A Invasão da Terra

3 Capítulo Terceiro


Capítulo Terceiro

O plano de Gorsk.

A nave em que estavam Otto, Zamur e Gorsk, escoltada pela esquadrilha de naves-caça de Zork, o Barão Verde, se aproximava do planeta que era, de certa forma, um quase irmão da Terra.

Megatópia era, de fato, quase igual ao lar dos terráqueos. As plantas, animais, gases e todo o resto eram quase os mesmos existentes na Terra. Os homo-sapiens megatopianos, seres principais do planeta e iguais aos humanos, tinham como única diferença, quando comparados aos terráqueos, sua natureza menos agressiva, mas esta já estava se transformando com a guerra contra Zamuria. Ao contrário dos da Terra, os recursos do planeta ainda encontravam-se preservados e em abundância. É que os megatopianos investiam mais em meios de preservação do meio-ambiente do que em recursos bélicos. Resumindo, eram uma raça humana melhorada, que estava, em seu calendário, no ano 2163.

Cinco territórios cobriam os dois continentes do planeta: a República de Dutch, a Monarquia Rick, a Democracia Linduana, o Estado Socialista Math e a Aliança do Oeste.

O destino de Otto e Gorsk era Macropolis, a maior cidade do planeta, localizada na República de Dutch. Era lá que estavam o general Ernest Harper e suas forças mercenárias.

Logo que se preparavam para entrar na atmosfera do planeta, Otto acionou a camuflagem anti-radar das naves. Assim, ninguém poderia rastreá-las. Ele, Zamur e Gorsk partiram na direção de Macropolis numa pequena nave de transporte, que cruzou a atmosfera rapidamente.

Depois de cerca de um minuto, a nave já ganhava o território de Dutch. Logo os três tripulantes puderam avistar os edifícios de duzentos andares da cidade, que não era envolvida por um escudo de ozônio, pois os megatopianos ainda não haviam acabado com sua camada de proteção.

Era uma tarde de céu azul. Após cruzar um túnel, a nave ganhou uma avenida onde transitavam alguns Shipcars. Gorsk perguntou a Otto:

– Você tem certeza de que Harper e suas forças estão escondidos logo aqui, na maior cidade deste planeta?

– Aqui é o último lugar em que a Guarda Republicana o procuraria. Ele disse que tem seus motivos.

– Espero que você esteja certo...

Seguiram por algumas vias até o setor industrial da cidade. Não havia poluição, pois toda a fumaça que saía das chaminés passava por vários filtros antes de ser liberada na atmosfera.

De acordo com Otto, Harper e suas forças estavam num armazém abandonado. Depois de cruzarem mais algumas ruas quase sem tráfego de veículos, Otto pousou a nave no terraço de um armazém abandonado que ficava sobre uma fábrica de peças para naves.

Logo que a nave pousou, quatro homens vestidos com o uniforme da Guarda Republicana, armados com metralhadoras giratórias pesadas (Megatópia não investia muito em armas e por isso ainda não havia desenvolvido o poder bélico do laser), saíram de dentro do armazém.

Seguro, Otto foi o primeiro que saiu da nave, seguido por Zamur. Gorsk desceu por último, receoso.

– O que deseja? – perguntou um dos megatopianos armados.

– Informe a seu chefe que Otto está aqui!

O megatopiano comunicou tal fato ao seu chefe por rádio. Depois, disse:

– Vocês podem entrar. Sigam-me!

Os três seguiram os homens de Harper, que entraram no armazém. Dentro havia vários guardas usando o mesmo uniforme dos que os haviam levado até ali. De um canto escuro do armazém surgiu uma sombra, que começou a conversar com Otto:

– Otto, meu caro amigo. Como chegou aqui? Escapou de alguma prisão?

– Sim, Ernest – respondeu o zamuriano. – Escapei de uma prisão terráquea bem nojenta em Marte. Depois de fugir, detonei o lugar inteiro. Não queria correr o risco de voltar para lá!

– Você está certo... E você, Zamur, tudo OK?

– Sim, senhor Harper! – respondeu o general de Otto.

– E esse humano? O que faz aqui?

– Você nunca ouviu falar de Gorsk Koskorva? – perguntou Otto.

– Hei... Espere... Sim! Você é aquele que quase destruiu a Terra, não?

– Sim – respondeu o russo. – Por que você só deixa sua sombra à vista? Tem algum problema?

