A Hóspede

46 Now i know


Notas iniciais
Meninas! Lindas! Fiquei super contente com os reviews.
Li por cima só de ansiedade pois estou muito sem tempo, sem contar que a internet daqui de casa ultimamente só vem me trollando. --' Responderei todos os reviews assim que tiver tempo.
Quero também avisar de que a fanfic "A Hóspede" já está encerrada, escrevi o final já, tá tudo pronto, é só postar... kkk Então por conta disso poderei postar frequentemente. Gostaria de saber se querem um epílogo(digam nos reviews), além de que, se possível, ao final da fanfic, recomendassem se gostaram, assim outras pessoas também ficarão instigadas a lerem.
So.. É isso! Beijos! Boa leitura!

Conseguira uma melodia depois de horas trancafiado no ateliê, mas a letra que mais importava, não havia fluido em nada. Vendo que era inútil continuar ali, fechei o piano e fui buscar algo para tomar, logo voltando para o ateliê para ir mexer no quadro. Nisso sim eu estava disposto e inspirado. Tirei a o lençol que o cobria e fiquei por uns instantes observando os traços que ele exibia. Estava quase pronto. Abri a janela e preparei as tintas e variadas tonalidades para não ter erro. Modifiquei o verde de seus olhos que eu muito antes havia pintado e acrescentei um brilho prateado em seus típicos cabelos róseos. Tive vontade de tocá-los de tão macios que pareciam com os traços molhados recém-pintados. Aquilo era o mais próximo que eu chegaria do realismo. De longe, fora o quadro mais elaborado que fiz.

Naquela tarde mesmo eu consegui finalizá-lo enfim. Não havia saído da sala nem pelos berros de Naruto e Hinata que resolveu interver para que eu comece algo. Eu estava mesmo faminto, mas não saí um minuto se quer até ter terminado e, quando o fiz, quando com um caneta especial assinei meu nome, foi espontâneo. Me joguei na poltrona deixando toda e qualquer coisa que eu segurasse cair no chão e manchar o assoalho de carvalho. Eu não me importava. Estava feliz e satisfeito com o que eu tinha feito. Nem olhar para o quadro eu conseguia de tanto cansaço nas vistas, pescoço, costas... Tudo!

Despertei de um cochilo pelo frio que bateu em minha pelo desprotegida sem piedade. Fui ver o quadro, mas ainda não estava seco; fechei a janela e saí dali, deixando a porta escancarada atrás de mim. Naruto e Hinata estavam vendo DVD na sala, logo desviaram a atenção para mim quando surgi em suas vistas.

-Cara! Você tá um trapo! –Disse Naruto largando Hinata no sofá e vindo até mim.

-Jura? –Ironizei.

-Se demorasse mais uma hora lá dentro eu ia arrombar aquela porta!

-Essa porta é de mogno. Só pra constar.

-Não me interessa. Você desde que chegou não saiu daí. –Flou enquanto íamos para a cozinha.

-Eu terminei o quadro. –Disse me sentando no balcão com a cabeça apoiada nos braços.

-O-o quadro da Sakura? –Perguntou surpreso.

-Não, meu quadro. –O corrigi.

-Sasuke, posso ir ver?! –Perguntou Hinata da sala. Me perguntava como ela escutava tão bem, pois eu não havia falado em um tom alto para Naruto.

-Só depois que preparar algo para eu comer. –Falei sem nenhum humor na voz. Não estava brincando.

-Devia deixá-lo morrer de fome! –Falou abrindo a geladeira.

-Sabe. –Começou Naruto. –Eu to preocupado com aquelas duas lá na casa, sozinhas... –Ele tinha razão.

-Eu já havia esquecido! –Disse Hinata alarmada. –Naruto, liga para o celular da Ino e vê se tá tudo bem. –Pediu enquanto me preparava um sanduiche de tudo. –Estava tudo tão calmo quando saímos que até esqueci que as duas quase se mataram. –Comentou enquanto Naruto buscava o número da loira na agenda. –Só não consigo entender como as duas puderam sair nos tapas por causa de um viadinho que nem você! –Levantei o olhar para a morena que parecia injuriada. –Nós éramos tão amigas... –Falou casualmente. –Agora as duas vão ficar em pé de guerra por sua causa! –Colocou o prato no balcão suavemente com meu sanduíche.

