A Hóspede

48 Sã e salva


Notas iniciais
Penúltimo capítulo >
O próximo vai demorar um pouquinho pois estou revendo pequenos detalhes.
Malz pelo capítulo pequeno, mas é o que tem para hoje e eu não tava afim de revelar nada além disso, de um conforto para vocês que torcem por Sasusaku nessa fic.
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Boa leitura

Meus devaneios foram interrompidos pelo toque do celular, tirando minha pintura da tela e exibindo o número estrangeiro sem foto nem nome de identificação. Não precisava, sabia o número de cor e salteado para marcar na agenda. Sorri bobamente, me levantando com o telefone na orelha.

-Alô? –Disse por costume.

-Como as pessoas daqui são apressadas! –Disse. –Quase fui atropelado no aeroporto!

-Do que está falando?! –Perguntei ingenuamente, ligando os pontos mas descordando dos resultados. Eu era sonhadora demais para criar teorias e aplicá-las.

-Da Inglaterra, ora! –Falou como se fosse óbvio. –Não me lembro de ter visitado esse país antes, talvez feito escalas, não sei. –Ainda estava raciocinando a respeito, totalmente perdida e confusa. –Se tivesse vindo, com certeza me lembraria dessa correria toda e teria me precatado. –Estava surpresa demais para esboçar qualquer expressão. Uma mão tapava meu rosto que tinha uma careta de tão pasmo enquanto a outra segurava o celular junto a orelha. Havia parado de andar, de respirar, de enxergar... Era um monte de eco na minha cabeça dizendo “Oh my God! Oh my God! Oh my God!”. Se eu não confirmasse toda essa prosa de Sasuke, era certo que eu teria um infarto de tão alarmada que estava.

-Sasuke, você está na Inglaterra?! –Perguntei entre gaguejos que me deixaram vermelha de vergonha, o que foi bobagem, pois ele devia saber que só de imaginá-lo no mesmo continente que eu, era o mesmo que subir aos Céus e voltar num único instante. Talvez fosse até possível ele escutar os gongos do meu coração apenas de ouvir sua voz elegante com um ligeiro sotaque oriental mesclado com francês(que era o inglês comum em algumas partes do Canadá habitadas por imigrantes franceses), enquanto a minha fala tinha fortes traços britânicos. Ele era lindo até por telefone!

-Mais especificamente no London Eye, te esperando. –Tive que apoiar em um poste de sustentação para não cair. Aquilo era demais, era o limite. Pensava que Sasuke não seria louco o bastante para bolar algo mais encantador e romântico do que o anel no meio do aeroporto, porém eu estava enganada. Ri maravilhada, não sabendo o que responder. –Onde está? –Ri, mas dessa vez de graça mesmo.

-Você está em um país estrangeiro, não adiantaria muito eu te dizer onde estou sendo que você mal sabe onde está! –Disse cheia de graça.

-Que seja! Venha até mim. –Disse com sua voz galante. –Rápido, porque tem umas garotas de cabelo da cor de ferrugem acenando para mim. Acho que sou muito bonito para estar sozinho em um lugar tão afrodisíaco! –Dei risada.

-Você é muito convencido! –Repliquei com bom humor.

-Mas você me ama e é isso que importa! –Disse.

-Tenho que concordar. –Saí da estação e peguei um taxi para o centro turístico de Londres, rumo ao Big Bang. –Está mesmo aqui? –Perguntei, ainda aérea, sem crer que Sasuke pudesse ter chegado tão longe por mim.

-No inicio na praça, de sobretudo preto e cachecol vermelho.

-Está lindo.

-Você também deve estar.

-Claro. –Olhei para minhas vestes. –Estou ótima! –Disse irônica, tirando uma risadinha dele. –Nos vemos daqui dez minutos.

-Até mais.

-Beijo. –E então ele desligou. Num instinto adolescente (que não sei de onde eu desenterrei), abracei o celular junto ao corpo tendo espasmos de alegria no banco de trás. Era possível ver o olhar assombrado pelo retrovisor, afinal, os ingleses são muito reservados e educados, mas eu não era naturalmente inglesa então foda-se!, surtei e gritei de felicidade, jogando notas de euro no banco e deixando o veículo antes de chegar no inicio da praça. Fui parar no estremo e de lá corri entre as árvores ainda iluminadas com pisca-pisca azul, onde haviam alguns turista fazendo fotografias e repórteres gravando notícias para o telejornal noturno. O celular tocou por uma segunda vez.

-Cheguei. –Disse ofegante.

-Sim, estou te vendo.

-Mas eu não o vejo. –Disse caminhando ofegante, correndo os olhos por todo o lugar.

-Olhe para frente. –Aconselhou. Olhei, olhei e então vi o pano vermelho preso num pescoço se debatendo com o vento. Caminhei, mais rápido, quase corria de novo e quando sua figura ficou menos turva, parei e logo voltei andar em sua direção. –Olá Sakura. –Disse. Eu já sentia os olhos esquentarem e a boca de entre abrir de felicidade em vê-lo ou apenas um reflexo para o beijo que logo viria. Desligou o celular e guardou em um bolso, fiz o mesmo e quando a distância que nos dividia era razoável, quebrei de vez o espaço indo ao encontro, enlaçando seu pescoço, me sustentando na ponta dos pés.

