A Lenda
7 A primeira vez
Notas iniciais
Antes de postar a história aqui, preciso pedir desculpas pelos erros de português, no caso gramática e digitação, que tenham lido e que possam vir a ler. Não tenho muito tempo para cuidar de correção e por isso algumas vezes vcs podem se deparar com erros como palavras repetidas ou falta de pontuação no final da frase. Eu recebi alguns reviews me alertando sobre isso e tratei de arrumar, peço que me perdoem.
OBS: eu havia deixado, no capítulo anterior, uma exclamação como UAL.... mas me avisaram que estava errado e eu pesquisei o certo e já arrumei para UAU.... Ok???
Desculpem a demora em postar, mas esse capítulo é maior que os outros e eu demorei um pouco mais para escrever e dediquei um dia para poder revisar e corrigir, por isso estou postando hoje. Vamos lá!
SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS
Capítulo 7 – A primeira vez
Que dia era aquele? Que horas o relógio marcava? Ele ainda estava na escola?
Harry não conseguia saber se ainda estava na cerimônia de seu casamento ou em qualquer outro lugar, pois era impossível prestar atenção a algo enquanto sentia faíscas arderem em seu corpo, se sentia em chamas e sabia que a qualquer momento acabaria derretendo.
Meu Merlin!
Era apenas um encostar de lábios, não havia nada mais, nem um único movimento, mas era uma sensação inexplicável. Qualquer asco foi substituído pelo desejo. Os lábios de Snape, mesmo imóveis, pareciam acender em Harry o que ele jamais imaginou ter, tesão.
Harry perdera totalmente o controle de seus atos, queria apenas sentir mais do fogo que consumia suas veias e fazia arder sua carne. O fato de que seu corpo reagiu ao beijo não era surpresa para Harry, qualquer um ficaria da mesma forma, nem ao menos entendia porque estava receoso antes, ele estava no lugar certo, nos braços dele, colado aos lábios dele.
Cada segundo que passava fazia Harry perder mais ainda o controle, ele não queria saber onde estava ou quem estava ali, ele só queria mais daqueles lábios que começavam a se afastar. Instintivamente Harry enterrou sua mão nos cabelos negros e apertou seu corpo ao de Snape demonstrando seu desejo evidente.
As mãos do professor postaram-se nos braços do menino e o empurraram, fazendo com que seus lábios finalmente se separassem. Snape sentiu a resistência do menino, a vontade e o querer. O rosto de Harry estava vermelho e quente, seus lábios estavam ligeiramente separados e ele respirava profundamente. Snape o viu morder o lábio inferior e suspirar antes de abrir os olhos. O olhar do menino estava completamente nublado de paixão. O professor sentia a pressão que o grifinório fazia enquanto tentava se aproximar de si, rapidamente ele olhou para baixo e constatou a delicada situação em que Harry se encontrava. Os olhos do garoto suplicavam por proximidade, estavam quase implorando e por mais que Snape sentisse raiva do estado em que o menino estava e a vergonha que causava,sabia que não era culpa dele e que Harry não tinha controle sobre seus atos. Porém era necessário fazê-lo recobrar a razão, precisavam continuar a cerimônia e não podia ser daquela forma.
Na cabeça de Harry ele se perguntava por que Snape o estava segurando, não entendia e se sentiu completamente confuso quando viu a varinha do homem apontar para seu peito e lançar um feitiço não verbal.Parecia que Snape havia jogado um balde de água gelada em Harry, toda a sensação quente e gostosa que antes o envolvia agora se dissolvia em fumaça que afastava de seu corpo, seus olhos piscaram com força vendo além do homem a sua frente, vendo Dumbledore e o homem do Ministério parados com sorrisos em seus rostos, ele virou-se e viu os outros convidados também sorrindo. Porém todos estavam estranhamente parados, pareciam petrificados.
Harry deu um passo para trás livrando-se das mãos de Snape e olhando confuso para o professor.
- O que...