Ernest saiu da escuridão e revelou-se um megatopiano de uns cinqüenta anos de idade, com uma cicatriz horrível no rosto, um aparelho eletrônico preso ao pescoço e pernas mecânicas.

– Isto responde à sua pergunta? – perguntou Harper.

– O que aconteceu com você? – perguntou Gorsk.

– Ossos do ofício... Mas, afinal, por que vieram até aqui?

– Gorsk tem uma proposta tentadora a lhe fazer! – explicou Otto.

– Do que se trata? – interessou-se Harper.

– Podemos nos sentar? – perguntou o russo.

Harper pegou quatro cadeiras e sentaram-se em volta de uma mesa. As pernas mecânicas do megatopiano faziam um barulho estranho quando ele andava. Gorsk começou a explicar sua proposta, após um gesto de Harper:

– Você ainda tem todo o seu contingente de soldados e máquinas de guerra, general Harper? – perguntou Gorsk.

– Sim – respondeu o megatopiano. – Tenho vários homens e tanques de guerra Mecheleon, com a mais avançada tecnologia de camuflagem externa!

– Ótimo. Está interessado em se tornar um tirano num planeta da Aliança, ao meu lado e ao lado de Otto?

– Sim! Explique logo a sua proposta!

– Eu fui condenado à morte pelos governantes da Terra, mas consegui escapar. Agora, quero colocar em ação um plano para atacar o planeta de surpresa. Se juntássemos nossas forças, poderíamos tomar o governo da Terra facilmente!

– Está louco? – espantou-se Harper. – Se eu e Otto tentamos invadir somente a capital de Zamuria e nos demos mal, como conseguiríamos invadir um planeta inteiro e obter sucesso?

– Se atacássemos em vários pontos de uma só vez, nossa ofensiva seria esmagada, mas, se atacássemos primeiramente a cidade de Nova York, centro do governo da Terra, nós teríamos o controle da sede da ONU e, com uma rendição lenta, adquiriríamos mais e mais forças até tomarmos controle do planeta inteiro. Teríamos que unir todas as nossas tropas para o ataque, mas creio que, assim, obteríamos sucesso facilmente.

– E o que eu ganho com isso?

– Além de governar a Oceania e a Ásia, assim como eu governarei a América e a Europa e Otto a África e as colônias terrestres na Lua, em Marte, nas luas de Júpiter e em Globônia, dividiríamos todas as riquezas da Terra, principalmente o Stelix, entre nós!

– Stelix... Estou começando a me interessar...

– Não é um bom plano? – perguntou Otto. – Não seria tão difícil conquistar a Terra, principalmente com a surpresa que nosso ataque provocaria!

– Você tem razão... – murmurou o megatopiano. – Mas, precisava de algo mais...

– Você poderia me emprestar um de seus homens para uma demonstração? – perguntou Gorsk.

– Fique à vontade.

Um dos homens de Harper aproximou-se. Gorsk esticou o braço na direção dele e ficou com o punho fechado durante um instante. De repente, abriu a mão, liberando um raio elétrico que eletrocutou o pobre megatopiano.

Todos os outros comandados de Harper apontaram suas armas para o russo, mas o ex-general os impediu de atirar. Ele disse a Gorsk:

– Acho que estou começando a gostar dessa sua proposta...

Enquanto isso, na Terra, mais precisamente em Stelix City, anoitecia. Em sua barraca, Wilson esquentava, numa forma com o formato de seu tórax, uma porção de Stelix, usando sua pistola laser. Pedro entrou nesse momento e perguntou, após colocar uma máscara de gás igual àquela que o jovem usava para se proteger dos gases tóxicos provenientes da reação:

– O que você está fazendo?

– Uma armadura peitoral! – respondeu Wilson. – É para dificultar que os macacos me matem caso ataquem!

– Fique tranqüilo... Esses macacos devem estar bem longe daqui...

– Não sei não...

Nisso, Gerald entrou, dizendo:

– Venham ver o que o CNA está noticiando na Internet!

