A Hóspede

44 'Stay with me!'


Notas iniciais
Oi gente!
Desculpa por não ter postado antes, é que minha internet continua me trollando e fica foda.
Beijos e boa leitura

–Você tinha me prometido que nunca mais ia me deixar ir!


–Você pediu para eu seguir em frente com a minha vida e você com a sua. Você me dispensou, mesmo eu estando disposto a ficar com você e cumprir minha promessa de bom grado.


–Não precisava me dar ouvidos... Eu estava com medo do que minha mãe iria dizer e...


–Não invente desculpas, Sakura. Eu te entendo. Na sua vida só causo transtornos, como agora. Sua mãe tinha razão.


–Não é verdade!


–É sim! –Falei coma voz baixa, pois a esta altura ela já chorava.


–Eu preciso de você, Sasuke.–Encostou no meu peito e chorou, agarrando firme a minha blusa. –Me dê um bom motivo para eu ficar que eu largo tudo!


–Sakura...


–Não seria nada perto de todas as coisas que você já fez por mim! –Disse. -Olha nos meus olhos e me diz que não gosta de mim! Humm! Anda! Diga! –Me pressionava e eu olhava para os lados, tentando me controlar no meio daquilo.


–Eu não vou mentir. Eu te amo. Mas se você vai embora, não tem nada que eu possa fazer para impedi-la de ir.


–Fica comigo.


–Não dá. –Disse. –Não conseguiria depois de tudo. Eu sou culpado por tudo isso.


–Não é nada! Ainda se martiriza pelo acidente? Meu Deus, Sasuke, como consegue viver só de culpa?


–Eu não consigo, por isso mesmo é impossível ficarmos juntos.


–Para mim não é.


–Tem noção da responsabilidade de cuidar de uma pessoa que você ama? –Disse. –Você é uma das coisas mais preciosas que eu possuí.


–Então por que me rejeita?


–Não a rejeito, Sakura. Te quero o bem. Quem sou eu para fazê-la feliz?


–Você é quem eu amo. –Disse com a voz perdida, já desistente dos meus olhos.


Eu não tinha mais argumentos. Ela me amava. Eu a amava. Ela me queria. Eu a queria. Não havia barreiras, sem contar com o detalhe de que ela iria embora para a Inglaterra e eu tinha que ficar com o meu irmão. Poderíamos em fim nos resolver e seguir em frente juntos, mas essa ideia era tão perfeita que eu mesmo não achava possível.


Mas não era na esperança de uma segunda chance que teria vindo para essa festa ridícula? Mesmo que inconscientemente, era isso que eu queria.


Tirei meu cardigã e meu suéter e vesti nela que ainda estava com roupas íntimas e seus lábios já estavam roxos de frio. Arrumei a cama e a deitei lá, em seguida procurando em seu vestíbulo alguma calça ou meia que ela pudesse vestir e não sentir frio. Já era sabido que ela não iria para a festa.


–Terceira gaveta. –Indicou. Peguei a parte inferior de um moletom um tanto familiar. –Foi você quem me deu. –Sim, aquele moletom era meu. Coloquei a calça nela e apaguei a luz, embora o quarto continuasse um pouco iluminado pelas lâmpadas de lá de fora que atravessavam a cortina como se ela não representasse obstáculo algum. –Aqui está um bom motivo para eu não voltar à Londres. –Sussurrou. O barulho do som, até o momento insignificante, parecia invadir o quarto gélido como tiros de guerra. Vendo que eu não ia falar nada, continuou. –As cicatrizes nas suas costas são do acidente? –Isso em chamou atenção.


Quando você se acostuma com um defeito, você quase esquece que ele existe. Para mim, um cara pouco vaidoso e preocupado com beleza, admirar minhas costas no espelho não era hábito, por isso, toda vez que me lembrava que elas estavam lá, eu me surpreendia como criança pega fazendo bagunça. Eu me sinto envergonhado em nem ao menos dar importância para isso.


–Sim. –Respondi.


–E você ainda se sente culpado? –Sorri, dando um beijo em sua testa. –Ino está apaixonada por você! –Riu.


–Para...


