Notas iniciais
Olá pessoal, quero agradecer os reviews, adorei e quero dizer que esse capítulo por enquanto é o maior, eu pensei em dividí-lo em dois, mas achei melhor deixar apenas um....Espero que gostem...bjussss

Capítulo 6 – A dança


Por mais que tivesse dormido apenas duas horas, Harry não estava com sono, pelo contrário, estava completamente desperto e nervoso. A manhã de sábado não podia estar melhor, o jardim estava com um verde intenso e o vento espalhava as folhas que caiam das árvores próximas. O lago negro estava calmo, não havia uma única marola em sua beira, a lula gigante provavelmente estava dormindo e os sereianos viviam nas profundezas do lago, tão fundo que nem mesmo uma guerra entre eles seria capaz de movimentar a água.

Mas o mais impressionante era o sol que subia no horizonte iluminando o jardim e refletindo na água. Era começo de novembro, o sol não deveria estar tão brilhante, nem tão intenso. Parecia que o astro rei queria zombar de Harry com sua imponência, sua superioridade e sua calma que se derramava pelo terreno do castelo atingindo desde a torre mais alta até o pinheiro mais distante.

Harry sentia-se mal por ter essa manhã magnífica a vista e sentir-se indigno dela, ele não queria o sol resplandecente, queria o frio que o outono passava para o inverno, ele queria que tudo desse errado, pois o certo lhe deixava temeroso.

Quando o relógio indicou oito horas Harry parou de olhar pela janela e afastou a cortina de sua cama, se deparando com Rony sentado na cama bagunçada em frente a uma grande bandeja cheia de comida.

- Os elfosmandaram. – Disse Rony engolindo uma salsicha.

- Por quê?

- Porque você vai se casar e merece alguma mordomia pelo menos hoje.

- Vejo que você gostou bastante dessa mordomia.

- Ei, cara. O que é seu é meu, pelo menos até esse momento.

- Sem graça.

Rony riu e jogou um pão italiano para Harry que sentou na beirada da cama e começou a comer.

- Onde estão os outros?

- Tomando café no salão principal e se preparando para ir a Hogsmead.

- Me esqueci que tinha visita hoje. Por que você não foi?

- Hermione não deixou, disse que tenho que ficar com você e me preparar para a cerimônia.

Harry deu de ombros e começou a tomar o café da manhã meio forçado, estava nervoso demais, mas desde que Hermione dera um sermão nele e o mostrara o quão covarde estava sendo. Harry não mais reclamara, apenas aceitara e fazia tudo que Hermione e McGonagall lhe dizia.

Os meninos desceram para o salão comunal e jogaram Snap explosivo até Hermione aparecer eufórica e ansiosa.

- Onde você estava? – Perguntou Rony.

- Estava no andar da Sala Precisa. – Disse a amiga vendo se não havia ninguém ouvindo, os alunos mais velhos estavam em Hogsmead, mas alguns novatos sempre queriam ouvir a conversa dos outros, porém naquele momento eles estavam sozinhos. – Estava conferindo se tudo está arrumado como mandei.

- E está?

- Está tudo perfeito. E agora vou precisar que os dois subam, porque daqui a pouco os alunos voltarão e vocês não vão conseguir subir sem serem vistos.

Harry ajudou Rony a guardar o jogo e seguiu com Hermione até o sétimo andar.

- Hermione, como os alunos não virão até aqui? – Perguntou Harry subindo o último lance de escadas.

- Você acabou de passar pelo feitiço que o professor Dumbledore colocou, a partir do pé da escada. Nenhuma pessoa que não tenha sido convidada conseguirá subir e o andar inteiro foi encantado para que ninguém veja ou ouça algo.