Os dois o seguiram. Ao lado de uma fogueira que haviam acendido estava Eva, sentada numa caixa com o computador portátil nas mãos. No site do CNA (Canal de Notícias da Aliança), uma jornalista anunciava a seguinte notícia:

“Há cinco horas, o complexo penitenciário Ronald Reagan, em Marte, foi atacado pelas forças zamurianas rebeldes do revolucionário conhecido como Otto, que há alguns anos tentou um golpe de estado contra o Imperador Zamuriano com a ajuda de forças megatopianas, que o libertaram da prisão junto com o prisioneiro condenado à pena de morte Gorsk Koskorva. Após a fuga, uma explosão nuclear destruiu completamente o complexo. Mais informações em breve”.

Todos, naturalmente, ficaram pasmados. Gerald exclamou:

– Droga! Não quero ter que encarar aquele sujeitinho novamente!

– Acalme-se – disse Eva. – Se ele fugiu com Otto, deve estar bem longe daqui!

– Você está certa...

– Eu sei que essa situação é preocupante – disse Pedro. – Mas vamos nos acalmar! Nada de ruim vai acontecer!

Houve um instante de silêncio. Gerald acalmou-se e perguntou a Wilson:

– Quantos litros de metal líquido nós já extraímos?

– Cento e vinte. Não é muito, mas, se vendêssemos para fins militares, ganharíamos cerca de vinte mil dólares. Já se vendêssemos para a extração do extrato comburente, ganharíamos doze mil e quinhentos dólares.

– Não quero vender o metal para fins militares... Já salvei a Terra uma vez e não quero ter que fazer isso novamente... Onde podemos vendê-lo para a extração do extrato comburente?

– Há uma refinaria não ligada a Stelix Corporation na Guatemala. É o melhor lugar para fazermos o negócio. O dono do lugar foi meu companheiro no Exército. Chama-se Ken Robinson. Mas, antes de partirmos, vamos extrair mais do minério.

– Certo! – respondeu Gerald. – Eu não tenho medo dos macacos, só do maldito Gorsk Koskorva... Vamos jantar! As pílulas nos esperam!

– Vocês gostariam de saborear salsichas ao fogo? – perguntou Eva, sorrindo.

– Claro! – respondeu Pedro. – Você tem salsichas?

Eva tirou algumas salsichas num plástico de dentro de um freezer portátil e começou a fritá-las pendurando-as em gravetos na fogueira que haviam feito. Gerald perguntou:

– Como conseguiu toda essa comida?

– Meu pai deixou, em nossa antiga casa no Texas, um monte de comida congelada num grande freezer, pois ele odiava comer pílulas. Estas salsichas, como os sanduíches naturais que comemos no Saara, são relíquias, pois desde o colapso da agricultura todos se alimentam somente de pílulas. É claro que ninguém vai querer preservar a comida intacta...

– Principalmente quando bate aquela fome! – riu Gerald.

Todos deram uma gostosa gargalhada. Gerald perguntou a Eva:

– Por que não tira seu chapéu? Está com ele desde o começo da viagem e nós já sabemos que você é uma vaqueira!

– Acho melhor não...

– Por quê?

– Você acha que devo mostrar a Gerald e aos outros? – perguntou Eva a Peter.

Janissary assentiu com um gesto. A vaqueira tirou o chapéu e revelou uma cicatriz no alto da testa, que se estendia por cima da cabeça e terminava na nuca, ocultada por seus cabelos.

Eva colocou novamente o chapéu. Ninguém disse nada. Já sabiam que eram marcas da guerra. E, assim, todos começaram a saborear as salsichas fritas...

– Você tem certeza de que o ponto de encontro é aqui? – perguntou Gorsk a Otto, que estavam, junto com Harper e Zamur, dentro da nave de comando zamuriana, em algum lugar da Galáxia perto do nosso sistema solar.

– Sim – respondeu Otto. – Minhas forças prometeram se encontrar com o resto da frota aqui!

As forças que Zamur havia comandado para tirar Otto da prisão e as forças de Harper já estavam juntas. Só faltavam as demais forças do líder rebelde zamuriano e as forças restantes de Gorsk, que seriam acionadas após o início da invasão.

Pouco depois, ao longe, puderam ver o resto da frota de Otto se aproximar, comandada pelo Barão Verde. Após ela entrar em formação, Otto deu a seguinte ordem:

– Todos liguem seus propulsores e coloquem na velocidade de anos-luz! Nos prepararemos para o ataque perto da lua terráquea!

– Sim senhor! – respondeu o Barão Verde.

– Segurem-se – recomendou Otto. – Podemos entrar numa desestabilização!

