A Lenda

31 De volta a Rua dos Alfineiros


Notas iniciais
Olá Pessoal, aqui está mais um capítulo e agora vcs saberão o que aconteceu com Snape

Capítulo 31 – De volta a Rua dos Alfineiros

Parecia que havia passado uma eternidade enquanto estivera ajoelhado ao lado do corpo dele, segurando sua mão mole e fria, mas sabia que na verdade passaram-se apenas alguns segundos. Míseros segundos em que sua alma gritava por um milagre. Uma pulsação. Jamais Harry conseguira se concentrar tanto em algo como naquele momento em que se desligara de tudo ao redor, desde o barulho do vento nas folhas do lado de fora até os gritos malditos dos que ainda lutavam dentro do trem. Nada mais existia além de sua concentração.

Ele não podia morrer.

Snape tinha que estar vivo, agora sabia disso, independentemente do que o homem pudesse ter feito, ele tinha que viver. Jamais conseguiria suportar a idéia de sua morte. O amava demais para pensar que seu coração já não mais batia.

Tinha que bater, assim como o seu batia, assim como já o sentira tantas vezes quando deitava sua cabeça no peito do homem e dormira com o som ritmado de seu coração batendo e bombeando sangue para o restante do corpo. Sua alma doeu quando se lembrou do último momento juntos em uma clareira na floresta proibida onde os sons dos pássaros não conseguiam sobrepujar as suas batidas fortes. Lembrou-se de sua mão percorrendo o peito marcado e postando-se do lado esquerdo, assim como acabara de fazer no homem caído, naquele dia não dera valor ao que estava sentindo, a vida que contemplava, as batidas que se seguiam como uma bela sinfonia lhe ditando o ritmo perfeito para seu esplendor.

Tum Tum, Tum Tum, Tum Tum.

Lembrava-se vividamente de como era sentir o pulsar dentro do peito dele, a lembrança era tão vivida que sentia em sua mão naquele momento, fraco devido ser apenas uma lembrança, mas ainda sentia batendo sob sua palma.

Tum Tum, Tum Tum, Tum Tum.

Harry abriu os olhos e olhou assustado para o homem. Aquilo não fora uma lembrança, nada de meses atrás, aquilo que sentira fora ali, naquele momento de guerra, sentira o coração dele batendo. Com esperança lhe enchendo a alma, Harry abriu o sobretudo do homem deixando seu peito nu e deitou a cabeça concentrando-se para escutar novamente, mas só havia o distinto som dos outros órgãos ainda trabalhando. Ouvia o barulho do estômago rangendo e reclamando que não fora devidamente alimentado, ouvia os líquidos se remexerem conforme o trem balançava com a força dos feitiços que recebia, mas foi o som atrás de todos esses que ele se concentrou. O som que ultrapassou a barreira da epiderme e entrou como fogo no ouvido de Harry causando-lhe calor.

Tum Tum, Tum Tum, Tum Tum.

Sim, aquilo era o coração de Snape batendo fracamente, bombeando o sangue para o restante do corpo e garantindo que sua vida não se esvaísse ainda.

- Graças a Deus! – Agradeceu Harry abraçando o corpo do homem e beijando seu peito. – Oh, obrigado. Obrigado.

Harry começou a rir descontroladamente agora que o alívio o atingiu, mas a risada durou pouco. Ao longe dava para escutar os duelos que se seguiam dentro do trem, estavam cada vez mais perto. Aquele grito foi de Olho-Tonto? – Perguntou-se Harry olhando para a porta por onde logo entrariam comensais e aurores. Havia pouco tempo e precisava agir ou então capturariam Snape e sabia que se houvesse um comensal que matariam, esse seria Snape.

Um barulho alto foi escutado no fundo do vagão, logo chegariam até a cabine. Tomado de desespero Harry se lembrou da aula de Flitwick. Recordou-se do baixinho professor lhe dizendo que poderia parar o tempo por segundos, talvez minutos que lhe dariam muita vantagem em uma fuga. Porém o feitiço era complexo e demasiado avançado para sua idade e competência bruxa. Uma dúvida cravou-se na mente de Harry. E se não conseguisse conjurar o feitiço?

