A Ilha

31 Hotel Transilvânia



Todos estavam hospedados em quartos confortáveis e luxuosos. A sensação era de terem sido transportados para uma antiga mansão vitoriana. Cada detalhe da decoração transmitia elegância e requinte, desde os móveis de madeira escura até os delicados adornos espalhados pelo ambiente. Definitivamente, os vampiros tinham um gosto refinado.

Jimin aproveitou para tomar um longo banho de banheira. Parecia que fazia anos desde a última vez em que mergulhara em água quente. Não que tivesse dificuldade para se adaptar, afinal, como arqueólogo, já havia passado dias nos lugares mais inóspitos e improváveis do mundo e aprendeu a se virar em qualquer situação. Ainda assim, depois de tudo o que enfrentaram na ilha, aquele banho quente parecia um pequeno luxo que ele jamais recusaria.

Kang havia separado gentilmente uma muda de roupas limpas para ele. As peças que usava desde o acidente já estavam desgastadas, rasgadas em alguns pontos e marcadas pela sujeira, pelo suor e pelo sangue das últimas batalhas.

Quando terminou o banho e saiu do banheiro, encontrou Jungkook sentado na beira da cama, observando-o com um sorriso tão espontâneo que parecia incapaz de escondê-lo.

— Kookie! — chamou Jimin, animado. — Você conversou com seu pai? Está tudo bem mesmo a gente ficar aqui?

— Ei... está tudo bem, sim. — Jungkook levantou-se e o puxou delicadamente pela mão até que Jimin parasse bem à sua frente. Em seguida, envolveu sua cintura em um abraço, acomodando-o confortavelmente em seus braços. — Conversei com ele e ele autorizou vocês a ficarem. Eu disse que são meus convidados especiais.

— Somos especiais? — Jimin envolveu o pescoço de Jungkook com os braços e depositou um beijo carinhoso em sua testa.

— Sim... vocês são meus amigos. — Jungkook apoiou a cabeça em seu peito, fechando os olhos por um instante, aproveitando o aconchego daquele abraço.

— Amigos? E eu? Também sou só seu amigo?

— Claro que é. — Jungkook respondeu com um sorrisinho divertido. Sabia muito bem onde Jimin queria chegar, mas fazia questão de se fingir de desentendido apenas para provocá-lo.

— Se eu sou só seu amigo, então você não deveria ficar me agarrando desse jeito. — Jimin tentou afastá-lo, mas Jungkook apenas apertou ainda mais o abraço, recusando-se a soltá-lo.

— Está bem, eu estava brincando. Você é meu amigo... mas também é o meu amor, meu namorado e a minha alma gêmea.

— Namorado? — Jimin estreitou os olhos em uma falsa expressão de desconfiança. — Ainda não sei se concordo com esse título. Sou muito difícil de agradar, extremamente mimado e bastante exigente. Tem certeza de que quer um namorado assim?

— Você ainda pergunta? — Jungkook sorriu com ternura. — Eu vou adorar mimar você o tempo todo.

Com delicadeza, levantou um pouco a barra da camisa de Jimin e espalhou vários beijinhos carinhosos por seu abdômen, fazendo-o rir baixinho.

— Você vai acabar me deixando mal-acostumado.

— Esse é exatamente o meu objetivo. Assim, você nunca mais vai querer ir embora.

Jimin sorriu e passou os dedos lentamente pelos cabelos macios de Jungkook, fazendo um carinho demorado.

No fundo, porém, sua mente continuava em conflito. Tudo aquilo ainda lhe parecia uma completa loucura. A ideia de abandonar o mundo em que nasceu para viver em uma sociedade tão diferente da sua parecia quase impossível de imaginar.

Mesmo assim, sempre que olhava para Jungkook, a dúvida voltava a atormentá-lo. Se realmente existisse uma forma de deixar a ilha, ele já não sabia mais se queria partir ou ficar.

Jin e Namjoon estavam na varanda do quarto ao lado de Mingi e Hoseok, aproveitando aquele raro momento de tranquilidade para conversar sobre tudo o que haviam vivido desde a queda do avião.

— Essa ilha acabou com todos os meus anos de estudo — comentou Mingi, soltando uma breve risada. — A geografia daqui contradiz praticamente tudo o que eu já li e aprendi.

