A Hóspede
43 'Você prometeu'
Notas iniciais
Obrigada pela chuva de reviews!
Fiquei contente!
Agora fiquem com mais um capítulo
-e não me matem nos comentários, please-
-Quer dizer que além de desleal e falsa, você também é mentirosa? –Oh não. Maldita Lei de Murphy!
Afastei Ino de forma brusca e olhei para a dona da voz. Não. Eu não podia acreditar. De novo não. Tudo foi tão rápido que eu nem me dei conta de que estávamos no quarto de Sakura que eu tinha deixado se arrumando há dez minutos atrás.
Em que mundo uma mulher se arruma em dez minutos?
Ela estava no banheiro do quarto, só observando tudo e, mesmo eu estando desesperado pelo flagra, não me sentia como se realmente devesse me sentir assim, afinal, se ela viu toda a cena, pôde ver meu pouco interesse em transar com a Ino e meu desconhecimento sobre esse desejo compulsivo da loira de me ter dentro dela. Desta vez eu não fiz nada errado. Não que transar com Ino fosse errado, considerando que somos solteiros e desimpedidos. Enfim. Quem pulou em cima de mim e começou me beijar e falar obscenidades foi Ino.
-Sakura? –Ino ajeitou o vestido e limpou os vestígios do batom borrado em volta da boca.
-Fora do meu quarto. –Falou brava, mas com a voz inalterada.
-Espera, Sakura, deixe-me falar...
-Ino. Pelo seu bem, fora do meu quarto antes que eu mesma faça isso por você. –Fechou os olhos e pressionou as têmporas.
-Você não tem nem moral para ficar brava, pois além de você não ser nada para o Sasuke a não ser um estorvo, você não sabe por que estou fazendo isso!!!
-Você faz isso porque é uma vadia! –Disse, com a voz ainda controlada.
-Eu gosto do Sasuke, ok? E diferente de você, eu o mereço! Não montei em cima dele assim que o conheci, não o dispensei como se ele fosse um descartável, não agi como uma idiota orgulhosa!
-Ino, para! –Pedi segurando seu braço firmemente.
-Agora vai defendê-la, Sasuke? –Afrouxei seu braço, mas não o bastante para ela se soltar. –Sabe aquele bebê que ela dizia ser seu? Eu tenho lá minhas dúvidas, afinal ela naquela época havia transado com um cara do clube em que dançávamos! Agora nega Sakura! Agora diz que eu sou mentirosa! –Olhei para Sakura tentando buscar um conforto em seus olhos. –Agora me diz, se ela o amasse e o merecesse, deixaria você se culpar por isso? –Os olhos da loira estavam marejados e furiosos. De tanto se debater, conseguiu se libertar dos meus braços.
Sakura permanecia com os olhos fechados, mas sua respiração já estava descompensada e seu rosto vermelho de fúria. Eu, como sou um cara de sorte, ficava no meio de duas feras prestes a surtar. Ino falava, falava e falava, coisas sobre mim, Hinata e assuntos pessoais com ela, jogando na cara de Sakura trivialidades que não relevavam em nada meus conceitos sobre a rosada, só me deixava furiosos por ser o âmago de tudo aquilo.
Eu também sou um tanto culpado por ter deixados as pernas de Ino me aliciarem e por não me dar conta de que Sakura estava por ali. Eu não faria nada com Ino caso Sakura não estivesse. Digo. Eu deveria ter mantido minha pose inicial de sentar em um canto qualquer, ficar quieto e fingir que estava gostando da festa. Eu não estava quieto! Eu não estava em um cantinho! Eu estava odiando!
Toda festa que eu vou, mesmo que para levar um presente, como agora, só causo desgraça. Não, não estou sendo dramático e sim generalizando. Veja: acabei com o natal de Sakura e das restantes; agora acabo com a festa de aniversário da Ino. Estou pensando seriamente em não comparecer no possível casamento de Hinata com o Naruto pois as probabilidades de eu acabar com a ocasião são demasiadamente grandes.
