A Lenda

40 A verdade aos olhos de Gina


Notas iniciais
Olá Galera.... olha eu aqui novamente com um capítulo quentinho para vocês. Bom.... veremos o inicio da guerra... espero que gostem, obrigada pelos comentátios..... quanto mais reviews mais chances de ter o proximo capitulo logo logo.... bjussss

PS: Ainda continuo vendo tudo desconfigurado quando posto, tenho que me matar aqui para postar o capítulo bonitinho para vcs conseguirem ler.... que bosta


Capítulo 40 — A verdade aos olhos de Gina

Os sentimentos desabafados foram devidamente libertos de sua mente e alma, nada agora o prendia nem segurava de alguma forma, pois não havia o porque, só havia um destino e era aquele a qual estava fadado. A capa deslizou por suas costas pousando suas pontas no chão, suas mãos fecharam devidamente os botões de seu sobretudo sem que houvesse nesse ato qualquer lembrança antiga de um momento que antecedia o prazer, eram somente mãos abotoando botões, nada mais.

Ouviu ao longe o som do alarme de Hogsmead soar alto atravessando a estrada, floresta e muros da escola. Em um dia normal não ligaria para isso, provavelmente era algum morador irritante transgredindo as regras impostas pelos comensais que patrulhavam suas ruas ameaçando qualquer cabeça que ali aparecesse após o toque de recolher. Mas hoje sabia que não era um incidente comum, nada que fosse facilmente descartado com um cruciatus pelos comensais. Hoje era ele. Harry Potter estava em Hogsmead, seus pés atrapalhados corriam pela neve tentando esconder-se dos malditos em seu encalço. Harry corria enquanto ele olhava para seu próprio reflexo no espelho de seu banheiro e encarava suas marcas de cansaço. Seus olhos negros não traziam em sua superfície um único sentimento, nem mesmo os piores. Não havia nada para sentir, não naquele momento.

Passou as mãos pelo cabelo colocando-os para trás e arrumou o colarinho fechando-o em seu pescoço antes de deixar a varinha em seu bolso. Rumou para o guarda roupa onde pegou a máscara prateada sentindo seus dedos vibrarem pelos pecados cometidos enquanto a utilizava. Via refletido em sua superfície as almas dos inocentes. Não ligou para elas, não havia o que se importar agora, esse tempo já havia passado, foi-se junto com tudo aquilo que um dia lhe trouxe vida. Sua essência inclusive.

Devagar se adiantou até a mesa da sala e pegou uma adaga na gaveta equilibrando a ponta afiada na testa da máscara forçando sua mão para baixo. O barulho do atrito era irritante, mas não o parou, a adaga desceu até encontrar-se com a ponta do queixo. Com a mesma lentidão guardou a adaga na gaveta e limpou a sujeira que ficou deixando transparecer a nova, última e mais profunda marca que ali depositara. Sem realmente olhá-la a amarrou na calça e a tampou com o sobretudo e a capa antes de caminhar para a porta e sair por ela sem nem mesmo olhar para trás. O aposento se trancou com um baque que reverberou pelas paredes das masmorras.

Estava frio e o vento batia em seu rosto enquanto caminhava lentamente sentindo cada vez mais a proximidade dele. Estava em Hogwarts, em algum lugar desse castelo, tinha plena consciência disso, sentia em seu âmago, mas ao invés de correr em sua direção como faria em outro momento, apenas deixou seus pés irem devagar sentindo a dureza das pedras antigas carregadas de poder e sabedoria, guardando os segredos dos antigos alunos que um dia pisaram naquele mesmo lugar.

- Snape.

O homem parou sua caminhada ao ouvir o chamado baixo em uma voz feminina. Demorou alguns segundos para ter alguma atitude, mas então se virou devagar e olhou na direção da pessoa. Sibila Trelawney o olhava temerosa por trás de seus óculos grandes, seu cabelo loiro estava armado como sempre e seus colares balançavam de um lado para o outro fazendo barulho enquanto respirava fundo evidenciando a corrida que fizera para alcançá-lo, ainda que andasse devagar.

