A Hóspede
47 Just do it
Notas iniciais
ESTE É CERTAMENTE O ANTI PENÚLTIMO CAPÍTULO!
Agora sim.. preparem os corações hospedeiras...
Leiam mais esse capítulo!
Até mais!
–Naruto. –Chamei.
–Hã?
–Me avisa quando for a hora de dar continuidade.
–Ah, amanhã de manhã certamente. –Respondeu o loiro de forma atinada, o que o deixava mais engraçado do que naturalmente era.
–Continuidade ao que? –Pergunto Hinata curiosa.
–Coisas de homem. –Respondeu Naruto dando a mão para eu bater e mesmo dirigindo retribui o gesto, não por lealdade, mas por ter absoluta certeza de que isso deixaria Hinata vermelha de raiva.
–Ha ha ha! Muito engraçadinho os dois viadinhos de colegial de segredos para lá e para cá. –Zombou a morena. –Seja o que for, vocês dois caíram no meu conceito(não conta o Sasuke que sempre teve créditos negativos comigo), isso só acrescenta mais o meu rancor mórbido pelas vossas senhorias. –Disse cheia de vaidade não atingindo meu ego inflado, como o esperado, porém Naruto era um caso a parte, fez broxar toda a pose de bad boy em um segundo.
–Mas o que eu fiz Hinata?! –Perguntou injuriado.
–Nada. Não fez nada. Por isso que estou brava com você. –Naruto me olhou inconformado e eu, como um bom amigo em busca de distração, mirei Hinata pelo retrovisor certo do que ela queria dizer com aquilo.
–Está magoada com o Naruto por ele não ter feito nada para você, estou certo? –Sorri triunfante.
–Não se intrometa seu verme inútil! –Grasnou. Decidi não abrir mais a boca até chegar em casa. –O que acha Naruto? Anda? Use um pouco da sua inteligência!
–Está magoada comigo porque eu não fiz nada para você, é isso? –Perguntou encolhido, me olhando de canto de olho.
–Talvez. –Respondeu a mulher se acomodando no banco de trás, com os braços cruzados e olhar distante. Isso me confundiu, porque não sabia com o quê ela estava realmente triste naquele momento: com Naruto ou com Sakura.
–Querida, não fique zangada comigo. Nós temos todo o tempo do mundo para nos resolvermos e nos amarmos, sem contar que sabemos mais do que tudo o que sentimos pelo outro, não é um anel ou uma declaração que vai fortalecer o que já está estável, mas se assim pensar, não tem problema, podemos resolver isso o mais breve possível.
–Está se referindo a mesma coisa que eu? –Perguntou Hinata alarmada.
–Bem... o que você quis dizer?
–Eu perguntei primeiro, responda!
–Ah, eh, sobre compromisso mais sério do que um namoro sério.
–E você sabe que compromisso é esse? –Perguntou mais ansiosa.
–É noivado... certo? –Me olhou para confirmar e até hoje me pergunto por quê afinal eu mais do que mostrei ao longo da minha vida pacata que sou um desastre em relacionamentos, também pouco conheço dessa hierarquia da qual ou fazia parte –ou não.
–Certo. –Confirmou. –Estava se referindo a noivado?
–Sim! Qual a surpresa?
–Para o carro! –Não ousei desobedecer. –Também sabe que noivos estão almejando casório, não sabe? –Sentia que a qualquer momento ela sairia dos bancos de trás e pularia no colo do Naruto.
–Sei.
–Então você estava referindo que...
–Porra! Eu me caso com você, agora chega de... –Hinata pegou o seu pescoço e virou para ela, o beijando descontroladamente, quando que por cima de mim. Agradecia a Deus por estarmos parados ou já teria perdido o controle do carro.
E foi assim que o casal Naruto e Hinata viveram felizes para sempre.
Fim.
Brincadeira!!!
Como Naruto havia me indicado, na manhã seguinte, fui no quarto dele com o celular. Hinata já havia saído para trabalhar e ele recebeu o dia de folga pelos plantões que fizera ao longo da semana.
–E agora? –Perguntei.
–Manda para o número dela com o código do país e do estado.
