olhar para o calendário que Harry pendurara ao lado da lareira para se lembrar dos dias de exames e viu com tristeza que estavam no final de abriu. O tempo se esgotava.

Harry também pressentia que algo importante estava para acontecer. Os comensais estavam muito intensos e as notícias corriam soltas nos jornais sempre noticiando quem morrera ou fora raptado. Snape sempre se negava a falar sobre isso e Harry não o questionava, aprendera a não pressioná-lo apenas a espera-lo pronto para abraça-lo ou simplesmente estender a bacia com unguento deixando-o ir para o banheiro e cuidar de seus ferimentos sozinhos antes de dormir e ser amparado de madrugada quando os pesadelos o atacassem.

As aulas estavam mais e mais difíceis, principalmente Poções já que não podia mais usar seu livro e sempre tinha a impressão de que Snape sabia sobre ele, mas não lhe dizia nada. Pelo menos se saia bem em sua matéria, já que não fazia mais nada além de escrever. Snape dera a clara desculpa de que ele estava em detenção por um motivo qualquer e que precisava de aulas particulares devido suas medíocres notas. O problema era que nunca conseguia estudar os feitiços direito, pois no final de suas aulas de reforço os dois estavam nus e ofegantes.

Harry se impressionara com o fato de que sua barriga já estava enorme mesmo tendo apenas seis meses. A poção sempre disfarçava seu estado físico, mas depois de um tempo precisava que Rony e Hermione estivessem junto de si para onde quer que fosse, assim evitaria que alguém esbarrasse em seu corpo e sentisse a protuberância, não era uma tarefa fácil, mas depois de algumas semanas ficava menos difícil. Mas o pior eram as dores nas costas e pernas, constantes e realmente ruins. Snape ficou possesso e fez Harry se encolher na poltrona quando descobriu que o menino não lhe dissera nada sobre suas dores por vergonha.

- Eu te disse, Potter. Estou preparado para isso, mas não tenho bola de cristal. Quando lhe disse para me dizer qualquer coisa eu quis dizer tudo!

Harry quis chorar aquele dia, primeiro pela bronca que levara, depois por Snape o levar para a cama, retirar sua roupa e cuidadosamente, sem dizer nada, massagear seus pés, pernas e costas. Ao terminar de guardar as coisas Snape perguntou exatamente a coisa que mais incomodava Harry e que com certeza não teria coragem de dizer.

- Você sente incomodo quando fazemos sexo?

- Sim. – Respondeu Harry baixando o rosto e escondendo os olhos do olhar de Snape.

Porém Snape queria sempre olhar para seus olhos, sempre tocar sua pele e sempre estar próximo dele, por isso o homem se sentou na cama e o fez levantar a cabeça.

- Não se esconda de mim, Potter. – Disse Snape pensando no quanto já seria cruel ficar sem o menino quando a hora chegasse. – E não tenha vergonha de me dizer o que sente. Algo mais o incomoda, eu sei, conte-me.

- Não é nada.

- Potter, não ouse mentir para mim.

- Eu estou horrível! – Reclamou Harry limpando o nariz na camiseta que estava na cama. – Estou gordo, mole, feio. Nem sei como que você ainda olha pra mim.

- Hum. – Fez Snape fechando os olhos e apertando a têmpora. – Acho que jamais ouvi coisa mais idiota sair de sua boca.

- Mas você me vê, Severus, está vendo como eu estou.

- Sim, eu te vejo, senhor Potter. – Concordou o homem se inclinando e mordendo o queixo do menino. – Eu te vejo andando com seus amigos nos corredores, o vejo nas aulas, comendo no salão principal e tomando sol no jardim. Ah, Potter, você não tem ideia de como me seguro para não fodê-lo em todos esses lugares, toda hora, todos os dias. Não se preocupe com suas dores, acharemos outro jeito. – Disse o homem selando os lábios vermelhos com os seus.

E realmente acharam, Harry se deliciava com o fato de poder deitar suas costas no peito de Snape enquanto o homem o ajudava a subir e descer o quadril em seu membro sempre duro e faminto. Aquela posição permitia que sua nuca ficasse a mercê dos lábios dele e o professor aproveitava para devorá-la. Assim, quando o ápice chegava e os dois deixavam o corpo relaxar, Snape o puxava para mais perto deixando-o no meio de suas pernas e beijava sua cabeça molhada enquanto passeava com sua mão pela barriga cada vez maior. Uma vez a bebê chutou fazendo Snape paralisar com a mão no mesmo lugar olhando assustado enquanto Harry gritava de felicidade.

Duas semanas se passaram quando Harry foi convidado para o funeral de Aragogue e finalmente vira sua chance de pegar a lembrança que faltava para Dumbledore. O diretor não ficara tão surpreso com a informação que o professor Slughorn dera para Voldemort quando ele era ainda um estudante, mas apresentava um olhar um tanto quanto decepcionado.

- Ele fez Horcruxes.

