Notas iniciais
Hum... você me é familiar. Vem sempre aqui? *voz seduzente* Eita, sempre faço essa piada xD Não me agrida aushashuasau Tem sol e eu fico feliz. Frio é tão desnecessário, aff. To só enrolando. Boa leitura :D

Capítulo 14

Kiba conseguiu marcar um encontro com Iruka sensei na sexta-feira. Com as mudanças nos times, o professor também havia sido convocado para ajudar nas adaptações e treinamentos. Seus horários se apertaram um pouco.

Como não era um assunto urgente, não viram problema em se encontrar apenas na tarde de sexta.

— Olá, Kiba kun! — Iruka sorriu ao recebê-lo à porta.

— Shitsurei — o garoto respondeu ao tirar os sapatos no gekkan e aceitar o surippa que Iruka lhe emprestou.

— Como vão as coisas?

— Até que bem. Sim, vão bem! — Kiba respondeu com a sinceridade meio surpresa de quem não tinha refletido esse ponto até então.

— Venha comigo, vamos conversar na cozinha.

Dessa vez Iruka o esperava com uma jarra de suco de tomate gelado e uma tigela cheia de kaki senbei, uma espécie de biscoito feito com ostras. Acabou por estender um par de hashi para seu visitante, que aceitou com um sorrisão.

— Vocês se habituaram bem? — Iruka perguntou enquanto enchia dois copos longos com o suco, deixando que algumas pedras de gelo caíssem junto. Conhecia Inuzuka Kiba bem o bastante para saber que um lanchinho e o papo informal era a melhor forma de fazê-lo se sentir à vontade.

— Pode-se dizer que sim, Iruka sensei. A gente lançou o vínculo semana passada, sabe? Não foi bem o que eu pensei. Na verdade foi tudo muito simples. E minha mãe aceitou o Shino.

— Que bom! O apoio da família é fundamental nos bons e nos maus momentos.

— Mas eu não to colocando a relação com o Shino como “mau momento”. Pensar em ficar com um cara tava me sufocando no começo. Acho que se não fosse o Shino talvez eu não conseguisse. Ele tem uma paciência comigo que eu nem acredito.

Iruka sorriu. Seu ex-aluno parecia mesmo bem mais relaxado do que na primeira vez que conversaram.

— Toda mudança traz um pouco de medo, quem sabe isso estivesse te sufocando. Quando você entrou na nova rotina e se adaptou, os medos começaram a se dissipar.

Kiba analisou a frase por alguns segundos.

— Pode ser isso aí. Faz sentido. Com certeza a vida com o Shino não tem sido nenhum bicho de sete cabeças. A gente faz as refeições junto, às vezes sai pra comprar coisas. Assiste televisão... nos últimos dias a gente treinou um bocado de... hum... beijos — terminou a confissão fisgando um senbei com o hashi e devorando sem piedade, tentando disfarçar o rubor que esquentou-lhe a face.

— Ah, claro. Treinar é importante — Iruka riu um pouco.

— Nem preciso dizer que eu dei uma surtadinha depois do vínculo, né? A gente meio que brigou... não. A gente brigou feio. Mas depois fez as pazes. Estamos indo devagar, um passo de cada vez. Aprendi que dar o primeiro passo é importante, os outros vem como consequência.

A frase fez o professor erguer as sobrancelhas.

— Muito bem, Kiba kun. Que palavras sensatas.

— O senhor acha? Não falei só da boca pra fora, sabe? Me disseram isso e eu entendi de verdade. E to conseguindo aplicar no vínculo com o Shino — Kiba não podia se sentir mais feliz. Graças a sua coragem tinham saído do lugar. Se não fosse aquele tiquinho de ousadia, não teria descoberto como era bom beijar o Shino!

— Esse é um sinal de mudança. De maturidade. É pegar os ensinamentos da vida e transformar em experiência. Por isso eu amo ser um professor, pela chance de ver meus alunos deixarem a infância para trás e se transformarem em homens e mulheres de valor — Iruka falou com uma ponta de orgulho na voz — Mas não significa que tudo sempre será um mar de rosas, Kiba kun. Ainda existirão brigas e desavenças, seguidas pela necessidade de perdão. Um vínculo, mesmo que temporário, implica em se doar um pouco, ceder às vezes. Errar e se corrigir.

— Isso eu também to aprendendo — garoto passou o dedo pelo vapor gelado que grudava no copo de vidro.

— Passamos a vida inteira aprendendo a viver ao lado de outra pessoa, não se apresse.

— Ah, a gente também tá aprendendo sobre o vínculo. Foi por isso que eu vim aqui hoje! — terminou a frase e deu um longo gole no suco.