- Diretor, preciso lhe falar.

Snape nada disse, apenas continuou olhando para a mulher e quando a mesma não falou virou-lhe as costas e continuou seu caminho sem se importar se tal ato a deixara ofendida, porém não dera nem mesmo cinco passos quando sentiu a mão de unhas grandes lhe segurar com força fazendo-o se virar e encará-la. Trelawney tremeu ante o olhar homicida do homem, mas ainda assim não se intimidou o suficiente para ir embora, pelo contrário se aproximou mais dele e sussurrou para que somente ele escutasse a informação.

- Eu vi a morte, ela ronda a escola. O perigo se aproxima, está com as garras quase em cima de nossas cabeças. Precisa fazer alguma coisa para nos proteger ou a morte nos amaldiçoará.

Com um puxão forte Snape se desvencilhou das garras da bruxa e não lhe reservou mais do que cinco segundos de atenção que foram suficiente para lhe dizer a verdade que logo ela veria com seus próprios olhos e sentiria o peso em sua alma.

- Já estamos amaldiçoados.

Antes que Trelawney tivesse sequer chances de pensar e dizer alguma coisa o homem continuou seu caminhar subindo mais um lance de escadas. Seus sapatos faziam eco nos corredores vazios. Os quadros estavam agitados e suas pinturas passeavam de um lado para outro apenas cochichando sobre o que o diretor estaria fazendo caminhando pela escola quando muitas vezes nem mesmo o viam. Ao subir o quarto lance de escadas seu corpo se curvou um pouco para frente quando a dor atravessou sua carne queimando em seu braço. Ele fora chamado, alguém tocara na marca com a varinha chamando o Lord ao seu encontro. Por um único segundo, menos tempo do que uma piscada preocupou-se pelo que poderia ter acontecido para que a marca fosse tocada, mas logo seus olhos frios trouxeram o vazio para suas íris deixando claro que não importava o motivo do chamado, ele precisava continuar com sua missão.

Enquanto caminhava passava em sua memória o plano procurando por possíveis falhas. Claro que havia diversas, todas as possíveis, principalmente por não ser somente ele o motivo de qualquer possível fracasso. Seu sucesso dependia muito mais do desempenho alheio do que do seu próprio. Parou por um instante a frente do quadro da mulher gorda e franziu a testa. O quadro estava vazio. “Onde diabos estava aquela maldita mulher?” se perguntou Snape rosnando entre dentes enquanto esperava que a guardiã da entrada da Grifinória retornasse ao seu posto. Não demorou muito para que isso acontecesse. A mulher chegou afobada em sua moldura e soltou um grito de surpresa ao ver o diretor plantado a frente da entrada.

- Diretor? O que faz aqui? — Perguntou a mulher piscando nervosamente.

- Desde quando os assuntos do diretor da escola dizem respeito a meras pinturas que não conseguem nem mesmo manter-se em seu devido lugar ao invés de sair por ai fazendo fofocas?

A mulher gorda levou a mão ao peito e exclamou um gritinho ofendido antes de virar a porta e permitir a passagem do homem. Snape adentrou o salão comunal da Grifinória e encontrou alguns poucos alunos debruçados sobre seus livros lendo e relendo suas lições para os últimos testes que logo se aproximavam. Mas imediatamente os largaram e se levantaram ao perceberem quem estava presente no local. Snape não gastou olhares com eles, apenas subiu os degraus que levava aos dormitórios e adentrou violentamente ao quarto do sétimo ano que no momento estava completamente vazio. Potter e Weasley, claro, não compareceram a escola. Longbottom, Thomas e Finnigan sumiram há um tempo não deixando rastros. O dormitório então estava completamente vazio e sem nem mesmo um rastro de presença. Ele não estava ali.

- Harry Potter!

