A Invasão da Terra
4 Capítulo Quarto
Capítulo Quarto
Os invasores ganham terreno.
Amanhecia um novo dia em Stelix City. Eva foi a primeira a acordar e saiu de sua barraca, colocando seu chapéu texano e se alongando, sonolenta. Gerald, o segundo a acordar, saiu de sua barraca e cumprimentou a vaqueira:
– Bom dia, Eva.
– Bom dia, Gerald – respondeu Tucson. – Dormiu bem?
– Eu tive um sonho estranho...
– Como foi?
– Não foi bem um sonho, mas sim um pesadelo. Eu sonhei que estava no Egito, entre três pirâmides, envolvidas por uma redoma de energia. Na minha frente havia uma sombra que apontava uma pistola laser para a sua cabeça. Você gritava desesperada. Ventava muito. De repente, tudo foi tomado por uma forte luz branca, e não vi mais nada, acordando.
– Meu Deus... Relaxe! Não deve ter sido nada... Gerald, eu posso lhe perguntar uma coisa?
– Claro.
– Você está gostando de mim?
– Eu...
Antes que o herói pudesse responder, Pedro saiu de sua barraca, dizendo bom dia aos dois. Eva distanciou-se. Gerald compreendeu que teria que esperar outra oportunidade para falar com ela.
Wilson e Peter acordaram simultaneamente. O primeiro logo voltou a trabalhar na mina com a perfuratriz para extrair mais Stelix. O segundo foi pegar o computador de Eva, que estava na barraca da mesma, para se informar mais sobre a fuga de Koskorva. Logo que viu que o site do CNA informava algo surpreendente, chamou os outros. Uma jornalista informou a seguinte notícia:
“Há cinco horas, forças zamurianas e megatopianas atacaram e destruíram completamente a Estação Internacional e as bases militares na Lua. A frota invasora já entrou na atmosfera terrestre e se dirige para um destino desconhecido. Os líderes de Zamuria e Megatópia negam qualquer envolvimento com o incidente. As autoridades suspeitam que sejam mercenários ou rebeldes. Mais informações a qualquer momento”.
Todos ficaram pasmados, mais do que haviam ficado quando souberam da fuga de Gorsk Koskorva. Gerald exclamou:
– Koskorva tem algo a ver com isso!
– Por que você acha isso? – perguntou Pedro.
– Isso tudo é muito estranho... Vocês não acham que ele iria querer se vingar dos governantes da Terra após sua condenação? Além disso, as forças rebeldes de Otto permitiram a fuga. Vocês não acham que os dois e mais alguém formaram uma aliança para invadir a Terra?
– Você está muito atordoado! – disse Eva. – Isso tudo também está nos perturbando, mas acho que você deveria ir descansar um pouco.
– Acho que está certa! – respondeu Gerald.
E recolheu-se em sua barraca. Wilson voltou a manejar a perfuratriz e Eva, Pedro e Peter vasculhavam as outras construções engolidas pela selva em busca de mais alguma informação.
De repente, tudo escureceu, como se o dia houvesse se transformado em noite. Todos ficaram petrificados no centro da cidade, estranhando aquele evento. Gerald, que saía de sua barraca naquele momento, perguntou, ao não ver mais o céu alaranjado da manhã acima da copa das árvores:
– O que houve? O dia virou noite?
– Não – respondeu Wilson, apontando para cima. – Parece uma grande nave de transporte de tropas, daquelas de onde os generais comandam suas forças.
– Uma nave de comando militar? – perguntou Pedro.
– E é zamuriana – concluiu Peter. – São os invasores!
– Eu acho melhor nós sairmos daqui... – recomendou Eva.
Todos correram para dentro da nave de transporte na qual eles haviam chegado a Stelix City. Wilson trouxe os barris de Stelix. Pedro ligou os propulsores e fez uma manobra com a nave para não ficarem mais sob a aeronave espacial que haviam visto passar sobre eles.
Logo que ficaram na mesma altitude da nave de comando, viram que havia várias outras naves de transporte de tropas e naves-caça, todas zamurianas. Aquela era a frota zamuriana, comandada por Otto, que seguia na direção da Guatemala, com o objetivo de tomar controle das principais reservas de Stelix.
O Barão Verde, vendo a nave pilotada por Pedro, comunicou Otto:
– Vossa Excelência, nós temos uma nave intrusa junto à frota!
– Uma nave intrusa... Intercepte-a já, tenente Zork!
– Sim, senhor.
Cinco naves-caça entraram em formação de ataque atrás da nave do Barão Verde e puseram-se a perseguir a nave onde estavam os desbravadores de Stelix City.