Mal olhei seu rosto, só me preocupava em segurá-lo e constatar-me de que era real sua presença ali, que eu poderia me apoiar nele, mesmo que por um tempo. Era incrível essa coisa do amor. Só agora eu entendia. Mesmo separados pela imensidão de um oceano, eu o amava fervorosamente, como uma bússola que aponta sempre para o norte. O meu norte era o Sasuke. “Calma, amor”, ele dizia no meu ouvido gentilmente, mas eu não conseguia parar de chorar. Era chato isso, toda vez que eu encontrá-lo me desmoronar em lágrimas, mas eu não podia me conter com aquele excesso de sentimentos, eu transbordava emoções dúbias e abstratas.

Ele me levou para baixo de uma árvore iluminada, segurando meus rostos com delicadeza e eu seus pulsos, como um ato de desespero para ele não se afastar de mim, embora tenha sempre sido eu quem dava o primeiro passo para longe do outro. Como eu era egoísta! Mas como não ser tendo o Sasuke assim a centímetros de mim? Como não? Meu peito a qualquer momento iria explodir de tanto que meu coração pulsava.

-Meu anjo, não precisa chorar, eu estou aqui, não estou? –Disse. –Estou aqui para você!—Secou minhas lágrimas. –Achou que eu fosse deixá-la sozinha depois de tudo? Hã?

-Eu mandei me esperar em Ottawa, eu voltarei no fim do ano se tudo der certo! –Disse com a voz chorosa.

-E se não der?

-Não seja pessimista! –O repreendi, soltando seus pulsos.

-Não sou, só quero encontrar desculpa para estar aqui. –Olhava atenta seu rosto para memorizando cada detalhe. –Não posso ficar no Canadá torcendo para que tudo dê certo sem saber se a veria no natal ou não. Quero estar aqui com você e te dar apoio, por mim e por todos que ficaram lá. Perdoe-me se essa desculpa não lhe for suficiente, porque a verdadeira razão de eu ter vindo é que não consigo mais ficar sem vê-la, eu preciso de você mais do que precisa de mim, incontestavelmente; a principal razão de eu estar aqui é porque te amo muito, mas isso para mim é pouco. –Sorri embriagada com aquelas palavras para as quais eu não teria respostas. –Então, se me permitir, vou ficar aqui com e por você, pois não tenho mais tempo a perder, Sakura. Quero você e quero agora! –Disse cravando as mãos no meu quadril e na cabeça de forma possessiva. Meus olhos nem mais fabricavam lágrimas de tão inchados, me sentia uma Princesa Fiona perto do Sasuke, mas não me privaria do luxo de beijá-lo assim mesmo.

Era um misto de pressa, desejo, fome um do outro, saudades, amor e etc. Era tudo o que um beijo deveria ser, sentido da alma até os ossos. Finalmente estávamos saciados, eu estava feliz junto a ela e ele junto a mim. Ficamos horas trocando carícias e sorrisos naquele mesmo lugar, até um pequeno grupo de músicos franceses tomarem a atenção da praça para uma breve apresentação. Claro que não hesitei em pegar Sasuke para dançar e lá fomos, para um lado e para o outro, ora pisando no pé de um, rindo dos tropeços e movimentos desengonçados dele e rodando até eu ficar tonta.

Quando a temperatura caiu por conta do tardar da noite, fomos para o seu hotel. Era um bom quarto e suas malas estavam espalhadas em um sofá camurçado todo em marrom, fora isso o lugar estava intato. Não era como a primeira vez que transamos onde tudo se resumia em sexo e prazer, não teria o mesmo atrevimento e iniciativa de antes, pois só agi daquele jeito porque imaginava que jamais veria outra vez o sujeito, mas novamente eu estava errada, havia me apaixonado pela criatura, estava sozinha com ele em uma glamourosa suíte com vista para o grande Big Bang. Ele devia ter alimentado uma impressão negativa sobre mim, como ‘promiscua sado-masoquista’(e com razão!), mas eu não era nada disso... Na verdade era muito acanhada.

Tiramos nossos casacos e penduramos de forma organizada, depois de muito fitar um ao outro, começamos com um beijo suave, que foi se aprofundando gradativamente, mais e mais. Quando dei por mim já estava sob os lençóis, nua, com os olhos fixados nos dele e os dele nos meus. Restara zero resquício de dúvidas sobre nosso amor mútuo. Logo quando nossos corpos se uniram me dei conta de que seria impossível viver sem isso. Fechei os olhos em meio ao êxtase e prometi para mim mesma, nunca, jamais, em nenhuma circunstância me afastar do Sasuke novamente, porque só nos braços dele eu me sentia sã e salva do que me assustava:

A solidão.

Sakura’s POV off~

Notas finais
its so sad... We're going to the end...