A Hóspede

45 Diga que sim


Notas iniciais
Gente, tá muito, MUITO foda pra mim, tô sem tempo, sem paciência, sem tudo por isso não respondi os comentários. Tá aí mais um capítulo, muito obrigada pelo apoio de você pq diversas vezes já pensei em desistir da fic, então.. é isso. Boa leitura

Sakuras’s POV on~


Sábado

Dia da viagem


Estava com Hinata na cafeteria do aeroporto. Mexendo o cappuccino em movimentos refletidos e batendo o pé num ritmo curto e irritante que fazia a morena me lançar olhares de fúria, mas ela não reclamava. Sabia que todos aqueles gestos nada mais eram do que a traição do meu corpo manifestando o quanto eu estava nervosa por ele não estar lá e, se Hinata me perguntasse, não negaria que minha espera não era pelo namorado dela. Mas acho que ela sabia disso também, então continuei olhando para os lados, batendo o pé e mexendo a bebida que já devia estar fria.


O celular de Hinata vibrou com um curto toque. Mensagem. Seria ele? Nem disfarcei minha curiosidade tentando visualizar o texto recebido no aparelho dela, que me lançou um olhar reprovativo.


–Está esperando pelo Sasuke, não é? –Me ajeitei na cadeira, olhando para a bebida gélida e espumada.


–Estaria sendo mais sensata se dissesse que não estou? –Perguntei em um tom baixo.


–Estaria sendo é uma mentirosa! –Falou me entregando o celular. Não hesitei para ler a mensagem: “Estou chegando. Bj amor!” Ele poderia ter escrito ‘estamos’ ou ‘Sasuke e eu’ caso estivesse com mais alguém. Talvez seja mesmo uma tolice sem tamanho eu ficar aguardando o Sasuke para me despedir. Por que eu deveria?


Depois do aniversário da Ino eu só o vi de relance quando ele trouxe Hinata de volta para casa. Abaixou o vidro e acenou para mim, indo embora em seguida. Fiquei extremamente contente com aquilo, mas depois que meu coração voltou a bater em seu ritmo normal, percebi que estava sendo uma tola, pois ele apenas acenou por educação e eu estava me sentindo como se ele tivesse dito ‘eu te amo’. Sou mesmo muito pueril. Sem contar que, o pedido que eu lhe fizera aquela noite no quarto jamais teve resposta. Eu adormeci a esperando, mas ele somente afagava meus cabelos e um ponto em minhas costas. Resolvi não dizer mais nada, com medo de que isso acabasse, porque entre ficar com aquele momento e uma resposta que possivelmente não me agradasse, eu preferia os minutos de carícias, assim adormeci com ele do meu lado me mimando e acordei sozinha com a outra parte da cama gelada.


–Se caso ele não vier... –Comecei. –Só diga para ele o que você sabe que eu sinto. Diga que eu sinto muito pelo meu orgulho idiota, que se eu tivesse um momento para me redimir de todo esse tempo perdido, ele estaria bem aqui perto de mim. Que eu não passei de uma tola quando agi tão infantil. –Interrompi a lágrima que em breve desceria. Não queria que Hinata me visse chorando descontroladamente. –Hinata, eu quero ele de volta! –Falei cedendo às lágrimas.


Ela mudou de cadeira se sentando ao meu lado, oferecendo o ombro para eu chorar. Impressionantemente, ela ria, ria solta de mim chorando, o que me deixou nervosa, me irritou até a alma, mas não tinha vontade de me afastar dela porque me sentia protegida. Beijava o topo da minha cabeça e passava as mãos nas minhas costas, gesto simples de consolo, que se não fosse dela me deixaria furiosa, pois quem me conhece sabe que odeio ser tratada como vítima e inferioridade, mesmo na maioria das situações eu ser a café com leite.


–Sakura. –Chamou Hinata. Levantei um pouco a cabeça para ver o que ela queria. Naruto havia chegado, mas não sozinho, estava com ele. Com ele! Imediatamente me afastei dela, enxugando cuidadosamente os olhos (para não borrar a maquiagem e eu parecer com um urso panda) e me compondo, pois me encontrava um trapo nos braços de Hinata. Sentia o rubor de vergonha tomar o meu rosto por Sasuke estar vendo toda aquela situação e Naruto estar rindo de maneira dissimulada de como eu me encontrava. –Eu falo agora ou você mesma fala? –Perguntou com um sorriso macabro. Ela adorava me deixar constrangida.


