A Hóspede

1 Capítulo 01 - A chegada


Torrance (localizada nos Estados Unidos) era uma cidade um tanto desconhecida, poucos habitantes já que era demasiadamente pequena. Cheia de histórias, porém, um lugar normal... O carteiro passava nas ruas, o pipoqueiro então nem se fala, as crianças correndo, senhoras conversando sobre a vida alheia.

A família Genevra era uma das mais opulentas de Torrance. Eles moravam em uma bela mansão de três andares, uma piscina grande, um jardim coberto por flores de diversos tipos, quatro árvores gigantescas e um lindo gramado que cobria todo o chão do quintal espaçoso. Nela moravam: Eric, um belo homem de vinte e seis anos de idade, meio escocês por parte da mãe e meio inglês por parte do pai, sua esposa Elizabeth, vinte e um anos, totalmente americana, e Zachary, com dezessete anos, irmão de Liz, também americano.

Lizzy cozinhava feliz da vida naquela manhã – Quase tarde – de domingo, parecia ansiosa com a chegada de sua querida cunhada, Dorothy, que em poucas horas estaria na cidade. Zachary, porém, não expressava emoção alguma, talvez só um pouco de raiva por ter sido obrigado a ficar para o jantar. A última vez que ele vira a garota os dois tinham sete anos de idade e brincavam juntos pela casa. Na época, Dorothy era gordinha e baixinha, parecia uma bolacha, tinha as bochechas rosadas e era branquela, os cabelos eram negros, lisos e compridos até a cintura, os olhos pretos e arregalados, uma voz fininha e escandalosa, e os dois dentes da frente grandes como de um coelho. E agora os dois possuíam dezessete anos, cada um vivia sua vida. Afinal, será que a menina tinha uma? Por que mudar-se no inicio do ano? Vir da Inglaterra, de Liverpool, para os Estados Unidos, em Torrance, talvez ela não tivesse amigos.

– Qual é... Tenho mesmo de ficar? – Era a quinta vez que Zach indagava a mesma coisa à irmã, já imaginando a resposta.

– É claro, e quero que você seja muito educado com Dorothy, se não... – Ameaçou.

Elizabeth começou a cantarolar. Ela era uma bela mulher, seu rosto era ossudo e quadrado, tinha o nariz fino com uma pequena dobrinha nas pontas, cabelos dourados. Braços compridos e pernas também. E mesmo quando estava feliz, sempre possuía uma expressão de zangada.

As horas passavam e sempre que o telefone tocava Eric e Elizabeth disputavam para atender pensando que era Dorothy. E na ultima vez que tocou, o casal ordenou que Zachary atendesse, pois acharam que não seria a garota, porém... Desta vez era a garota.

– Sim... Você já está perto de nossa casa. Eu aviso a eles – Zachary desligou o telefone e começou a gargalhar.

– Isso parece implicância, foi só ele atender... – Comentou Lizzy.

Enquanto todos se preparavam para receber a hóspede, exceto Zachary, a campainha tocou e o rapaz caminhou até porta – Os Genevra não gostavam de ter empregados em casa-.

Assim que viu Dorothy, o garoto assustou-se, ela estava extremamente mudada, afinal fazia muitos anos que ele não a via. Seus cabelos continuavam negros, porém, um pouco mais curtos até os seios volumosos. Seus olhos eram de uma cor verde quase cinza, o nariz fininho, a boca carnuda e rosada, os dentes não eram mais iguais aos de um coelho. Ela ainda era baixinha, com aparentemente 1,64 de altura, mas não era gorda e nem magra demais, seu rosto tinha um formato de bola, a pele branca e a bochecha sempre rubricada. A garota possuía um sorriso largo e brilhante, carregava três malas marrons, algumas sacolas e os óculos escuros pendurado em sua blusa preta larga que mostrava uma alça do sutiã rosa, trajava também uma saia curta listrada de preto e branco que ia até a coxa grossa e uma bota preta de salto.

– Seja bem vinda, maninha querida! – Eric ajudou a irmã com as malas.

Dorothy observou toda a casa, não parecia surpresa com nada. Talvez aquela casa nunca houvesse mudado. A menina parou os olhos em Zachary e sorriu. Ele ainda tinha os cabelos louros, o queixo quadrado e comprido e os olhos verdes. Mas, agora tinha um jeito maduro.

– Você não mudou muito, Zach. – Comentou enquanto abraçava o rapaz.

– Foi um elogio? – Riu.

– Claro que sim – Disse Dorothy em um tom carinhoso. Zach quase arriscou em dizer que ela havia mudado, mas preferiu ficar quieto.

A noite chegou chuvosa e gélida. Todos se preparavam para dormir, exceto Dorothy que se localizava na sacada da casa enquanto observava a lua cheia. Zachary caminhou até a garota e se juntou a ela.

– Esta tão pensativa. – Ele sorriu.

– Gostaria tanto de toca-la... Ao menos uma vez – Comentou Dorothy olhando para a lua que brilhava lindamente.

– Você pode! – Exclamou. – Em seu pensamento... Basta fechar os olhos e deixar a imaginação surgir. –

Zachary levantou as mãos da garota em direção à lua, enquanto ela fechava os olhos. Dorothy sentia como se realmente tocasse a lua, era algo que não podia explicar. Um aperto em seu coração a fez voltar a si e de repente quando Zachary deu conta, a garota virava as costas para retirar-se. – Tenho que ir dormir – Falou em um tom misterioso e se foi.