-Está frio! –Reclamei. Mas quando meu olhar encontrou com o dela, vi que mais uma palavra e seria suicídio, já que ela estava irritadiça comigo por causa da história da Ino e da Sakura. Seria capaz de cortar meu pescoço com aquelas unhas enormes. Com o tempo comecei temê-la mais do que Tsunade. É. Talvez eu seja mesmo um viadinho submisso, mas não é culpa minha. Não é da minha natureza ser agressivo fisicamente. Parece que essas mulheres todas tem um arsenal de rancor e ódio no coração. Misericórdia. Não tem homem que não se assuste com tamanha brutalidade. Me perguntava todo santo dia como é que Naruto aguentava a Hinata.

-Hinata, tá dando ocupado. –Avisou o loiro meio hesitante.

-Me dá aqui! –Tomou o celular da mão dele e digitou alguns números. Silêncio. Ou melhor, quase silêncio. Só tinha eu fazendo ruídos como ketchup e com o copo cada vez que o depositava de volta ao balcão. Era de propósito, assumo. –Alô? Sakura? –Parei. –Tá viva? –Naruto riu, mas logo foi repreendido pela morena. –Não seja irônica! Você não cruzou com a Ino não, né? –Olhamos para ela esperando que nos comunicasse sim ou não. –Ufa! Pensei que já estivessem mortas ou desacordadas por causa desse tonto do Sasuke!!! –E me olhou raivosa.

-Pelo menos sabemos que as duas não se cruzaram! –Comentou o loiro indiferente, logo se calando quando Hinata fez um gesto.

-Ah. Aham. Sei. –E eu tentava descobrir o que é que a outra dizia. –Oh! –A expressão rígida de Hinata amoleceu, fazendo suas sobrancelhas se curvarem em um misto de tristeza e decepção. –Puxa... E não tinha outras disponíveis? –O que seria? Naruto me lançou um olhar quase no mesmo tom do de Hinata e eu o devolvi um apelo confuso. Ele veio e se sentou ao meu lado. Por estar ao lado de Hinata, ele deve ter escutado claramente a voz do outro lado da linha.

-Sakura já comprou a passagem. –Falou com a voz rouca. Eu segurava firme o sanduíche. Tão firme que todo o recheio escorregou para o prato e só ficou o pão todo lambuzado de molho. Naruto riu da cena, mas nem isso me tirou a atenção do que ele havia dito.

Sakura iria embora. Disso eu sabia. Mas já havia até comprado passagem! Isso significava que seria em breve. Certo?

-Bom. –Começou devolvendo o celular à Naruto. –Estão vivas. –Disse tentando melhorar o clima que eu e Naruto havíamos imposto. –Sakura conseguiu o visto. Vai para Londres esse fim de semana.

-O que?! –Grasnou Naruto. -Como assim esse fim de semana?! Ela disse que até o fim do mês!

-Até o fim do mês. Ela disse o máximo de tempo que ela ficaria aqui, não disse o mínimo. Se bem que isso me deixou surpresa porque com o reencontro dela com você devia ter mexido um pouco com a cabeça dela.

-Quem sou eu para mudar as decisões de Sakura? –Falei. –Se ela quer assim, ótimo. Felicidades para ela.

-Mas o que... –Naruto me olhava incrédulo. Hinata não parecia muito alterada pela frieza que usei.

-Vocês não se resolveram ontem a noite? –Perguntou curiosa.

-Consertar algo que está perfeito do jeito que está é no mínimo burrice. –Me levantei e peguei talheres para comer o recheio do lanche. –Falar com Sakura, para mim, está de bom tamanho.

-Mentiroso. –Disse o loiro. Dei de ombros começando comer.

-Como você é ridículo, garoto! –Disse com desprezo. –Eu nem vou te dar moral. –Voltou para a pia guardando os ingredientes que havia usado e limpando a sujeira.

-Na minha concepção, ‘se resolver com a Sakura’ quer dizer ‘levá-la para a cama e assumir compromisso’. –Disse Naruto roubando uma rodela de tomate do meu prato.

-Sei bem o que vocês querem. Estão me usando para manter Sakura aqui, mas a banda não toca conforme o ritmo de vocês. –Dei uma garfada em um pedaço do hambúrguer ensopado de molho e maionese. –Minhas intenções com a Sakura não são nada mais do que amigáveis, se assim for possível.