As naves tiveram seus propulsores ligados na velocidade de anos-luz. Um minuto depois, estavam perto da Lua.

Otto, Gorsk, Harper e Zamur foram para a sala de estratégia da nave, onde Gorsk explicou pela terceira vez o plano de ataque:

– Por enquanto, ainda não nos perceberam. Portanto, temos a vantagem do ataque. As naves-caça zamurianas, comandadas pelo Barão Verde, terão a tarefa de destruir a Estação Internacional, o nosso único obstáculo antes da atmosfera terrestre. As naves de Harper irão dar rasantes ofensivos sobre a Lua com o intuito de destruir as bases-aéreas terráqueas, que podem dificultar nosso ataque mandando reforços. As naves que transportam as tropas e as máquinas de guerra terão energia suficiente para permanecerem protegidas pelos escudos magnéticos por quinze minutos. Esse será o tempo que teremos para assegurar a destruição da Estação Internacional e evitar que mandem reforços da Lua. Alguma pergunta?

– E se algo der errado... Errado... Errado... – disse Harper, repetindo “errado” sem parar com seu aparelho no pescoço piscando uma luz vermelha.

Otto chutou seu pé e o megatopiano parou de repetir a palavra. O zamuriano explicou que isso acontecia às vezes, e que era stress. Gorsk respondeu à pergunta:

– Se algo der errado, todos voltarão para esta posição e usarão a energia que resta nos propulsores para escapar na velocidade de anos-luz!

– Quais são os armamentos dos terráqueos? – perguntou Zamur.

– Naves de combate Terra-Espaço XY-25 da Força Aérea dos Estados Unidos do Norte. São naves fracas comparadas às nossas, mas que podem causar problemas atacando em grupo. As armas de defesa da Estação Internacional são canhões laser antiaéreos normais. Vamos iniciar o ataque!

– Vou dar a ordem à frota! – disse Otto, saindo.

Na sala de comando, Otto deu permissão para o Barão Verde iniciar o ataque.

As naves-caça zamurianas seguiram na direção da Estação Internacional e as megatopianas na direção da Lua.

A Estação Internacional era uma grande estação espacial que se situava na órbita da Terra. Era quase do tamanho da cidade de Nova York.

Logo que a estação detectou as naves invasoras em seu radar, algumas naves-caça foram mandadas para averiguar a situação. O piloto de uma delas tentou se comunicar com o Barão Verde:

– Aqui é a guarda da estação! O que estão fazendo aqui com todo esse equipamento bélico?

– Morra... – murmurou o Barão, que, com quatro disparos laser vindos de sua nave, explodiu metade das naves-caça terráqueas.

– Entrem em formação de ataque! – ordenou outro piloto terráqueo.

As naves zamurianas acabaram com as naves-caça que vieram averiguar a situação. As naves de transporte começaram a atirar com seus canhões laser contra a estação, pausadamente, mas um escudo magnético protegia o alvo.

– Droga! – gritou o Barão Verde. – Há um escudo protegendo a estação!

– Continue a missão! – ordenou Otto. – Destruam as naves terráqueas!

Cerca de trezentas naves-caça saíram da estação, em direção à frota invasora, atirando sem parar. A frota zamuriana começou a experimentar suas primeiras baixas.

As naves megatopianas deram um primeiro rasante sobre as bases da Lua, atirando. O resultado foi uma redoma de radar destruída, o que, de certa forma, “cegou” as armas de defesa da Lua, que pararam de atirar.

– Ótimo trabalho – disse Harper, que comandava as naves compatriotas. – Agora que as armas de defesa da Lua estão desativadas, destruam as bases-aéreas antes que mandem reforços!

– Sim senhor! – respondeu um piloto megatopiano.

Porém, naves-caça terráqueas saíam sem parar das crateras da Lua, que eram túneis de decolagem das bases subterrâneas do satélite, auxiliando as que vinham da estação a combater a frota zamuriana, que já tinha muitas baixas.

– Façam alguma coisa! – gritou o Barão Verde. – Vão acabar com a frota!

– Você vê as entradas de onde saem as naves-caça de dentro da estação? – perguntou Gorsk, entrando na freqüência.

– Sim, terráqueo! E daí?

– Mande que a frota atire dentro dessas entradas quando estiverem abertas! Vocês precisam ter precisão, pois ela só vai ficar aberta um segundo após a última nave-caça sair, desbloqueando a linha de tiro!