O grito veio do salão comunal, não parecia medo ou surpresa, apenas alegria. Imediatamente saiu do dormitório e desceu os degraus correndo encontrando Dennis Creevey pulando no mesmo lugar com as mãos fechadas em punho no alto. Seu rosto estava completamente machucado pelos castigos dos Carrow e, pelo que soube, seu corpo também causando-lhe dor pelos pulos que dava, mas seu sorriso era tão grande que sobrepujavam as dores e machucados.

- Creevey! — Chamou alto vendo o menino parar de pular e olhá-lo com receio, mas com uma chama por trás das íris que antes não havia nem nele, nem nos outros alunos que o olhavam. Era esperança. — O que está acontecendo aqui?

- Nada. — Disse o menino começando a tremer por mentir para o diretor.

Imediatamente Snape atravessou a sala com apenas dois passos e agarrou o colarinho do menino com força jogando-o na parede onde bateu as costas com força. Dennis sentiu os pés deixarem o chão quando foi erguido pelas fortes garras do professor afim de ficar olho a olho com o homem. Snape rosnou na sua cara e apertou a mão começando a sufocá-lo.

- Não minta para mim Creevey. — Disse baixinho com sua voz arrastada vendo os pelos do rosto do menino se arrepiarem ao mesmo tempo em que a esperança em seus olhos diminuía. — Acha que Amigo ou Aleto são cruéis? Acha que já viu o pior nas mãos deles? Você não viu, senhor Creevey, e se quiser continuar assim sugiro que me conte exatamente o que está acontecendo.

- Larga ele! — Gritou uma voz mais do que conhecida atrás de si.

Snape virou o rosto e se encontrou com Longbottom, Lovegood e a menina Weasley o encarando. Sorriu torto ao encontrar em seus olhos a mesma esperança que no tolo Creevey e mais ainda que isso, havia raiva inflamando de seu olhar. O idiota do Longbottom, tão estupido que nem mesmo conseguia manter uma poção em fogo baixo sem que explodisse a sala ou estragasse a própria tarefa. Aquele que se apoiava nos amigos por não ter competência de fazer algo sozinho. Desprezava-o, era tão indigno de sua atenção que desejava nem mesmo ter que olhar para seu rosto.

- O que pensa que vai fazer, Longbottom? — Perguntou Snape ainda segurando Creevey pelo colarinho, completamente consciente das mãos do menino tateando seu braço tentando se soltar do sufocante aperto.

- Largue-o agora mesmo. — Sibilou Neville entre os dentes segurando a varinha fortemente com a mão erguida.

- Se não o que? Vai me atacar?

- Pode apostar que vai se arrepender.

- Me arrepender? — Perguntou Snape caminhando em sua direção com Creevey no ar, os pés do menino chutavam em sua direção. — Não sabe o que diz Longbottom. Não sabe com quem está se metendo.

- Sei exatamente com quem estou me metendo, é com um comensal filho da mãe que vai se arrepender amargamente por tudo. Seu traidor covarde.

O corpo de Creevey bateu no chão com força quando a mão de Snape se abriu. Os olhos negros chegavam a brilhar de ódio a cada passo que dava em direção ao menino. Luna e Gina apontaram suas varinhas ao mesmo tempo, mas elas não importavam para Snape, quem importava era apenas Longbottom e sua grande boca. Covarde? Como aquela ameba ambulante tinha coragem de chamá-lo de covarde?

- O que foi? Perdeu a língua? Covarde.

- Neville, não! — Disse Gina ao seu lado. — Pare de provocá-lo.

- Parar? Não vou parar, ele merece isso e muito mais, merece que alguém o enfrente para mostrar que não passa de um bosta que só está no posto de diretor da escola, pois tem aquele maldito do Você-Sabe-Quem o protegendo. Esse posto não é seu! — Gritou para Snape ao mesmo tempo em que o professor erguia a varinha com a mão firme, porém suada. — Você não é diretor de Hogwarts. Aquele lugar é de Dumbledore e somente de Dumbledore. Você nunca será como ele, não merece sentar na cadeira dele ou o respeito que dávamos para ele. Você o matou, covarde.