- Eu tive que parar o tempo, igual Flitwick estava ensinando a seus amigos cabeças oca, porém esse feitiço é muito mais complexo, o tempo ficará estático até que eu reverta o feitiço. – Explicou Snape como se fossea coisa mais óbvia. — O senhor estava agindo de forma vulgar e mostrando-se em uma situação constrangedora, ninguém é obrigado a vê-lo dessa forma. – Rosnou Snape.
- Que forma? – Perguntou Harry com as mãos cobrindo a boca. Sem entender ele olhou em suas mãos e braços procurando alguma coisa errada, mas estava tudo em ordem. Não estava entendendo, sua roupa estava arrumada e limpa. Franzindo a testa abriu sua capa pensando em procurar algum rasgo na parte de trás, foi quando viu o volume evidente sob sua calça.
- Merlin!
Rapidamente Harry virou de costas para Snape e ficou encarando a cortina vermelha. Como fora ficar daquela forma? Justo naquele momento, justo com aquela pessoa. Ele sentiu o rosto corar e seus olhos marejarem com a vergonha. Como poderia olhar para os outros agora? Como encararia Hermione ou a velha professora?...Não, ele precisava sumir, desaparecer.
- Quero ir embora. – Disse segurando a capa na frente do corpo.
- Não pode. – Disse Snape. – Temos que terminar a cerimônia.
- Não tenho condições de terminar a cerimônia, me deixe ir embora. – Ele pediu.
- Não. – Sentenciou Snape. – Seu problema sumirá em alguns minutos, o senhor vai se recompor e vamos finalizar a cerimônia.
A frieza com que Snape dissera aquilo era tão grande que Harry sentiu raiva de si mesmo por ter agido de forma tão estúpida. Por que ficara daquela forma? Queria perguntar à Snape, mas sentia que se falasse qualquer coisa acabaria vomitando, por isso apenas continuou respirando e sentindo pontadas afiadas de raiva e de vergonha em seu estômago.Somente após alguns minutos Harry recolocou a capa e se virou. Snape estava imóvel com as mãos entrelaçadas olhando fixamente para o menino que se aproximou devagar de cabeça abaixada. Quando Harry finalmente levantou a cabeça eram visíveis as marcas das lágrimas que desceram pela sua face morrendo na pele do pescoço ou simplesmente sendo enxugadas na altura do queixo.
- Eu... – Harry tentou começar a dizer algo, mas parou ao ver os negros olhos tão frios quanto o inverno cruel que se aproximava. Sentiu que facas perfuravam seu estomago e faziam vazar a raiva que assolava suas veias.
Por que ele era tão frio?
- Não entendo. – Disse Harry. – Por que... – Começou sentindo a vergonha voltar. – Você me... me...er...
- Muito bem articulado como sempre, Potter.
A acidez na voz sarcástica e irônica era como um chicote que rasgava sua pele por dentro.
- Você me beijou. – Harry disse com raiva enquanto se aproximava. – Você sentiu algo também, então pare com essa frieza.
- Pare com esse melodrama ridículo. O único motivo para eu tê-lo beijado foi por obrigação de contrato, eu quero distância do santo Potter.
Harry abriu a boca, mas não foi capaz de dizer palavra, pois a voz baixa novamente invadiu o corpo do menino rasgando e cortando qualquer fio de esperança que existisse dentro de si.
- Eu disse que faria da sua vida um inferno. – Rosnou Snape aproximando-se. – Pare de choramingar, pois vamos voltar para a cerimônia.
Por mais que Harry soubesse que deveria reclamar, que não podia ficar calado e que era praticamente obrigado a retrucar o homem que lhe lançava olhares repulsivos, ele não fez. Algo ainda estava errado com ele. Em seu peito devastado pelo desprezo, havia uma pequena centelha que queimava por ele. Harry sabia que não devia dar atenção a isso, mas cada palavra ferina e olhar afiado dava mais e mais vontade de se aproximar e tocar novamente aqueles lábios finos.
Mas não, ele não podia pensar ou sentir isso, talvez estivesse enfeitiçado ou simplesmente louco, ainda assim era preciso lutar contra isso, ser forte e permanecer controlado.
Harry limpou a garganta e olhou para o chão ao perguntar:
- O que aconteceu comigo? Por que eu... fiquei...