Quando dei por mim, Sakura já havia agarrado o cabelo de Ino e Ino gritava e batia nos braços de Sakura para a mesma a soltar. Num reflexo peguei uma de cada lado tentando apartar a situação para que em pleno dia de festa não exibissem marcas de unha no rosto e nos braços, mas eu acabava apanhando junto e mal conseguia mantê-las distantes uma da outra.
-Oh Sakura! A Hinata mandou perguntar onde você colocou... –Era Naruto, de junto a porta. Não culpava sua falta de inteligência por não ouvir os gritos de Ino e de Sakura, pois o barulho na casa era grande.
-Naruto! Ajuda aqui!!!
-Sasuke?! É você?!
-Não! Sua mãe! Vem logo!!! –Não pude falar mais nada quando Sakura(sem querer, eu espero) deu um tapa no meu rosto.
-Tá trancado! –Falou girando a maçaneta. ‘Droga’, murmurei. Larguei as duas e fui rapidamente destrancar a porta. Naruto entrou calmamente no quarto, perguntando por que eu estava no quarto da Sakura e por que eu estava pedindo ajuda, mas antes que eu pudesse responder ou que ele formulasse um novo inquérito, ele se deparou com Ino(com o vestido levantado) em cima de Sakura(que trajava roupas íntimas apenas) a arranhando e a rosada contornando as pernas em volta do pescoço da loira exibindo sua flexibilidade adquirida com a dança.
~Pausa para esclarecimento~
Não havia notado que Sakura estava seminua. Esse é um comentário suspeito, eu sei, pode me julgar, mas eu juro que não havia reparado que ela só vestia calcinha e sutiã. Então fiquei um tempo contemplando aquela cena ao lado do meu amigo Naruto, que boquiaberto, já pegava o celular para filmar tudo, aí foi quando eu despertei e voltei ao foco de separá-las.
Continuando. Dei um tapa no Naruto que guardou o celular na mesma hora e foi comigo apartá-las antes que se matassem. Me encarreguei de Ino e ele de Sakura. Quando conseguimos o feito, nos deparamos com Hinata parada na porta expressando uma cara de poucos amigos, especialmente direcionada para Naruto que tinha as mãos em um seio e em uma coxa da Sakura(que estava quase nua). A maneira como ela me pegou também não era favorável, já que eu estava agarrado a cintura de Ino, meio que inclinados para frente. Ou seja. Estávamos todos sinuosos e por pelos menos um minuto, a preocupação de nós quatro era a mesma: Hinata.
-P-podemos explicar!!! –Garantiu Naruto, todo nervoso e corado.
-Comece tirando as mãos da Sakura. –O loiro fez imediatamente, a derrubando no chão. –Agora fale. –Cruzou os braços.
-Cheguei no quarto para perguntar para a Sakura onde ela havia colocado os gelos pisca-pisca e encontrei ela batendo na Ino. –Disse, com um medo na voz que eu jamais pensei presenciar na vida vindo do Naruto.
-Não era o contrário? –Pirraçou Ino.
-Seus hematomas falam por si só! –Retrucou a outra.
-Parem! –Adverti, tirando as mãos de Ino, direcionando a mesma para trás de mim.
-Eu cheguei gravar, quer dá uma olhada para você ver que não estou mentindo? –E ofereceu o celular para Hinata ver, que com um gesto simples, fez Naruto recuar com o aparelho. Talvez isso significasse que a explicação bastasse.
-Por que estavam brigando?
-Porque essa vaca da Ino tava dando em cima do Sasuke!!!
-Vaca é você e a doida da sua mãe, sua bosta! O Sasuke não é propriedade sua!
-Sua muito menos! Você só não dá para os cachorros da rua porque ainda acha homem que a queira!
-Desgraçada! Vou acabar com você e... –A segurei novamente, mais forte.
-Chega!!! –Falou Hinata. –Que palhaçada, hein? Tinham que resolverem de brigar justo hoje? E ainda por causa desse aí?
-Meu nome é Sasuke! –Falei entre dentes.