Gina olhou para Luna e viu em seus olhos azuis o desespero enquanto via Neville desferindo aquelas palavras em direção a Snape que ficava cada vez mais branco e possivelmente decidia se matava Neville de uma única vez ou se o mantinha vivo para torturá-lo aos poucos. Virou-se para Snape e encarou seu rosto, estava pálido e uma gota de suor descia pela lateral enquanto apenas ouvia os xingamentos de Neville.

- Ele está aqui, seu idiota. Ele está aqui e não há nada que você ou seu mestre possa fazer para impedir isso, ele vai vencer. Novamente vai derrotar vocês seus malditos.

O feitiço saiu da varinha de Snape sem que esperasse, uma luz dourada intensa que quase cegava, mas antes que o feitiço sequer fosse pensado pelo homem seus olhos se encontraram com os de Gina. Um único segundo, talvez apenas milésimos de segundos que foram suficientes para que a menina derrubasse a varinha e sentisse o corpo cair no chão com as lembranças terríveis que a assolavam. Ouviu nitidamente Luna proferir o escudo que protegeu Neville do ataque de Snape e os passos apressados do professor pelo corredor afora sendo seguido por Neville. Luna demorou um pouco, mas por fim decidiu que Gina desorientada estava mais segura do que Neville que corria atrás de um comensal da morte e também saiu correndo do salão comensal.

Imediatamente os outros alunos que estavam ali assistindo os acontecimentos começaram a gritar vivas e o nome de Harry acordando todo mundo e espalhando a notícia, porém não havia em sua mente espaço para comemoração. Não enquanto se recordava da dor que sentiu enquanto estava pendurada na masmorra tendo como seu algoz o mesmo comensal que agora corria atrás de Harry para matá-lo.

Não, não era para matá-lo. Sabia disso, não sabia? E por que sabia disso? Aquele fato estava tão forte em sua mente como se sempre fosse parte de suas lembranças, Snape nunca faria mal a Harry, porém não recordava o motivo, não entendia. Seus olhos arregalaram-se quando tudo clareou e sentiu seu corpo cair no chão de mármore. “Gina” alguém gritou, mas não houve resposta por parte dela, não havia como responder enquanto sentia a falta de ar e a dor explodindo sua mente. Com desespero levou as mãos aos cabelos vermelhos e os puxou com força tentando que a dor saísse dali. Porém ela continuou instalada em sua mente, continuou até que todas as imagens fossem relembradas.

Gritou e chorou enquanto se lembrava do momento em que os olhos negros focaram-se nos seus dando-lhe sua verdade crua. Sentiu-se novamente entrar na mente de Snape, ver o que ele via, sentir o que ele sentia, saber o que ele sabia. E dessa vez a verdade fora muito mais cruel e impiedosa. Dessa vez o saber a machucou. Sentiu seu corpo tremer quando finalmente abriu os olhos e se encontrou com os amigos a olhando e Lilá a segurando com força pelos braços.

- O que houve? — Perguntou a menina olhando-a com preocupação.

- Snape. — Sussurrou Gina sentindo-se ser erguida devagar. Sua mente ainda doía e seu corpo protestava. Queria sentar, mas não podia, tinha que correr. — Preciso impedi-lo.

- Neville foi atrás dele e Luna também.

- Não. — Disse Gina arregalando os olhos e despertando completamente. — Preciso impedi-lo, Preciso pará-lo, ele não pode matá-lo.

- Ei sei que não.

- Sabe? — Perguntou Gina exasperada se perguntando como ela sabia.

- Claro que sei. Snape é muito mais forte que ele. Vai matá-lo no primeiro feitiço... ei espere.

