Notas iniciais
Olá, queridos leitores!! E lá vamos nós em mais um capítulo dessa saga. Huahushauhsa sabem quantos acessos essa fanfic tem? MAIS DE 8000!!!! Poxa, pra uma ShinoKiba acho um número impressionante :D obrigada a você que chegou até aqui, apoiando um casal tão fofo! Boa leitura!

— Shino...? — assustou-se quando o Alpha puxou-lhe a mão e a encostou contra o próprio rosto. Desespero, medo, raiva... milhões de sentimentos fluíram através do vinculo e desnortearam Kiba. Tão chocantes, intensos e irracionais que o paralisaram — Shino?! O que foi...?

Ele meneou a cabeça, incapaz de oferecer qualquer outra resposta. Aquele pobre garoto... ainda não sabia de nada.

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A preocupação de Kiba transbordou e alcançou Shino graças ao laço que os unia. Poderosa o bastante para interromper a reação do Alpha, que usou aquilo como ancora para prendê-lo à realidade. Kiba ainda estava frágil, não podia desmoronar a um passo de enfrentar o pior que vinha pela frente: contar toda a verdade ao companheiro.

— Estou bem — Shino depositou um beijo suave sobre a palma da mão de Kiba, que sentiu o rosto queimar com o carinho inesperado — Me desculpe.

Kiba meneou a cabeça, ainda um pouco assustado. Shino era um dos caras mais assisados que conhecia. E naquele curto espaço de tempo o vira transbordar emoções intensas por duas vezes, de um modo que o rosto indiferente ocultava dos demais, apenas o Ômega captava através do vínculo! Estivera assim tão mal, para que a recuperação abalasse alguém tão comedido? Wow!!

Shino reassumiu o controle sobre as emoções. Uma das habilidades que o clã Aburame ministrava com maestria. Queria contar para Kiba, porque ele tinha o direito de saber, mas Tsunade não dera seu aval. Pelo visto, esperava que o Ômega estivesse mais recuperado para enfrentar um novo baque.

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Pela hora do almoço, uma funcionária entrou no quarto empurrando um carrinho com as refeições dos pacientes. A mulher grande e pesada, possuía um encantador ar de matrona e ostentava um sorriso enorme no rosto. Entregou uma generosa tigela de sopa para Kiba, que agradeceu feliz. Antes de sair, ela agiu de um modo estranho, como Shino notou, semelhante ao do grupo de enfermeiras pela manhã. Piscou com cumplicidade para o Ômega e deixou uma maçã extra de sobremesa.

— Itadakimasu — pois Kiba não se queixou. Ao contrário, comida nunca era demais.

Ele decidiu se alimentar sozinho, pois já conseguia se mover sem ajuda. Pelo menos por algum tempo. Quando devorou metade da sopa, os braços começaram a pesar e Kiba sentiu cansaço. Precisou da ajuda de Shino, que saiu de seu lugar perto da janela, para terminar de dar-lhe o caldo quente. Como sobremesa, o Alpha descascou as maçãs e as cortou em fatias para facilitar. Kiba insistiu em dividir com o companheiro, que por fim aceitou.

Um tempo depois, de barriga cheia e meio entediado, Kiba acabou cochilando. Shino aproveitou para ir almoçar na cantina do hospital. Comeu depressa e voltou para o quarto, apenas para sentir o sangue gelar ao ver a cama vazia.

O Alpha paralisou-se por um segundo, com medo de que algo ruim tivesse acontecido. Até recuperar o bom senso e concentrar-se no vínculo. Sentiu que o companheiro estava bem. E por perto!

Então a porta do banheiro conjugado ao aposento se abriu e um enfermeiro veio empurrando uma cadeira de rodas com Kiba sentado nela.

— Marido!

— Está tudo bem?

— Sim — o garoto afirmou depressa — Só acordei meio apertado pra ir no banheiro.

— Desculpa — Shino pediu por não estar lá para ajudar.

Kiba balançou a cabeça, levando as mãos ao rosto que corou de leve. Com certeza não queria ajuda de Shino para ir ao banheiro! A presença profissional do enfermeiro foi bem menos constrangedora do que temera.

— Estamos aqui para isso! — o rapaz de uniforme branco tratou de garantir.

Enquanto ajudava Kiba a voltar para a cama, a porta do quarto se abriu e Tsunade invadiu feito um furacão.

— Boa tarde, meninos! Como se sente, Kiba kun? — ela parou ao lado da cama. Shino sentou-se na cadeira perto da cabeceira. O enfermeiro saiu silencioso do lugar.

