A Ilha
32 Jeon Ha Jun

Todos foram conduzidos até um grande salão de jantar, onde uma enorme mesa ocupava quase toda a extensão do ambiente.
A mesa de madeira rústica, cercada por elegantes cadeiras estofadas em veludo vinho, comportava cerca de vinte pessoas. Assim que se acomodaram, os sobreviventes observaram com admiração a riqueza de detalhes do lugar. A louça refinada, os talheres impecavelmente organizados e os castiçais espalhados pela mesa davam ao salão a atmosfera de um castelo antigo. Jimin teve a impressão de estar dentro de uma versão medieval e extremamente requintada de Hogwarts.
Poucos instantes depois, Jeon Ha Jun entrou no salão. Sua presença foi suficiente para que todos se levantassem automaticamente. Não havia qualquer ordem para isso; era simplesmente impossível ignorar a autoridade que ele transmitia. Caminhando com elegância até a cabeceira da mesa, Ha Jun sorriu de maneira cordial e fez um gesto para que todos voltassem a se sentar. Em seguida, pegou sua taça de cristal, tomou um pequeno gole de vinho e dirigiu-se aos convidados.
— Podem se sentar. Meu nome é Jeon Ha Jun. Sou pai de Jungkook e líder do povo Jeon. Imagino que meu filho já tenha contado a vocês quem somos, mas quero que fiquem tranquilos. Nenhum mal lhes será feito aqui. Os amigos do meu filho também são meus convidados e, enquanto permanecerem nesta cidade, terão toda a proteção, conforto e hospitalidade que pudermos oferecer. Se precisarem de qualquer coisa, não hesitem em nos procurar.
Jin levantou-se respeitosamente e fez uma breve reverência.
— Muito obrigado pela hospitalidade, senhor Jeon. Depois do jantar, gostaria de conversar com o senhor, se for possível.
— Será um prazer, senhor Kim. — Ha Jun respondeu com um sorriso discreto. Bastaram poucos minutos observando o grupo para perceber que Jin era quem naturalmente assumia a liderança entre os sobreviventes.
As iguarias preparadas pelos Jeon impressionavam não apenas pela apresentação impecável e pelo aroma irresistível, mas também pelo sabor. Nenhum dos sobreviventes conseguia se lembrar da última vez que havia comido uma refeição tão deliciosa. Apesar da fama que cercava os vampiros, aquele povo também apreciava a boa culinária e transformava cada refeição em uma verdadeira experiência gastronômica.
A mesa estava generosamente servida com pernil assado, diferentes tipos de pães, massas artesanais, legumes, saladas frescas e frutas cuidadosamente preparadas. Para acompanhar, havia taças de vinho e jarras de sucos naturais produzidos com frutas cultivadas na própria ilha.
A conversa fluía de forma leve e descontraída entre os convidados. Pela primeira vez desde a queda do avião, todos conseguiam relaxar um pouco. Ainda assim, Jin permanecia atento a cada detalhe. Se os Jeon realmente quisessem lhes fazer algum mal, todos ali seriam presas fáceis. Embora acreditasse na sinceridade de Ha Jun e de Jungkook, seu instinto de líder não lhe permitia baixar completamente a guarda. Afinal, por mais hospitaleiros que fossem, eles continuavam sendo vampiros.
O jantar aconteceu de maneira leve e descontraída. Os Jeon, de modo geral, possuíam uma habilidade natural de fazer qualquer pessoa se sentir acolhida, e o clima de tensão que acompanhava os sobreviventes parecia finalmente dar lugar a uma sensação de paz. Jeon Ha Jun conversava animadamente com Jin, fazendo perguntas sobre sua profissão e demonstrando genuína curiosidade sobre a rotina de um médico. Namjoon acompanhava a conversa com um sorriso discreto nos lábios. Nunca imaginou que fosse capaz de se apaixonar tantas vezes pela mesma pessoa, nem de sentir tanto orgulho de Jin a cada novo dia.