— Nada neste lugar parece seguir as regras do nosso mundo — completou Jin. — Você acha que, como médico, eu não estou impressionado com o organismo desse povo? Eles literalmente não precisam de médicos por aqui.

— Mas qualquer lugar do mundo sempre vai precisar do Jin. — Namjoon sorriu com carinho e levou a mão do marido aos lábios, depositando um beijo delicado em seu dorso.

— Ai, amor... só você mesmo pra acreditar nisso.

— Jin, você é incrível por muitos motivos, não apenas por ser médico.

O sorriso de Jin desapareceu aos poucos.

— Amor... eu falhei como líder. — Soltou um suspiro pesado. — Tantas pessoas morreram...

— Jin... — Hoseok o interrompeu com delicadeza. — A culpa não foi sua. Esta ilha é perigosa demais. Você salvou a minha vida, salvou a vida do Yoongi e fez tudo o que podia pra manter o restante de nós em segurança. Você é um grande líder.

Os olhos de Jin ficaram marejados.

— Obrigado, Hobi. Você é uma pessoa tão doce e gentil.

— É exatamente por isso que ele é meu namorado. — Mingi abriu um sorriso cheio de orgulho. — E não é só por isso. Existem milhões de outras qualidades que fazem dele uma pessoa perfeita.

— Credo... — Namjoon fingiu fazer uma careta de desgosto. — Você está completamente apaixonado, Mingi.

— Olha quem tá falando. — Mingi arqueou uma sobrancelha. — O maior fã do Jin.

— Sou mesmo. E não tenho vergonha nenhuma de admitir.

A varanda foi tomada por risadas sinceras. Depois de tantos dias cercados por medo, mortes e incertezas, aquele breve instante de descontração parecia um presente.

Mesmo assim, enquanto observava todos sorrindo, Jin não conseguia afastar um pressentimento incômodo. Sentia que precisava aproveitar cada minuto daquele descanso, porque, no fundo, tinha a estranha sensação de que toda aquela paz, tranquilidade e segurança não durariam por muito tempo.

Yoongi estava sentado na beira da cama, esperando Taehyung sair do banheiro. O tempo passava e ele continuava lá dentro, muito mais do que o normal, fazendo Yoongi começar a se preocupar.

Sem conseguir ignorar aquela inquietação, levantou-se e caminhou até a porta do banheiro.

— Tae? Tá tudo bem aí?

Alguns segundos depois, a porta se abriu. Taehyung apareceu do outro lado com uma expressão estranhamente apreensiva.

— S-sim... está tudo bem.

Yoongi franziu levemente a testa.

— Tem certeza? Você parece preocupado.

Taehyung desviou o olhar por um instante e passou a mão na nuca.

— É que eu... — começou, procurando cuidadosamente as palavras. — Eu... eu... é... não consigo explicar.

Soltou um longo suspiro, claramente frustrado consigo mesmo. Yoongi aproximou-se devagar e acariciou delicadamente seu rosto.

— Se você quiser conversar sobre o que está te incomodando, eu estou aqui pra te ouvir. Mas, se ainda não conseguir falar, tudo bem também, meu amor. Você pode me contar quando se sentir preparado.

Taehyung abriu um pequeno sorriso, agradecido pela compreensão.

— Eu quero te contar... é só que eu fico muito nervoso quando preciso falar sobre essas coisas.

Yoongi sorriu, tentando deixá-lo mais à vontade.

— Agora você conseguiu me deixar curioso.

Taehyung soltou uma risadinha tímida e segurou sua mão.

— Vem cá. Acho que vai ser mais fácil conversar se a gente estiver sentado.

Guiou Yoongi até a cama e os dois se sentaram lado a lado.

— É que tem uma coisa me incomodando, quer dizer, não é exatamente um incômodo. Acho que é mais uma preocupação.

— Está preocupado com os Jeon? Acha que eles estão nos enganando?

— Não, não. Não é nada disso.

— Então o que foi, Tae?

— É sobre nós.

— Sobre nós?

— Sim... — Taehyung mal conseguia sustentar o olhar de Yoongi. A timidez fazia sua voz sair cada vez mais baixa.