-E o meu Hinata! –Sorriu irônica. –Nenhum prazer em conhecê-lo! –Revirei os olhos. –Vocês duas não tem vergonha? São mulheres adultas para saírem nos tapas como adolescentes de colegial!
-Quem não tem vergonha é essa vadia que não aguenta ficar um dia sem abrir as pernas!
-É tudo inveja porque agora eu tenho mais intimidades com o Sasuke do que você!
-Eu não sei disso, não! –Falei, me defendendo.
-Eu já transei com ele. Mais de uma vez. Coisa que nem você que é uma puta das mais baixas conseguiu, ok?
-Ah! Claro! Montando em cima do cara e chupando ele qualquer uma consegue transar, até com um padre!
-Meu, para! Chega de brigar! Ino, saia já desse quarto, anda! Vai se ajeitar e tocar em frente sua festa, pois os convidados já devem estar falando. Leve ela, Naruto. –E então saíram os dois loiros, a mulher pisando firme e bufando e o outro segurando uma risada. Mais tarde eu também riria muito da situação. –Vocês, precisamos conversar.
-Falou a mamãe...
-Tsunade me ensinou bem como tratá-la, Sakura.
-É, ela é uma mulher adorável! –Comentei. –Quase quebrou meu cóccix, fora as outras dezenas de danos que causou no meu corpo!
-Cala boca!
-Eu só...
-Dispenso comentários desnecessários.
-E eu dispenso seus sermões. –Derrotada me mostrou o dedo do meio, olhando para Sakura.
-Por que brigou com Ino?
-Porque ela começou falar mentiras para o Sasuke e falou que eu tinha dito. –Explicou.
-Só? –Debochou.
-Não. Ela também... Ela também estava seduzindo o Sasuke. Ela o beijou. –Falou como se algo dificultasse seu falar.
-E você se sentiu enciumada?
-Não! Claro que não! –Negou. –Só que poxa, esse é o meu quarto! Se eles quisessem curtir os prazeres do sexo, que fossem para o quarto dela e não para o meu. –É relativo.
-Resposta convincente, mas é uma mentira. –Declarou Hinata. –Brigou com Ino porque ela estava tentando conquistar o Sasuke e você não aceita o fato de que o ele possa se interessar por Ino e desistir de você.
-Não ponha palavras na minha boca.
-Como não? Você que disse isso quando perguntei primeiramente. Só não tem mais coragem porque Sasuke está aqui agora, mas se tivesse só eu você, tenho certeza que não negaria. –A expressão da rosada foi no mínimo orgulhosa. –Você ficou magoada porque ama esse canalha não é?
-É Sasuke! –Repeti impaciente, e ela ainda sem me olhar, mostrou o dedo maior. De novo.
Sakura não respondeu. Então a morena se virou para mim, me olhou, olhou, até que deferiu um tapa estalado bem na minha bochecha. Nem ‘ai’ pude dizer, pois ela não me deu tempo. Começou me chamar de frouxo, viado, sem iniciativa, idiota, burro e outra série de adjetivos. Por fim, me fez a mesma pergunta que fez à Sakura, que mantinha o rosto virado para o outro lado do quarto.
-Eu... –Comecei. –Eu já a amei mais. –Confessei. Então quando eu decidi olhar para ela, ela decidiu olhar para mim. –Já causei tantos transtornos em sua vida que nem no direito de amá-la eu me sinto. –Disse.
-Sasuke...
-Agora se beijem! –Hinata pegou nossas cabeças e juntou, mas agora era vez do beijo de Sakura morrer no meu rosto, como o meu no dela. ‘Hoje eu te amo mais do que antes’, sussurrou. –Que sem graça vocês! -Hinata se afastou, julgando que nosso problema era acanhamento.
O silêncio tinha forma. Era tangível. Tinha voz e tinha o que dizer, e dizia que nada mais precisava ser dito. Me levantei. Ela também. Caminhei para a porta, ela me seguiu. Então me virei e me deparei com seus olhos lacrimejados, as sobrancelhas baixas.
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