-Excitado ao me beijar?
O menino respirou fundo, o tom zombeteiro de Snape queimava sua garganta de ódio.
- O senhor tomou a poção que McGonagall deu cedo demais, era para sentir esses efeitos mais tarde. Tive que paralisar os efeitos por um tempo.
- Então eu vou ficar assim novamente?
- Sim. – Respondeu Snape sentindo a última gota de paciência se esgotar. – Chega de perguntas.
Sem aviso Snape se aproximou e puxou Harry pela cintura olhando os olhos verdes arregalarem de nervoso, ele sentiu o corpo pequeno tremer e viu o menino manter as mãos fechados em punho na frente da boca.Harry quase gritou ao sentir seu corpo bater no de Snape e agradeceu mentalmente por ser interrompido por aplausos, Dumbledore sorria de orelha a orelha e batia palmas entusiasmado.
O tempo voltara a andar.
Os convidados estavam de pé e sorriam para os noivos, Hermione, McGonagall e Pomfrey tinham os olhos marejados de emoção, Rony aplaudia com a expressão de alguém que ainda não formulou uma opinião. Dumbledore mantinha a mão machucada coberta pela manga da capa e tinha um olhar feliz e aliviado.Harry teria visto tudo isso se não estivesse com medo de olhar, ele preferiu evitar possíveis olhares de condenação por agir de forma depravada na frente de todos.
- Por favor, se aproximem. – Disse o senhor Clain vestido com uma túnica vermelha atrás do altar.
Snape afastou-se um passo e pegou firmemente a mão fechada em punho de Harry. Seus movimentos foram graciosos e pareceram delicados, mas na verdade Snape forçava os dedos de Harry obrigando-os a se abrirem e entrelaçarem aos seus. A pequena mão estava quente, trêmula e suada. Snape não ligou para isso, apenas o puxou até estarem frente a frente ao senhor Clain que sacou a varinha e fez floreios estranhos enquanto recitava feitiços que Harry não sabia o que significava.
- Que essa união seja protegida pelos encantamentos aqui realizados. – Disse o homem guardando a varinha. – O mundo mágico expande e se completa cada vez que duas almas se juntam para compartilhar os maiores e mais profundos sentimentos e desejos. A magia que impera em cada corpo irá se fundir tornando-os fortes o suficiente para superarem e ultrapassarem os limites da dor e da angústia, pois todo amor aqui unido será a fortaleza onde buscarão a força necessária.
Harry franziu a testa. Para ele aquele homem não dizia uma única frase coerente e nem ao menos pareciam com votos de casamento, pois mesmo que jamais tenha ido a uma cerimônia ele já assistira filmes e em nenhum deles existiam essas frases desconexas. Mas ao olhar para Dumbledore, pareceu-lhe que o velho sabia exatamente o que significava e isso queria dizer que era algo ruim.
- Agora recitem seus votos.
Isso Harry conhecia, porém ele não sabia o que dizer. Sem imaginar o próximo passo ele se virou ficando de frente para Snape e abriu a boca, mas logo depois fechou.
O que ele deveria falar?
Para sua sorte Rony pegou um pedaço de pergaminho com Hermione e levou até Harry murmurando desculpas. O grifinório abriu o pequeno pedaço de pergaminho e leu a frase logo em cima.
“Os votos são iguais a um casamento trouxa, siga as instruções.Primeiro segure a mão dele como se fosse beijá-la”.
A mão de Snape estava parada ao lado do corpo, Harry hesitou, mas pegou a mão e segurou conforme indicado.
“Agora recite as seguintes palavras:
- Severus Prince Snape, você me aceita em sua vida para ocupar o posto de seu esposo e me permite conquistá-lo a cada dia, cuidar-te a cada enfermidade, sorrir a cada conquista, levantar-te a cada caída e principalmente amar-te a cada sopro de vida que existir em mim?
Harry respirou fundo, pois lera tudo com rapidez e sem respirar. Após tomar fôlego ele leu novamente o pergaminho, ali dizia que ele deveria aguardar Snape responder, mas esperar a resposta dele era pior que saber se a Grifinória ganharia ou não a taça das casas. Finalmente os lábios de Snape se abriram e por eles saiu uma frase que Harry jamais se esqueceria.