— Você tá preocupado com o que seu pai vai pensar quando souber da gente?

— Não. Isso não. Quando voltarmos pra casa, eu vou dar um jeito de lidar com meu pai.

— Hum... — Yoongi sorriu de canto, já sem conseguir imaginar o que tanto deixava Taehyung nervoso. — E você pretende me contar o que está acontecendo?

Taehyung respirou profundamente, reuniu toda a coragem que conseguiu encontrar e disparou:

— Eu quero... fazer amor com você!

As palavras saíram tão rápidas e atropeladas que quase se misturaram umas às outras.

Yoongi não conseguiu conter uma risada carinhosa. Aproximou-se e passou os braços em volta do pescoço de Taehyung.

— Era só isso? Você quer transar comigo?

— Será que você pode parar de olhar pra mim com esse sorrisinho? — Taehyung reclamou, completamente envergonhado. — Eu estou quase tendo um infarto só de conseguir falar isso em voz alta.

— Taehy, nós estamos namorando. É natural que, em algum momento, a gente queira dar esse passo. Isso tá te incomodando?

— Não me entenda errado. Eu sou completamente louco por você e... me sinto tão atraído que às vezes parece que meu corpo inteiro vai pegar fogo. — Taehyung sorriu sem graça depois da confissão. — Mas...

— Mas?

— Yoon... eu... eu não sei como fazer.

Yoongi precisou morder o lábio para segurar a risada. Achava adorável ver Taehyung tão vulnerável, descobrindo sentimentos e inseguranças que nunca havia compartilhado com ninguém. Ainda assim, sabia que aquele não era o momento de brincar.

— Tae, está tudo bem. Não precisa se cobrar desse jeito. A gente pode deixar as coisas acontecerem naturalmente, sem pressa.

— É que... eu tenho medo.

— Medo de quê?

— De não conseguir fazer direito. Yoon... eu nunca tive uma relação com outro homem.

Yoongi sorriu de maneira serena e aproximou os lábios do ouvido de Taehyung. Soltou um suspiro suave contra sua pele antes de deixar uma mordida delicada em seu lóbulo. O arrepio percorreu todo o corpo de Taehyung, que fechou os olhos por um instante.

— Gosta disso? — Yoongi sussurrou junto ao seu ouvido.

— Yoon... — a voz de Taehyung saiu baixa, quase um sussurro. — Gosto...

Yoongi se afastou apenas o suficiente para encará-lo, sorrindo com ternura.

— Não existe um jeito certo de fazer isso. Nós vamos descobrir juntos do que gostamos. E... o segredo está nos pequenos detalhes.

Taehyung se impressionava com a facilidade que Yoongi tinha de despertar tantas sensações dentro dele. Bastava um sussurro, um toque ou um olhar para que seu coração disparasse e seu corpo inteiro reagisse.

Sem perceber, envolveu a cintura de Yoongi com firmeza, apertando-o um pouco mais do que pretendia. Yoongi sorriu ao sentir aquele gesto instintivo. Gostava daquela segurança, daquela intensidade contida, e mordeu discretamente o lábio inferior enquanto sustentava o olhar apaixonado do namorado.

Os olhos de Taehyung então repousaram sobre a pequena cicatriz no pescoço de Yoongi. Com toda a delicadeza do mundo, aproximou-se e depositou um beijo demorado sobre a pele ainda levemente avermelhada. Yoongi fechou os olhos e deixou escapar um suspiro involuntário. A região continuava sensível, e aquele carinho tão cuidadoso fez seu coração aquecer.

Tomando coragem, Taehyung deslizou as mãos até a barra da camisa de Yoongi e a retirou lentamente. Apesar da timidez evidente em seus movimentos, havia algo maior do que o nervosismo guiando cada gesto: um desejo sincero de demonstrar, em cada toque e em cada beijo, o quanto amava aquele homem.

Com infinita delicadeza, deitou Yoongi sobre a cama. Seus olhares permaneceram presos um ao outro por alguns segundos, como se o restante do mundo tivesse deixado de existir. Então, vencido pelo carinho e pelo amor que já não fazia questão de esconder, Taehyung voltou a beijá-lo, entregando naquele beijo toda a ternura, paixão e felicidade que carregava no peito.