A Hóspede
20 Novos hábitos
Notas iniciais
Aviso à vocês(se é que há leitores contra o homossexualismo)desde já que este capítulo é dedicado ao grupo gay. Na página principal na fic, nos gêneros, eu já havia colocado essa categoria mas não tenho certeza se todos lembram.
Enfim. Vim avisar porque há pessoas contra que não gostam e eu respeito isso, portanto, podem ler até verem este (_.o0o._) sinal e passar para o próximo capítulo pois o restante naõ será de seu agrado.
Da mesma forma que respeito seus princípios, desejo ser respeitada, por isso aviso desde já para eu não tombar com reviews desagradáveis.
Não sei se tenho leitores contra, mesmo assim, em respeito a todos você achei melhor avisar ^^
Desculpa qualquer coisa e aproveitem!
Já se passou uma semana desde que Sakura se foi, e, detesto admitir isso, mas em vez daquele sentimento estranho desaparecer, só aumentou e veio acompanhado de uma dor que eu conhecia bem: saudade.
Foram apenas dois dias? Parece que a conheço desde sempre. De repente me senti velho e sem futuro, sem novidade. Tenho uma boa casa, uma boa profissão, um bom salário... só não tenho alguém com quem eu possa desfrutar isso.
Não nevava havia alguns dias, não muitos, não contei. As estalagmites de gelo penduradas nas calhas da varanda caiam de hora em hora me trazendo pequenos sustos que me faziam praguejar essa estação tão inanimada e lívida. Levantei do sofá com uma preguiça incalculável, tão grande que apagava todos os outros sete pecados que me constituem; coloquei meus tênis e um moletom largo, fones de ouvido com o volume médio na música Sweet Dreams(Are made of this), decidi sair da esteira e correr de verdade, ver pessoas com suas vidas, sentir o vento gelado que não ultrapassa as paredes de minha pequena grande casa, me mostrar, me distrair acima de tudo. Fechei a porta e parei na calçada. Para que lado ir?
O lado direito me lembrava ela(até isso!). Ora, não poderia ficar pensando desse jeito ou jamais iria naquela direção ‘por lembra a partida da Sakura’. Fui pela direita; ganhei ritmo; perto da esquina me lembrei automaticamente do ocorrido.
“Ela se virou. Tinha os olhos marejados, o rosto vermelho, estava chorando. Sorriu ao me ver. Fiz o mesmo, então, corri para abraçá-la. Ficamos assim por uns minutos. A beijei guardando cada pedacinho dela. Um beijo intenso, urgente, asfixiante, me deixou sem ar. Parei para respirar. Sequei as lágrimas do rosto divino dela e sussurrei. –Precisava disso para poder deixá-la ir. A soltei e fui me afastando, ainda sorrindo. –Adeus, meu anjo! –Ela não disse nada. Mandou um beijo e virou a esquina correndo.”
Parei. Tirei os fones de ouvido e fiquei pensando em nada, em tudo. Eu nem sabia o que se passava na minha cabeça, só conseguia ver aquela cena sendo revivida, como se fosse a melhor parte de um filme sendo reproduzida de novo, de novo e de novo, sem poder ser alterada. Isso que me matava por dentro.
-Bom dia! –Um velho muito velho acenou de cima de uma bicicleta. Um bicicleta que passou a 878 km/h pela rua(modo exagerado ligado). Isso me distraiu da distração, me levou para outra distração mais distraída do que todas as outras somadas: para que lado ir?
Dei meia volta e recomecei, colocando os fones de ouvido e trocando a música para algo mais atual (Numb – Linkin Park). Tinha que fugir do que me lembrava ela, do que me levava à ela, tinha que manter distância disso ou esse incômodo que está me perturbando desde que ela se foi nunca irá se dissipar por completo, continuará sendo uma ferida ali exposta, incurável e constante. Não seria covardia minha, eu tentei, usei tudo o que tinha e um pouco mais, criei possibilidades e confiança para abrir meu coração e acabei assim. Chega! Essa brincadeira não tem graça e eu entrei sabendo disso!
Corri por cerca de uma hora em volta do quarteirão todo, o que era muito. Estava suado, exausto e faminto, louco para tomar um banho demorado, comer alguns pães com manteiga e dormir a tarde toda se possível. Que vida boa essa a minha! Deus foi muito generoso comigo, nem sei como retribuí-lo, sou um ingrato, que triste.