Gina não tinha tempo para ouvir ladainhas, saiu porta afora correndo a esmo pelos corredores onde os alunos começavam a se inteirar dos acontecimentos. Ouvia os murmúrios dos quadros enquanto corria. Segundo as pinturas fofoqueiras Snape travava uma luta ferrenha com McGonagall, Longbottom e Lovegood dois andares abaixo. Precisava ser mais rápida, se demorasse um pouco mais tudo poderia estar completamente perdido. Pulou o primeiro lance de escadas de dois em dois degraus bem no momento em que ouviu um corvinal chamar outro para formar um apoio no duelo contra o diretor. Snape era forte, mas não poderia com a escola inteira. Seus pés quase tropeçaram quando chegou ao corredor certo e os avistou no fim do mesmo. Snape defendia e revidava sem ter tempo para sequer pensar, apenas agia. Os três outros bruxos também não davam tempo para respirar. Desferiam seus feitiços impiedosamente.

Já estava quase alcançando-os quando percebeu o que fariam. Snape estava cansado e não conseguiria proteger-se, não quando os bruxos se juntaram e lançaram seus feitiços ao mesmo tempo triplicando a força do ataque. Gina cerrou os dentes e forçou os pés para frente conseguindo se jogar contra o professor o derrubando para o lado no momento em que o feitiço passou no exato lugar onde estivera sua cabeça, atingindo a parede e estilhaçando o concreto.

- Mas o que...?

A voz surpresa e confusa de Neville foi escutada no meio da bagunça, mas Gina não lhe deu tempo para compreender. Ainda em cima de Snape ergueu a varinha e apontou para o teto gritando com força.

- Bombarda Maxima!

Snape sentiu a menina mais uma vez debruçar-se sobre ele no intuito de proteger-se contra os estilhaços, mas o teto rachado estava praticamente em cima deles. Quando a primeira pedra caiu Snape fez a primeira coisa que pensou. Agarrou o corpo de Gina e rapidamente saiu de baixo daquele local, quando estava longe o suficiente largou a menina e olhou para o estrago feito. Uma camada de pedras separavam Snape e Gina de Neville, Luna e McGonagall. O professor ajeitou as vestes e afastou os cabelos do rosto antes de olhar para a ruiva ao seu lado.

- O que pensa que está fazendo?

- Você precisa ir embora. — Disse Gina ouvindo a gritaria atrás das pedras. — Não vai conseguir enfrentá-los.

- Posso muito bem lidar com Longbottom, senhorita Weasley, não se meta nisso.

- Com eles sim, mas não com a escola em peso. — Os olhos de Gina eram desesperados. Por que ele não a ouvia? — Você quer ou não quer ajudar o Harry?

Pronto, conseguira a atenção que precisava. Snape virou todo o corpo e ficou de frente para a menina encarando seus olhos intensamente. Atrás das pedras a gritaria aumentava. Sabia o que Snape faria, mas não havia tempo.

- Escuta! — Disse desesperada segurando o braço do homem fazendo os olhos dele voarem para sua mão atrevida antes de voltar para seu rosto suado e sujo de poeira. — Não temos tempo para você ler minha mente. Eu sei a verdade, me lembrei da masmorra, sei que quer ajudar Harry.

- Preciso encontrá-lo. — Disse Snape simplesmente.

- Você precisa é ir embora, a escola inteira está atrás de você.

- Se souber onde ele está diga-me agora, caso contrário saia do meu caminho. — Com um olhar raivoso deu-lhe as costas continuou andando para o outro lado do corredor.

- Idiota. — Rosnou Gina correndo atrás dele, Snape já estava quase virando a esquina quando um grifinório do quinto ano saiu de trás de uma armadura e apontou a varinha para suas costas. – Petrificus Totalus. — O corpo do menino caiu duro no chão com um baque que fez Snape olhar para trás e se deparar com Gina respirando rápido, a varinha ainda apontada para o menino.

- Já avisei para sair do meu caminho, Weasley.

Gina abriu a boca para revidar, mas no mesmo momento ouviu o estrondo dos feitiços que os alunos juntaram para derrubar a parede de pedra. Instintivamente ergueu a mão protegendo os olhos dos estilhaços, mas pôde ver entre os dedos os alunos, professores e funcionários avançando com as varinhas erguidas. Neville vinha à frente.

