Notas iniciais
Olá!! Tudo bemmmm? A atualização atrasou um pouco, tive uns probleminhas aqui no trampo, hohoho, mas ainda é sexta-feira. Vamos fechar o drama e seguir em frente com esse casal que amamos tanto :D Boa leitura!

Capítulo 16

O rapaz fez um breve pausa, Kiba apenas aguardou, meio entorpecido pela onda de sentimentos que fluíram através do vínculo e o atingiram em cheio. Raiva. Rancor. Ferocidade. Medo. Desespero.

— Quando cheguei no lugar... eu juro... foi a pior coisa que vi até então. Era um Alpha inimigo. Ele estava tentando estuprar uma garota.

Reviver tal noite tinha o efeito pior do que mil pesadelos. Essa certeza envolveu Kiba graças a ligação sobrenatural que agora os unia e compartilhou o profundo horror que assombrava os pensamentos de Shino. A única coisa que ele desejou foi livrar o companheiro daquela angústia, por isso moveu-se para abraçá-lo, fazendo mais água cair fora da banheira, pouco se importando com isso. Quando passou os braços pelo corpo do outro, e sentiu as peles nuas se tocando, a troca de energias foi quase palpável, com todo o conforto que podia oferecer fluindo pelo vínculo, recebendo em troca ondas de rancor e asco, embora destinadas a outra pessoa. Notou, no recanto de sua mente, que Shino não retribuiu o abraço, as mãos segurando com firmeza nas bordas da banheira, o mais longe que podia de Kiba. Mas esse detalhe se perdeu, tão logo o relato prosseguiu.

— Aquele cara... ele disse, ele... — Shino rangeu os dentes, quase incapaz de conter a fúria — “Isso é o que Alphas fazem, não é?”, foi o que me perguntou. Então nós lutamos e ele nunca mais fará algo assim de novo.

Kiba fechou os olhos e encostou o rosto no peito de Shino. Sentiu-lhe o coração acelerado por repassar a cena, os acontecimentos que o marcaram tanto. Não tinha nenhuma história assim para contar, sequer podia imaginar como seria presenciar tamanha violência. Respeitando a gravidade do momento, Kiba não perguntou detalhes, muito menos sobre a frase final. Intuiu corretamente que não era hora de colocar o dedo na ferida cobrando minucias apenas para saciar a curiosidade. Shino dava naquele momento o passo que estava ao alcance de suas pernas. Grande o bastante para que começasse a exorcizar os monstros que herdara da guerra.

— Eu não sou esse tipo de Alpha. Eu nunca vou ser — Shino soou convicto, firme.

Agora Kiba entendia a reação do companheiro na noite em que lançaram o vínculo. Errara e fora preconceituoso? Com certeza, via isso depois de refletir sobre a atitude. Mas Shino também se comportara de um jeito bem inesperado. E a justificativa para tanto tornou-se clara. Uma pesada demais para um jovem de apenas dezoito anos carregar sozinho.

E chegara, finalmente, a vez de Kiba cuidar dele.

— Besta — falou com gentileza — Claro que você não é esse tipo de Alpha. Desde que a gente se conhece, você nunca agiu como esse tipo de Alpha. Nem os outros Alphas que a gente convive são assim. Pensa no Kakashi sensei... no seu pai, Shino. Naquela noite você presenciou a exceção, não a regra — respirou fundo — Na noite que a gente lançou o vínculo eu fiz besteira, admito. Mas nunca, nunca, nunquinha mesmo senti medo de você. Em nenhum sentido.

— Mas quando eu te escolhi...

— Foi a maior surpresa da minha vida. Qualquer um que me escolhesse seria, porque eu nunca tinha pensado em me relacionar com quem quer que seja. Bateu o desespero de enfrentar coisas de adulto, porque eu... Sabe, todo mundo mudou com a guerra, Shino. Menos eu. Eu estava preso naquela ideia de que poderia correr com Akamaru por aí para sempre. Ser criança para sempre. Daí eu pensei que tudo bem ser com você. Depois foi algo tipo pensar que eu não conseguiria com outra pessoa. Agora... agora a gente tá aqui. Se não acredita em mim é só sentir o nosso vinculo! Eu falo sério!

Só então Aburame Shino se permitiu passar os dois braços pelo corpo de Kiba e trazê-lo para mais perto de si.

— Acredito em você.