Antes de entrar em casa peguei as correspondências. Contas, contas, diagnósticos do hospital de Itachi, mais contas, propaganda e convite. Este me interessou mais do que os outros. Abri, li e deixei em um canto. Sim, poderia ser algo interessante, mas não tão incitante quanto deitar nesse sofá e dormir até que os olhos se abram por conta própria. Apesar da preguiça, tomei minha decisão:
-Tenten?
-Sim, quem gostaria? –Perguntou a mulher de voz fina.
-Ah, aqui é o Sasuke. Queria que viesse cuidar de umas coisas em casa... –Disse partindo os pães e passando manteiga.
-Quando?
-Hoje.
-Hoje? Não sei...
-Pago o dobro. Não vou passar a noite aqui então pode trazer quem quiser para fazer companhia.
-Está bem. Chego aí em duas horas. –Desliguei o telefone antes que ela puxasse assunto ou perguntasse algo desnecessário.
Pela primeira vez na minha carreira de compositor eu ia comparecer em um evento de premiação, também, só ia porque Naruto iria, esta era uma rara oportunidade de vê-lo.
Tomei um banho e alguns energéticos, vesti com traje social, terno esportivo com a gola aberta, só para não parecer muito formal. Sou um homem sério, mas prefiro transparecer minhas seriedade pelo meu jeito de ser e de agir, não por minhas roupas. Não visto um terno bem abotoado e com gravata se não houver uma necessidade absurda.
Escrevi um bilhete com as tarefas de Tenten, minhas empregada mensal, e peguei meus documentos. Destino? Berlim, Alemanha. Olha em que roubada eu fui me meter! Vou pra Europa assistir um monte de desocupados entregar prêmios para outros desocupados, que divertido... No convite, constava meu nome e cortesia de mais um acompanhante, óbvio que eu pensei nela, óbvio que isso seria impossível então já me desiludi. De repente, fiquei com uma preocupação tremenda em relação ao Naruto: será que ele levaria acompanhante? E se fosse mulher? Eu ia ficar de vela dele? E se fosse homem? Seria aqueles americanos idiotas que não medem as palavras? Eu compraria uma briga fácil com um idiota desses, em rede nacional, mundial ou universal, não interessa! Ando guardando muitos sentimentos negativos dentro de mim, seria saudável se eu descarregasse um pouco na cara de qualquer imbecil que falar mais do que deve.
Eu gostaria de estar levando ela. Gostaria de estar com ela onde quer que fosse, aqui em casa, numa cafeteria ou nessa premiação musical idiota. Já, já essa vontade passa e vou esquecê-la. Vai ser fácil.
Peguei um taxi até o aeroporto e embarquei sem muitas delongas. Enquanto o avião pegava altitude, fiquei pensando em que lugar da grande Ottawa ela poderia estar. Cafeterias. Cabarés. Plataforma do metrô. Onde ela estaria? Em quem estaria pensando? Não estava afim de procurá-la e mesmo que quisesse, teria de ir de cafeteria em cafeteria e de bar em bar procurá-la; ficaria hiperativo e bêbado, mas não a encontraria, apesar de que, não deve haver uma dúzia de Sakuras na cidade, estamos no Canadá e não no Japão, lá sim seria difícil de encontrá-la, todas as meninas se chamam Sakura praticamente.
._.o0o._.
Cheguei em Berlim depois de algumas horas, peguei o primeiro taxi que achei e fui para o evento, na Universal com certeza e, eu já estava atrasado. Mostrei o convite e minhas identidades na portaria e entrei para a premiação.
Maldita Britney! Maldita música que fiz para ela! Tomara que ela perca porque se ela ganhar, eu vou ficar famoso pela letra e melodia que compus, aí os interessados no meu ‘talento’ vão cair em cima do meu empresário, vou ficar com mais trabalho e fama, o que eu to evitando com todas as minhas forças.
Tive que ser fotografado, mas não muito porque poucos eram os que me conheciam, ainda bem. De longe já pude ver a cabeleira loira de Naruto conversando com o meu empresário, Kakashi. O que invadiu o meu peito foi algo inexplicável, ou quase. Seria felicidade em ver alguém tão familiar? Me senti incluído, parte de algo como uma família. Ele era minha família. Acho que isso descreve superficialmente o que senti.
-Sasuke! –Ele se levantou e me abraçou fortemente, fiz o mesmo, só que mais forte ainda. No fundo, eu queria chorar por estar com alguém que fez parte do meu passado, mas eu não podia, tanto por isso ser estranho quanto por eu estar rodeado de câmeras. O que iriam pensar de mim? ‘É uma gay se assumindo pro amigo que vai comer mais tarde!’. Odeio câmeras. Odeio estar rodeado de gente.