- Sim, eu o aceito como meu esposo.
O coração de Harry deu um solavanco quando sentiu um calor emanar da mão de Snape e subir pelo seu braço como labaredas de fogo lambendo sua pele. Era bom. Somente após ele sentir o calor se dissipar percebeu que o senhor Clain apontava sua varinha para suas mãos e o olhava como se esperasse que ele fizesse algo. Rapidamente o menino olhou para o pergaminho.
“Agora beije a mão dele para selar o feitiço de casamento e aguarde ele dizer seus votos”
Harry inclinou-se e encostou os lábios nas costas da mão de Snape. Era tão quente e macia que ele fechou os olhos para aproveitar brevemente aquele momento. Após alguns segundos Snape apertou levemente seus dedos o fazendo se afastar e se recompor.
O professor trocou as posições das mãos e olhou para o menino, não era preciso papel, ele sabia o que precisava dizer. Porém, ele sabia que após a resposta de Harry sua vida estaria eternamente selada a ele, por isso se reservou a esperar alguns minutos antes de prosseguir e foram nesses minutos que ele pensou em Lilian e na promessa feita. Seu coração batia lentamente e ele estava tranqüilo, pois apesar de saber que teria que viver com o flagelo de sua existência, ele poderia cumprir sua promessa. Talvez o que mais motivasse a sua decisão de seguir em frente fosse o fato de que quando visitasse o túmulo dela ele poderia se despedir sem peso no coração.
- Harry James Potter, você me aceita como seu esposo e... – Ele pausou vendo o brilho de Lilian nos olhos verdes. – me permite protegê-lo de todos os males que possam assombrar sua vida? Você me entregaria sua alma para que eu cuide como se fosse minha? – Harry franziu a testa ao perceber que Snape parecia hipnotizado, era como se não visse o menino e sim sua alma. – Me dê essa honra, senhor Potter, e eu prometo que jamais te decepcionarei, eu farei o que for preciso para protegê-lo.
Harry respirou fundo e apertou a mão de Snape fazendo-o piscar e voltar a fazer sua carranca natural, como se ele estivesse ficado fora de si por alguns minutos. Dumbledore pigarreou e Harry limpou a garganta.
- Sim, eu o aceito como meu esposo.
Snape se inclinou e beijou brevemente a mão de Harry, o menino fechou os olhos e sentiu as labaredas incendiarem seu corpo, ele suspirou e olhou para os olhos frios dele, nem isso esfriou o corpo do menino.
- Sendo assim suas almas estão eternamente entrelaçadas.
Mais aplausos, todos os convidados estavam de pé e viam os feitiços finais serem lançados nos dois. Após todos silenciarem, Rony e Dumbledore se aproximaram e colocaram as mãos nos ombros dos noivos dando suas bênçãos, Rony estava vermelho e sem jeito.O final do casamento foi belo, com música e algumas fadas dançando em volta deles. Quando o relógio bateu seis e meia eles começaram a agradecer os convidados para poderem seguir para a lua de mel.
Ao abraçar Hermione, Harry sussurrou:
- Estou com medo,Mione.
- Calma. Tudo vai dar certo. – Ela olhou para o amigo e sorriu. – Não se preocupe com nada, vocês vão para uma casa de férias na Grécia, no quarto tem sua mala, eu coloquei um livro com algumas instruções. Vai ficar tudo bem.
- Espero.
Harry sorriu e se aproximou de Snape que o aguardava segurando uma bola de cristal, uma chave de portal. Rony mexeu os lábios desejando boa sorte. Harry sorriu de volta e segurou a bola de cristal junto com o professor. A última coisa que ele viu foi o sorriso de alívio que Dumbledore mantinha em seu rosto.