- Peguem ele! — Gritou o grifinório.

- Não. — Sussurrou Gina vendo os feitiços saírem das pontas de suas varinhas. – Protego Maxima. — Dois feixes de luz se encontraram no meio do caminho fazendo erguer-se entre eles uma parede que repelia os feitiços lançados. Ao olhar para o lado viu que Snape fizera a mesma coisa.

- O que está fazendo? — Perguntou Neville do outro lado da barreira olhando para a menina.

- O que é certo. — Respondeu Gina sem desviar os olhos de Snape. — Consigo te dar alguns segundos de vantagem, mas só isso. Você precisa ir, a melhor chance de ajudá-lo é manter-se vivo. Fuja e dê um jeito depois para falar com ele. Agora vai.

Snape olhou de novo para a barreira onde os feitiços continuavam tentando avançar contra eles. Rosnou irritado por saber que ela tinha razão e lhe deu um leve aceno de cabeça antes de baixar a varinha e ir embora através da sala ao lado. A força da barreira diminuiu consideravelmente, mas Gina permaneceu firme em seu lugar segurando-a enquanto via Snape avançar pela sala e explodir a janela por onde se jogou. Rapidamente Gina abaixou a varinha fazendo a barreira sumir e os feitiços voarem para cima dela, porém a habilidade no quadribol a ajudou a chegar até a mesma sala onde Snape entrou sem que os feitiços a atingisse. Imediatamente foi até a janela e sorriu ao ver o vulto negro no alto céu atravessando Hogwarts. Quando McGonagall e Neville chegaram ao seu lado não se preocupou em esconder sua felicidade.

- A senhorita está sorrindo? — Perguntou McGonagall olhando incrédula para a menina.

- Gina. — Chamou Neville. — Afinal de contas, de que lado você está?

A menina não respondeu a princípio, apenas olhou novamente para fora da janela e observou o vulto negro ficar pequeno e depois sumir na noite. Snape agora não passava de uma fumaça no horizonte, completamente fora de alcance. Com calma virou-se para Neville e viu seus olhos azuis surpresos e arregalados. Ao responder sua voz era calma e baixa, havia segurança e firmeza.

- Do de Harry.

Os alunos se dispersaram xingando a grifinória por seu ato em ajudar o diretor a fugir. McGonagall escolhera ignorar o fato e se preocupar em juntar todos no salão principal para pensar no que iriam fazer dali em diante, Neville foi atrás dela e Luna permaneceu ao lado de Gina que voltara a olhar para a janela.

- Não sei o que te deu, mas tenho certeza de que havia um bom motivo para você fazer o que fez.

- Gina!

O grito veio da porta fazendo a menina olhar diretamente para os olhos verdes de Harry. Sentindo alívio Gina correu em sua direção e se atirou em seus braços apertando-se ao seu corpo até que toda a tensão se anuviasse e pudesse se soltar e olhar para ele.

- Ei, calma, nos vimos a poucos minutos na Sala Precisa. — Disse o menino percebendo que estavam sozinhos na sala, o restante da escola corria pelos corredores.

- Eu sei, eu sei. É que tudo é tão doido que fiquei feliz em te ver.

- Eu ouvi que você deixou Snape escapar, é verdade?

- É verdade, Harry. — Disse Gina olhando no fundo dos olhos do menino e vendo ali a confusão que se instalara. — Eu preciso me juntar ao Neville. Querendo ou não a guerra foi iniciada, logo logo os comensais estarão aqui e preciso ajudar a escola. Sei que você tem coisas importantes para fazer e não vou te impedir, só preciso que faça uma coisa.

- O que?

- Confie em Snape.

- Como é? Gina, ele matou Dumbledore.

- Eu sei que matou, é difícil de explicar agora, só acredita em mim, você tem que confiar nele.