— Quando o Hokage me chamou e disse sobre a lei, ele explicou bem direitinho que eu não era obrigado a nada, não precisava ficar com você, ou com outro que viesse, aí era só ficar preso uns anos e depois seguir com a vida — Kiba usou um tom descontraído — Nem precisei pensar muito pra ver que a primeira opção foi a melhor que surgiu. Você pediu, eu aceitei. Uma relação com duas pessoas. Não carregue tudo sozinho, divida o fardo comigo.

Shino suspirou de leve assentindo com um gesto de cabeça, o coração já voltando ao ritmo calmo rotineiro, enquanto a tristeza esmaecia junto com a tensão.

— Hn.

E a simples concordância teve o poder de desanuviar o clima ruim, varrer os fantasmas para baixo do tapete, pelo menos por enquanto. Shino tinha uma ferida em sua alma, uma que não seria curada com tão poucas palavras. Apenas gestos concretos e contínuos, dali para frente, o ajudariam a se libertar.

Kiba queria ampará-lo nisso.

Pois vencidos os conflitos do momento, foi preciso voltar a realidade. Algo embaraçoso, diga-se de passagem, dois garotos pelados, abraçados como se o mundo ameaçasse acabar no segundo seguinte.

— Posso sentir que está constrangido — Shino gracejou.

— Eu sinto é outra coisa! Uma me cutucando aqui embaixo — Kiba resmungou com o rosto em brasas — Puta que pariu, Shino. Você só pode estar brincando... isso dai nunca vai... caber não! — e terminou a frase franzindo as sobrancelhas enquanto calculava as possibilidades — Ah, mas não vai caber mesmo.

— Kiba...

— Quer... fazer...?

— O quê? — Shino não acreditou no que ouviu.

— Quer fazer...? — ele repetiu, meio incerto. Logo percebeu como a fase soou — Ah, não agora! Besta! Agora não tem clima. Mas... sabe aquele lance de esperar o momento certo? Acho que estamos em um bom momento. Essa noite...

— Tem...

— NÃO! Não ouse me perguntar se eu tenho certeza de alguma coisa, desgraçado. Usa a bosta do vínculo e descobre por si só. Não vou ficar repetindo essas coisas, minha cara vai derreter de vergonha!!

Shino anuiu, enquanto escondia o rosto na curva do pescoço de Kiba e sorvia o cheiro do Ômega. Claro que sentira através do laço. Pegara traços do embaraço, mas também de sentimentos bons, que só são possíveis quando há confiança e segurança envolvidas no relacionamento. Estava apenas provocando o garoto.

— Obrigado — ele sussurrou baixinho, com toda a sinceridade de que foi capaz. Kiba sorriu; aceitando não apenas a gratidão, mas qualquer coisa que aquele Alpha quisesse lhe oferecer.

Inuzuka suspirou, feliz porque o mau momento finalmente se dissipou.

—--

O banho acabou logo depois disso. A água gelada foi incentivo mais do que suficiente para tirá-los da banheira. Kiba enrolou um segundo além do necessário, para que Shino saísse antes e já começasse a se secar, para fazer o mesmo em seguida. Não que o garoto quisesse espiar alguma coisa, longe disso. Okay, talvez ele até quisesse... mas no fim das contas só pode desviar os olhos, de um modo um tanto automático. Ainda não conseguia agir assim tão descarado...

Levaram muito mais tempo do que o planejado, pois o piso estava cheio de água e ambos se esforçaram para secá-lo, tão logo vestiram roupas limpas.

— Já tá tarde pro café — Kiba disse ao fim do trabalho — Mas é cedo pra janta.

— Quer ir no Ichiraku? — Shino sugeriu.

— Boa ideia! — a aprovação veio imediata.

Fazia tempo que nenhum dos dois se dava ao luxo de comer no restaurante. Foi uma ótima oportunidade para sair um pouco no ar fresco de fim de tarde. Algumas pessoas também aproveitaram o clima agradável para passear, mas o restaurante estava quase vazio naquele horário. Foi fácil encontrar banquinhos disponíveis, onde se sentaram lado a lado.

As obras de reconstrução estavam bem avançadas, o que possibilitava reabrir para os clientes. Era triste de se pensar que o local tradicional em Konoha sofrera um ataque durante a guerra. Mas o restaurante pode ser feito de novo. Vidas não. Por sorte, tanto Teuchi san quanto sua filha Ayame san estavam bem. Podiam recomeçar!

Shino pediu um misso lamen. Kiba preferiu o shoyu lamen.

— Bom! — Kiba exclamou tão logo recebeu o seu e atacou sem piedade.