Pedro só percebeu as naves atacantes quando um disparo vindo da nave-caça do Barão Verde atingiu o tanque de combustível. Pedro informou:
– Estão atirando em nós! Atingiram o tanque de combustível e estamos perdendo muito óleo nitrogenado!
– Ligue os propulsores na potência máxima! – disse Gerald.
– Não temos combustível suficiente! Vou tentar outra coisa!
Pedro, numa manobra ousada, passou debaixo de uma nave de transporte zamuriana. Uma das naves-caça não teve tempo de desviar e bateu na aeronave espacial. O Barão Verde ordenou que continuassem no encalço da nave intrusa.
O brasileiro fez outra manobra e passou, num rasante, entre dois canhões de defesa da nave de comando de Otto. Eles não podiam atirar, pois a nave pilotada por Pedro voava abaixo da altura deles. Duas das cinco naves perseguidoras bateram nos canhões, uma em cada um, destruindo-os.
– Vocês parecem ter aprendido a pilotar por correspondência! – exclamou nervoso o Barão Verde.
– Tenente Zork! – exclamou Otto pelo rádio. – Acabem com essa nave e tentem não destruir a frota inteira!
– Sim senhor!
A nave que era perseguida pelos zamurianos, então, pousou bem devagar em cima de uma nave de transporte de tropas. Uma das naves-caça perseguidoras, tentando dar um rasante atirando para acertar a nave intrusa, acabou destruindo um dos canhões de defesa da nave compatriota. Otto ordenou ao Barão Verde:
– Recuem já! Deixem a nave ir!
– Mas, senhor...
– Já, bando de incompetentes!
O Barão e as naves restantes entraram dentro da nave de comando. Pedro fez uma curva com a nave e desapareceu com ela rapidamente, saindo do alcance da frota. Todos os tripulantes suspiraram de alívio.
– Você, definitivamente, é um bom piloto, caro amigo Pedro! – elogiou Gerald.
– Não foi nada... E agora? Para onde vamos?
– Guatemala – respondeu Wilson. – Programe o piloto automático para seguir até a região da antiga cidade maia de Techión, onde fica a refinaria de Robinson. Temos combustível para chegar até lá?
– O tanque está vazando, mas creio que sim!
E a nave ganhou o oceano Atlântico, na direção da Guatemala...
Após cerca de vinte minutos, a nave ganhou o espaço aéreo da República Socialista da Guatemala. Desde a Segunda Revolução Russa ocorrida no ano de 2017 diversos países da América Latina haviam se tornado socialistas.
O óleo nitrogenado estava quase no fim. Eva, por uma janela, observava as construções de uma antiga cidade maia. Ela perguntou a Wilson:
– Essa cidade é Techión?
– Não. Essa é Naxos. Techión fica um pouco mais à frente!
– Seu amigo está nos esperando? – perguntou Gerald.
– Não – respondeu Wilson. – Mas ele é gente fina. Vamos vender o Stelix e lucrar!
Nisso, chegaram a Techión. O céu estava azul, com poucas nuvens. Um escudo de ozônio protegia a área. Pedro pousou a nave no centro da antiga cidade maia, entre pirâmides e templos. O óleo nitrogenado havia acabado e se quisessem sair dali teriam que concertar o tanque de combustível e reabastecer.
Pedro foi o primeiro a descer da nave. A primeira coisa que fez foi averiguar o estado do tanque de combustível. O que viu o fez balançar a cabeça: havia um grande buraco no tanque, feito pelo disparo laser da nave do Barão Verde.
Gerald aproximou-se de Pedro e também balançou a cabeça. Eva, Peter e Wilson saíram da nave carregando os seis barris de Stelix, um debaixo de cada braço. A vaqueira perguntou a Wilson:
– Onde fica a refinaria?
– Eu não entendo... – disse Wilson. – Deveria haver uma grande refinaria aqui, no meio da cidade! O que poderá ter acontecido?
– Com esses invasores por toda parte, não duvido de nada! – disse Gerald, aproximando-se com Pedro. – Não duvido nada que eles tentem nos aniquilar novamente. Eu acho melhor nós termos cuidado, pois nem sempre teremos alguém como Pedro pilotando a nave, não só devido à sua habilidade, mas devido à sua esperteza!
– É... – suspirou Eva. – A situação mundial não está nada boa... Quais foram os danos na nave?
– Há um buraco do tamanho do Texas no tanque de combustível e não temos uma gota de óleo nitrogenado! É melhor você encontrar a refinaria, Wilson, pois vamos ter que ficar aqui de qualquer maneira!