— Sim, espero poder ajudar.

Kiba passou a língua pelos lábios, catando qualquer resquício do líquido vermelho, enquanto pensava em como abordaria o assunto.

— Tá, primeiro o lance de ser Ômega e a “coisa” de Ômega. A Ino e o Naruto sentiram uma “coisa” boa porque eu estava perto deles. Como funciona isso? Desde que nasci eu ouço falar, mas nunca tinha sentido na pele. Quer dizer... eu não sinto na pele, os outros é que sentem!

Iruka cruzou os braços sobre a mesa, inclinando-se um pouco para a frente, antes de falar alguma coisa.

— Eles estavam com algum problema?

— Pode se dizer que sim.

— Entendi, é comum shifters com dificuldades, sejam físicas ou não, encontrarem consolo na presença de um Ômega. Isso aflorou depois da guerra, quando houve tantas tragédias. Mais do que nunca é preciso conforto para seguir em frente, e nesse momento nossa presença é fundamental. Já recebi algumas visitas, principalmente de shifters que perderam os filhos.

— Então não tem nada a ver com o vínculo?

— Como assim?

— Pensei que tinha aparecido isso em mim por causa do vínculo com o Shino. Se bem que a Ino sentiu antes...

— O vínculo fortalece. É um pressuposto tão poderoso que a simples previsão de lançá-lo já pode gerar consequências. Como você estava em vistas de se vincular a um Alpha, sua essência Ômega respondeu e começou a influenciar todos ao seu redor.

— Que foda!! Digo, que máximo! Sabe do que mais? Eu também posso sentir o Shino, desde que a gente... hum... se beijou a primeira vez, parece que o vínculo ficou... sei lá... quase físico! Consigo dizer quando ele está irritado ou chateado. Até quando sente ciúmes de mim — pensou um pouco — Não acontece vinte e quatro horas por dia, mas quando o sentimento meio que se alvoroça. No geral, o Shino é muito calmo e tranquilo. Dai acho que ele pensa alguma coisa que o incomoda e cabum! Eu sinto isso também! É uma das coisas mais esquisitas que já me aconteceu.

O professor divertiu-se com a enxurrada de palavras. Se por um lado Inuzuka Kiba parecia ter amadurecido um pouco, em outros aspectos agia exatamente como o mesmo garoto que conhecia.

— Sim. Sei do que está falando. Normalmente vínculos provisórios não chegam a esse ponto, apenas os definitivos. Interessante.

Iruka teve que admitir que aquele fato lhe era inédito.

— E fica mais esquisito — Kiba falou cheio de mistérios, enquanto fisgava mais um senbei, deliciado com o gosto daquilo.

— Fica?

— Sim. Minha “coisa” de Ômega começou primeiro, depois a gente fez o vínculo e eu passei a sentir o Shino depois do... nosso... hum... beijo. Até aí tudo bem. Dai o Shino que disse que ele começou a sentir algo bom quando eu aceitei me vincular a ele. E é aí que fica esquisito: a gente percebeu que ele nunca teve problemas em me sentir.

— Sentir você?

— Sim. Shino diz que eu sou um livro aberto, fácil de ler. Mas só ele que acha isso. E — Kiba hesitou um pouco — é como se ele já tivesse a coisa do vínculo desde sempre, não assim tão profundo que nem agora, mas que nem quando a gente era menor e eu não precisava falar nada pra ele saber como eu me sentia.

Iruka inclinou a cabeça para o lado, concentrado nas palavras que ouvia do ex-aluno, visivelmente impressionado.

— Sensei...?

— Ah, gomen, gomen. Eu já ouvi falar sobre isso, Kiba kun. Mas nunca encontrei ninguém pessoalmente que tivesse vivenciado o que está me contando.

— E o que é? — Kiba soou preocupado. Não queria descobrir um problema, logo agora que as coisas iam tão bem.

— Não se assuste! É algo maravilhoso, se for o que desconfio. Já ouviu falar em “almas gêmeas”?

— Tipo aquelas coisas bregas dos livros que a minha irmã lia? — Kiba fez uma careta.

— Por aí — Iruka riu — Não tão rebuscado quanto na ficção. O termo “almas gêmeas” é usado para descrever pessoas que tem entrosamento a um nível incalculável. Algo perto da combinação perfeita.

— Quê? — o impacto daquelas palavras fez com que Kiba derrubasse o senbei sobre a mesa e o esquecesse momentaneamente — Shino e eu somos... al... al... almas... almas...? Quer dizer que eu to apaixonado por ele também e nem sabia?!