— Me sinto bem melhor — ele sorriu — Meu corpo ainda tá meio moído e eu me cansei tomando a sopa. Mas meu fôlego tá quase normal!

— Com certeza! — Tsunade riu antes de estender o copo plástico que levava na mão — Preciso que beba mais disso.

Kiba torceu o nariz.

— Esse remédio é muito ruim!

— Não é remédio do jeito que está pensando — a médica esperou que Kiba pegasse o copo e desse um gole no líquido espesso e escuro — É extrato de boldo, o melhor filtro que a natureza criou. As técnicas que eu usei foram muito efetivas no processo de cura, por isso remédios são desnecessários a priori. O boldo é apenas para limpar o seu organismo de qualquer resquício da camomila.

— Ah — o garoto virou o copo e bebeu o resto em um gole só, oferecendo uma careta engraçada. Aquilo era horrível ao quadrado — Que camomila?

Mal terminou a pergunta e virou-se surpreso para o Alpha sentado perto de si. Dor, raiva e preocupação fluíram pelo vínculo. E as três emoções foram só uma pitada do que Kiba captou do mar revolto que se tornou os sentimentos do companheiro, como um iceberg que só mostra a ponta, escondendo sua maior parte nas profundezas escuras.

— Shino...? — franziu as sobrancelhas, confuso.

— Kiba kun — Tsunade requisitou a atenção do Ômega toda para si, quebrando o protocolo do hospital e sentando-se na beirinha o leito para iniciar a conversa que temia — Eu estava esperando você ficar mais forte. Acho que é hora de explicar toda a situação.

A gravidade na face de Tsunade e o turbilhão compartilhado pelo vinculo assustaram Kiba. Nem mesmo ter a mão envolvida pelas mãos do companheiro aliviaram o receio.

Shino, silenciosamente, tentou se controlar. Era um Aburame, no fim das contas. Conseguiu a duras penas, focando a atenção nas palavras que Tsunade dizia de forma profissional e direta.

Pela primeira vez, e Shino implorou para que fosse a última, ele odiou a profunda ligação que tinha com Kiba. Pois graças a isso, sentiu o momento exato em que o coração dele se partiu.

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Inuzuka Kiba estava arrasado. E confuso. E Shino sabia que o sofrimento dele era ampliado ao infinito, por sentir na pele as consequências que uma ação egoísta e premeditada causara.

Depois que Tsunade colocara todas as cartas na mesa, ainda permanecera mais um tempo no quarto, para dar qualquer mínimo apoio, antes de sair do quarto e oferecer privacidade ao casal.

E ali estavam os dois. Shino sentado ao lado da cama, incapaz de dizer qualquer coisa que pudesse amenizar a dor que fluía de seu companheiro, trazida pelo vínculo. O que poderia oferecer a ele? Que palavras dizer? Só conseguia pôr em pratica o conselho que Tsunade lhe dera num passado recente: há o momento de sentir a perda, de chorar a dor. E há o momento de seguir em frente.

Mas Shino só tinha dezoito anos! Ele não sabia qual o passo correto a dar, para ajudar na cura que ambos precisavam. Não a cura física, que alcançavam a passos rápidos. As feridas do coração, que não se pode ver, embora machucassem tanto quanto chagas abertas. Por essa incapacidade de pensar no que fazer em seguida, Shino só podia ficar ali, calado, oferecendo a segurança de sua presença. A promessa de que nunca abandonaria seu Ômega, nem na pior situação.

— Ne, Shino...? — Kiba chamou, a voz rouca de tanto chorar.

— Hn? — Shino saiu das divagações e encarou o montinho encolhido e escondido debaixo do lençol.

— Foi a Ino, não foi? A garota que você salvou na guerra?

— Sim — Shino respondeu sucinto.

O quarto recaiu em silêncio, no qual o Alpha quase podia ver as engrenagens do cérebro de Kiba trabalhando, tentando entender como Ino, que consideravam amiga, tivera o sangue frio de causar-lhes mal, de continuar calada sobre o chá de camomila, mesmo depois de ter desistido do plano. O vazio emocional de descobrir que perdera um filhote. E a informação assustadora de descobrir que graças a um milagre, ainda havia outro! Kiba estava exausto, derrubado pelo soterramento de intensas emoções.

— Como superamos isso? — o garoto rompeu o silêncio algum tempo depois, a voz tremida traia sua vontade de recomeçar a chorar.