Foi quando ouviu o toc toc da perna de pau de Moody que Harry jogou para o alto todas as suas duvidas e medo e decidiu que conseguiria fazer aquilo da mesma forma que conseguiu conjurar o patrono para salvar a vida de Sirius na beira do lado negro em seu terceiro ano. Apertou firmemente a mão na varinha e a apontou para o ar, postou a mão no peito de Snape para não o paralisar junto e recitou letra por letra o feitiço que agora era sua única salvação.

- Obturatio Tempus!

A ponta da bengala de Olho-Tonto parou no ar dois centímetros após o batente da porta. Era agora ou nunca. Harry se levantou e puxou Snape pela mão, mas o homem era muito pesado, não conseguiria carregá-lo e tinha pouco tempo.

- Mobilicorpus. – Disse apontando para Snape e vendo-o levitar levemente no ar.

Com o coração acelerado moveu o corpo para um compartimento na parede onde se guardavam vassouras de limpeza e outros utensílios variados, não era muito grande, mas tinha espaço suficiente para o que queria. Com cuidado colocou Snape no compartimento arrumando-o de forma a não ficar tão desconfortável. Checou novamente os batimentos, a pulsação estava ali, fraca e quase inaudível, mas estava ali. Fechou a porta e ia selar seus cantos quando se lembrou de alguns pequenos detalhes. Pegou um pedaço de papel que encontrou no chão e escreveu um rápido bilhete dizendo que a porta do compartimento estava selada, mas que ele poderia sair dali facilmente, pegou a varinha do homem e a colocou na mão dele, apontou sua própria varinha para o compartimento e recitou um feitiço que se lembrou de última hora fazendo com que o oxigênio corresse naquele lugar fechado impedindo o homem de sufocar.

Antes de fechar a porta Harry o olhou uma última vez, seu rosto estava mais pálido que o normal e com as expressões leves de quando estava dormindo, dormindo ao seu lado agarrado ao seu corpo. Respondendo aos impulsos que nos surge em momentos nada apropriados e nem adequados Harry se inclinou e puxou o rosto do homem de encontro ao seu colando seus lábios famintos nos lábios frios e moles de Snape que não o correspondeu. Uma lágrima escapou dos olhos verdes molhando a pele do homem antes de Harry se afastar e com o rosto estampado em tristeza selar a porta camuflando-a na parede.

Harry sentiu que o feitiço do tempo estava enfraquecendo e rapidamente foi até Tonks e apontou a varinha para o meio da testa da auror que ainda estava inconsciente.

- Obliviate.

Em sua mente Harry visualizou o que queria passar para a mulher. Quando terminou sabia que havia conseguido fazer tudo corretamente, Tonks acordaria e diria que ela e Harry foram atacados por um comensal da morte que desaparatou.

- Potter! – Vociferou a voz grossa e rouca de Olho-Tonto quando o tempo voltou a rodar. – O que aconteceu?

Apesar da pergunta ser feita para o menino, Moody tinha os dois olhos, o normal e o de vidro, vidrados em Tonks que aos poucos voltava a consciência.

- Olho-Tonto? – Chamou Tonks meio tonta.

- O que aconteceu aqui, Ninfadora?

- Estou dolorida e lesada, mas não esqueci que não gosto que me chamem de Ninfadora. – Disse a mulher recebendo um resmungo de Olho-Tonto. – Eu estava com Harry vindo para a cabine para ligarmos o trem, ai quando abri a porta dei de cara com... – A mulher franziu a testa tentando se lembrar e por um momento Harry temeu que seu feitiço não tivesse sido forte o suficiente para enganar sua mente. -...me deparei com um comensal que me azarou e provavelmente fugiu. E ai Harry, beleza?

- Tudo certo, e você?

- Um pouco de dor de cabeça, mas só. Que tal ligarmos o trem?

- Boa idéia. – Disse Moody se levantando e abaixando a alavanca.

O trem sacolejou com força e aos poucos retomou o caminho que fazia antes de ser bruscamente interrompido. Tonks que já estava de pé foi até o maquinista e tentou acordá-lo, o homem estava mole e pior que Snape, Harry temeu que estivesse morto, mas ouviu a voz da mulher lhe dizendo que estava apenas estuporado e que em breve estaria bem. Moody lhes contou que os comensais bateram em retirada, pois seus números eram muito menor do que os deles, mas que provavelmente teria mais emboscada a frente e que teriam que mudar os planos.