–Faz aí que eu não sei mexer nesse troço! –Entreguei para ele impaciente.
–Nossa!!! Ela vai surtar quando ver!!! –Falou animado, pulando na cama.
–Já mandou? –Perguntei irrequieto.
–Calma! Também não é assim, vapt-vupt! –Explicou. –Agora entendo porque você passou a vida toda sem ter um celular!
–Cala a boca. –Depois de uns minutos recebemos a mensagem de entrega concluída, assim me apressei. –E agora? É a parte em que eu vou falar com Itachi?
–Sim. –Confirmou. –Não faça essa cara, Sasuke. Prevíamos isso desde quando planejamos tudo.
–É que... eu ainda acreditava que ela poderia ficar, pois ela disse e...
–No desespero dizemos coisas absurdas. Lembra do que eu te disse? Prendê-la aqui só vai atrasar a vida particular dela. Sakura não é como sua mãe que dedicou a vida absolutamente para o marido e os filhos, ela tem sonhos e precisa correr atrás deles. Viver a mercê de um homem realizado e amigos como eu e Hinata não é agradável. –Falou. –Digo isso porque Hinata e eu quase terminarmos por conta da diferença de status que tínhamos. Hoje estamos praticamente no mesmo patamar e não nos sentimos inferiores um em relação ao outro. Eu entendo Sakura, você também deveria.
–Eu entendo. Já falamos sobre isso.
–Eu sei, me desculpe ser tão repetitivo, mas é que me preocupo com você. Me sinto na obrigação de lembrá-lo que não há uma única forma de enxergar as coisas: a sua. Talvez entenda como que são essas coisas sob a visão de uma pessoa de fora.
–Humm.
–Agora precisamos ir ver com Itachi como vai ser.
–E depois do Itachi?
–Aí só vai depender do que conseguirmos lá. Temos duas possibilidade: saímos do hospital e vamos comprar sua passagem para Londres ou voltamos para casa e vemos um filme clássico dos anos 50 tomando cerveja e conversando trivialidades.
–A primeira possibilidade é melhor.
–Tenho lá minhas dúvidas. –Rimos. –Agora vamos.
_.o0o._
[...]
–Entendeu? –Perguntou Naruto. Ele meneou a cabeça afirmativamente. Tinha nas mãos um pequeno pedaço de corda onde atava e desatava frouxos nós, estimulando os nervos de suas mãos. Estava escorado na porta olhando sua feição atenta as palavras de Naruto. Me senti angustiado pois o tratávamos como uma criança a julgar sua situação, mas apesar de seu estado ele nos entendia perfeitamente. Quando Naruto terminou de explicar tudo, Itachi me chamou para de junto dele e eu fui, lentamente, me sentando no espaço livre da cama.
–Verdadeiro o falso? –Perguntou.
–Verdadeiro. –Sua expressão não se alterou. –Mas veja, não será muito diferente de como quando estou aqui! Em vez de vir três ou quatro vezes por semana, eu virei em quinzenas, em compensação irei passar o tempo todo com você em vez de quinze a trinta minutos como costumo. –Ele deu um meio sorriso. –Em quinze dias muita coisa pode acontecer. Imagina minha surpresa toda quinzena ao ver o quanto você evoluiu?! Eu ficaria abobado! –Ele riu. –Talvez, se me permitir ir, quando eu voltar você estará movimentando os braços e poderá me abraçar antes que eu vá novamente. Não ia ser maravilhoso? –Sorriu, abaixando o olhar.
–Promete?
–Prometo. Juro. Garanto. –Reforcei. –Não estou deixando você, nunca seria capaz de fazer isso justo agora que o recuperei. Tê-lo de volta foi um dos maiores presentes que Deus já me deu e eu não desperdiçaria isso por nada! –Choramos. –Eu te amo irmão. –O abracei.
–Amo você. –Respondeu. Naruto pegou seus braços inertes e os envolveu em meu corpo. Aquilo era o mais próximo que chegaríamos de um abraço mútuo. Fiquei muito tempo assim com ele, até que a enfermeira Temari nos interrompeu, pois era a hora do almoço e dos remédios de Itachi. Naruto comprou nosso ‘almoço’ na lanchonete do hospital e então comemos os três juntos, naquele quarto exageradamente branco e espaçoso. A TV ligada poupava o silêncio que fazíamos, mas meu coração batia pesado o suficiente para tirar minha atenção de tudo isso.