Essas viagens com chaves de portais sempre reviravam o estômago de Harry, ele sentiu uma leve vertigem e se segurou no braço de Snape. Somente após se recuperar que sentiu o braço do homem se desvencilhar de sua mão. Snape andou até a frente da casa e parou na entrada apontando a varinha e recitando os feitiços para liberar a proteção. Harry aproveitou esses breves instantes para olhar em volta. A casa era muito bonita, branca e com várias paredes de vidros. O ambiente em volta era simplesmente lindo, eles estavam em um lugar alto, isolado e com neve. O vento frio bateu em seu rosto e o fez se arrepiar, era melhor entrar. Snape já havia tirado os feitiços e entrado na casa deixando Harry do lado de fora. Rapidamente o menino passou pela entrada e recebeu de bom grado uma lufada de ar quente em seu rosto.
Por dentro a casa era muito mais bonita, era até mesmo difícil de descrever. Era tudo em tons claros, a lareira estava acesa e lançava sombras sobre o sofá branco e os móveis marfim. No meio da sala tinha um tapete negro que contrastava com as cortinas que Snape afastara deixando o menino ver uma maravilhosa vista do mar sem fim e da água batendo nas pedras, era maravilhoso, porém ele não conseguia ver nada além do homem na varanda.
Snape abrira sua capa e a deixara esvoaçar pelo vento gelado que vinhado mar, seus cabelos negros voavam e seu rosto estava sério, ele pensava. Harry se aproximou e o olhou, estava tão gelado e frio quanto à água escura, mas estava lindo. O menino afastou o olhar e viu o céu escuro começar a encher de estrelas. Ele tinha que falar sobre o assunto, mas era tão difícil que apenas ficou calado ao lado de Snape olhando o mar.
Somente quando seu corpo não parava de tremer Harry teve coragem de perguntar:
- Quando nós teremos que fazer?
Snape permaneceu em silêncio alguns segundos, depois cruzou os braços e respondeu:
- Antes de terminar o dia.
- Certo. – Harry respirou fundo e tocou o braço de Snape fazendo-o se virar e o olhar, Snape demonstrou apenas leve e breve surpresa antes de voltar a mostrar indiferença. – Me dá um tempo para... me preparar.
Snape descruzou os braços e olhou profundamente para Harry que tentava esconder o nervosismo de quem estava prestes a ir para a cama pela primeira vez com o homem que sempre odiou.
- Quando estiver pronto apague a luz do quarto.
Harry assentiu e viu Snape entrar na casa e ir em direção a cozinha, o menino foi na direção contrária e entrou no quarto. Ele deveria ficar impressionado com a beleza do aposento, afinal não era todo dia que entrava em um quarto com uma linda cama de casal com dosséis de mármore, cortinas e lençóis de seda negra. O tapete era branco e macio levando até a varanda de frente para o mar, porém Harry nem parou para olhar ao redor, apenas foi até sua mala e abriu procurando o livro que Hermione colocara ali para ele.
Ao pegar o livro Harry quase o derrubou, só falava sobre sexo entre homens, ele fechou o livro e abriu a boca surpreso com as imagens. Soltando um lamentose encostou à parede e escorregou até o chão onde abraçou as pernas sentindo seu peito doer pela falta de ar.Finalmente liberou o medo que estava preso em seu corpo e sentiu as lágrimas rolarem pelo seu rosto, o desespero tomou sua mente e ele imaginou diversas coisas que poderiam acontecer entre os dois nesses dias. Somente quando o ar voltou aos seus pulmões que Harry ergueu a cabeça e pegou o livro de volta abrindo-o em uma página marcada por Hermione. Ali tinha instruções para que pudesse se preparar para o que aconteceria.
Harry guardou o livro no malão, pegou sua toalha e foi para o banheiro tomar um banho. A banheira já estava cheia e a água quente o ajudou a relaxar fazendo com que pudesse pensar com mais clareza, relembrou as últimas duas semanas e tentou imaginar seu futuro vendo diversas imagens, mas a água já começava a esfriar e ele precisava enfrentar seu presente.
Foi pro quarto enrolado na toalha e sentou na cama vendo os vidros de lubrificante e do anestésico que precisaria usar. Harry largou a toalha em uma poltrona e sentou no meio da cama, convocou o livro e leu novamente o que precisava fazer. Com as mãos trêmulas tentou se preparar, mas o nervosismo só o fez sentir dor então simplesmente deitou de bruços embaixo do lençol e sentiu a textura da seda em seu corpo nu.