Harry acenou com a cabeça e começou a andar até o corredor que levaria até a sala precisa, mas Hermione o segurou pelo braço e o levou pelo caminho contrário dizendo que eles só veriam a Sala Precisa na hora da cerimônia e que naquele momento os dois teriam que almoçar e se arrumar para o casamento. A amiga os empurrou para uma sala de aula onde continha uma mesa com os pratos do almoço. Foi explicado que era cedo para o almoço, mas que depois que eles comessem teriam que se preparar para a cerimônia e isso iria demorar. Rony não deu muita importância, mas Harry imaginou quinhentas mil coisas em sua mente.

Sim, ele ainda estava muito nervoso, suas mãos tremiam um pouco, sua cabeça não raciocinava direito e ele perdera a vontade de comer. Hermione ralhou com ele, pois estava com olheiras evidenciando a noite mal dormida, mas ele não podia fazer nada, seus olhos simplesmente não queriam se fechar e quando finalmente fechou Harry viu Snape e em seus olhos apareceu um brilho misterioso, algo que o menino não conseguiu compreender, ele esperava que o professor não o olhasse daquela forma.

Por obrigação Harry empurrou a comida para dentro e esperou a próxima orientação, o menino estava quase no piloto automático, pois o tempo passava e ele estava cada vez mais nervoso e até mesmo ansioso. Iria se casar, iria se tornar marido de alguém, e de alguma forma estranha estava até mesmo animado.

Pela janela embaçada ele e Rony viram os alunos voltarem de Hogsmead e irem para o salão principal. Logo depois a professora McGonagall entrou na sala com o rosto vermelho.

- Desculpem a demora. – Disse arrumando o chapéu. – Por sorte estamos no horário. Vejo que já almoçaram então podemos passar para a preparação. Sr Weasley, o senhor e a senhorita Granger ficarão aqui, um elfo virá auxiliá-los, senhor Potter venha comigo, por favor.

Harry deu um olhar assustado para os amigos e seguiu a professora até uma sala próxima. Dentro da sala havia três elfos, uma bancada com vários potes, uma cama pequena que mais parecia uma maca da ala hospitalar, suas vestes de gala e uma banheira no final da sala.

- Certo Potter, já é uma da tarde, você tem que se preparar até as cinco horas, pois a cerimônia será nesse horário. – Disse a professora aproximando-se e colocando a mão delicadamente em seu ombro. – Você está bem?

- Estou. – Mentiu Harry sentindo o peito doer com a respiração rápida.

- Você tomou a poção de fertilidade todos os dias? – Harry assentiu. – Certo, então agora preciso que tome essa aqui. – Mostrou um frasquinho pequeno. – Essa é uma poção muito rara e poderosa, ela tem a duração de dois dias, ela vai ajudar na fecundação. Mas tem alguns requisitos que devem ser seguidos a risca.

Harry engoliu em seco, com certeza falar esse tipo de assunto com a professora de Transfiguração não era nada confortável. Queria que Hermione estivesse ali.

- Acho que o principal a senhorita Granger já passou referente as suas obrigações com o contrato.

- Sim, eu já sei tudo. – Atropelou Harry, definitivamente não queria ouvir a professora falando sobre aquilo.

- Que bom. – A professora também parecia aliviada por não precisar tocar naquele assunto. – Essa poção que eu te dei deverá agir durante esse final de semana e será preciso muito contato entre os dois para que ela tenha o efeito desejado.

Um minuto de silêncio se instalou entre eles, Harry começava a sentir desespero com todas as informações que recebia. Cada vez algo mais teria que ser feito.

- Não se preocupe com nada disso agora. Severus está ciente de todos os termos e irá tomar conta de tudo para você. Eu vou deixá-lo sozinho para que possa se arrumar. Esteja pronto até as cinco.

Harry foi deixado na sala com os elfos que começaram a encher a banheira, ele resolveu se preocupar com as informações depois, primeiro iria apenas fazer o que era preciso naquele momento. Devagar destampou o vidro com a poção e tomou o líquido de uma vez sentindo-o descer gelado por sua garganta, não tinha gosto, mas lhe deu uma sensação boa no abdômen. Harry retirou a roupa e entrou na banheira grande e cheia de espumas, se permitiu ficar apenas deitado e relaxar seu corpo por alguns minutos enquanto mexia seus dedos dentro da água sentindo-a tocar toda a sua pele, mas sem poder pegá-la.