Zach direcionou-se até seu quarto e deitou-se na cama. Revirou-se sem conseguir pegar no sono. Fechou os olhos lentamente e inacreditavelmente viu a imagem da linda e delicada face de Dorothy observando a lua. Logo em seguida dormiu.

Um estranho barulho fez Zachary despertar, já era madrugada. Com hesito de olhar o que era o rapaz levantou-se da cama, caminhou lentamente sem fazer nenhum pio e o barulho voltou-se a repetir. A casa estava extremamente escura, ao caminhar por toda a sala, o garoto começou a sentir uma presença e aquilo o amedrontou, porém, nada havia. Ao convencer-se de que somente ele estava acordado, Zachary voltou para seu quarto e viu algo que nem imaginava. Dorothy estava sentada em sua cama e parecia estar a sua espera.

– O que faz aqui? –.

– Não consigo dormir... Ouvi barulhos... – A moça vestia uma camisola preta, e seus cabelos estavam presos a um coque.

Assim que Dorothy disse ter ouvido barulhos, Zachary que também havia ouvido revistou toda a casa novamente à procura de algo diferente, porém, nada encontrou.

– Eu juro, parecia alguém revirando a casa. – Exclamou a garota pela quinta vez.

– Talvez fosse minha irmã ou seu irmão procurando algo. – Retrucou em tentativa de acalmá-la.

O relógio marcou três horas da madrugada. Zachary sentia-se sonolento, seus olhos piscavam lentamente e suas pernas já enfraquecidas começaram a tremer. Era extremamente difícil ficar acordado sozinho com uma menina amedrontada e sem graça que mais parecia uma criança com medo do bicho papão.

– Vá comigo até meu quarto e, por favor... Fique lá até eu adormecer? – Implorou com os lindos olhos verdes cintilantes quase em tom de cinza. Zachary já sonolento apenas assentiu e os dois dirigiram-se para o quarto da menina.

Dorothy deitou-se na cama parecendo um tanto estupefata e Zachary sentou-se no chão, ele permaneceu acordado por alguns minutos, mas antes que Dorothy pudesse pegar no sono. O rapaz tombou a cabeça sob a ponta do colchão e dormiu.

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O sol cintilante daquela manhã de segunda-feira queimava a face bronzeada de Zachary e isso o fez acordar. Assim que notou estar deitado na cama de Dorothy, o garoto assustou-se e em um salto levantou-se imediatamente.

– Bom dia, belo adormecido! – Comentou uma Dorothy um tanto irônica enquanto escrevia em algo que parecia uma espécie de diário. – Você é pesado hein... – Gargalhou.

– Não me diga que você me colocou em sua cama? –.

– Sim, sim... Exatamente. Mas fique tranquilo, você dormiu de um lado e eu do outro. – Riu. A garota parecia uma pessoa completamente diferente do dia anterior, parecia mais forte, mais independente, e mais sarcástica.

– Ei, já é segunda-feira, tenho de ir ao colégio. – Falou Zachary enquanto dirigia-se a caminho da porta do quarto.

Assim que se deparou com a irmã no corredor, foi surpreendido ao receber a noticia de que Dorothy iria, naquela mesma manhã, matricular-se em seu colégio, Torrance High School.

Depois, Zachary, Elizabeth e Dorothy seguiram até o colégio e ao chegarem o rapaz caminhou até seus amigos. Tansy Ann Murray, que era uma moça linda, possuía dezoito anos, lindos olhos azuis, cabelos louros claros que iam até um pouco abaixo dos seios grandes, rosto fino, lábios carnudos e um tanto pálidos, bochechas rubras, nariz fino e comprido, era alta e magra. O outro era Roderick Collins, tinha dezesseis anos, olhos muito azuis, cabelos negros, pele branca. O ultimo chamava-se Rowan Collins, irmão mais velho de Roderick. Tinha dezoito anos, este era muito mais alto e mais bonito que o irmão. Tinha olhos azuis claros, cabelos pretos, pele branca. Bem forte e repleto de músculos. Queixo largo e quadrado, nariz um pouco grande e fino.

– Cara. Sua irmã é uma gata, pena que nunca quis nada comigo! – Falou Rowan ao ver Elizabeth. – Mas espere... Quem é aquela outra? – Indagou o mesmo.

– Ah, claro! Ela é irmã mais nova de Eric, estudará aqui logo. É um pouco doidinha, parece mudar de jeito todo o tempo.

– Você podia apresenta-la para a gente depois... – Comentou Roderick.

– Para quê quer conhece-la Rod? Todas as garotas preferem seu irmão gostoso. – Tansy gargalhou ao proferir aquelas palavras um tanto constrangedoras para Roderick.

Enquanto o quarteto de amigos conversava, Dorothy caminhou ao lado de Elizabeth até a porta da saída, porém, com a insistência de Roderick e Rowan, Zachary resolveu chamar Dorothy para apresenta-la.

– Esta é Dorothy. E estes são Tansy, Rowan e Roderick –.

– Dorothy! – Rowan repetiu sorridente. – Belo nome! –

– Obrigada. Ro... Ronald? –

– Rowan – Riu.

– Ah... Desculpe. – Retribuiu o sorriso.

Assim que foi chamada pela cunhada, a moça se despediu de todos e retirou-se do enorme colégio de quatro andares.