–Eu... –Comecei, pressionando as têmporas, tentando me acalmar e parar de tremer. Evitava olhar para Sasuke que tinha um sorriso suave no rosto, devia estar achando graça de tudo aquilo, o que fazia eu me enrubescer três vezes mais. –Eu...


–Não precisa dizer nada. –Falou se aproximando de mim. Me levantei com Hinata. –Se não te pedi desculpas antes foi porque eu estava errado todo esse tempo. Tudo o que eu fiz foi pouco diante do que eu posso fazer por você e do que merece. Se eu tiver mesmo uma maneira de impedir que você entre naquele avião, eu farei, e tenho diversos motivos para isso. –Meus olhos que já estavam secos começaram a trabalhar novamente em lágrimas mais roliças e quentes do que as anteriores. As pessoas já começavam a olhar a cena, o que não me deixava confortável porque era algo muito íntimo meu e de Sasuke. Me sentia constrangida até com a presença de Hinata a Naruto. –Primeiro e mais importante de todos: eu te amo. Amo de um jeito que nunca amei nenhuma outra mulher, de um jeito que chega a me deixar desconcertado e inconformado, pois para mim, meu coração não podia bater desse jeito por ninguém, mas parece que você mudou meus mecanismos! –Rimos todos. –Segundo: eu não quero mais desperdiçar nenhum momento longe de você, nenhum segundo, porque perdi muito tempo me preocupando com a integridade dos meus sentimentos e nem me dei conta de que já estava destruído por dentro quando você surgiu na minha vida. Estar com você é como se por uns instantes meu coração estivesse restaurado, mas quando vou embora, vejo que é apenas meu orgulho me enganando de novo, porque eu nunca vou me sentir plenamente completo se não for com você. –Hinata chorava, abraçada ao namorado que exibia um sorriso tão meigo que me deixava mais calma diante daquilo. –Terceiro: -Se ajoelhou. Meu coração deu um salto, mas não de emoção e sim de medo.


Eu não podia acreditar que Sasuke chegara tão longe ao ponto disso. Não, era inacreditável. Comecei tremer de novo de tanto pavor. Eu amava Sasuke, estava certa disso, já havia me convencido que ele me amava da mesma forma, porém, se ele estivesse fazendo o que eu estava pensando, eu seria obrigada a recusar. Não estava pronta para um passo tão grande, embora eu estivesse certa de que Sasuke é o homem com quem eu quero me casar. Tudo o que fizemos, sem exceção, foi por impulso, as pressas. Tudo o que eu queria era recomeçar, mas da maneira certa.


–Sasuke, por favor, não... –Pedi apreensiva, daí Naruto olhou para mim e gesticulou para que eu ficasse calma. Sasuke pegou uma caixa no bolso do moletom e a abriu, revelando um anel lindo de dois aros com uma pedra prensada em uma base. Fiquei boquiaberta, chorando como uma boba igual a Hinata que se enroscou no Naruto de um jeito possessivo e protetor. Indiscutivelmente eles eram um casal perfeito.


–Sakura Haruno. –Começou olhando nos meus olhos densamente, falando em um tom para que só eu ouvisse. Eu balançava a cabeça em forma negativa. Não podia aceitar aquilo, era demais para mim. E ele disse: -Deseja ser minha hóspede para sempre, até que algo muito cruel nos separe? –O que eu não havia me derretido antes, me derreti na hora em que ele disse aquilo. Respirei profundamente, aliviada e ao mesmo tempo tomada por uma emoção dúbia. Eu tremia mais do que tudo, chorava descontrolada. Por impulso olhei a Hinata que enxugava as lágrimas com o colarinho do casaco de Naruto. ‘Diz que sim!’, li em seus lábios. Naruto continuava com a mesma expressão doce e aconchegante de sempre, então novamente ele me deu coragem para olhar para Sasuke e dar continuidade a toda aquela situação que já atraia vários olhares curiosos.


Balancei a cabeça em sinal positivo, freneticamente. –Sim. –Falei. –Eu aceito ser sua. –Então a imensidão negra e fosca de suas orbes se iluminou; ele se ergueu ainda sem deixar o olhar cair para nenhum ponto longe dos meus; pegou minha mão direita e deixou ali a joia. Então, como por obrigação, ele interrompeu as lágrimas no meu rosto com o polegar, em seguida se aproximando para um beijo.