Com receio pegou a varinha e apagou a luz, colocou a varinha e os óculos no criado ao lado, descansou a cabeça no travesseiro e aguardou. Alguns minutos depois ouviu a porta se abrir seguido de passos em direção ao banheiro, ele tentou ver, mas estava escuro demais e estava sem óculos, era impossível enxergar algo.
Snape tirou suas vestes e colocou-as devidamente dobradas em cima de um banquinho, tomou um rápido banho de chuveiro e colocou um roupão branco olhando-se brevemente no espelho antes de voltar para o quarto. Viu Potter deitado de bruços e de longe pareceu que o menino estava dormindo, mas Snape sabia que ele estava muito bem desperto. O professor se aproximou da cama e olhou as costas nuas de Harry, ela subia e descia devagar e trêmula demonstrando o quanto ele tentava regular a respiração.
Em sua mente Snape sentia a luta entre a raiva que sentia do filho de James Potter e a promessa de cuidar do filho de Lilian Evans. No fim os olhos verdes imperaram e ele se sentou na beira da cama, o menino se encolheu brevemente. Snape olhou o vidro de lubrificante, estava quase intacto.
- Você se preparou? – Perguntou sem olhá-lo.
Silêncio. Harry se mexeu inquieto e após fechar e abrir a boca algumas vezes finalmente respondeu com uma voz baixinha.
- Eu tentei, mas não sei fazer.
Snape balançou a cabeça e entrelaçou os dedos das mãos pensando brevemente como faria aquilo, mas uma voz quebrada chegou aos seus ouvidos deixando seu corpo tenso.
- Você vai me machucar?
Os olhos verdes olhavam para seu rosto e Snape agradeceu por eles não conseguirem focalizá-lo, não queria que o menino visse sua expressão assustada, não pela pergunta e sim pela possível resposta.Sim, poderia machucá-lo e muito, se quisesse. Seria fácil imobilizá-lo e invadir seu corpo selvagemente rasgando sua pele de forma bruta impedindo-o de andar, mas naquele momento jamais conseguiria ser bruto daquela forma, tanto por Lilian quanto pela própria fragilidade do garoto.
- Vou fazer o possível para não machucá-lo.
- Tá.
Snape pagou o vidro de lubrificante e colocou do outro lado da cama, levantou-se e retirou seu roupão. Ajoelhou-se devagar ao lado do menino, afastou o lençol e observou o corpo nu de Harry banhado pela luz de uma lua enorme e brilhante. Devagartocou a pele branca no meio da espinha fazendo Harry ofegar e tremer. Isso não parou Snape que desceu seus dedos pela espinha do menino parando no inicio do quadril, Harry ofegava e fechava os olhos com força.
O grifinório sentiu Snape pegando um travesseiro e depois quase gritou quando ele levantou seu quadril e colocou o travesseiro embaixo de si deixando-o com aquela parte elevada. A respiração de Harry estava extremamente alterada e ele apertava seu rosto no travesseiro enquanto sentia os dedos de Snape voltarem a tocar seu corpo, dessa vez diretamente no local mais sensível.
Os dedos de Snape trabalhavam devagar em Harry, preparando-o delicadamente, mas o menino estava tenso e travava o corpo dificultando seu preparo.
- Acalme-se. – Disse Snape postando uma mão nas costas dele sem parar de mexer seu dedo.
Harry respirou fundo e tentou relaxar seu corpo permitindo que o primeiro dedo o invadisse. Snape logo o preparou para o segundo dedo e sentiu que o menino se esforçava para deixar o corpo relaxado, mas quando o terceiro dedo o invadiu, Harry sentiu a dor fisgar seu corpo. Snape parou por alguns momentos esperando o menino parar de se tencionar e relaxar novamente, após alguns segundos recomeçou a mexer os dedos devagar, abrindo caminho para ele mesmo se fundir a Harry.
