A Hóspede

27 "Você não é meu príncipe encantado"


Notas iniciais
4º da noite

-Sasuke Uchiha. –Dali, a vi se espantar, levar a mão livre à boca e se curvar, sentando-se na cadeira. Demorou a me responder. Eu via como ela estava surpresa, não esperava essa reação, mas fora esta a reação que ela teve. Pior seria se ela não tivesse atendido. Pior seria se ela desligasse agora.

-Sasuke? É você? –Perguntou incrédula. Meu alívio ao ouvir sua resposta depois de infinitos segundos foi de uma magnitude tão grande que não coube no meu rosto o sorriso de pura felicidade. Naquela hora eu acreditei no Espírito de Natal e acreditei que sim, ele faz milagres! Não pensei em mais nada, fiquei tolo a olhando de longe, com a cabeça apoiada no cotovelo, esperando uma resposta minha.

-Sim. Sou eu Sakura. –Respondi tentando disfarçar minha voz de menino pançudo depois de ganhar um pedaço de bolo. Ainda temia suas respostas e um possível desprezo.

-Nossa, estou surpresa! Pensei que jamais nos falaríamos. –Falou com um pesar na voz.

-Resolvi te procurar e, felizmente te achei.

-Que bom. Estou feliz em ter encontrado um contato entre nós. De longe a vi sorrir, timidamente, enquanto brincava com o saleiro.

-Precisamos conversar. –Falei dando as costas à cafeteria e entrando na loja de flores.

-Sobre?

-É algo a ser discutido rosto a rosto.

-Sexo? Porque se for, vou deixando claro que não sou uma puta para qual você liga e eu vou engatinhando ao seu encontro. –Aquilo me assombrou. Longe de mim pensar isso dela. É claro que eu a desejava de todas as formas puras e pervertidas existentes, mas no momento, eu só queria conversar com ela.

-Não disso isso.

-Então o que quer discutir?

-Algo para se discutir pessoalmente.

-Está me chamando para sair?

-Estou dizendo que quero olhar nos seus olhos quando estiver falando com você. –Encolhi um buquê com uma flor vermelha que parecia rosas mesmo, se era não prestei atenção, estava muito nervoso. –Por que está tão seca?

-Se eu te disser o porque, você ficará como eu, ou pior.

-Me conte. Talvez eu possa fazer algo a respeito.

-Sasuke, não é hora nem lugar para falarmos de assuntos pessoais, entende?

-Eu sei, por isso mesmo quero te ver. Agora!

-O que aconteceu naquele dia foi um erro. Sei que você também pensa o mesmo.

-De jeito nenhum! Foi uma das melhores coisas que me aconteceu! –Paguei as rosas e saí apressado. Olhei através da vitrine da cafeteria e ela continuava lá, sentada.

-Não minta!

-Não estou mentindo.

-Como posso saber?

-Eu liguei para você, não liguei? Estou correndo atrás. É porque para mim você teve um valor indescritível.

-A ultima vez que te vi ainda está queimando na minha cabeça, me atordoando.

-Porque foi ruim?

-Porque foi bom demais para ser real.

-Vamos fazer isso ser real.

-Sasuke, você não é meu príncipe encantado, não me faça acreditar nisso!

-Sakura, eu fiquei encantado em te conhecer. Vou insistir nisso até que me dê permissão para entrar nessa cafeteria e sentar ao seu lado e dizer o quanto senti sua falta. –Instantaneamente ela virou a cabeça para o lado, através da vitrine e levou a mão à boca, levantando cautelosa, lentamente, como se quisesse evitar qualquer ruído. Sorri.

Desliguei o telefone, o joguei dentro do carro pela janela aberta. Ela fez o mesmo, guardando o celular no bolso, sem deixar de me olhar por um segundo se quer. Caminhei em direção ao local onde ela se encontrava, empurrei a porta de carvalho, com um vidro bem acabado em letras douradas. Ela não saíra de onde estava, só se virou de frente para mim e buscou meus olhos maravilhados ao vê-la a menos de meio metro de mim.