Os olhos verdes estavam desfocados olhando para algo distante, pareciam velhos e angustiados. O tempo passava e a água começava a ficar fria, seu corpo já tremia, não de frio, de ansiedade. Os elfos lhe trouxeram toalhas e ele saiu da banheira, Harry foi posto na maca e teve seu corpo depilado magicamente, massageado pelas mãos habilidosas de um dos elfos e relaxado pelos cremes que estavam na bancada. Logo Harry começava a pegar no sono. Ainda tinha tempo, então poderia tirar um cochilo se quisesse. Sua cabeça relaxou quando foi virado de bruços, seus olhos se fecharam e o inconsciente tomou conta de si.

Harry não gostava do inconsciente, pois era nesses momentos em que não tinha como refrear os pensamentos que ele via a torrente de imagens e sons que lhe fazia suar e gritar. Não queria sonhar, mas não estava com sua poção do sono sem sonhos e a noite em claro cobrava-lhe descanso. Entregou-se completamente.

E então ele viu.

As portas da sala precisa se abriram. Ele caminhou devagar pelo tapete negro até o meio do aposento, guiado apenas pelas velas acesas no chão, seus olhos dilatados não eram capazes de visualizar um único vulto. Estava tudo negro. Sentiu seu corpo tremer, estava sem sua varinha, não sabia onde estava e nem quem estava ali. Ele estava com medo.

- Quem está ai? – Perguntou.

Sua resposta foi o silêncio e o desespero.

Com as mãos estendidas caminhou pela sala tentando chegar à saída, mas cada vez que chegava perto da parede ela se afastava deixando-o tateando o ar.

De repente o ar lhe faltou aos pulmões e seu coração congelou.

Bem ao pé de sua orelha uma risada soou, tão malévola e cruel que o menino não soube o que fazer.

- Como que o santo Potter pode esquecer o nome de seu futuro esposo?

Harry sentiu uma mão apertar seu ombro deixando-o dolorido, ele foi lentamente virado e se deparou com uma figura alta vestida de preto com uma máscara prata cobrindo-lhe o rosto. Ele sentiu a mão abandonar seu ombro e viu os dedos longos retirarem a máscara deixando-a cair no chão negro. O menino arregalou os olhos ao ver o sorriso torto aparecer no rosto pálido, os cabelos negros faziam sombra no rosto lânguido tornando-o sombrio. O corpo de Harry começou a tremer ante o olhar predador do homem, ele ia recuar, mas as mãos fortes se postaram em sua cintura e o impediram de se mexer.

- Não tema.

Os olhos verdes postaram-se nos lábios finos do homem, ele não se mexeu, mas deveria, sabia que devia se afastar dele, mas os lábios finos o hipnotizavam, o chamavam para mais perto e ele iria, se entregaria àqueles lábios, morreria em suas linhas. Sabia, tinha consciência de que todos os seus sentidos lhe diziam que deveria se afastar, mas ao invés de dar um passo para trás ele se aproximou e olhou com sede para a boca vermelha de onde saia um hálito frio que atingia seu rosto.

Severus Snape nunca estivera tão desejoso.

Harry suspirou quando as mãos frias o empurraram encostando-o na parede que não estava ali antes, fechou os olhos quando foi virado ficando de frente para a parede. Sem que tivesse percebido sua camisa fora rasgada expondo suas costas. Unhas afiadas encostaram em sua pele fazendo-o tremer. Ele queria mais toque, mais daquele homem, sua respiração era entrecortada, estava ofegante.

- Você terá o que merece.

O grifinório estava prestes a sorrir, mas as unhas que antes lhe faziam carinho agora se enfiavam em sua pele, na altura dos ombros e desciam pelas suas costas arrancando e cortando sua carne, fazendo verter o sangue escarlate.