Deixei com ele com o meu casaco e o colar dele que eu guardava havia anos, mas esquecera de devolver desde que ele recobrara a consciência. Com a possibilidade mais afável concretizada, lá se foi Naruto e eu rumo ao aeroporto cantando ‘Knockin on heavens door’ de Guns n Roses. Choramos um pouco ao lembrar dos nossos velhos tempos de colegial e infância, do acidente de Itachi e do velório dolente de minha mãe.
Aquele dia meu pai quase se matou com uma garrafa de cerveja quebrada.
Naruto saiu do Japão e foi para o Alasca só pela causa. Ficou uma semana. Uma das piores semanas da minha vida. Quando ele foi embora, eu me permiti chorar pelos cantos quando meu pai não estivesse. Acreditava que se me mantivesse forte, meu pai ficaria instigado a se recuperar da depressão e do vício. Isso nunca aconteceu. Fadado daquela situação melancólica, quando atingi a maior idade migrei para Ottawa a pedido de meu fiel empresário Kakashi que também providenciou o encaminhamento de Itachi para um hospital mais desenvolvido nos Estados Unidos.
Eram lembranças tristes, mas eu não poderia renegá-las do meu passado. Elas estavam costuradas na minha pela, pode-se assim dizer.
–Obrigada, Naruto. –Disse com um sorriso espontâneo, raro no meu rosto.
–Não agradeça. Compre a porcaria da passagem e vamos para casa beber! –Falou animado.
–Idiota!
Sakura’s POV on~
1 semana depois
Havia se passado meia hora e eu não tinha percebido. Desde o dia em que cheguei no país, perdia a noção do tempo sentada no balanço girando de um lado para o outro, sem nunca ficar tonta. As cordas do brinquedo já estavam meio gastas de todas as vezes que eu as torcia na minha aflição e tédio. Londres não era a mesma ou eu estava muito velha para ela. A segunda opção é mais provável, eu sei, mas é horrível aceitar essa possibilidade, então coloco culpa na cidade e me isolo no espaço infantil do prédio onde minha mãe reside(onde também eu estava temporariamente hospedada, parece que para o resto da minha vida eu serei a hóspede). O mais impressionante daquele recinto é que não havia crianças. Os brinquedos estavam terminalmente abandonados se não fosse por mim dá-lhes um pouco de utilidade.
O anel cintilava no meu dedo conforme a luz do sol batia em sua superfície rígida. Era uma pedra geométrica na cor de um rosa transparente. Era inevitável olhar para a joia e não me lembrar de Sasuke e do momento quando ele a colocou em meu dedo, parecia ter sido há muito tempo, mas se passara apenas uma semana. Logo o balanço parava de girar e me dava conta de que novamente fracassara no objetivo de não mais chorar por conta disso: pegava meu celular e contemplava a imagem do papel de parede, o que me deixava aos prantos.
Isso me leva a imaginar com exatidão quantas pessoas no mundo fariam isso por uma outra completamente estranha em sua vida. Sasuke era a exceção das exceções.
–Hora do chá. –Anunciou a voz conhecida e imponente. Passei rapidamente por ela, torcendo para que não notasse o meu estado, mas fui forçada a subir pelo elevador junto a ela que não hesitou em quebrar o silêncio. –Não sabe como se parece com seu pai. –A olhei. –Uma tola por coisas abstratas. –Preferi me calar ao invés de respondê-la em defesa ao meu pai. –Devia temer isso.
–Por quê?
–Ora, seu pai não foi muito longe com essas ideias utópicas e fantasiosas, não é a toa que se encontra no mesmo mar de fracasso que ele. –O elevador abriu e ela saiu, só depois de digerir aquilo que dei o primeiro passo para fora em direção ao apartamento.
–Uma suja falando do mal lavado. –Fechei a porta atrás de mim.
–O que disse? –Se voltou a mim.