Shino entreabriu os lábios, para dar a resposta mais honesta que poderia, no entanto batidas na porta interromperam lhe a fala. Uma enfermeira apareceu no vão entreaberto.

— Shitsurei, Aburame kun. Inuzuka kun tem visitas. Vim perguntar se podem recebê-los.

Visitas? Naquele clima pesado? Não parecia nem um pouco apropriado.

— É melhor pedir que voltem outro dia — fosse quem fosse o amigo que os visitara, compreenderia.

— Tsunade sama garantiu que é uma visita importante.

Shino olhou para Kiba em busca de alguma pista sobre o que fazer, mas o garoto estava muito quieto. Hesitando, o Alpha acabou por ceder. A médica deles não faria nada para prejudicá-los.

— Está bem — aceitou.

— Excelente! Já volto.

Em menos de dois minutos a mesma enfermeira voltou e trouxe consigo algo que Shino não esperava! Ele pensou que um dos colegas estaria ali, talvez Hinata ou Naruto. Quem entrou pela porta foi um casal de idosos que nunca viu na vida!

— Com licença! — a velha mulher cumprimentou naquele tom caraterístico de quem já viveu muitos anos, fato que se podia confirmar no rosto enrugado e nos fios de cabelo branco igualzinho algodão.

— Aa — foi o que Shino conseguiu dizer.

Curioso, apesar de tudo, Kiba saiu de sob o lençol, sentando-se direito para espiar os recém-chegados. Os olhos estavam inchados e vermelhos de tanto chorar.

— Olá, Inuzuka kun! Sou Shiroyama Sanako. Esse é meu marido Shiroyama Hayato. É um prazer conhecer vocês.

Shino e Kiba se entreolharam. O que Tsunade tinha na cabeça? Por que aqueles dois desconhecidos seriam uma visita importante? Não conseguiram devolver os cumprimentos, intrigados com a improbidade da cena.

Sanako avançou alguns passos, colocando em evidência o pacote que trazia nas mãos. O senhor Hayato continuou onde estava, apoiando-se na rústica bengala de madeira, recurvado.

— Viemos só trazer um presente. — e esticou os braços meio trêmulos para que Kiba pegasse a oferta.

O Ômega olhou para Shino querendo confirmar se era sonho ou realidade. Acabou aceitando. Abriu o presente com mais cuidado do que faria em uma ocasião normal. Era uma manta de lã tricotada em quadrados coloridos.

— Minha família tem a tradição de passar esse cobertor feito a mão de filho para filho. Queremos que fique com ele.

— Eu?! Por quê?! — Kiba não quis soar rude, apesar de não poder conter a surpresa.

A velhinha suspirou, seu rosto era todo tristeza.

— Perdemos nossos filhos na guerra. E nosso único neto também. Não sobrou mais ninguém para continuar a família Shiroyama — Sanako revelou no tom de voz de quem já sofreu muito e esgotou todas as lágrimas para prantear a partida de quem amava.

— Sinto muito — Shino e Kiba falaram ao mesmo tempo, com doses similares de sinceridade.

— Hn. Nós ouvimos o que aconteceu com vocês. E foi nesse momento que eu entendi. Laços de sangue são poderosos, mas eles não são os únicos. Konoha venceu a guerra porque tem os laços mais poderosos, porque nós, shifters, somos unidos como uma família. Mesmo que eu não tenha mais descendentes diretos, os Shiroyama não vão desaparecer. Nossa história renasce nas gerações mais jovens e se perpetua pela eternidade.

— Vocês podem herdar a nossa manta — o velhinho falou a primeira vez — Porque vocês foram corajosos e o que passaram nos serviu de inspiração. Vocês são a força de Konoha, a força do amanhã.

— Aceitem nossa fé no futuro, continuem o legado de garra e bravura que torna nossa vila invencível.

Kiba hesitou por um segundo, antes de abraçar a manta e começar a chorar. Dessa vez não por dor e medo do futuro. Mas por começar a ver uma luz no fim do túnel. E Shino entendeu o motivo de Tsunade enviar a visita inusitada. Ela queria mostrar o primeiro passo para superarem o obstáculo.

Vida. Eles tinham vida.

E enquanto há vida, há esperança.

Notas finais
Ufa! Não queria que o sofrimento fosse muito prolongado, tipo deixar os dois no fundo do poço pra sempre. Espero que a solução que eu encontrei faça sentido. A gente precisa tirar forças de dentro, mas o apoio externo também é bem vindo.