Aplausos, assobios, gritos do Naruto, batuques do Naruto, chutes na cadeira do Naruto e um Sasuke me beijando. Quando nos separamos por falta de ar, ele disse brincalhão, com um riso descontraído: ‘Pensou que eu fosse pedi-la em casamento?’. Enrubesci de vergonha, pois eu estava pensando exatamente isso e seria uma pena caso eu estivesse certa porque iria recusar, claro, não poderia agir tão impulsiva, agir pelas emoções. Desta vez, eu começaríamos do zero, como deve ser, e com fé em Deus daria tudo certo.


–Eu prometi que nunca mais a deixaria. Vou cumprir minha promessa de bom grado. –Sorri no meio de seu sussurro.


–Não tem ideia do quanto eu precisei de você. –Disse. –Todo dia era a mesma coisa. A mesma culpa. A mesma falta.


–Por isso te peço, por favor, fica pra mim. –Disse. Surpreendentemente, logo em seguida, um locutor anunciou a breve partida do voo para Londres. Era o meu voo. Olhei para a Hinata em busca de ajuda.


–Faltam quinze minutos. –Me disse com o rosto vermelho por casa do choro. Voltei para Sasuke.


–O que eu faço?


–O que quer fazer, ora. –Pensei. Pensei. Minha mãe. O estágio. O balé. Já estava tudo pronto, só faltava eu. Precisava ir, apesar de tudo, era necessário que eu fosse, não poderia desistir agora que estava quase com um pé na Inglaterra. Porém, só de cogitar deixar o Sasuke a mercê da minha volta, sozinho, desanimado depois de tudo o que ele fez por mim, doía o coração, a alma, a cabeça... Doía tudo! Realmente não sabia o que fazer.


–Ou vai ou não vai. –Acrescentou Hinata.


–Vai. –Falou o moreno, o que me deixou surpresa. Não era ele quem mais estava querendo que eu ficasse? –Vai e faça o que tem que fazer. Se ficar aqui, não vai conseguir nada.


–Mas e você, Sasuke?


–Não tem eu no meio dos seus planos antigos.


–Mesmo assim, eu não quero te deixar aqui!


–Nem eu quero deixá-la ir para longe de mim de novo, mas você se comprometeu, vai fazer o que gosta e o que deve fazer. Não vou tirar de você essa oportunidade. –Falou sereno, segurando meu rosto com as duas mãos. –Quero vê-la linda, dançando, correndo atrás dos seus sonhos...


–Vem comigo então! –Pedi. Os três ficaram assustados com a proposta, mas ninguém falou nada, nem Sasuke. –Vamos! Eu cancelo esse voo e a gente pega outro ainda hoje ou amanhã...


–Não posso. –Disse, com uma feição triste. –Tenho o Itachi para cuidar e o Naruto veio para o Canadá só por minha causa... Meu lugar é aqui, Sakura.


–Cara, por mim, você vai agora! Mas tem o Itachi. –Naruto me olhou. –A alegria do Itachi é ter o Sasuke por perto. –Me senti terrivelmente egoísta ao ter dito aquilo e muito envergonhada para ao menos me desculpar.

–Passageiros do voo das 9h30min para Londres: partida daqui dez minutos. –Anunciou novamente o locutor do aeroporto.


–Vamos! –Disse pegando duas das minhas s e indo em direção à entrada que levava a pista de pouso. Deixamos as cinco bagagens ao todo no raio-x e fomos para até os limites de onde eles poderia passar.


–Ainda pode mudar de ideia. –Insistiu Hinata.


–Minhas malas não vão voltar com toda certeza! –Brinquei. –Sabe tudo o que tenho a te dizer, não sabe? –Balançou a cabeça em forma positiva. –Uma das melhores coisas que me aconteceram desde que cheguei aqui em Ottawa foi ter te conhecido, poder ter estado ao seu lado em grandes momentos, em outros não tão relevantes. –Rimos. –Obrigada por tudo! –E a abracei, não por tanto tempo como eu gostaria, pois já estava atrasada. –E você transa como ninguém! –Acrescentei, deixando os meninos confusos, o Naruto principalmente. Creio que Hinata teria problemas quando chegasse em casa.