Harry ouviu com atenção e rezou para que o trem chegasse o mais rápido possível na estação de King’s Croos, pois não fazia a menor idéia de qual feitiço havia atingido Snape quando se descontrolou e sabia menos ainda quanto tempo ele ficaria desacordado. Queria saber como ele estava ali dentro daquele compartimento, mas não se atreveu a olhar para lá, pois Olho-Tonto estava com o olho de vidro colado em si.

Após o que pareceu ser uma eternidade o trem estava próximo a estação de trem, mais alguns poucos quilômetros e tudo estaria bem. Porém Olho-Tonto apertou alguns botões na cabine e o trem foi perdendo velocidade até parar novamente, dessa vez mais suavemente.

- Por que paramos? – Perguntou Harry confuso.

- Acho que terá Comensais da Morte nos arredores da estação nos esperando, por isso mandei Patronos para a outra equipe que nos aguarda e mudei o lugar em que você irá descer. Vamos descer aqui e uma equipe vai levá-lo para a casa de seus tios.

- Certo.

Tonks postou a mão em seu braço querendo o arrastar dali, Harry hesitou por um momento e enfim lançou um olhar para o compartimento antes de seguir a mulher de volta a cabine onde deixara suas coisas. Com a mochila nas costas Harry desceu do trem no que parecia um vale que antecedia uma vila da periferia de Londres. Havia casinhas iguais e humildes, nada suntuoso. Já era tarde, o céu banhava-se com os últimos raios de sol. Tonks andava rapidamente levando-o diretamente para uma casinha no fim de uma rua íngreme onde havia um carro preto aguardando.

- Entre, Potter. – Rosnou Moody.

Harry parou bruscamente e puxou o braço das mãos de Tonks.

- É seguro? Como vou saber se não estão armando uma armadilha para mim? – Perguntou Harry desconfiado de tudo aquilo.

- Porque, seu grande idiota, nós não deixamos a loja nas mãos de assistentes para mentirmos para você. – Disse uma voz conhecida dentro do carro.

Quando o vidro baixou Harry viu distintamente o sorriso de Fred no banco do motorista.

- E agradeceríamos se entrasse logo, pois nossas bundas estão congelando aqui. – Disse George no bando do carona.

Moody resmungou novamente e empurrou Harry para dentro do carro onde encontrou Quim sentado confortavelmente ao seu lado. Mal dera oi para o auror e o carro já saíra em grande velocidade deixando para trás diversos aurores que desaparataram.

- Onde eles vão? – perguntou Harry.

- Vão aparatar perto da casa de seus tios e garantir a sua segurança antes de chegar lá. – Respondeu a voz baixa e macia de Quim.

- E nós, onde vamos? Esse não é o caminho para a casa de meus tios. – Disse Harry olhando desconfiado para os gêmeos que sorriram ao perceber sua descrença em suas habilidades de motoristas.

- Quer confiar um pouco na gente, por favor? – Disse Fred.

- É Harry, isso chega a ser um insulto. Estamos arriscando nossos pescoços aqui sabia? – Acompanhou George.

- Desculpe, eu sei que terá comensais lá e que vocês estão em risco. – Disse Harry sentindo-se envergonhado.

- Comensais não. – Riu-se Fred virando uma esquina. – Podemos lidar com comensais tranquilamente.

- É com esse carro que temos medo. – Disse George virando-se para olhar Harry mais perto. – Apesar de termos aprendido a dirigir esses carros trouxas, ainda achamos que ele é potencialmente perigoso com toda essa gasolina embaixo de nós.

- Mas não se preocupe Harry. — Disse Fred olhando pelo retrovisor. – Você está em boas mãos.

Harry afundou no assento e olhou as casinhas virarem grandes prédios do centro. Apesar de suas desconfianças quanto a habilidade dos gêmeos, surpreendeu-se que eles realmente soubessem como dirigir e praticamente deslizassem pelas ruas em direção agora aos bairros menores e caseiros.

- Sua casa foi protegida com o Maximo de feitiços que a Ordem da fênix e o Ministério conseguiram colocar.

- Mas o Ministério não está tomado por Voldemort?