-Sasuke, para com isso. Agora quem está ficando irritado sou eu! –Se levantou indo na geladeira pegar uma bebida. E Hinata só ouvindo, lavando os utensílios que sujara. –Você e Sakura não enganam mais ninguém.

-Não estou enganando ninguém, porra!

-Não está mesmo! –Me interrompeu, zombeteiro.

-Não nego, eu a amo, também sei que ela sente algo por mim. Só entendam de vez: ela vai embora e vai voltar só Deus sabe quando, se é que voltará! Isso não é culpa minha, entendam de uma vez! Sakura e eu seremos amigos! Amigos!!!

-Se Itachi estivesse aqui ia te descer a mão na cara por ser tão estúpido!

-Sasuke. –Secou as mãos molhadas e se sentou em minha frente. –Olha pra mim. –Continuei comendo. –Olha pra mim, desgraça! –Levantou minha cabeça a força pelos cabelos. –Ela ama você. Você a ama. Eu e Naruto já estamos cansados de esfregar na sua cara isso! Poxa, eu já vi gente difícil, só que você é mais complexado do que qualquer outro ser humano no mundo! Eu sei que você morre de medo de ficar sozinho, tem mais medo ainda de ser abandonado. Oh seu imbecil, a Sakura não quer te abandonar e sim cuidar de você! Tudo isso tem raízes, Naruto me contou essa história, mas enquanto você fica se martirizando, já se passaram mais de dez anos e você está aí, entediado, isolado e ranzinza! Até seu irmão, depois de tudo o que lhe aconteceu, dá mais valor para a vida do que você que é um cu virado para a lua de tão sortudo. Tem uma casa boa, uma conta estourada, um carro de linha, um bom emprego, é renomado, seu irmão está de volta, tem o melhor amigo que alguém pode ter e uma mulher linda que te ama mais do que tudo, só tem medo de não ser correspondida. O quê que você quer mais para perceber que tem a vida ganha? O que é preciso para você entender isso de uma vez por todas sem ter que apanhar do Naruto ou de mim?! E presta atenção, eu não faço isso por você, faço pela Sakura que é a que mais fica machucada com isso, pois ela sim tem motivos para agir como idiota, você não.

-Só acrescentando, ninguém tá te usando para manter a Sakura aqui, quer dizer, só eu mesmo, porque sei que...

-Cala a boca, Naruto!!! –Hinata jogou a latinha do refrigerante em sua cabeça. Meu couro cabeludo já estava doendo de tanto que ela puxou. –Agora eu fui clara? –Perguntou irônica. Olhei firme em seus olhos e assenti. Eu fui sincero. Ela também. –Ótimo. Agora eu quero ver o quadro. Coma logo isso e tire essa roupa cheia de tinta porque esse cheiro já está me enjoando!

-Querida, você anda muito enjoada. Tem certeza que não está grávida? –Engasguei. Quase morri asfixiado. Desculpa. Não pude ser mais discreto. Como assim Hinata grávida?

-Sasuke, acalma, você ainda não vai perder toda a atenção do Naruto para um bebê. Pela quarta vez no dia...

-Terceira! –Corrigiu.

-Eu, Hinata, não estou grávida Naruto. Compreende? –Assentiu desapontado.

-Por que esse desânimo? –Perguntei.

-Eu queria ter um filho logo.

-Naruto já conversamos sobre isso. –Terminei de comer e coloquei o prato na pia, indo para o ateliê com os dois atrás de mim discutindo.

-Mas Hinata, daqui a pouco vamos ter trinta anos e ter filhos assim tão velho eu não quero. –Fez bico. –Hoje eu mal consigo ficar meia hora na esteira, como vou jogar bola com o meu moleque?

-Moleque? Eu quero uma bailarina e não um jogador de futebol catarrento!

-Quem decide o sexo é o homem, querida. Desista! Quando estivermos fazendo o trabalho vou concentrar minhas energias nos espermatozoides masculinos e não vai ter raio de menina que fecunde!

-Onde aprendeu isso?! –Perguntei.

-Esqueceu que eu sou médico?! –Falou indignado.

-Eu tenho lá minhas dúvidas quanto sua inteligência.