Hoseok e Yoongi conversavam em voz baixa, trocando comentários e risadas discretas entre um prato e outro. Depois de ambos quase perderem a vida nas mãos dos vampiros Muller's, descobriram que compartilhavam gostos parecidos muito mais do que imaginavam. As experiências traumáticas que viveram os aproximaram, e a amizade entre eles se fortalecia.
Mingi, completamente empolgado, explicava a Taehyung a composição química de uma pedra que encontrou durante a caminhada até a cidade. Falava sobre minerais, formações geológicas e reações químicas com um brilho contagiante nos olhos. Taehyung não entendia quase nada do que estava sendo dito, mas continuava ouvindo atentamente, fazendo pequenas perguntas de vez em quando. Gostava de ver Mingi tão entusiasmado e, por isso, aquele assunto acabava se tornando interessante apenas por vê-lo falar com tanta paixão.
Do outro lado da mesa, Jungkook e Jimin trocavam discretos sorrisos de canto, mantendo uma comunicação silenciosa apenas com os olhares. Depois de alguns segundos, Jungkook fez um pequeno gesto com a cabeça, convidando-o a acompanhá-lo. Jimin entendeu imediatamente o convite. Aproveitando que todos estavam distraídos entre conversas, risadas, comida e vinho, os dois se levantaram discretamente e deixaram o salão sem chamar a atenção de ninguém.
…
Jimin parou diante de uma enorme porta de mármore, ricamente trabalhada com relevos e símbolos pertencentes à antiga escrita do povo local. Aquilo, por si só, já era fascinante. Seu coração acelerou. Queria estudar aquele povo, aprender seu idioma, compreender sua história e conhecer cada detalhe de seus costumes.
— Que lugar é esse? — perguntou Jimin, apontando para a porta.
— O lugar que vou usar como chantagem para convencer você a ficar na ilha comigo — respondeu Jungkook com um sorrisinho.
— Por acaso é um quarto de BDSM? Porque, se for, eu fico.
— BDSM? — Jungkook caiu na risada. — Não, não, seu pequeno pervertido. Não é nada disso... embora eu tenha que admitir que você acabou de me dar uma boa ideia.
Jimin estreitou os olhos.
— Se não é isso, então o que é?
— Veja com seus próprios olhos.
Jungkook empurrou lentamente a pesada porta de mármore. Jimin atravessou a entrada em passos lentos e cautelosos, sem imaginar o que encontraria do outro lado.
Era uma biblioteca gigantesca.
As paredes desapareciam atrás de imensas estantes repletas de livros que se estendiam do piso até o teto, formando corredores intermináveis de conhecimento. Grandes janelas de vidro permitiam que a luz natural e a brisa fresca invadissem o ambiente, enquanto as longas cortinas de veludo bordô davam ao lugar um ar elegante, antigo e inegavelmente vampiresco. Uma larga escadaria revestida por um tapete vermelho conduzia ao segundo andar, onde mais estantes podiam ser vistas formando uma galeria suspensa. Poltronas estofadas extremamente confortáveis, pequenas mesas de madeira escura e diversos abajures de luz amarelada criavam um ambiente acolhedor, perfeito para passar horas mergulhado na leitura.
Jimin permaneceu imóvel por alguns segundos, completamente deslumbrado. Caminhou devagar até uma das estantes e passou delicadamente os dedos sobre a lombada de alguns volumes. Bastou observar suas capas envelhecidas para perceber que muitos daqueles livros tinham séculos de existência. Seus olhos chegaram a brilhar de emoção. Se existia alguma coisa capaz de seduzir Park Jimin mais do que um homem bonito, eram antiguidades.
— Você tá jogando sujo. — Jimin olhou para Jungkook e cerrou os olhos.
— No amor vale tudo.
— Até seduzir o próprio namorado com uma biblioteca gigantesca, cheia de livros que, muito provavelmente, ficaram escondidos de toda a história da humanidade?
— Eu jogo para ganhar. — Jungkook riu satisfeito.