–Agora eu sei! –Falava baixo. –Parece que você é de açúcar! –Ri baixinho. –Deita. –Deitei ao lado dela, de fronte, a olhando, guardando cada detalhe do seu rosto para mim. Depois de um tempo o frio me bateu também, então me cobri enquanto ela vinha mais perto, se aninhando no meu peito nu e frio. No começo, mantinha os braços junto ao meu corpo, enfim me senti corajoso para enlaçá-la com eles, talvez para deixá-la mais aquecida.


A música lá fora era ousada e preenchia nosso silêncio. À medida que a noite crescia, as pessoas iam embora e isso era possível de ser percebido quando as vozes se tonaram mais claras e reconhecíveis. Ino e Naruto eram os que mais gritavam. Estranhos riam, até irem embora também. Era por volta das três e meia quando a casa se silenciou de pessoas, substituindo toda a zona por ruídos de pratos, copos e coisas sendo arrastadas. Sakura havia dormido tinha quase uma hora, então, sentindo que meu trabalho foi cumprido, peguei na gaveta a parte superior do moletom que dei para Sakura e o vesti indo ajudar os outros a limparem a bagunça. Logicamente fizeram comentários maldosos sobre o tempo que eu fiquei trancado com a Sakura no quarto, mas Naruto sabia, só de olhar para mim, que a história era outra.


Quando terminamos o céu já estava claro. Dormi no sofá com o Naruto enquanto Hinata continuou mexendo com algumas coisas na cozinha. O sono foi curto, acordamos por volta das nove da manhã cheios de dores pela posição em que dormimos. A casa estava em silêncio. Ino e Hinata dormiam, Sakura havia saído, deixado apenas um bilhete de que havia ido ao aeroporto.


–Calma, ela não foi embora. Deve ter ido ver o visto. –Naruto me informou.


–Sabe quando ela vai?


–Sei que até o fim do mês ela vai estar em Londres.


Fomos para a cafeteria onde Ino e Sakura ainda trabalhavam. Fizemos o desjejum enquanto conversávamos sobre a noite passada, especialmente sobre Sakura e eu. Os conselhos de Naruto eram os mesmos. Minhas respostas eram as mesmas. Logo tudo se tornou inútil e fomos para casa. Eu não a tirava da cabeça. Já tinha horas que estava sentado no divã em frente ao piano, tentando me concentrar no trabalho, mas eu não conseguia, só pensava nela. Sei cheiro agridoce estava na blusa que eu vestia, sua voz ecoava na minha cabeça como uma música melosa. Era horrível essa sensação de beco sem saída, sem ter para onde correr e se refugiar dessa virose de sentimentos.


Por esta razão eu queria evitar de vê-la, pois sabia que ela ficaria presa na minha mente até eu vê-la de novo, e de novo, e eu ia depender dela para me focar em algo e permanecer ali, bem, centrado e firme. Será que eu havia me apaixonado absurdamente rápido pela segunda vez pela mesma mulher? Seria possível?


Sakura’s POV on~


Antes de abrir os olhos, sorri ao imaginar a figura dele ao meu lado, abraçado comigo para me manter quente o restante da noite, mas logo a alegria passou quando percebi que a cama estava fria e espaçosa demais. Abri os olhos só para confirmar a falta dele ali. Como eu queria ter acordado e a primeira coisa a ver fosse o rosto dele... Me vesti, fiz as higienização matinal e arrumei minha bolsa para sair. No caminho para a cozinha me deparo com os dois marmanjos estirados nos sofás em um sono tão pesado que nem me ouviram tropeçar na mesa de centro e cair com as chaves.


É, sou um tanto desastrada, mas faz parte do meu charme.


Me senti menos abandonada ao ver o Sasuke ainda ali, alcançável, visível, a minha disposição. Eu não havia nem se quer tocado em seus lábios e a carícia mais ousada que tivemos foi um beijo na testa e um sussurro ou dois na orelha, cochichos banais, só para constar.


Escrevi um bilhete avisando à todos onde estariam, caso resolvessem checar meu quarto e não dessem por minha presença. Tomei meus remédios e saí apressada, sem tomar cuidado com ruídos alarmantes, afinal, a probabilidade das pessoas daquela casa acordarem antes das onze eram praticamente nulas.


