A Interna.
1 O massacre de aniversário.
Era o meu aniversário de 16 anos, dali à alguns instantes estaria livre daquele lugar, mas não sabia se era verdadeiramente isso o que eu queria. Eu estava ali desde os meus 6 anos de idade, a essa altura eu duvidava que ainda existisse algum tipo de vida além daqueles muros.
Apesar de eu nunca ter tido amigo algum, era como se todos ali fossem próximos à mim.
Eles não eram. Eles tinham medo.
Afinal, quem não teria? Todos conhecem a minha história, o motivo pelo qual eu fui internada naquele hospício...
"Meu pai era um drogado e minha mãe uma prostituta, eu fui a primeira e única gravidez dela, o aborto não foi possível, e aqui estou eu.
Só existem más recordações da minha 'Família' na minha cabeça. Eu era obrigada a ficar sozinha em casa desde os meus dois anos, era uma casa alugada caindo aos pedaços, com um cheiro mofado e podre. Sempre fiz tudo que aquela vadia não foi capaz de fazer, e eu ainda apanhava se reclamasse. No meu aniversário de 6 anos ela não me deu sequer parabéns, e ainda comeu o pequeno Muffin que eu tinha comprado para comemorar, e cuspiu na minha cara.
Naquele dia ela me espancou até eu quase morrer.
No final da Tarde meu pai apareceu naquela maldita residência, bêbado, e me bateu ainda mais.
Esperei até os dois dormirem, então rasguei suas gargantas, continuei cortando seus corpos, já sem vida, com uma navalha que eu tinha arranjado. Foi o dia mais feliz da minha vida. Fiquei até surpresa com o tamanho da força que eu tinha.
Peguei um galão de gasolina e ateei fogo aquele lugar, fiquei lá fora observando a tudo queimar, então os bombeiros chegaram..."
Essa é a única lembrança que eu tenho, a que eu sempre guardei com todas as minhas forças.
Eu também tenho medo.
Fale com o autor