-Oh! Meu! Deus! –Hinata estava com ambas as mãos na boca, de espanto ou admiração. Ou dos dois. Se aproximou do quadro e o mediu com os olhos estagnados e brilhantes. Brilhantes... Ela estava chorando. Olhei Naruto, meio que pedindo socorro. Ele sorriu e apoiou a mão no meu ombro. Sabia a importância daquele gesto, mas me faltava oxigênio no cérebro para explicar. Então ele caminhou até Hinata a abraçou por trás, deixando um beijo em seu pescoço desnudo. Como Naruto conseguia se expressar tão bem através de gestos? Como ele conseguia transmitir todo o carinho e preocupação que sentia por alguém através de um olhar ou um simples toque? Era um dom.

Tirei a camiseta suja e joguei sobre o divã do piano. Ia saindo do ateliê quando Hinata também observou as cicatrizes com mais flexibilidade do que o conveniente para alguém que me odeia. Respondi apenas ‘Foi um momento de heroísmo’. Ela entenderia assim que lembrasse do meu ato épico que salvou a amiga dela.

Quando entrei debaixo do chuveiro, me deixei levar pelo cansaço e frustração. Os roxos da briga com o Naruto estavam a mostra, assim como as marcas de unha de Ino e Sakura. Eu estava literalmente só o caco de tão danificado. Ali sob a chuva de água morna, tudo o que eu pensava era nas palavras de Hinata, em seu olhar terno para o quadro, o modo como ela observou-me na cozinha falando com o Naruto. Ela estava certa. Estava absolutamente certa. Creio que tudo o que ela queria mesmo era ver mais alguém estável e feliz em sua vida além dela e de Naruto. Talvez ela não me odeie tanto assim.

Acordei com a televisão que esquecera de desligar antes de dormir. O gato estava postado aos meus pés com sua mesma cara de irrelevante que eu odiava. Não o chutei. Não o sufoquei. Não fiz absolutamente nada, só o encarei, até ele se render e olhar para um lado qualquer. Nada na minha vida vai mudar se eu não mudar primeiro, pensei. Me sentei e estendi a mão ao bicho que recuou um pouco, receoso, afinal, conhecia meus bons modos com o mesmo. Desisti. Resolvi a conversa.

-Bom dia. –Ele olhou para os lados. –Hoje vou sair. –Andou um pouco pela cama. –Vou comprar um celular. –Depois de rodar várias vezes um mesmo local, se deitou e se espreguiçou, me olhando com cautela. Me senti um louco falando com um felino, talvez ajudasse no meu mau humor matinal, já que sempre vi Hinata fazendo esse mesmo ritual e ficando radiante na manhã (para tudo e todos, menos comigo, claro), mas comprovei que é loucura mesmo.

Por volta das dez da manhã fui à cidade e comprei um celular. Fui estreiá-lo no hospital tirando fotos do Itachi e contando para ele como tinha sido à noite. A reação dele não irei comentar porque não foi uma coisa muito agradável, mas posso dizer que ele gostou do celular. Como ele já estava conseguindo mexer os dedos e a cabeça então achei que seria um bom incentivo alguma coisa manual para ele se movimentar, brincar, fazer qualquer coisa extra da fisioterapia.

Quando cheguei em casa, lá estava Ino postada no sofá com cara de boa moça. Vestia-se como de costume, uma saia curta e justa e uma blusa de alça decotada.

-Não devia estar aqui, Ino. –Falei pendurando as chaves no chaveiro. Ela se levantou, sorrindo ainda mais do que antes. Parei ali mesmo na entrada quando a vi se aproximar de mim.

-Agora não sou bem vinda? –Perguntou com a voz baixa.

-Não é isso, só que depois do ocorrido antes de ontem não fica legal para nenhum de nós isso.

-Isso o quê? –Chegou mais perto.

-Isso que está fazendo agora! –Saí dali e fui na cozinha buscar um copo de água. Já estava ficando irritado. Curiosamente, me lembrei da Karin, a moça que encontrei na Alemanha. Se Ino, no meu subconsciente já estava podendo ser comparada com a ruiva, era porque a situação não estava boa. Eu preferia a Ino como minha amiga, aluna de piano, critica de filmes. Essa Ino é irreconhecível e não me agradava.

-Sasuke! Então é assim mesmo? Vai me evitar mesmo sabendo que eu gosto de você? –Perguntou com a voz alterada.