- Claro que está, mas ainda temos aurores muito poderosos que nos ajudam. Sendo assim Moody vai para a linha sul de proteção fazer uma investida falsa como se estivesse te levando pela frente de sua casa. Mas será apenas um chamariz. Enquanto isso vamos por trás e esperamos conseguir atravessar a linha de feitiços antes que percebam nossa armação.

Harry assentiu, mas não conseguiu dizer nada, apenas ficou em silêncio e aguardou chegarem perto da linha dos feitiços. Parecia que tudo daria certo, mas quando faltavam apenas alguns metros para finalmente chegar na segurança da casa de sua tia um feitiço bateu contra a janela do carro causando um estrondo grandioso.

- Merda! – Ouviu Fred xingar.

- O carro está protegido, mas se lançarem muitos feitiços ao mesmo tempo poderá desfazer os feitiços. – Ouviu Quim falar ao seu lado ao mesmo tempo que sua grande mão empurrava sua cabeça para baixo a tempo de o proteger de outro feitiço que bateu em sua janela rachando o vidro. – Acelera o carro, Fred!

Fred meteu o pé no acelerador e o motor roncou com força como se reclamasse que estava no seu limite. Mais feitiços batiam no carro chegando a quase despedaçar o vidro traseiro. Harry levantou a cabeça e olhou para o comensal mascarado que corria atrás do carro, o homem levantou a varinha e recitou o feitiço que veio zunindo em direção ao vidro rachado. Harry tinha certeza de que o feitiço quebraria a barreira de proteção do carro e então acertaria um deles. Mas quando o feitiço triscou o vidro arranhando-o, o carro virou-se para a direita e uma luz forte indicou onde o feitiço do comensal colidiu com a barreira de proteção da Rua dos Alfineiros.

- Nossa, adorei. Seria muito bom fazer de novo, mas dessa vez sem os comensais. – Disse Fred parando o carro diante da casa com o numero quatro.

Quim saiu do carro e ficou perto de Harry olhando para todos os lados. Fred e George os acompanharam. Harry tocou a campainha e aguardou. Ouviu um barulho dentro da casa e ouviu uma gostosa e familiar voz dentro da casa sobrepondo-se a resmungos conhecidos.

- Quem é?

- Sou Quim Shacklebolt, auror do Ministério da Mágia, partidário da Ordem da Fênix trazendo Harry Potter para a casa dos tios.

- Qual foi a frase que meu marido lhe disse antes de sairmos da Ordem da Fênix?

- Carros são maneiros e aviões são impressionantes, mas nada se compara com o coração de Harry Potter.

- Mamãe estamos aqui também, eu e o Fred. Mas não precisamos de frase, se quiser posso mostrar a parte da minha nádega esquerda que jamais foi igual após quase fazer Rony fazer o voto perpétuo.

A porta fez barulho de fechaduras se abrindo e quando se escancarou revelou uma senhora Weasley com feições que misturavam Alegria, alivio, preocupação e graça.

- Não precisa ser tão grosseiro assim George, estamos diante da casa dos parentes de Harry.

- Verdade. – Exclamou Fred passando pela mãe. – Cadê aquele seu primo gorducho, Harry?

A senhora Weasley se adiantou e deu um grande abraço em Harry que viu por cima do ombro da mulher seu primo Duda sair correndo da sala e subir para seu quarto onde trancou-se e provavelmente estaria tentando se esconder dentro do guarda roupas. Harry se desvencilhou da senhora Weasley e entrou em casa, agora que chegara ali estava louco de vontade de ver Lys.

- Onde ela está? – Perguntou Harry quando a senhora Weasley fechou a porta deixando Quim do lado de fora.

- No seu quarto, querido.

- Deixa que a gente pega ela, Harry. – Gritou Fred passando por Harry correndo sendo seguido por George que gritou por cima do ombro.

- Queremos saber se ela se salvou ou é parecia com Snape.

- Voltem aqui os dois, já. – Gritou a senhora Weasley olhando para o alto da escada.

- Não se preocupe, mamãe. – Disse Fred no alto da escada. – Não vamos derrubá-la.

- Não queremos que fique retardada igual ao pai.

Harry sorriu ao ver o pequeno embrulho se mexendo nos braços de George.

- Vamos lá para a sala, querido. Seus tios estão lá.