– Eu não estou entendendo... – murmurou Wilson. – A refinaria tinha que estar aqui! Se ela tivesse sido destruída, haveria pelo menos alguns escombros, mas não há nada!
– Tem certeza de que o lugar é este?
– Sim, Gerald. Tenho plena certeza!
Nisso, um homem armado com uma pistola laser surgiu de trás de um bloco de concreto. Ele perguntou:
– Quem vocês são e o que querem?
– Viemos em paz! – respondeu Gerald. – Estamos procurando Ken Robinson.
– Quem deseja vê-lo?
– Eu! – respondeu Wilson. – Chamo-me Derek Wilson. Fui companheiro de Ken no Exército! Trazemos Stelix para ser vendido!
– Stelix... Derek Wilson... Espere um pouco...
O homem checou algo num aparelho em seu pulso e respondeu:
– Seu nome confere na lista de amigos de Robinson. Sigam-me!
Os cinco o seguiram até um Hoverjeep, ou seja, um jipe flutuador, onde entraram. O homem começou a dirigir na direção de uma estrada de terra que levava ao topo de um monte. Ele perguntou a Wilson:
– Já esteve aqui antes?
– Sim, mas, pelo que me lembro, a refinaria ficava no centro de Techión!
– É que recentemente os inspetores da Stelix estiveram por aqui para averiguar se não havia nenhuma refinaria independente dentro de sua área de exploração, e você deve saber que sempre estivemos operando de forma ilegal. O limite da área de exploração da Stelix fica um pouco à frente de Techión, ou seja, estávamos dentro do domínio dos crápulas. Por sorte, Albert Einstein tem um laboratório dentro deste monte e ele resolveu nos ajudar. Construiu uma espécie de plataforma flutuadora gigante para tirar a refinaria do centro de Techión antes que os inspetores chegassem. Deu tudo certo e agora a refinaria está em cima do monte – disse, apontando para o alto da elevação.
– Nossa... Nem havia visto...
De fato, havia uma fábrica com duas grandes chaminés sobre o monte. Gerald perguntou:
– Então Albert Einstein está trabalhando aqui? Não o vejo desde a queda de Koskorva há cinco anos!
– Sim – respondeu o homem. – O laboratório dele fica embaixo da refinaria, dentro do monte. Ele inventa coisas surpreendentes!
– Gostaria de revê-lo...
– Como é seu nome? – perguntou Eva ao homem.
– Chame-me de Juan. E, se não perceberam, sou um andróide!
– Já havia percebido, pelo jeito que fala... – murmurou Pedro.
– Há algum problema com a nave de vocês?
– O tanque de combustível foi furado por disparos de uma nave-caça zamuriana e não temos uma gota de óleo nitrogenado! – respondeu Peter.
– Zamurianos... Nós já soubemos da invasão... Conversem com Robinson e seus homens concertarão a nave.
E subiram até o topo do monte. Entrando por um grande portão de ferro, ganharam a refinaria. Passaram por um setor onde através de tubos e tanques de diferentes temperaturas era retirado o extrato comburente de Stelix. Depois ganharam outro amplo setor, sempre guiados por Juan, onde o Stelix era aquecido por homens usando roupa especial e, após se transformar em couraças, estas eram modeladas por homens com maçarico e transformadas em armaduras e em grandes blindagens praticamente indestrutíveis para tanques de guerra. Os gases tóxicos eram eliminados pelas chaminés, passando por filtros.
Juan, então, guiou-os até um andar superior e entraram num escritório com a inscrição “Chefe” na porta. Lá, encontraram Ken Robinson. Wilson o saudou:
– Ken! Há quanto tempo!
– Wilson! Como vai você, garanhão?
– Vou bem, velho amigo... Mas vejo que se deu melhor do que eu!
– Sem querer me gabar, acho que sim... E os outros? Quem eles são?
– São meus companheiros. Trouxemos alguns barris de Stelix para vender.
– Stelix... Podem deixá-los no depósito, lá embaixo! Mas não deixem essa bela vaqueira segurando todo esse peso... – disse Ken, se aproximando de Eva. – Alguém poderia fazer o favor de levar os barris que ela segura!
Pedro levou os barris de Eva para o depósito, junto com Wilson e Peter, que levaram os outros quatro. Ken olhava com interesse para a vaqueira. Gerald parecia zangado. Antes que Robinson pudesse dar mais uma cantada em Eva, ele perguntou:
– Onde está Einstein?
– Einstein? Ele vive em seu laboratório de pesquisas, debaixo da refinaria. Juan pode levá-lo até lá mais tarde...
– De onde conhece Einstein? – perguntou Eva a Gerald.