- Gina, o Neville está te chamando. — Disse Dino na porta da sala esperando a menina. O pandemônio se instalara na escola.

- Estou indo. — Respondeu Gina para o menino. — Lembre-se do que te pedi.

Sem dizer mais nada Gina saiu correndo da sala acompanhando Dino. Harry permaneceu parado por alguns momentos apenas pensando no que Gina lhe dissera. Confiar em Snape. No fundo a ideia não era ruim, sabia que devia confiar nele e que PODIA confiar nele. Queria confiar nele.

- Severus.

O sussurro foi baixo e triste, saído do âmago do menino que dera as costas para suas próprias palavras e correra contra o tempo para procurar o que lhe faltava. Mas o poder daquele sussurro fora tal que Snape o sentiu em sua pele arrepiada enquanto se escondia no meio daquelas árvores apenas olhando para o castelo e assistindo a batalha que se iniciara.

- Harry.

O nome não foi pronunciado em voz alta, foi um sussurro feito internamente apenas para seu coração apertado que batia forte enquanto seu cérebro trabalha incansavelmente para saber como conseguiria achá-lo no meio daquela multidão e contar-lhe que precisava matar a cobra e depois se entregar a morte pelas mãos de Voldemort. Maldito Dumbledore e suas verdades cruéis, como queria poder matar o diretor novamente só por lhe incumbir de contar o destino insólito do menino. Depois de pensar um pouco decidiu que o melhor seria ficar perto do Lord, pois Harry acabaria indo até ele. Talvez conseguisse que seu plano fosse enfim concluído.

Agachou-se de cócoras no chão e esperou vendo as defesas da escola diminuírem a cada minuto. Quanto tempo ficara ali, apenas olhando a desgraça cair sobre aquela morada de magia e inocência? Quantas crianças sentiram o ceifeiro às suas costas pronto para levar sua alma? Não importava. Guerra era guerra, era suja e escura, não havia como evitar. Levantou-se quando sentiu a presença as suas costas, não precisava se virar para saber que ele estava ali, o comensal não tentava ser silencioso. Olhou para trás e viu os cabelos outrora cuidados e sedosos, bagunçados e sujos emoldurando um rosto cansado de um homem caído.

- Faz quanto tempo que a guerra iniciou? — Perguntou Malfoy aproximando-se do homem e olhando para o castelo com os olhos desesperado.

- Três horas. — Respondeu Snape simplesmente. — O que quer?

- O Lord pediu para vir lhe buscar. Quer lhe ver na Casa dos Gritos.

Snape assentiu com a cabeça e deu as costas para Malfoy, mas antes que pudesse sumir na noite o ouviu lhe chamar, parou por um momento e virou para trás encarando-o. Malfoy se aproximou devagar com as mãos tremendo enquanto as mexia convulsivamente, olhava para os lados como se temesse que alguém o ouvisse. Ao chegar suficientemente perto sussurrou para que somente Snape pudesse ouvir.

- Eu sei. Eu sei sobre você e o Potter.

Snape estreitou os olhos ao mesmo tempo em que ergueu a varinha postando-a no pescoço de Malfoy apertando sua garganta. O comensal deu dois passos para trás, suas costas encostaram-se à árvore próxima deixando-o encurralado.

- Calma. – Pediu Malfoy erguendo as mãos. – Já sei faz tempo, se eu quisesse poderia ter contado ao Lord antes, mas não contei.

- E eu estou realmente interessado em saber o motivo de seu silêncio. – Disse Snape ameaçadoramente.

- Porque eu sabia que poderia usar isso caso precisasse de sua ajuda.

- Chantagem? – Perguntou Snape em tom zombeteiro. – Acha mesmo que pode fazer chantagem comigo? Que irei me importar com suas ameaças?

- Não era isso. – Tentou explicar Malfoy. – Entenda. Draco está na escola, no meio dessa guerra. Preciso achá-lo. Quero sua ajuda.

- Pelo que me lembro o Lord espera por mim.