-Cara, tu tá ficando importante! –Disse batendo nas minhas costas.
-Não tanto quanto você, curando pessoas. Admiro sua profissão, mas confesso que tenho náuseas só de imaginar o que você vê todos os dias! –Falei me sentando.
-Com o tempo você fica irrelevante a tudo, mas demora um pouco. –Tomei um gole de cidra. –Por que demorou tanto? Está mais de horas atrasado.
-Saí do Canadá! Não poderia chegar aqui em quinze minutos né? Ainda tive que tirar visto, fazer check in e um monte de coisas, pensei que nem ia chegar a tempo de participar do evento.
-Pensei que estava com a hóspede doca. –Riu e olhou pro meu empresário que nem se pronunciava e nem iria. Ele era muito estranho.
-Tá aí no mundo... –Respondi indiferente.
-Como assim? Terminaram? –Perguntou o loiro um tanto curioso.
-Nunca chegamos a começar um relacionamento! Foi só...
-Sexo casual. –Completou o loiro com uma expressão séria. –Sasuke, pelo que você disse no telefone, gostou dela e gostou do que ela fazia com você. Achar uma mulher compatível com suas exigências é uma raridade! –Lá vem os sermões... –Veja, ambos estamos com vinte e cinco anos, não acha que estamos prontos para ir em busca de uma mulher para ficarmos juntos até ficarmos velhos?
-Acho que você está pronto, eu não, e nem quero estar. Acho que estou bem sozinho.
-Não pensa em ter filhos nem uma mulher para amar?
-Não gosto de crianças. Mulheres são úteis, mas são irritantes. Não preciso de mais problemas.
-Que problemas você tem? Nenhum! Assim como não tem ninguém. No futuro vai precisar que alguém cuide de você, ou quer ficar como o seu irmão?
-Não fale do meu irmão! –Me alterei. Odeio lembrar de Itachi. Odeio a dor da culpa que tenho. Não quero que toquem nessa ferida que ainda arde, não superei isso. O semblante dele continuou sério e inalterado em relação a minha advertência.
-Eu só me preocupo com o meu amigo. –Justificou com a voz baixa.
-Agradeço, mas não há necessidade de se preocupar, entende?
-Não, não entendo, mas respeito sua vontade! –Sorriu.
-Welcome to MVA...
-Boa sorte! –Sussurrou animado novamente. Como é impressionante essa flexibilidade dele... Muda de humor como pisca os olhos anis, queria ter essa capacidade.
-Obrigada, idiota! –Falei com um típico sorriso forçado. Kakashi apenas tossiu e prestou atenção na apresentadora do evento, é perceptível o desinteresse dele por assuntos pessoais, não sei que milagre encontrei ele conversando com Naruto!
E assim começou o show de horrores do qual eu fazia parte.
Sakura’ POV on~
-Sakura , começou a premiação! –Gritou Ino do seu quarto.
-Já vou! –Estava no balcão da cozinha com um calendário e um calculadora fazendo a mesma conta havia meia hora. Apesar de tudo, estava calma, com certeza estava fazendo algo errado, nunca fui boa com números. Logo Hinata chegou do trabalho para resolver minha vida.
-Boa noite... –Fechou a porta e pendurou o casado no pequeno hall.
-Hinata, querida, como foi seu d...
-Ok, pode falar. O que você quer? –Me interrompeu já notando o verdadeiro interesse que eu tinha por trás dessa falsa simpatia.
-Ajuda com contas! –Revelei meio envergonhada. –Tabelinha. Para ser mais especifica. –Ela me olhou desconfiada e se sentou ao meu lado deixando a bolsa no chão.
-O que quer saber?
-Período fértil e essas coisas toda. –Disse baixinho para Ino não ouvir.
-Sakura, o que você aprontou?!
-Xiii! –Pedi silêncio. –Não aprontei nada, só quero saber para me prevenir, sabe?
-Sua mãe não te ensinou essas coisas, não? –Perguntou desconfiada.
-Claro que sim, mas isso já tem tempo... Não vou lembrar disso para o resto da vida. –Ela concordou ainda suspeita e pegou uma caneta.
-Ultima vez?
-Do que?
-Que veio!!!
-Ah, vinte e três de novembro.
-Próxima?
-Vinte ou vinte e um desse mês.
-Do dia trinta à quatorze desse mês você engravidaria. Entendeu o esquema? –Perguntou se referindo aos rabiscos que fez no calendário.
-Entendi. –Respondi pensativa.