Os olhos de Harry estavam fechados com força e ele quase mordia o travesseiro. Por mais que Snape estivesse sendo muito gentil, Harry sentia dor e medo a cada movimento. Jamais em sua vida imaginou que estaria naquela situação. Já era vergonhoso demais imaginar que o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas estava olhando para seu corpo nu, um corpo magro e feio, pior ainda era saber que ele adentrava seu corpo com seus dedos longos e experientes. Doía dentro de si a realidade de que logo seria o membro daquele homem mais velho e corpulento que o estaria invadindo. Ele não queria isso. Mas não podia evitar, já estava acontecendo.
Snape retirou seus dedos de Harry e postou suas mãos uma de cada lado do corpo do menino, o colchão afundou levemente com o peso do corpo que se posicionava em cima dele. O grifinório escondeu o rosto no travesseiro e o mordeu ao sentir o corpo de Snape encostar-se ao seu cobrindo-o por completo. Os cabelos negros encostavam levemente na altura de seu ombro e era possível sentir a respiração pesada em seu pescoço.
Um dos braços do mais velho atravessou o peito de Harry por baixo segurando o corpo frágil firmemente enquanto a outra mão segurava os quadris dele. Com seus joelhos Snape separou as pernas de Harry e posicionou-se parando por apenas um segundo.
Os dentes de Harry já estavam começando a doer pela mordida forte que ele dava, sua mão estava branca de tanto apertar o lençol ao sentir a ponta do membro de Snape forçar sua entrada. Seus olhos lacrimejaram ao sentir seu corpo se abrir forçadamente para alojar aquela parte de Snape que forçava a entrada aos poucos.
Porém, mesmo com todo o cuidado que tinha, Snape ouviu o grito desesperado de Harry quando entrou por completo naquele corpo franzino. O menino se mexia tentando fugir daquilo enquanto gritava de olhos cerrados e mãos em punho. Ele pedia para parar, mas Snape não podia parar, era preciso continuar, Harry acabaria se acostumando, todos se acostumam.
Após alguns segundos em que esperou Harry se acostumar, Snape começou a se movimentar levemente. Era preciso segurar o menino com força, pois ele chorava tentando se livrar das mãos do professor pedindo que parasse, que tivesse piedade. Estava doendo, estava machucando.
O pior era saber que o que mais estava machucado naquele momento não era seu corpo, que ardia com o movimento constante de Snape em seu quadril, e sim sua alma que quebrava aos pouquinhos como uma jarra de vidro valiosa que começara a trincar e aos poucos perdia seus pedaços.
O cabelo de Snape balançava roçando em seu ombro, ele sentia o corpo do homem começar a suar e sua respiração falhar. Em um ato de desespero, ao sentir Snape aumentar a velocidade das estocadas, Harry segurou o braço do homem e mordeu a carne. O professor soltou uma exclamação grosseira, mas não o impediu, apenas se movimentou mais rápido, cada vez mais bruto, entrando e saindo dele sem se importar com o choro de Harry e quando finalmente sentiu que chegara ao ápice ele apertou o corpo do menino contra o seu com força machucando-o e liberando-se dentro dele.
Harry sentiu o líquido quente ser despejado no interior de seu corpo e sentiu-se sujo. Era a única forma que poderia se sentir naquele momento, sujo.
Snape desabara sobre seu corpo e respirava com dificuldade em cima de Harry que mal conseguia respirar, o suor que escorria da testa do professor caia na bochecha do menino que mantinha os olhos firmemente fechados, tão fechados que doíam e era até mesmo possível ver bolinhas brancas no escuro de suas pálpebras. Após alguns segundos Snape saiu de dentro de Harry e se afastou indo ao banheiro.
Os olhos verdes finalmente se abriram e olharam para o mar e a lua, eram tão bonitos e imaculados. Por que ele não poderia ser assim também? Puro.
Enquanto se encolhia em posição fetal e aguardava o torpor o beneficiar com sua calma, uma única imagem chegou a sua mente e era a mais inusitada. Gina Weasley rindo para ele enquanto mexia em seus cabelos vermelhos.