— Notei... Do jeito que vocês são, aposto que escondem dinossauros em algum lugar por aqui.
— Eles ficam no subsolo secreto chamado "DinoSecret".
— É sério? — Os olhos azuis de Jimin brilharam de expectativa.
— Não.
Jungkook caiu na risada.
— Chato! — Jimin deu um soquinho em seu braço, mas logo sua atenção foi capturada por um enorme mapa aberto sobre uma mesa de madeira. — Meu Deus... é o mapa da ilha?
— É sim.
— Isso é incrível! Você já explorou todos esses lugares?
— Ainda não.
— Como assim? Se fosse eu, já teria percorrido cada canto dessa ilha.
Jungkook sorriu de lado.
— Olha só que coincidência... se você decidir ficar, podemos explorar tudo isso juntos.
Jimin soltou uma risada, balançando a cabeça.
— Você é um grande manipulador... e ainda por cima gostoso.
— Sou, é?
— Você sabe muito bem que é. — Jimin sorriu antes de voltar a encará-lo. — Kookie... sabe o que a gente pode fazer numa biblioteca?
— Ler? — respondeu Jungkook com a maior naturalidade do mundo, já que aquela parecia a resposta mais óbvia.
— Não só ler. Tem outras atividades bem mais interessantes.
— Ler um conto erótico?
— Você tá me zoando, né?
Jungkook riu da expressão indignada dele e o puxou para um abraço.
— Você tem fetiche por bibliotecas?
— Meu amor... eu tenho fetiche por praticamente qualquer lugar.
Jungkook arqueou uma sobrancelha, divertindo-se.
— Como vocês humanos costumam dizer... acho que vamos ter que batizar essa ilha inteira.
Jimin deu uma risadinha baixa.
— Você realmente sabe como me convencer.
— Sei, sim.
Jungkook aproximou-se devagar e tomou seus lábios em um beijo lento e demorado. O silêncio da enorme biblioteca fazia com que o suave som de seus beijos ecoasse entre as estantes repletas de livros antigos, como se até aquele lugar centenário testemunhasse, em absoluto segredo, o início da história que os dois estavam escrevendo juntos.
…
No dia seguinte, quando o sol já começava a se pôr, tingindo o céu com tons alaranjados e dourados, Jungkook dirigiu-se ao escritório de seu pai.
— Filho! — Ha Jun fechou o livro que estava lendo e recebeu Jungkook com um largo sorriso no rosto.
— O senhor mandou me chamar, pai?
— Sim, sim... entre.
Jungkook entrou no escritório e fechou a porta atrás de si. Ha Jun serviu-lhe uma xícara de chá de hibisco. O líquido avermelhado, delicado e translúcido, exalava um aroma suave e agradável. Jungkook levou a xícara aos lábios, bebericou um pequeno gole e sorriu em aprovação com o sabor.
— Como andam as coisas por aqui? — perguntou Jungkook, iniciando a conversa.
— Tudo está em perfeita ordem. — Ha Jun apoiou a xícara sobre a mesa. — Mas não foi por isso que pedi para falar com você. O assunto de hoje é outro. Quero conversar sobre como seus amigos podem deixar a ilha. Existe, sim, uma forma de sair daqui... porém ela está longe de ser tão simples quanto você imagina.
Jungkook sempre acreditou que deixar a ilha fosse algo relativamente fácil. Afinal, seu pai desaparecia todos os anos e sempre retornava algum tempo depois. O problema era que nunca soube como Ha Jun realizava esse feito. A ilha permanecia protegida por uma magia antiga que impedia qualquer pessoa de entrar ou sair livremente, e esse sempre fora um dos maiores mistérios de sua vida.
— E... como eles podem sair?
Ha Jun soltou um longo suspiro. Percebia que aquele momento finalmente havia chegado. Era hora de preparar Jungkook para assumir o seu lugar. E, junto com esse legado, revelar todos os segredos que a ilha guardava havia séculos.
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