A Inocência do Mau
1 A viagem
Notas iniciais
As férias
Olá! Meu nome é Sayaka Nakoru. Tenho 18 anos e moro em Tóquio, sou uma jovem muito tímida, moro com minha mãe, a estilista e empresária Minoco Nakoru. Ela é dona de uma rede de lojas de roupas, e também uma estilista muito inteligente e talentosa. Viaja o mundo todo mostrando suas criações e assessorando sua rede de lojas chamada Dash & Design.
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Bem, tudo começou quando eu tinha 7 anos e viajamos para Portugal: mamãe, Simon (meu cachorrinho) e eu. Nossa! Quanto calor fazia naquela terra, tão diferente das terras nipônicas.
Quando desembarcamos no aeroporto tive uma sensação estranha de que já estivera ali. Mas como uma garotinha de 7 anos poderia lembrar de uma viagem? Como poderia conhecer algum lugar fora de seu país, principalmente quando nem mesmo seus pais nunca a haviam levado até lá, quão menos ela própria? Fomos visitar uma das lojas da rede de mamãe que fica no sul daquele país. A cidade se chamava Portimão, e segundo os antigos portugueses havia no meio do mar próximo daquela cidade uma rocha em forma de uma mão aberta, por isso o nome ‘porto da mão= Portimão’.
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Eu só não imaginava que aquela cidade poderia guardar tantas histórias interessantes, inclusive o fato de ter sido construída em volta de um cemitério, mas porque um cemitério?!
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Nós ficamos no apartamento que mamãe comprara quando nasci, e como ela passava o dia todo visitando suas lojas e clientes, fiquei sozinha com a babá, brincando com Simon. Mamãe chegou já era por volta das 18:00 horas e fomos á sorveteria, o Simon adora sorvete de pistache. Sentia-me estranha quando tinha que passar em frente aos portões do cemitério, mas não havia outro caminho.
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Na volta da sorveteria eu estava quase estourando de tão cheia, e o Simon também, então pude ver que em frente aos portões do cemitério havia um senhor sentado numa cadeira velha e enferrujada. Eu o vi primeiro. Mamãe notou que eu olhava fixamente na direção daqueles portões velhos, olhou também naquela direção. Em um primeiro momento ela não havia percebido a presença do velho ali sentado. Tanto que quando demos mais alguns passos e ela pode enfim ver a figura daquele misterioso senhor ela chegou a assustar-se. Segurei forte na mão da mamãe e ao passar por ele, o velho senhor sorriu para mim e disse:
-Olámenina Sayaka!
Um arrepio percorreu a minha espinha. Uma vertigem de uma fração de segundo fez com que minhas vistas escurecessem, e nesse momento pude ver meu próprio rostinho inocente em uma moldura antiga, com os cabelinhos presos em cachinhos cuidadosamente feitinhos.
Retomei os sentidos antes que mamãe pudesse notar, e apesar do medo que sentia, deliberadamente, afetando mais consciência do que uma menina daquela idade poderia ter, decidi sorrir para o velho, e depois pra mamãe.
- Veja Sam (assim que mamãe me chama) já fez um amigo na cidade?
Sorri e cumprimentei o senhor, mamãe sorriu também.e disse para mamãe que sim, mas na verdade nunca tinha visto esse homem antes daquele dia. E como ele sabia meu nome? A única coisa que pude perceber foi que seus olhos fitavam os meus de uma maneira como se ele pudesse sentiro cheiro do medo que exalava dos meus poros, e ele sabia muito bem com quem estava falando.
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