– Eu e Pedro, durante a nossa incursão ao Kremlin, o encontramos preso num complexo subterrâneo. Ele havia viajado no tempo e foi preso por Koskorva.
– Já ouvi falar dessa história...
– Ele é um gênio e foi injustiçado, pois fora acusado de ter esboçado os planos da bomba Apocalipse em 1947, mas, na verdade, quem fez os planos foi Werner von Braun.
– Eu não entendo... – murmurou Ken. – Se ele desapareceu em 1947, como os livros dizem que ele morreu em 1955?
– Foi uma conspiração – respondeu Gerald. – Colocaram um cientista bem parecido com ele em seu lugar.
Nisso, Pedro, Wilson e Peter voltaram. Ken olhou para Eva e deu uma piscada, mas a vaqueira pareceu não gostar. Gerald perguntou:
– Posso ver Einstein agora?
– Se quiser, pode ir – consentiu Ken. – Juan o levará até o laboratório.
– Eu também quero ir – disse Pedro. – Quero rever o velho Einstein!
– Eu também! – disse Eva, se juntando ao grupo que seguia Juan para sair de perto do garanhão Ken.
– Ah! Mais uma coisa... – lembrou-se Gerald.
– O quê? – perguntou Ken.
– Pode mandar alguns de seus homens para consertar a nossa nave?
– Claro.
Juan os levou até um elevador e desceram monte adentro. Logo, ganharam uma porta eletrônica, que se abriu na frente deles, revelando um amplo laboratório onde vários pesquisadores e cientistas trabalhavam. Juan subiu de volta pelo elevador. Gerald começou a procurar por Einstein, enquanto Pedro e Eva admiravam o trabalho dos cientistas.
Nisso, Einstein surgiu de uma porta. Logo que viu os visitantes do laboratório, aproximou-se deles. Gerald foi o primeiro a cumprimentá-lo:
– Albert! É bom te ver, amigo! Há cinco anos não nos vemos...
– Também é bom te ver – respondeu o gênio. – Mas o que fazem aqui?
– Viemos vender Stelix para Robinson – respondeu Gerald, enquanto Einstein cumprimentava Pedro e beijava a mão de Eva. – Nós estamos, ou pelo menos estávamos trabalhando na Stelix Corporation e resolvemos “declarar” independência!
– Stelix? – perguntou Einstein. – O metal da discórdia?
– De certa forma, sim! Mas e você? Por que está trabalhando tão distante da civilização?
– Após aquela condecoração em 2035, os patifes do Departamento de Defesa dos EUN me pressionaram a construir armas. A humanidade, e, principalmente aqueles americanos, nunca aprendem. Vim para cá com o fim de trabalhar longe dos sentimentos humanos capazes de devastar o planeta! Você já sentiu isso na pele e sabe do que eu estou falando!
– Sei mesmo... A humanidade é assim, fazer o quê? Você não vê como colonizamos o planeta Utopia, em 2037? O planeta tem condições para a vida, mas as Nações Unidas e a Aliança Estelar o transformaram numa imensa base militar nos confins da Galáxia! Isso é revoltante...
– Mudando de assunto, eu gosto muito de trabalhar neste laboratório. Invento mais de mil tipos de invenções. Sigam-me e mostrarei a mais recente!
Os três seguiram Einstein por uma porta eletrônica admirados com o laboratório.
Os quatro ganharam um laboratório menor, cheio de mesas com estranhas invenções. Einstein, conforme passava por elas, as ia explicando:
– Este é o barbeador laser 4000. Ele é diferente do que já existe, pois, além de livrar um homem de sua barba com um laser fraco, indica em quanto tempo a barba crescerá novamente. Já tentei vender o projeto para a Barbeadores Smith Ltda, mas eles não quiseram nem saber. Já este aqui é o mais novo tipo de andróide-enciclopédia! – disse, parando na frente de um andróide sentado em uma mesa.
– Mas há andróides-enciclopédia em qualquer biblioteca do mundo! – disse Gerald. – E eles são uns malas, pois, quando você pede o significado de uma palavra, por exemplo, eles ditam metade da enciclopédia, mas não esclarecem a sua dúvida!
– Este é diferente por isso! – disse Einstein. – Ele informa, mas não enrola! Querem fazer um teste?
– Sim.
Einstein ligou o andróide, que disse:
– Andróide-enciclopédia número um, série um, se apresentando para esclarecer dúvidas!
– O que é plebiscito? – perguntou Eva.
– Plebiscito: Substantivo. Votação ou reunião do povo ou de um grupo de indivíduos para escolher um governante ou representante.