Teuchi san deu uma boa risada. O maior elogio que poderia receber era a voracidade de seus clientes provando a comida que fazia. E nesse quesito, dois garotos se destacavam: Uzumaki Naruto e Inuzuka Kiba. Não se comparavam a Akimichi Chouji, claro. Este último pertencia a outro nível.

Durante a refeição, Kiba roubou todos pedaços de lombo do lamen de Shino com uma agilidade surpreendente. E doou, em compensação, espinafre e broto de bambu. Na cabeça dele era uma troca muito justa, obrigado.

Shino não reclamou, secretamente feliz em gostar tanto de verduras quanto de carne. Assim não perdia demais...

Na hora de ir embora a noite caia em tons amenos. Seguiram pela rua quase vazia, algo inesperado para um sábado tão pacifico.

Kiba ia um passo atrás, lançando uns olhares para a mão de Shino, tentando encher-se de coragem para o que pretendia fazer. Esboçou um primeiro gesto, mas desistiu. Seguiu-o por mais alguns passos e esticou a mão, porém parou num rompante e desistiu a segunda vez.

Suspirou um tanto sofrido. Olhou em volta, como que para confirmar que não tinha mesmo ninguém por perto, quando virou-se para frente e descobriu que Shino estendia a mão na sua direção, sem parar de andar ou sequer olhar para trás, num convite inusitado.

Kiba sentiu o rosto esquentar, mas não perdeu a chance. Em uma passada mais rápida aceitou entrelaçar os dedos de ambos, pondo-se a caminhar ao lado de Shino, o toque quente levando uma sensação agradável ao peito, acelerando o coração.

Fizeram o resto do percurso todo em silêncio, as mãos fortemente entrelaçadas.

—--

Ao chegar em casa, Shino pegou uma garrafinha de sake foi sentar-se na sacada, dando todo o espaço que Kiba precisava para se ajeitar antes de dormir.

Aproveitou para colocar os pensamentos em ordem. O sábado começara bem com a missão, depois tivera a surpresa de Kiba lhe preparando o almoço. Não podia sentir-se mais agraciado. Até o derradeiro banho e todo aquele esforço emocional que o deixara abalado.

Shino nunca tinha falado com ninguém sobre a noite em que quase chegara tarde para salvar a honra de uma garota, a tempo de proteger sua vida e jurar guardar o segredo daquilo que tentara roubar sua dignidade. Seguira em frente acreditando que podia manter a parte feia do passado lá atrás, sem nunca confrontá-lo. Mas a vida não é assim, a guerra cria monstros que, como acabara de comprovar na pele, às vezes vinham ao presente para assombra-lo, ameaçando até mesmo as coisas boas que planejava para o futuro.

Kiba estava certo. Seria hipocrisia pura de sua parte cobrar que o garoto se abrisse em seus medos e anseios quando ele próprio teimava em guardar as coisas terríveis que presenciara. Agia contra o que pregava: se o diálogo era parte da base saudável de uma relação, Shino precisava praticá-lo também.

Por outro lado, sendo bem sincero, depois de confessar um pouco e colocar algumas cartas na mesa, Aburame Shino sentia-se melhor, mais leve. Como se parte de uma sombra tivesse sido afastada. Como se tirasse um peso dos ombros que nem ao menos sentira carregar. Não por completo, claro. Embora o suficiente para lhe dar a tranquila confiança de que um dia, talvez não tão distante, pudesse ser realmente livre de todas as feridas ainda não curadas. Dando um passo de cada vez.

Ao terminar a bebida estava mais relaxado, pronto para tomar seu lugar na cama e repousar. Conquanto soubesse que isso não seria concretizado. Afinal, por todo o tempo que estivera admirando as estrelas, captara traços de ansiedade, euforia, embaraço e, principalmente, excitação fluindo através do vínculo.

Não foi surpresa adentrar o aposento e encontrar Kiba bem acordado, sentado na cama.

— Então... Shino... você quer... fazer?

Notas finais
Eu ouvi um "amém", igreja? EU OUVI UM "AMÉM", IGREJAAAA?!!!!! Quem quer ler um lemon meia-boca levanta a mão!!! *cri cri, cri cri* Ninguém quer ler o lemon meia-boca? Okay, tudo bem. Vou ali pro cantinho sofrer em silêncio... mas saibam que autor também tem sentimentos Ç.Ç Sabado que vem posto o lemon. Hohohoho Sabado?!! SIM! VOU ATRASAR SÓ PORQUE ESNOBARAM A CENA DE SALIENCIA QUE EU ESCREVI! HA Ò.Ó/ ADEUS!