-Você não gosta de mim, Ino... –Disse. –Não adianta tentar me convencer disso porque suas atitudes já dizem isto por você! –Ela me olhou confusa. –Não vê o que está fazendo? Sabe bem meus sentimentos por Sakura e os dela por mim, devia respeitar isso, não a nós especialmente, mas o que sentimos um por outro.

-Como pode dizer isso, Sasuke? Como pode ser tão hipócrita ao ponto? Você se afastou da Sakura sem questionar um minuto se quer, nem falava nela, evitava até seu nome, só agora depois que se reencontraram você está com essa conversa de eu a amo ela me ama! –Balancei a cabeça negativamente, rindo da ingenuidade dela. –Sasuke, ela vai embora. –Me disse mais calma. –Ela disse que vai voltar, mas eu sei que ela não vai. Quer ficar sofrendo por esse suposto amor impossível? Sem contar que você merece coisa melhor do que a Sakura. Ela te dá mais prejuízos e dores de cabeça do que tudo! –Revirou os olhou e sentou no banco, entediada. Me apoiei no balcão bem de frente a ela com um sorriso irônico no rosto e então perguntei.

-O que está me sugerindo com toda essa conversa inútil? –Se aproximou, com o mesmo tom sarcástico que eu.

-Estou sugerindo que, quando Sakura for embora, deixe de ser tão sentimentalista e romântico e fique comigo! –Se a distância de nossas bocas fosse um dedo, para mim já era muito. Dei um riso seco e quando ela fez menção de quebrar de vez o espaço entre nossos lábios, eu recuei agilmente, guardando a garrafa de água na geladeira e indo em direção à porta, com ela em meu encalço. –Está me rejeitando?

-Não. –Disse. –Estou rejeitando sua proposta. –Me fitou. –Você pode voltar aqui sempre que quiser, desde que suas intenções não estejam relacionadas a nada mais íntimo do que a amizade saudável que temos. –Olhou para os lados com um sorriso zombeteiro.

-Se for assim, creio que vai demorar um bocado para eu voltar aqui.

-Só lamento. –Falei pondo minhas mãos nos bolsos. –Não menti quando te disse que gostava da nossa amizade.

-E eu não menti quando disse que gosto de você. –Depois de um tempo sem nada a dizer, abri a porta, ainda olhando para a loira, até que em um momento de deslize, ela tomou meus lábios de uma forma urgente e voraz, do mesmo jeito que fez naquela noite.

Pelas circunstâncias, dei a ela o favor de corresponder, embora que por poucos segundos. A afastei apoiando gentilmente a mão em seu tórax despido, sentindo que ali havia o colar que eu a tinha presenteado. A bailarina de ouro e zircônio.

-Te vejo por aí. –Disse com um sorriso irônico e saiu passo sobre passo com seus cabelos soltos no vento cruel do Canadá. Depois que fechei a porta, tudo o que pensei a respeito daquilo foi como ela sentiria frio com aquelas roupas minúsculas.

Quando Naruto chegou do hospital, exausto e sobrecarregado de estresse, o máximo que disse para ele foi ‘Depois precisamos conversar. Precisarei de sua ajuda para fazer algo às pressas’. Ele me olhou de um jeito estranho, pensei que fosse me bombardear de sermões por estar sendo cobrado até mesmo em casa pelo amigo mais íntimo. Era bem assim, todo santo dia, mas eu não o culpava, ser médico era realmente uma profissão cansativa que levava todos à loucura. Me surpreendi quando ele deu um meio sorriso e perguntou ‘É o que eu estou pensando?’ e desenhou no ar um símbolo sinuoso. Balancei a cabeça afirmativo, tímido e rindo um pouco, logo não segurando uma gargalhada quando Naruto pulou em cima de mim.

-Sai de mim seu viado! Ainda estou dolorido daqueles murros que me deu!

-Valeram a pena! –Retrucou se levantando e jogando uma almofada na minha cabeça.

Isso significava que eu estava fazendo certo. Se fazia Naruto feliz, fazia eu e o resto do mundo feliz, então foda-se os ‘mas’, agora é hora de agir.

Notas finais
Oh my God! Leitoras curiosas vão me decapitar pelo mistério! Desculpa meninas, faz parte... kkk
reviews?