A Jornada Da Bruxa (Quando Os Ventos Cantam)
5 Capítulo 5 — As Areias que Cantam
O deserto das Terras de Cinza era como um mar morto sob o céu.
Durante o dia, um calor que deformava o horizonte. À noite, frio cortante como aço.
Mas o pior não era o clima — era o som.
As areias... cantavam.
Era um canto baixo, contínuo, quase humano.
Como lamentos presos nas partículas do vento.
A cada passo que Agnes e Odel davam, o som mudava de tom. Às vezes suave, às vezes quase um grito.
Isso não é natural. — disse Odel, mantendo a mão sobre a espada. Nada aqui é. — respondeu Agnes. — Este era um mar, antes da queda do Primeiro Vento. Um lugar onde o espírito do Sul foi selado.Miruam voava acima deles, agitado. Sentia a presença do altar... e algo corrompido perto dele.
Eles caminhavam por um caminho antigo, marcado com pedras entalhadas em espiral — runas de orientação para aqueles que buscavam os Altares. Mas mesmo as pedras pareciam derretidas, como se um calor interior as estivesse devorando.
No terceiro dia de jornada, chegaram às Dunas Esquecidas.
Lá, as areias cantavam alto demais para pensar.
Odel cobriu os ouvidos.
Isso está me deixando louco! Não resista. — disse Agnes. — Escuta com o sangue. Não com a cabeça.Ela se ajoelhou, pousou as mãos na areia... e então viu.
•Visão:
Uma mulher — sua mãe. Jovem.
Caminhando pelas dunas com outra mulher ao lado... a mãe de Odel.
As duas carregavam um pergaminho com os mesmos símbolos que Agnes agora possuía.
Elas riam. Conjuravam juntas. Uma amizade real. Um pacto.
Até que o céu escureceu.
Um vendaval negro surgiu no horizonte.
Algo rugia em meio às nuvens.
E uma voz falou, em todos os ventos:
"O Altar do Sul deve dormir. Ou o sangue do mundo será areia."
Fim da visão.
Agnes caiu de joelhos, ofegante. Odel a segurou.
Você viu alguma coisa?- Nossas mães. Elas vieram aqui. Elas selaram o Altar. Juntas.
— O quê...?
Ela assentiu.
- Nós estamos reabrindo o que elas fecharam.
Pouco depois, eles encontraram as ruínas.
Pilares enterrados na areia. Estátuas rachadas.
No centro, um circulo de pedra com um cristal quebrado no meio. Era o Altar do Sul.
Mas alguém já estivera ali. Recentemente.
O cristal estava rachado... e havia uma figura à sua frente.
Uma mulher. Encapuzada. Cabelos brancos flutuando mesmo sem vento.
Olhos negros como cinza queimada.
- Finalmente chegaram. — ela disse, com voz suave.
Odel puxou a espada.
Quem é você? Eu sou A Voz da Mãe. Aquela que canta quando os ventos dormem. Aquela que os despertará... para o fim.Agnes sentiu a magia dela. Era antiga. Familiar.
Mas errada.
— Você corrompeu o Altar! — ela acusou.
A mulher sorriu.
Não. Eu apenas despertei o que suas mães esconderam. E agora... vocês vão escutar o primeiro vento.Ela ergueu as mãos.
O chão tremeu.
Do cristal partido, uma onda de areia se ergueu... e um espírito tomou forma.
Imenso. Corpo de poeira viva, olhos como sóis mortos.
Era o Vento do Sul.
O primeiro dos quatro.
Furioso. Desperto. Perdido.
Miruan gritou. Odel caiu de costas.
Agnes se adiantou... e cantou.
A Canção dos Ventos. As notas que ouviu no túnel. No mapa. Na memória.
Por um segundo... o espírito hesitou.
Mas então... ele gritou.
E a areia virou lâminas no ar.
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