O aeroporto não estava tão cheio como eu pensava que eu estivesse. Cafeterias e fast foods que faziam movimento do lugar. Longo o cheiro forte de café recém-passado me invadiu, fazendo o favor de lembrar ao meu estômago que eu não comia nada desde o almoço do dia anterior. Resolvi tomar o café que tanto me atraíra com croassaints de queijo. Estava muito gostoso, mas eu era orgulhosa demais para admitir, então coloquei a culpa na fome. Depois de algum tempo a papelada foi resolvida. Conferi tudo, pauta a pauta e então peguei um taxi para meu trabalho. Não queria voltar para casa e topar com Ino.


–Então brigou com a Ino por causa disso? –Perguntou Kurenai, minha gerente e grande amiga.


–Sim. E não foi exagero. –Ela riu.


Kurenai odiava Ino com toda a força de sua alma, de seu ser, de tudo o que tinha, afinal, foi relativamente culpa da Ino o divórcio dela com seu ex-marido Asuma. Ino era mesmo uma peste. Kurenai não a demitiu por dois motivos: o primeiro é porque ela era justa demais para deixar que assuntos paralelos ao trabalho tivessem influência na demissão de Ino; segundo porque se Kurenai demitisse Ino, quem sairia ganhando era a loira, que pela lei, teria de receber por todos os anos de trabalho, que não eram poucos. A gerente é tão ruim que não daria esse gostinho à Ino enquanto tivesse vida. Colocou a loira em uma das posições mais baixas da cafeteria afim de humilhá-la e pressioná-la a pedir as contas, porém Ino tem tão pouco amor próprio que não se importa de cuidar da limpeza de todo o estabelecimento.


–Então já vai nesse fim de semana? –Perguntou com um pesar na voz.


–Sim. –Respondi seco. –Não tenho escolha. Ainda mais agora que a convivência naquela casa vai se tornar impossível! Hinata que é o equilibro entre nós três passa mais tempo trabalhando e com o Naruto do que na própria casa para apaziguar as coisas. –Suspirei. –Eu vim para o Canadá buscar uma vida independente e vitoriosa, só consegui ser mais e mais dependente dos outros, me apaixonei, fiquei grávida, sofri um acidente e quase morri, arrebentei com o carro da Hinata, zerei minhas economias com aquela viajem para Manhattan... Sou um desastre! –Rimos.


–Esta é a parte em que eu a demito?


–De preferência.


Passei o resto da manhã finalizando o contrato e conversando com Kurenai. Quando cheguei em casa era mais de meio-dia e o carro de Hinata não estava na garagem, assim como Sasuke e Naruto não estavam mais no sofá. Já sabia que teria que encarar Ino sozinha e seria naquela hora. Entrei a encontrei na cozinha lavando pratos. Nem cumprimentei, fui direto para o meu quarto começar arrumar minhas coisas. Comecei por vestidos e casacos e fui jogando-os na cama com cabide e tudo. Não demorou muito para a loira aparecer.


–Já comprou a passagem? –Perguntou. Não respondi. Abri as gavetas e comecei tirar as roupas pilha por pilha e colocá-las na cadeira. –Hey, eu falei com você! –Me chamou.


–Se não for pedir muito, não fale comigo, saia do quarto e feche a porta. –E dei prosseguimento a arrumação.


–Qual é Sakura, vai ficar de carão para mim por causa do Sasuke? –Alterou a voz.


–O assunto aqui é entre nós duas.


–Então vamos resolver!


–Não há o que resolver. Você já me provou a espécie de amiga que é, você não tem mais nada que eu queira a não ser a capacidade racional de não falar comigo, sair do meu quarto e fechar a porta.


–Eu quero mesmo é que você se foda bonito! –Falou pausadamente com a voz baixa. –Vai, volta para a mamãe com o rabo entre as pernas, fracassada! –E saiu do quarto batendo a porta. Depois de uns segundo voltou para abri-la de novo, só para me pirraçar. Era verdadeiramente uma menina mimada.


Arrumei em pouco tempo as malas de roupa, deixando algumas mudas para o restante da semana. O resto das coisas como cosméticos, objetos, sapatos, entre outros eu deixaria para mais tarde, minha intenção era já deixar estampado para quem quer que seja que entrasse no quarto que eu estava de saída e talvez não voltasse.