Um grito rasgou a garganta do menino e ele tentou se afastar, tentou sair do aperto das mãos dele, mas Snape o apertou contra si fazendo os machucados arderem ao contato com suas vestes ásperas. O desespero bateu em Harry quando sentiu uma mão baixar sua calça.

Não, ele não poderia fazer.

Não, ele não faria.

Ele estava fazendo.

Os olhos de Harry abriram-se de repente e ele contemplou o teto de pedra da sala de aula em que estava. Seu corpo tremia com o recente pesadelo.

- Mestre Harry Potter, levante-se senhor, precisa começar a se arrumar.

Harry ouviu o aviso do elfo, mas ainda assim não se mexeu, em seus olhos ainda via Snapemajestosamente sedutor e sombrio. E se Snape realmente fizer isso com ele? E se o forçar?

O menino era capaz de sentir as unhas em suas costas ainda o rasgando.

Respirando fundo e tentando se controlar, se levantou e colocou a roupa, os elfos o ajudaram a arrumar as vestes e ele finalmente se viu completamente vestido com a roupa finalizada. Era a primeira vez que se via tão bonito. Quando faltava dez para as cinco os elfos desistiram de tentar arrumar seu cabelo e decretaram que estava pronto. Cinco minutos depois Rony abriu a porta e exclamou dizendo que queria uma veste igual, mas que não poderia reclamar muito, pois ganhara a sua da professora McGonagall e ele não teria dinheiro para comprar algo assim.

- Então vamos, todos já estão lá dentro. – Disse Rony saindo da sala com Harry. – McGonagall me disse que às cinco horas em ponto as portas se abrirão e nós deveremos estar diante dela.

- Por que nós?

- Obrigação de padrinho, tenho que entrar atrás de você, esse tipo de coisa.

Harry iria comentar mais alguma coisa, porém suas palavras foram engolidas pela belíssima decoração no corredor. O chão estava forrado com um enorme tapete vermelho coberto com pétalas brancas. As rosas brancas enfeitavam toda a parede do corredor dentro de pequenos vasos dourados, os archotes estavam acesos e lançavam luzes no rosto surpreso de Harry.

- Foi Hermione que organizou tudo sabia? – Disse Rony.

- Está muito bonito. – Respondeu Harry. – Uau! – Ele exclamou parando diante da porta da sala precisa.

A sala normalmente apresentava-se com uma porta de madeira velha e descascada, mas dessa vez Harry tinha diante de seus olhos uma magnífica porta branca com detalhes metálicos em dourado. Em volta da porta crescia ramos de rosas brancas que lançavam um perfume fraco e leve no ar.

- Um minuto. – Anunciou Rony. – Feliz último minuto de solteiro.

Harry franziu a testa e olhou o sorriso zombeteiro de Rony.

- Obrigado.

Cinco horas.

Uma música começou a soar ao fundo enquanto a maçaneta dourada virava abrindo a porta lentamente. Quando o grifinório começou a andar uma voz feminina começara a cantar acompanhada de uma flauta, um violoncelo e um piano. A doce voz cantava como se fosse sonho, pois sua voz entrava em Harry e o esquentava fazendo-o querer dançar.

Assim que Harry passou pelo batente seus olhos brilharam, o salão não era pequeno e nem grande, era do tamanho ideal para a quantidade de pessoas que ali estavam. O tapete vermelho estendia-se até um pequeno degrau que levava a uma pista de dança e a um altar no fundo. Havia algumas cadeiras em volta e nelas estavam McGonagall e Madame Pomfrey devidamente vestidas com belíssimos vestidos de festa. A professora de transfiguração sorriu e a medibruxa tapou a boca com as mãos ao ver Harry, ela parecia impressionada. Do outro lado estava Hermione com um vestido rosa e os cabelos domados, pelo canto dos olhos o grifinório viu Rony ficar vermelho e afastar o olhar da amiga. O homem do Ministério estava no altar, Dumbledore vestia uma belíssima veste azul.