Os olhos de Harry já estavam desfocados, o torpor atendeu seu pedido e o levou desse mundo, desse quarto, mas ainda assim seus olhos choraram, pois jamais poderia ter o futuro que imaginara com a menina Weasley. Seu futuro agora estava entrelaçado àquele que quebrou sua alma, que invadiu sua vida e seu corpo. Que futuro seria esse?
o:p>- Deixe-o ir. – Disse Harry finalmente sentindo o torpor o deixar e a raiva o consumir. – É melhor do que ver a cara de nojo que ele faz para mim.
- Harry, eu não estou com nojo de você. – Rony tentava se explicar, o olhar de Harry o incomodava.
- Se está com nojo dessa situação, está com nojo de mim também, porque eu estou bem no meio de toda essa porcaria. Você acha que eu quero isso? Acha?
- Não Harry, eu...
- Pois eu não quero! – Gritou Harry sentindo as lágrimas acumularem em seus olhos. Ele viu Hermione trancar o quarto e colocar um feitiço silenciador. Ótimo, ele precisava gritar. – Eu não pedi, nem desejei isso, mas eu terei que fazer. E VOCÊ está fazendo cara de nojo?
- Harry, você entendeu errado.
- Eu entendi tudo, porque eu também sinto nojo de mim, cada vez que eu penso nisso sinto vontade de vomitar, meu estomago revira sempre que penso que serei comido por um homem. Não será em você que vão entrar, será em mim. Eu que terei que fazer isso após o casamento com Snape e você está com nojo?
Harry sentia que finalmente o que estava entalado saia e o deixava livre daquela angustia, mas isso custou gritos, lágrimas e um abajur quebrado. Finalmente Harry se sentou na beirada da cama e respirou fundo.
- Harry. – Chamou Rony. – Me desculpe, sério, eu não queria te deixar assim. Será difícil para mim, eu imaginava você com alguma menina, nunca passou pela minha cabeça você e Snape, mas eu vou estar ao seu lado sempre e se aquele seboso fizer alguma coisa eu serei o primeiro a arranjar alguém para bater nele.
Não havia como permanecer calado após essa demonstração de “coragem” de Rony. Harry riu e tacou o travesseiro no amigo.
- Continue Hermione. – Ele pediu. – Termina logo com a parte do sexo.
- Aqui diz que será necessário tomar uma poção especial que o próprio Snape irá fazer, essa poção será tomada todos os dias a partir de amanhã, ela ajudará a crescer um útero em você e a te deixar fértil para a fecundação. As tentativas deverão ser feitas a cada dois dias após a lua de mel, quando você já estiver grávido a freqüência pode diminuir para dois dias por semana. Normalmente não é necessário tomar essa medida, pois os casamentos são feitos por pessoas que se gostam, mas quando é feito como o seu, é necessário manter essa meta para que o contrato permaneça. No seu caso, como essa gravidez é diferente, será necessário que jamais se perca esse contato entre você e o Snape, mesmo enquanto estiver grávido, pois é a união dos dois que irá fortalecer o bebê.
- Acho que posso pensar nisso depois, quando já estiver... grávido.
Harry pegou o relatório e leu, tudo que Hermione dissera estava ali, sem tirar nem por. Mas por um momento a mente de Harry viajou para fora de seu dormitório. Será que Snape também recebera um relatório igual a esse? Será que ele também estava lendo os mesmos termos e os achando um absurdo igual Harry? Será que ele também estava revoltado? Será que ele sabia os termos quanto ao sexo? Será que ele já...?
Melhor não pensar nisso.
Harry colocou o relatório ao lado e olhou para os amigos.
- Eu não vou para o jantar, preciso ficar um pouco sozinho.
- Está bem. – Disse Hermione.
Ela e Rony saíram do quarto e Harry se deitou pensando que de manhã ele era apenas Harry Potter, agora era Harry Snape. Algumas vezes ele se perguntava se seria melhor não ser bruxo. Ele adormeceu antes de pensar na resposta.
Próximo capítulo: Desejos a flor da pele
N/A: Espero que tenham gostado. Eu revisei o capítulo duas vezes, mas ainda assim peço desculpas se acharem algum erro. Fiquem a vontade para criticar sobre o que quiserem, tanto a escrita quanto a própria história. bjus
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