— Calma, Kiba kun! — Iruka devia ter imaginado que o garoto ia se encher de conclusões precipitadas — Respira.

— Iruka sensei! Que constrangedor! — ele cobriu os olhos com uma mão.

— Não é constrangedor, Kiba kun. É algo raro e bonito. E não é um grilhão que vai te prender a outra pessoa para o resto da vida. Tanto que você nunca pôde sentir o Shino, não é?

Inuzuka abriu um vão entre os dedos e espiou o professor.

— Não entendi.

— Ter uma alma gêmea significa que existe alguém no mundo que tem uma afinidade inigualável com você. Pode ser um amigo querido, um companheiro... Shino desenvolveu sentimentos românticos. Além disso, Alphas tem um instinto protetor muito apurado. Por isso ele tornou-se tão perceptivo em tudo o que diz respeito a sua segurança. Como você não correspondeu, não houve reciprocidade no vínculo natural. Então sua relação com ele sempre foi de amizade. E só mudou com o vínculo de conveniência.

— Oh... — ele acabou por descobrir os olhos.

— Amor nunca aprisiona, Kiba kun. Ter uma alma gêmea não significa prender-se a outra pessoa, não se assuste. Você é livre para seguir o seu coração e escolher qualquer caminho que apareça a sua frente. Apenas se preparem, se forem mesmo almas gêmeas o vínculo irá se tornar mais forte e vocês sentirão um ao outro com mais profundidade ao passar do tempo.

— Caralho, Iruka sensei — daquela vez ele nem se preocupou em soltar o palavrão na presença do professor — Cada nova informação acerta que nem jutsu de alto nível!

Iruka sorriu com simpatia.

— Almas gêmeas se tornam companheiros perfeitos, quando se encontram e os sentimentos vêm de um jeito mutuo. Mas almas gêmeas também são grandes amigos para a vida inteira. Qualquer que seja a opção, descobri-la é uma coisa boa.

— Ah — suspirou — Esse lance de sentimento é complicado pra cara...ca, né?

— Qualquer relação é complicada, porque envolve medos, anseios, expectativas que não são apenas nossos. E é como qualquer coisa na vida: conversar e tirar as dúvidas ajuda a desmistificar. Informação ilumina tudo e torna mais fácil de enfrentar o que acontece.

— Obrigado, Iruka sensei! O senhor tem me ajudado muito!

Iruka sorriu feliz. Era justamente por isso que escolhera ser um professor. Para ter a chance de fazer o bem a quem dele precisasse.

Quando os kaki senbei se acabaram, Kiba (coincidentemente) achou que era hora de voltar para casa. Fosse qual fosse o motivo, a conversa tinha sido muito mais fácil e fluente do que da primeira vez. Talvez porque antes era mesmo alguém que agia como um pirralho, diferente das pessoas ao seu redor, que cresceram e amadureceram com a devastação trazida pela guerra. Agora era a sua vez de alcançá-los. Quem sabe esse novo pensamento de não ficar para trás era o que o alavancava e tornava cada vez mais fácil falar sobre temas que, até então, via apenas como de adultos.

Era a vez dele se tornar adulto também.

Chegou em casa quando o sol terminava de sumir no horizonte. Assim que pôs o pé pra dentro, descobriu Shino cochilando no sofá.

— Tadaima — disse bem baixinho.

— Okaeri — a resposta veio no mesmo tom, embora cheia de sono.

Kiba soltou uma risadinha e foi até o sofá, sentindo-se muito maduro e corajoso depois da conversa com Iruka sensei. E, graças a esses sentimentos, ele conseguiu se esgueirar no móvel apertado, obrigando Shino a espremer-se contra as costas do estofado, para que ambos pudessem caber. Com um suspiro, descansou a cabeça no ombro do outro rapaz, que sequer abriu os olhos enquanto passava o braço sobre seu corpo, para mantê-lo mais perto e evitar qualquer possível queda.

Tanto cuidado. Shino sempre tinha tanto cuidado consigo...

Ali, ficou embalado pelo calor familiar que começava a envolvê-lo, admirando o rosto tranquilo ao qual estava acostumado e sem o qual não podia sequer pensar num futuro. Ali, se permitiu devanear sobre como era bom trocar beijos e carícias durante os “treinamentos” que faziam.

Ali, pela primeira vez, Inuzuka desconfiou que... quem sabe... o sentimento que o ligava a Shino não fosse apenas amizade.

Notas finais
Eu tenho uma veia romantica/brega gente... esse lance de almas gemeas é tão bonitinho (. ◡ ‿ ◡) Dai as vezes uso. Até sexta!!