-Sakura. –Começou séria. –Quando dormiu com o moreno lá, você usou camisinha. Certo?
-C-claro! Claro, por que não usaria? –Menti.
-Só perguntei porque... caso você vacilou, vai se fuder sozinha porque nem endereço do cara você tem!
-Eu sei Hinata! Acha que eu dormiria com um homem que nem conheço sem me prevenir?
-Não. Você tem juízo, eu sei. –Sorriu afagando meus cabelos. Eu odiava mentir para a Hinata, fazer pose de boa moça sendo que era uma desleixada por esquecer de algo tão importante.
-Ahhhhhh!!! –Ino gritou como uma louca. Corri rapidamente para o quarto dele com a Hinata. –Britney Spears ganhou o prêmio de melhor música!!! –Que ódio que fiquei! Pulei em cima dela com a Hinata para espancá-la pelo susto que nos deu, só que o que eu vi na televisão me assustou mais ainda.
-Sasuke? –Deixei escapar da minha boca.
-Hã? –Ino ficou confusa.
-Meninas, é o Sasuke! O Sasuke! –Gritei apontando para o moreno na TV, sentado, todo indiferente aos aplausos. –É o Sasuke, o cara que me hospedou! –Meu coração parecia um barco a vapor!
-Você falou que o cara era foda, mas não mencionou que ele estava nesse nível de poder baby! –Falou Ino indignada.
-É um homem e tanto! –Fuzilei Hinata com os olhos e logo voltei minha atenção à TV. As câmeras já haviam mudado de foco.
-Como você não pega nem o twitter de um cara rico e gostoso como esse?! –Pergunta Ino furiosa, como se o problema a afetasse frontalmente. –Eu poderia te matar agora! –Dei os ombros e me deitei na cama ao lado dela, independente das ameaças de morte.
-Dessa vez você vacilou, Sakura! –Colaborou minha grande amiga Hinata, deitando-se ao meu lado.
-Hinata, não preciso de seu apoio moral. –Disse irônica. –Preciso de paz, preciso de amor, preciso de paciência, preciso de cigarro, preciso de vodka...
-Precisa se matar isso sim! –Me incentivou Ino. –Um doção daquele eu não deixava escapar nunca!
-Mas Ino, Sakura não é você.
-Percebe-se, porque se fosse ela estava agora na Alemanha beijando aquele pedaço de céu!
-Ei, eu ainda estou aqui! Espera eu dormir para falarem mal de mim! –Falei nervosa.
-Tem razão. Vou esperar você dormir primeiro. –Não era isso que eu queria ouvir.
Já se passara um semana e ele não saiu do meu pensamento em momento nenhum e parece que agora ele está mais presente ainda. Ficou tão lindo de terno! Não parecia a pessoa que acabara de ganhar um prêmio musical internacional, e também não parecia um homem apaixonado sentindo fala de sua outra metade que ele alegava ser eu.
“Cretina! Você acreditou mesmo que um homem desse porte se apaixonaria por uma garçonete qualquer? Você é mesmo muito infantil... Não é à toa que Ino te chama de ‘baby’.”
Passamos a noite vendo filmes de ação e comendo pipoca com cobertura de chocolate, daquelas de sorvete. Ino falava de como Sai, seu novo namorado é um broxa e como o farmacêutico ruivo é gostoso; Hinata só ouve, ri e comenta brevemente o necessário; Eu só falo sobre o trabalho e sobre como Ino é vulgar e materialista; Ino me chama de lésbica e joga cobertura de chocolate no meu cabelo; Eu bato nela e Hinata diz estar excitada com a cena; Eu fico pasma e envergonhada, Ino tem um plano; eu fico assustada e tento sair dos braços de Ino; Hinata sai do quarto e volta com bebidas; Ficamos bêbadas e falamos besteiras; Ino revela seu plano; Ino tira a blusa; Hinata faz o mesmo; Ino me olhou pervertida e me beijou.
...
Santo Cristo! Me perdoe por isto. Jamais pensei que chegaria nesse ponto, mas cheguei. Grande conquista. Oh Lord! Mereço ser excomungada eternamente! Nunca mais tomo hóstia (não tomo há mais de anos mesmo...)! Vou me confessar semana que vem. Vou parar com a bebida, e com o cigarro também... Deus tenha misericórdia! Do que eu não sou capaz quando estou bêbada?
Vou contar o que aconteceu:
Notas finais
é intencional.
Vocês já presumem o que aconteceu não é?
Pois bem, se não gostam do que supõe, leiam apenas os primeiro parágrafos do próximo capítulo e avancem para o próximo.
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