Harry sabia que os tios não estariam nada felizes com seu retorno e muito menos com a situação em que se encontravam. Ao chegar na sala viu que não estava errado. Tio Valter estava em pé com os braços cruzados fortemente sobre o peito gordo e bufava tanto que seus bigodes balançavam. Tia Petúnia estava sentada no sofá, encolhida e escondida pelo corpanzil de seu marido. Harry nem chegou a ver a sua cara de cavalo, mas também não se importava, não tinha a menor intenção de ficar olhando para os tios, o que queria mesmo era o pequeno pacotinho que George lhe estendia.

- Teve sorte, Harry. Ela puxou sua mãe.

No momento em que suas mãos pegaram a menininha ela abriu seus olhos verdes e o olhou com interesse, depois deu um leve sorriso banguelo e levou a mão gordinha para cima. Harry sorriu e se aproximou tomando os dedinhos em sua boca. O ataque ao trem, o reencontro com Severus, sua quase morte e agora o reencontro com sua filha fizeram com que as emoções de Harry aflorassem fortemente e lágrimas queimassem em seus olhos. Impediu-as de cair por receio de que os gêmeos zombassem dele. Engoliu-as e sorriu mais aberto ainda quando a mãozinha se fechou em seu nariz.

- Ela é um amor, Harry. – Disse a senhora Weasley limpando a baba da pequenina com um paninho que trazia na mão. – Dorme feito um anjo a noite e quase não dá trabalho.

- Me desculpe por tudo isso senhora Weasley, sei que quer voltar para sua casa.

- Que bobagem. Fleur está lá cuidando da casa, Gui e Arthur estão lá também para proteger o local. Sua proteção e agora desse bebê é nossa principal prioridade.

- Quim sabe? – Perguntou Harry apontando para fora onde o auror montava guarda olhando para a rua.

- Não. Somente nossa família e o pequeno ciclo de pessoas que sabem desde o começo. Mas não contamos ao Percy. – Harry viu os olhos da mulher tremerem levemente de tristeza. – Achamos muito arriscado por ele... você sabe.

- Ser um tremendo filho da...

- FRED!

- Basta! – Exclamou a voz rouca atrás de Harry.

Harry até mesmo se esquecera de que os tios estavam no mesmo lugar. Tio Valter estava vermelho e Harry sabia que isso era sinal de que ele estava prestes a explodir.

- Quero que expliquem o que é isso? – Perguntou apontando para a menina que alheia a tudo o que estava acontecendo continuava com os bracinhos levantados.

- É um bebê, oras. – Disse Fred fazendo cara de que era óbvio e Tio Valter era muito burro.

- Eu sei muito bem que é um bebê. Quero entender como isso aconteceu e porque está sob meu teto.

- Para se fazer um bebê é preciso que duas pessoas nuas...

- George, chega. – Apesar da voz baixa da senhora Weasley, George calou-se no mesmo instante e não deu sinais de que iria voltar a falar. A mulher virou-se para tio Valter e o olhou tão intensamente que Harry teve certeza de que os dois dias antes de Harry chegar foram repletos de discussões. – Já expliquei ao senhor diversas vezes. Harry teve um filho em maio e agora precisamos protegê-los, pois são a esperança não somente do mundo bruxo, mas do mundo trouxa também.

- Mais um bebê! – Gritou Tio Valter. – Já não chega termos te aceitado?! Quer agora nos enfiar mais uma responsabilidade? Não vou aceitar está ouvindo moleque? Não vou. Você vem com essas esquisitices e nos enfia obrigações com aberrações.

- Não se atreva a falar assim da minha filha! – Vociferou Harry estendendo a menina para Fred que se adiantou e pegou a criança afastando-a do homem gordo que gritava mesmo tendo uma varinha apontada para seu rosto. – Pode me chamar do que quiser, pode me espancar como sempre fez, mas não fale dessa forma da minha filha.

- Harry, abaixe a varinha. – Pediu senhora Weasley. – Não pode fazer magia. Não quer que o Ministério caia em cima de você. Tenho certeza de que seu Tio vai se controlar e parar de falar besteira. Você ainda vai ter que ficar aqui até seu aniversário então vamos todos nos acalmar.

Harry abaixou a varinha e ficou encarando o tio por um tempo até que Tia Petúnia se levantou e pela primeira vez olhou para o sobrinho. Seus olhos estavam inexpressivos e quase vazios como se lutasse por dentro com alguma coisa. Uma luta onde Tio Valter não poderia interferir.