Os olhos de Harry brilhavam ante a beleza da sala, tudo era decorado com rosas brancas, as cortinas eram vermelhas com bordas douradas, havia pequenos buquês em vasos entre uma janela e outra. O teto estava encantado como o do grande salão e por ele se via um lindo entardecer com o céu vermelho e com tímidas estrelas que devagar apareciam.

Mas nenhuma beleza ou surpresa conseguiu acelerar mais o coração de Harry do que o homem caminhando lentamente em sua direção. O menino subiu o degrau e parou. Sua respiração falhou de tão nervoso.Snape o olhava intensamente enquanto andava, o professor vestia uma belíssima veste cinza claro, seus sapatos negros brilhavam e sua capa cinturada tinha ornamentos em preto. Harry se sentia mal vestido perante Snape. O professor aproximou-se e olhou de cima para os olhos esmeraldas.

Harry não conseguia dizer uma única palavra enquanto ouvia a linda música tocar e olhava para o homem a sua frente. Os cabelos negros de Snape escorriam ao lado de seu rosto pálido, o homem tinha uma postura tão reta que o deixava mais alto fazendo com que Harry tivesse que erguer seu olhar amedrontado.

Quando Snape viu Harry entrar no salão não podia acreditar que aquele era o Potter que conhecia, não por ele estar bonito, mas por ele demonstrar claramente que estava apavorado. O Potter que conhecia sempre carregava uma segurança até certo modo invejada em seus olhos, mas aquele menino que entrava e tremia era apenas um menino que rumava para os braços de seu destino insólito. Para seus braços.

O coração de Harry batia tão forte que o menino jurava que os outros conseguiriam ouvir de longe. Snape sentiu a hesitação dele e esperou que se acalmasse. Somente após Harry respirar fundo que o professor levantou suas mãos e aguardou.Harry viu as mãos erguerem-se e aguardarem, Snape não parecia impaciente, pelo contrário, demonstrava que poderia aguardar o tempo que fosse necessário. Mentalmente Harry agradeceu por isso, precisava de tempo, mas sabia que devia continuar, que não podia simplesmente estacar no meio do salão.

Então, sentindo seu rosto queimar e seu estômago doer levantou as pequenas mãos postando-as na frente das de Snape, mas sem encostar. A música passou agora para uma balada envolvente com o som de uma harpa. A voz da cantora era tão macia que aquecia a alma e acalmava os nervos do menino. Harry baixou levemente sua cabeça e fechou os olhos, ele queria somente ficar parado sentindo as vibrações daquela voz em sua alma. Mas quando começava a entregar-se àquela deliciosa sensação outra voz se fez presente, uma voz baixa, arrastada e sedosa.

- Olhe para mim.

Harry ergueu os olhos e se deparou com duas pérolas brilhantes e negras. Snape o olhava de forma estranha, mas indefinida. O professor deu um passo à frente fazendo Harry recuar e se atentar aos passos da dança. Por alguns minutos os convidados ficaram em pé, mas logo se sentaram para assistir a dança dos noivos. Em nenhum momento Harry desviou o olhar, ele não podia, por algum motivo não queria afastar os olhos e não conseguia. Por alguma sorte conseguiu executar todos os passos, mesmo não olhando para seus pés, andou reto, para trás, girou de um lado e do outro e a única coisa que via eram os olhos dele.

Aos poucos a música foi baixando e lentamente foi substituída por outra mais lenta e Harry diria que mais sensual, com certeza coisa de Hermione. A mente de Harry rapidamente expulsou o rosto da amiga de seus pensamentos quando Snape abaixou suas mãos, deu um passo para trás e estendeu sua mão para ele. A respiração de Harry falhou novamente ao olhar os dedos longos esticados em sua direção esperando-o.