–Você muito bem escutara mamãe.
–Devia pensar muito antes de me desrespeitar. Depois de todos os seus erros e desapontamentos eu continuo persistindo em sua felicidade, o mínimo que me deve é respeito, o mínimo que me deve e o máximo que exijo.
–Não estou faltando com respeito com a senhora mamãe. –Expliquei. –Só disse que você enche o peito para falar de mim e do papai e não olha para o próprio umbigo.
–Diferente dos dois eu alcancei meus objetivos independente dos outros, os dois nem com ajuda se ajustaram na vida.
–Estava nos seus planos vir para o retiro de artistas e viver de fumo e bebidas, sozinha e esquecida?
–Como estou agora não vem ao caso, é um particular meu. Digo, aproveitei minha juventude com o que eu deveria e triunfei, você está parada no tempo, acha que ainda tem seus belos vinte anos e que pode concertar toda a sua vida.
–Então por que me convencera a voltar, hã? Se acha que vou ser um estorvo dos outros para o resto da vida, por que me convenceu a voltar e tentar aqui conseguir algo de rentável?
–Queria você de volta aqui, mas não exatamente para se ajeitar e sim para um mero capricho meu. Não é fácil para uma mãe viver longe da única filha nunca solidão sem fim. A história de se estabelecer é lucro. –Eu não acreditava numa coisa daquela. Tava demorando para ela tirar a máscara e se revalar a mesma vaidosa, orgulhosa e egoísta de sempre. –Por que é que está assim chorosa? Vai me dizer que se magoou? –Perguntou com desdém. -Ora, filha, não se zangue. Quando tiver um filho vai me entender. –Acendeu um cigarro.
–Se meu filho tiver sorte, eu nunca vou entender. –E saí.
Fui para o a estação de trem andar, pensar, chorar sem ser incomodada. Minha mãe sabia que eu estaria lá, era para onde eu sempre ia quando estava muito chateada. Sentia-me uma completa idiota em ter acreditado que minha mãe queria mesmo que eu me resolvesse, que ela queria o melhor para mim. Era tudo sobre ela. Tinha medo de ficar sozinha. Nisso eu a entendia, era assustadora a ideia de dia após dia olhar par o lado e mirar um vazio. Mesmo assim, foi errado o que ela fez porque eu tinha uma vida em Ottawa, uma vida pacata, mas eu tinha. Como tinha ela o direito de me tirar isso também?
Sentei em um dos bancos, perdida nos meus devaneios e lágrimas, estava muito emotiva. Culpava a TPM e o fuso horário mesmo sabendo que eram saudades de casa o que me deixava tão infeliz. O Canadá se tornou minha casa. Não importa se nasci no Japão ou se fui criada na Inglaterra, meu lugar sempre será lá.
Como uma morfina para essa melancolia, peguei o celular e comecei a ver as fotos, logo acalmando aquela sensação de solidão que eu sentia, isso já se tornara um ritual. Dentre todas as trezentas e tantas fotos que eu tinha, havia uma, somente uma que ficava dando o ar de sua graça mais tempo do que as outras no visor: a do quadro.
Lembro-me de que recebera a mensagem enquanto dançava, a visualizei muito tempo depois quando fiz uma pausa para descansar. Inevitável foi não chorar com aquilo. Sasuke era sem dúvidas o homem da minha vida, o melhor do mundo, do universo... De tudo! Como eu o amava! Mal me recordava do quadro, a menos quando ele mencionara no hospital, ainda assim não botava fé que ele terminasse, afinal, não havia razões que o instigasse a se dedicar horas e horas em uma pintura de uma mulher estranha que o rejeitara não só uma, mas duas vezes!
Pensando assim, percebia o quão injusta eu fora o tempo todo com ele que, mesmo certo, sempre vinha atrás de mim. Sempre cedendo aos meus caprichos e excessos de orgulho. Ora, eu não o merecia, mas do jeito que eu estava apaixonada por ele, merecendo ou não, eu o teria, nem que para isso eu tivesse que trabalhar e estudar o resto da minha vida, eu irei tê-lo. Só rezo para ele me esperar com o coração intacto.
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