–Sua vez loiro! –O chamei. –Obrigada por todos os conselhos, caronas, risadas, por ter salvado minhas vida no hospital e por outras diversas coisas que fez por mi ao longo desse ano. Minha dívida com você é inestimável! –O abracei.


–Cuidando do Teme, por mim, sua dívida estará quitada. –Disse. –Liga pra gente, e manda e-mail, cartas, presentes da Inglaterra! –Rimos. –Não fuja de nós.


–Não irei. –Assegurei. –Esteja certo que, agora mais do que nunca, –Olhei de relance para Sasuke, que se encontrava sério, com as mãos no bolso e devaneios estampados nos olhos. –não poderei me desligar deste lugar assim tão facilmente. –Segurei suas mãos firmes, grandes e ásperas que por dias trabalharam na recuperação da minha vida, com os tratamentos de fisioterapia e pós-trauma ou na prática mesmo. Eu devia muito a ele. –Se tudo der certo, volto no fim do ano para a ceia de Natal. –Disse, logo me arrependendo, pois poderia considerar com um comprometimento ou até como uma promessa, mas tudo dependeria do curso de meu trabalho em Londres e não de mim.


Naruto se afastou, juntando-se com Hinata que começava a chorar novamente. Era a vez de Sasuke, o mais impertinente, orgulhoso, chato e irritante de todos os outros, assim como o mais generoso, compreensível, sincero e cuidadoso. Me perguntava por qual mistura de adjetivos eu havia me apaixonado... Difícil saber. Talvez um dia eu descobrisse, se sobre isso muito tempo pensasse. Como eu sentiria sua falta! Seria o dobro da saudade que eu sentira em todo o ano sem vê-lo nem ao menos por foto, só menções despropositais de Ino ou Naruto, que vãs, não me diziam nada além de ‘Sasuke está bem sem mim’.


Como eu fui uma tola! Me envergonho ternamente disso, mas já era tarde demais e eu tinha menos de cinco minutos para estar caminhando diretamente àquele avião. Deixei as palavras, esclarecimentos e declarações de lado. O abracei como melhor pude. Qualquer coisa que eu dissesse soaria confusa, melosa demais ou repetitiva, possivelmente os três juntos, mas eu não importava. Ele sabia que eu o amava e eu tinha certeza que seus sentimentos para comigo eram recíprocos. Queria usufruir dos poucos instantes que restava para senti-lo: sua tez, seu aroma, sua respiração calma, seus cabelos lisos caídos sobre o rosto... Ele era perfeito para mim.


–Sakura, está na hora. –Avisou Hinata com a voz falhada.


Me afastei um pouco de Sasuke e olhei seus olhos, buscando nele algum consolo de que ele fora verdadeiro quando me dera ‘permissão’ para partir. Era a mesma imensidão escura e indecifrável que eu encontrara da primeira vez que o vi, só que com um toque de tristeza. Hesitante, subi os pés em uma meia ponta para alcançar sua boca que já estava entre aberta, só esperando a minha se encaixar ali. Um beijo lento, seco e não tão profundo como deveria, ambos estávamos relutantes demais para algo mais fervoroso. Uma única lágrima desceu pelo meu rosto, umedecendo o dele também pela proximidade, então percebi que minha tristeza em partir também estaria com ele.


Que diacho eu estava fazendo?


–Senhora, ou entra agora ou não mais. –Avisou impacientemente o segurança da portaria que dava acesso a sala de embarque.


–Te amo. –Disse baixinho.


–Se cuida. –Ele respondeu dando um beijo no topo da minha cabeça. Nossas mãos se separam, a porta de vidro foi fechada na frente dos três que eu mais era ligada. Não tinha mais volta. O segurança me acompanhou até o avião que alçou rapidamente não dando tempo para eu notar enfim que estava indo rumo à Inglaterra, Londres, terra de meu falecido pai, onde cresci, onde dancei, onde estudei e fiz coisas desinteressantes. Estava voltando para a amada terra britânica de mãos abanando, ‘com o rabo entre as pernas’, como dissera Ino, só com o objetivo de lá me firmar de vez sem ter que depender de ninguém.

Sakura’s POV off~


–Naruto. –Chamei.


–Hã?


–Me avisa quando for a hora de dar continuidade.


–Ah, amanhã de manhã certamente.