Devagar estendeu a sua e tocou a pele da mão de Snape, era fria, mas não era ruim, a textura era macia e ele sentiu como se uma corrente elétrica passasse por seu corpo.

Era bom.

Testou um pouco mais do toque e passou seus dedos trêmulos pela extensão da palma até atingir o pulso com a veia pulsante. Harry olhou surpreso para os olhos negros, nada transparecia naquele olhar. Será que ele também sentia aquela energia, aquela sensação de estar sozinho, de querer arriscar e se aproximar?

Será?

Não, provavelmente não.

Os dedos longos se fecharam em seu pulso com força, mas não para machucar, apenas para comandar. Snape puxou Harry rapidamente e o menino se viu com o corpo colado ao do professor. As sobrancelhas negras levantaram-se quando Harry ofegou ao sentir a mão em sua cintura o apertar delicadamente. Ele agradeceu por Snape estar segurando-o com força, caso contrário já estaria no chão, pois suas pernas cederam sob seu peso. Harry fechou os olhos e segurou-se com força nos ombros firmes do homem, ele iria cair.

Por que aquilo estava acontecendo? Por que estava sentindo-se febril mesmo não estando doente? E será que Snape não sentia? Não se esquecia do mundo a sua volta?

Harry sentia e era estranho, sentia a vontade inesperada de se aproximar, sua boca estava seca e ele suava. Não entendia o motivo de sentir-se quase derretendo ao sentir a respiração ritmada do homem. “Está tão perto”. Harry achava que morreria naquele momento, naquelas mãos. Seu coração acelerou e ele ofegou.Estava tão perto agora, mesmo não olhando, mesmo com os olhos fechados ele sabia que no momento que os abrisse veria os lábios finos dele, lábios sedutores e úmidos, lábios iguais...

...os do seu sonho.

A mão de Harry apertou fortemente o ombro do homem, talvez acabasse deixando um hematoma, mas naquele momento ele não ligava, pois as imagens voltavam diante de suas pálpebras fechadas, o homem do sonho mais uma vez rasgou suas costas com as unhas.Ele precisava se afastar. Com cuidado deu um mínimo passo para trás, mas a mão de ferro apertou mais sua cintura evitando que se mexesse. Estava preso e todas as sensações boas que o toque do homem havia lhe causado foram substituídas por uma angústia lembrada em um sonho.

- Potter, olhe para mim.

Harry queria protestar e negar, mas não conseguia dizer não, então apenas deixou que suas pálpebras abrissem e seus olhos amedrontados encarassem os olhos duros e sombrios. As negras pérolas demonstravam uma clara surpresa e dúvida, Snape estava intrigado. Harry começou a tremer levemente e já estava cogitando a hipótese de sair correndo e esquecer toda aquela loucura, mas no exato momento em que iria se mexer uma palavra foi ouvida, era quase um sussurro, mas reverberou por seu corpo com a força da lava de um vulcão.

- Acalme-se.

Uma palavra, uma única palavra que parecia enfeitiçar Harry fazendo-o esquecer-se de tudo e focar-se somente em Snape. O menino respirou fundo, acenou com a cabeça e se posicionou para continuar a dança.Realmente Snape sabia dançar, pois Harry não se dava conta dos passos que dava e apenas seguia o comando forte do homem que o levava pelo salão. Ele se sentia como uma folha seca que era carregada pelo vento gelado do inverno obedecendo a sua direção.

Quando a música começou a baixar, Harry sentiu que começava a perder algo, pois o toque frio iria se afastar, mas inesperadamente, inexplicavelmente a mão firme que segurava a sua postou-se ao lado de seu rosto enterrando seus longos dedos no cabelo emaranhado. Ele foi puxado para mais perto e sentiu o mundo ao redor explodir naquele exato momento levando embora todas as pessoas naquele local. Tudo bem, não tinha problemas.

Pois nada importava enquanto os lábios de Severus Snape tocavam os seus.


Notas finais
E ai, gostaram?