- Me dê a menina. – Pediu olhando para Fred que segurou a menina mais perto do corpo. – Não vou machucá-la menino tolo.

Fred olhou para Harry que ainda olhava intensamente para a tia e assentiu devagar. O gêmeo aproximou-se devagar e estendeu a menina para a mulher que a pegou com destreza e habilidade de uma mãe. A menina deu um pequeno gritinho quando foi levantada e estendeu a mãozinha chegando a tocar a mão no rosto de cavalo da mulher. Lys sorriu e arregalou os olhos verdes abrindo e fechando a mão para a mulher como se a reconhecesse, como se soubesse que era da sua família.

- Qual o nome dela? – Perguntou Petúnia.

- Lys Prince Snape.

- Snape? As crianças levam o nome do pai e seu nome é Potter.

- Eu sei.

Tia Petúnia percebeu o que aquilo significava, mas preferiu não dizer nada, apenas olhou para a menina e novamente a viu sorrir. Naquele momento Harry viu nascer algo nos olhos de sua tia, era algo pequeno e muito no fundo como uma pequena centelha de fogo no meio da escuridão, mas estava lá. Naquele momento Harry sabia que Lys havia ganho Tia Petúnia.

- Vocês ficam. – Disse a mulher entregando a menina a Harry. – Até seu aniversário.

- Petúnia! – Exclamou Tio Valter.

- Eles ficam, Valter. Até o aniversário do menino.

Harry assentiu de leve para a tia e foi para seu quarto sendo acompanhado pelos Weasley. Ao entrar no recinto percebeu que a senhora Weasley havia limpado tudo e colocado um bonito berço para a menina.

- Temos que ir mamãe. Não podemos deixar a loja com os ajudantes, eles vão fazer tudo errado. – Disse Fred dando um beijo na mãe e esperando o irmão na escada.

- Até mais Harry.

- Tchau.

- Bom, está tudo arrumado aqui querido. Já te disse tudo que você precisa saber sobre como cuidar da menina. Sabe fazer um Patrono mensageiro?

- Sei sim.

- Então se precisar de alguma coisa pode me mandar um Patrono que eu venho aqui na mesma hora está bem.

- Tudo bem, senhora Weasley. Obrigado mesmo. Nós ficaremos bem.

- Então vou indo e eu venho visitar vocês assim que possível.

A senhora Weasley deu um beijo na menina e em Harry, depois sorriu e desceu as escadas dando tchau para os tios de Harry, que não foi correspondido, e depois saiu pela porta sendo escoltada por Quim até um ponto onde poderiam aparatar.

Harry suspirou e deixou a menina no berço, se trocou e deitou na cama por um instante. Foi difícil fingir na frente dos outros, mas conseguiu mentir direitinho. Ninguém percebeu que sua cicatriz estava ardendo em brasa. Fechou os olhos por um momento e se deixou levar para a mente de Voldemort.

Viu-se em uma sala suntuosa, estava sentado em uma poltrona bela e confortável com uma cobra enrolada aos seus pés chiando para os homens a sua frente.

- E mais uma vez Harry Potter me escapou por entre os dedos. – Disse a voz baixa como se fosse um silvo. – Eu acreditei que deixando-o na linha de frente conseguisse pegar o menino, mas parece que eu acreditei demais em você não é mesmo, Severus?

O homem ajoelhado a sua frente levantou o rosto e seus olhos negros estavam duros feito aço enquanto olhava para os vermelhos olhos do mestre, em sua têmpora nascia uma gota de suor, ele sabia o que viria a frente, sabia o que deveria temer.

- Me decepcionou, Severus. Eu não gosto de falhas, eu não gosto de comensais fracos.

A luz do cruciatos inundou os olhos negros que arregalaram-se diante da tortura que se seguiria. Harry arqueou as costas no colchão e gritou sentindo a dor intensa do feitiço. Quando abriu os olhos estava deitado no chão coberto de suor e tremendo. No berço Lys chorava com medo de seus gritos. Rapidamente levantou-se e a pegou no colo ninando-a até que se acalmasse. Ouviu nitidamente os tios brigando no andar de baixo enquanto discutiam sua estadia ali, mas nada mais importava além da menina que agora se acalmava em seus braços e o homem que gritava em meio a tortura a quilômetros de distância.