Antes eu estava ansiosa, agora eu estava com um pé atrás para ir embora, justamente por causa dele. Não tinha como ignorar o efeito que ele me causava. Eu praticamente supliquei a atenção dele, eu me entreguei, eu fiquei totalmente submissa, encarei uma posição contrária do que eu planejava. No começo, o orgulho e a circunstância me favoreceram, mas depois, quando vi que a guarda dele tava alta, quando percebi que ele não agiria mais como aquele homem apaixonado do natal passado, eu fiquei tomada de medo de perder a única pessoa que provou me amar de verdade.


Suas costas estão horríveis, com algumas partes escuras e enrugadas pelas queimaduras e outras partes com marcas de pontos que levou por conta dos estilhaços que o atingiram. Me lembro vagamente do acidente. Na verdade, depois do acidente, eu não lembro muito bem das coisas, mas do que me recordo perfeitamente, foi do momento em que ele me tirou do carro e se pôs sobre mim, protegendo meu corpo já inerte e machucado, não deixando de me olhar e me pedir calma, nem mesmo quando o carro explodiu e as chamas lamberam suas costas e braços. Imagino como eu teria ficado desfigurada caso ele não tivesse se postado sobre mim. Talvez eu não estivesse viva. Não era para eu estar viva se não fosse por ele, afinal, o Fusion explodiu poucos minutos após ele ter me retirado de dentro. Quando meus olhos se chocaram com os dele aquele dia, eu já me senti salva.


O que eu seria sem o Sasuke? Onde eu estaria? Como eu estaria?


Minha dívida com ele era maior do que qualquer outra que alguém possa ter. E eu não gosto de dívidas. Me pergunto como eu posso ir embora e deixar tudo para trás, como se fosse um mero detalhe. Se bem que, todo esse ano distante dele, eu agi como se tivesse sido isso mesmo. Apenas um detalhe. Mas era mentira. A quem eu estava tentando enganar quando entrei naquela casa dele, toda com pose de experiente e de vivida? Talvez, eu não tenha um terço de conhecimento que o Sasuke possui. Quando eu digo que ele foi especial na minha vida eu não minto, porque todos esses vinte e seis anos que carrego nas costas não significaram nada a mais do que escola, balé, casa. Eu só posso dizer que tive um vida quando vim para Ottawa e mesmo assim, a rotina não era lá essas coisas. Tudo mudou seis meses depois, quando aquela nevasca invadiu nossa cidade como um trem desgovernado, deixando todos a mercê de uma ajuda, um abrigo, para os poucos que conseguiram chegar em casa.


Eu não fui a única hóspede.


Posso dizer que a razão da minha existência deu um start quando eu entrei naquela casa. Finalmente eu tinha algo para contar. Finalmente eu tive uma lembrança. Um apego. Uma novidade. Antes, quem eu era? Apenas mais uma imigrante tentando ganhar a vida em um país menos transtornado como a Inglaterra. Quantas outras mulheres tem o mesmo perfil que o meu? Milhares. Milhões, ouso arriscar.


Eu não sou nada comparada a infinitas histórias e lembranças por aí. Tudo o que eu tenho é um amor inexplicável pelo anfitrião Sasuke Uchiha. Um homem alto e forte de beleza inquestionável; inteligente; rico; humano; um pouco cético; um pouco contraditório; anti social; quieto e reservado; adora cappuccino e cerveja americana; panquecas e comidas congeladas; um ótimo pintor e pianista; um ótimo amante no dia e na noite. O cara perfeito para mim. Mas eu não sou a mulher perfeito para ele.


Tomei meus remédios(depois do acidente fiquei dependente de comprimidos para os méis diversos problemas) e me permitir relaxar na cama pois a noite anterior fora um tanto quanto cansativa, sem contar meu corpo estava todo dolorido e marcado pelos golpes desnorteados de Ino. Eu não me importava com isso, tanto porque o estrago nela foi maior consideravelmente. Não é porque sou bailarina, pequena e magricela que eu não tenho força. Não se esqueçam que minha mãe é uma espécie de Steven Seagal. Antes de cochilar, a última coisa que pensei foi o que seria dessa história de Ino e Sasuke depois que eu fosse embora.


As possibilidades me deixam péssima.


Sakura’s POV off~


Notas finais
reviews???