– Só isso? – estranhou Eva. – Quando estava no ginásio, se perguntasse isso, um andróide-enciclopédia normal ficaria uma hora falando!
– O que é União Báltica? – perguntou Pedro.
– União Báltica: Aliança econômica e militar estabelecida em 2020 e constituída pelas três repúblicas bálticas: Estônia, Letônia e Lituânia.
– Estou surpreso – disse o brasileiro. – É, sem dúvida, uma ótima e prática invenção!
– Quem é Gorsk Koskorva? – perguntou Gerald.
– Gorsk Koskorva: Estadista russo (Moscou, 1990). Eleito num plebiscito jovem líder do Politburo após a Revolução de 2017, na qual lutou como major, trouxe progresso para a Nova Rússia. Assinando o Tratado de Varsóvia (2019), estabeleceu boas relações com a União Européia e com a América Latina, principal fornecedora de Stelix. Quando eclodiu a Terceira Guerra Mundial, Koskorva invadiu o Leste Europeu, a União Européia, a China (futura aliada ainda durante a guerra) e a América do Norte. Tomando posse da Guatemala, atacou o Brasil. Após a batalha de Quebec (2025), e a capitulação dos russos na América (2026), houve o incidente com os gases tóxicos na fronteira chinesa, que aniquilou as chances de um tratado de paz. Após a capitulação da China (2026), a primeira queda de Koskorva foi rápida. Exilado na Nicarágua por quatro anos, voltou para a Rússia e foi eleito presidente pelo Novo Partido Comunista (2030). Conduziu boas relações com os EUN, mas ameaçou usar uma bomba Apocalipse contra Nova York (2035). Após ser desmascarado, Koskorva foi deposto pelas forças da ONU que invadiram Moscou, ainda em 2035. Atualmente, vive uma intensa batalha judicial.
– Eu preciso atualizá-lo! – disse Einstein, desligando-o. – Afinal, Koskorva já foi condenado e até escapou da prisão!
– Soube da invasão? – perguntou Pedro.
– Sim – respondeu Einstein. – Acho que Koskorva está por trás de tudo isso!
– Eu também! – disse Gerald.
– Vamos parar de falar nessas coisas! Venham ver minha maior invenção!
Einstein pegou uma espécie de capacete nas mãos. Gerald perguntou:
– O que esse capacete faz?
– Ele é muito especial, pois permite ao usuário ler os pensamentos de quem estiver presente!
– Sério?
– Podem acreditar! Alguém quer tentar?
– Eu! – respondeu Eva, entusiasmada.
A vaqueira tirou o chapéu e rapidamente colocou o capacete para não deixar sua cicatriz na cabeça à mostra. Einstein ligou um botão na invenção, mas, após um instante, Eva disse:
– Estranho... Só vejo o que está acontecendo agora na mente de Pedro e Gerald!
– É que eles estão tentando não pensar em nada!
– Vamos, pessoal! Liberem seus pensamentos!
Após um instante, Eva disse:
– Pedro está pensando numa paisagem linda... Parece uma praia...
– É o Rio de Janeiro antes da Revolução Tecnológica e da poluição! – disse o brasileiro.
– Hei... Gerald está pensando em mim... E eu o estou beijando!
– Opa! – exclamou Gerald, tentando não pensar em nada.
– O capacete também permite descobrir desejos! – explicou Einstein.
– Então você deseja um beijo meu, Gerald? – perguntou a vaqueira amavelmente.
– Bem, eu... – oscilou o herói.
Einstein retirou o capacete da cabeça de Eva, temendo brigas.
Enquanto isso, na refinaria, Ken mostrava as instalações para Peter e Wilson. Ele disse:
– Aqui nós retiramos o extrato comburente de Stelix e transformamos o metal líquido em couraças praticamente indestrutíveis.
– Por que “praticamente”? – perguntou Wilson. – Há algo que possa penetrar nas couraças de Stelix?
– Para falar a verdade, sim – respondeu Ken. – Existem projéteis feitos de Stelix que podem penetrar nas couraças também de Stelix. Que eu saiba só existem três fábricas desses projéteis, uma em cada planeta da Aliança.
– Acha que aqui estaremos seguros da invasão? – perguntou Peter.
– Creio que sim. Os invasores provavelmente irão atacar os grandes centros urbanos e...
– Mas nós topamos com uma frota zamuriana na Amazônia, e você acha que existem megalópoles por lá? E se eles quiserem tomar as reservas de Stelix desta região?
– Se eles ousarem aparecer por aqui, meus homens lutarão até a morte!
E não tocaram mais no assunto.
Continua...
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