- Mas ele não sabe onde você está, pediu que eu o achasse e o chamasse. Pode dizer que estava no meio da guerra. Se me ajudar a achar Draco eu posso te ajudar a achar Potter e se quiser podemos fugir. Tenho muito dinheiro, Severus. – Snape recuou a varinha alguns centímetros percebendo o medo e o desespero que jamais imaginou ver no ser aristocrático que Malfoy sempre foi. O superior agora abaixava a cabeça. – Podemos ir embora de tudo isso, você pode escolher o país para ir, eu o ajudo, leve Potter com você. O que quiser, mas me ajude a achar meu filho. Por favor, eu te imploro.

A varinha de Snape baixou ao ver o homem suplicar com uma voz tão baixa que quase não era ouvida. Lucius caiu de joelhos na terra. Seus cabelos esconderam seu rosto, mas Snape sabia que ele estava chorando, provavelmente pensara muito antes de lhe pedir aquilo, por mais conhecidos que fossem sabia que Lucius tinha uma aversão por si devido ser o braço direito do Lord enquanto ele somente decaia perante os olhos vermelhos.

- Como soube? – Perguntou vendo os ombros do homem balançarem.

- Draco leu a mente do menino em uma aula no começo do sexto ano, logo após aquele estranho ataque ao menino. Era apenas para se divertir, saber o que fizeram com ele, mas quando descobriu a verdade sobre seu casamento Draco veio falar comigo e me contou. Imediatamente apaguei a memória dele. Precisava ter alguma coisa e se o Lord descobrisse talvez tudo estivesse perdido. Eu podia ter contado, mas não disse nada e só estou pedindo para me ajudar a achar meu menino.

- E Narcisa?

- O Lord mandou os comensais do ciclo ficarem na clareira. Belatriz não a deixa sair de suas vistas, não quer que fujamos. Minha chance é agora. Severus, por favor.

Snape estava pronto para contar ao homem que não poderia ajudá-lo, pois não voltaria para o castelo, pois sua missão estava a frente, junto ao Lord. Não havia para onde fugir, país ou continente que conseguisse salvá-lo. Porém suas palavras foram impedidas pela risada grotesca vinda do meio da floresta reverberando no ar. Imediatamente Malfoy se ergueu e puxou a varinha postando-se ao lado de Snape que mantinha a feição dura esperando o aparecimento da pessoa que caminhava lentamente ainda rindo-se. De repente a figura apareceu aos seus olhos causando reações diferentes nos homens. Enquanto Lucius ficara pasmo de surpresa pela presença da cunhada naquele lugar, Snape rosnara de raiva por ver a mulher e mais ainda pelo sorriso grandioso em seus lábios.

- Ora, ora, ora. – Disse a mulher estalando a língua. – Venho aqui procurar Lucius para que cuide de minha querida irmãzinha chorona e o que é que eu descubro?

- Belatriz, não faça isso. – Pediu Lucius.

- Cale a boca, Lucius. – A voz de Belatriz era raivosa e desprezível mostrando o quanto achava que Lucius deveria ser amassado no chão como um verme. – Eu contarei ao Lord sobre sua traição e ele vai decidir seu castigo, mas na verdade o meu assunto é com Snape, pois há muito eu prometi uma coisa a ele e agora poderei finalmente cumprir.

- Não se atreva a tentar, Belatriz. – Rosnou Snape com os dentes cerrados e com tanta raiva que sua varinha emitia faíscas.

- O que vai fazer, Belatriz? O que você prometeu? – Perguntou Lucius.

Um riso baixo saiu dos lábios de Belatriz antes da mulher olhar dentro dos olhos de Snape e amaldiçoá-lo com suas palavras infernais.

- Eu vou matar o amor de Snape.

Os olhos de Snape se arregalaram e a varinha desferiu o feitiço ao mesmo tempo em que a risada da mulher propagou-se pelo ar noturno.

- Eu matarei Harry Potter!

Notas finais
E ai, gostaram???????