Dumbledore lhe explicou o que eram e o dispensou após fazer diversas perguntas sobre sua gestação e dizer que estava gostando de ver um brilho em seu olhar. Já Harry não poderia dizer a mesma coisa do diretor que estava cada vez mais cansado. O negror na mão piorava. Por sorte o homem o prometeu que poderia ir com ele procurar a próxima Horcrux. Harry não imaginaria que esses objetos seriam os motivos de tanto sofrimento. Mas imaginaria menos ainda que o começo de todo seu sofrimento seria em apenas três semanas.

Três semanas foi o tempo que levou para que finalmente chegasse o dia do tão esperado jogo. Harry mal conseguira dormir a noite. Primeiro por sua ansiedade, segundo porque a barriga incomodava a todo o momento.

- Minha barriga não vai crescer mais, não é? Eu já ando como um pato e sempre acho que estão rindo de mim. – Disse Harry se trocando e colocando o uniforme de capitão da Grifinória. Snape teve que ajustá-lo para caber. – Quando que ela nascerá?

- Eles não riem de você, a poção faz eles verem uma ilusão de você, para eles você é o Potter de sempre e não, sua barriga parará de crescer quando você completar os sete meses terminando a gestação no meio de Julho.

- Daqui a dois meses?

- Sim. Depois disso o feto, quer dizer, a criança. – Corrigiu-se rapidamente ao ver o olhar indignado de Harry. – Desenvolverá sua magia.

- Dentro de mim?

- De onde acha que vem nossa magia, Potter.

- De nossa linhagem, mas achei que se desenvolvessem junto com o corpo.

- Ainda tem muito que aprender sobre o mundo bruxo.

- Não tem problema, eu tenho como marido o melhor professor do mundo.

- Não deixe seus amigos saberem disso.

- Não se preocupe, não deixarei. Só eu sei como você realmente é. Deixo-os com o temível morcego da masmorra.

Harry terminou de se arrumar e rumou para o campo de quadribol. Por mais incrível que parecesse, aquele dia estava mais do que perfeito. O sol estava no alto, o vento estava agradável e não havia dores em suas costas. Ao chegar à beira do campo Harry sorriu e olhou para a arquibancada. Lá em cima estava Snape, sentado ao lado de Dumbledore e McGonagall.

- Está vendo, Severus. Eu consigo não te desobedecer. – Disse para si mesmo pensando no quanto os dois haviam evoluído e crescido em seu relacionamento. – Então vamos assisti-los jogar que a noite os papais irão fazer algo mais além de ficar parado. – Sussurrou para sua barriga sorrindo quando ouviu as vozes exaltadas dos jogadores se aproximando do vestiário.

Após suas rápidas estratégias serem apresentadas, Harry os mandou para o campo e os seguiu parando antes do campo.

- Que pena que não poderá jogar, Harry. Não é a mesma coisa sem você.

- Mas você é excelente, Gina. Vai conseguir pegar aquele pomo muito rápido.

- Obrigada. Vou subir. Me deseje sorte.

- Sorte.

Gina alçou vôo e se encontrou com os outros no alto. Harry olhou todos os pontinhos no ar e sentiu-se estranho por não estar ali também. Quadribol era sua vida, era praticamente um dom. Estar fora dele o fazia se sentir fora de contexto, como se não fizesse parte de nada. O jogo começara e então os pensamentos saíram de sua mente, precisava se concentrar para dar instruções aos seus jogadores.

Em todo momento em que estivera ali vendo o decorrer do jogo, sentiu em sua nuca o peso do olhar de Snape sempre atento a cada movimento seu, sempre preocupado com qualquer coisa que pudesse acontecer. Mas nada acontecera além da Grifinória ganhar.

- Isso! – Festejou Harry levantando os braços ao céu.

Um mar de grifinórios, corvinais e lufa-lufas gritaram quando o pomo fora capturado pelas mãos hábeis de Gina. Todos os jogadores desceram de suas vassouras e foram lhe cumprimentar, mas Hermione rapidamente estava ao seu lado lembrando a todos que Harry ainda estava machucado e que abraços estavam fora de cogitação. Porém nem os avisos e gritos de Hermione seguraram Gina Weasley que correu em sua direção com um sorriso no rosto e jogou seus braços no pescoço do menino que evitou um contato com sua barriga segurando firmemente a cintura da menina. Gina riu alto e agarrou seu rosto puxando-o para um beijo intenso.

O coração de Harry parou. Os lábios de Gina estavam nos seus, seus braços em seu pescoço, suas mãos seguravam a cintura dela e em suas costas ardia o olhar homicida de Snape.

N/A:

Sabe aquela coisa de " Depois da tempestade vem a calmaria", pois é aqui é o contrário. Depois da calmaria vem a tempestade.

Espero que tenham gostado, queria mostrar um pouco mais de um possível relacionamento normal de um homem que é amado e que aprende aos poucos o que é ser aceito e amado. Queria passar essa calmaria, esse contato maior entre eles e o bebê, pq daqui para frente entraremos em uma parte mais dark da fic. Podem imaginar como Sverus ficou depois de se entregar tanto e ver um beijo do seu amado com a menina que ele odeia. Pois bem, isso será muito bem explorado no próximo capítulo....E então os muros crescem novamente....

BJUSSSSSSSS