– Vamos tentar!

O Barão e mais um grupo de cinqüenta naves fizeram uma manobra e seguiram na direção da estação, com a mira nas entradas, prontos para atirar quando elas se abrissem.

E isso aconteceu. De dentro de uma delas saíram trinta naves-caça. As naves zamurianas atiraram quase todas ao mesmo tempo. Dois tiros entraram surpreendentemente pela entrada após a última nave sair e um sexto da estação explodiu aos poucos.

– Esta tática é boa! – exclamou o Barão. – Vamos tentar nas outras entradas para acabar com a estação!

E, numa manobra, o grupo de naves começou a tentar o tal.

Porém, muitas naves saíam das crateras da Lua, massacrando a frota zamuriana e, agora, também a megatopiana, que, mesmo destruindo todas as bases externas na Lua, não conseguiam atingir as bases subterrâneas.

Gorsk, entrando na freqüência de rádio de Harper, ordenou às naves megatopianas:

– Voltem já! Voltem para a nave de comando imediatamente! Mudança de planos!

– Sim senhor! – respondeu um piloto.

– Está maluco? – perguntou Harper. – A frota estava fazendo um ótimo trabalho!

– Eu sei o que estou fazendo.

E as naves megatopianas voltaram para a nave de comando, enquanto algumas, atingidas pelas naves terráqueas, caíam sobre a superfície da Lua.

Nos hangares da nave de comando, as naves-caça megatopianas eram armadas com bombas que possuíam o símbolo de perigo radioativo e eram enviadas de volta ao combate, com a ordem de jogar os artefatos dentro das crateras da Lua.

– Então esse é o seu plano? – perguntou Otto a Gorsk. – Destruir as bases subterrâneas da Lua atirando bombas atômicas leves dentro das crateras?

– Exatamente, meu caro – respondeu o russo. – As bombas destruirão todas as bases subterrâneas, que são interligadas por túneis!

– Inteligente...

As naves megatopianas deram um novo rasante sobre a Lua e jogaram as bombas dentro de duas crateras, subindo pelos túneis o som das explosões e gritos dos pobres terráqueos. Além disso, pararam de sair naves-caça pelas aberturas.

As naves fizeram uma manobra para dar outro rasante e fazer o mesmo com as outras crateras. Quanto à estação, a frota zamuriana já havia destruído metade dela com a mesma tática de atirar nas entradas de onde saíam as naves.

Faltavam três minutos para o escudo magnético das naves de transporte ser desativado. Tinham que se apressar em destruir a estação. A frota megatopiana, após destruir todas as bases subterrâneas na Lua, se juntou à frota zamuriana com esse fim.

Logo, cinco sextos da estação estavam destruídos e quase todas as naves-caça de defesa haviam sido pulverizadas. Em compensação, faltava um minuto para a desativação dos escudos.

– Ande logo, tenente Zork! – exclamou Otto pelo rádio.

– Estou fazendo o que posso! – respondeu o Barão Verde.

Só restava uma entrada de onde timidamente saíam algumas naves. Pouco antes da última nave-caça partir, o Barão Verde exclamou, dando um disparo com seu canhão laser na direção da entrada:

– Adeus, estação maldita!

O tiro entrou perfeitamente pela entrada antes que ela se fechasse, e o que restava da estação explodiu. As naves-caça que haviam restado também explodiram, pois eram ligadas ao computador central da estação. No mesmo instante, os escudos magnéticos foram desativados.

– Ótimo trabalho! – exclamou Otto. – Voltem todos para as naves de transporte!

– Sim senhor! – respondeu o Barão Verde.

Todas as naves-caça entraram nas naves de transporte para reabastecimento e manutenção. Gorsk disse a Otto:

– Agora, podemos entrar sem problemas na atmosfera terrestre. Dividiremos a frota em dois grupos: um comandado por mim e Harper, tomará o poder em Nova York e o outro, comandado por você, o general Zamur e o Barão Verde, irá tomar as maiores reservas de Stelix na América Central. Depois, iremos encontrar minhas forças na Sibéria e aí poderemos dominar o resto do planeta!

– Eu tinha minhas dúvidas sobre você, Gorsk... Agora sei que você é um bom estrategista!

Otto saiu da sala para dar as ordens, enquanto Gorsk via um raio elétrico passar por seus dedos quando abriu a mão direita.

Continua...