A Hóspede

22 Nada vai mudar


Notas iniciais
Sugestão de músicas
God save the queen - Sex Pistols
She's a genious - Jet
Bad reputation - Joan Jet
Lolipop - Lil Wayne
Kiss me thru the phone - Soulja Boy

-Sua vez Hina! –Disse Ino.

-Deixe-me terminar o que comecei! –Falou balançando o objeto erótico. Ino riu e ficou na mesma posição em que eu estava antes, com as pernas abertas, já a vontade conosco. Eu estava tonta por causa da bebida, logo que desci da cama caí no tapete, o que gerou risos abafados das duas. Me levantei com dificuldades e fui em direção ao banheiro de Ino, tateando os móveis como apoio caso eu caísse novamente. –Onde vai?

-Tomar um banho e dormir, estou exausta e bêbada.

-Amanhã é sábado! –Falou Hinata dando ar de óbvio a frase que se aplicava apenas ao emprego dela.

-Amanhã trabalho na cafeteria...

-Ah Sah! Inventa alguma coisa, você nunca faltou, um dia não vai fazer diferença... Veja, já são 3 a.m., você precisa estar lá daqui três horas, não compensa! –Explicou Ino com expressão de desapontamento.

-Vocês já me abusaram, não era o que queriam? Agora vou dormir. –Disse com um sorriso falso no rosto.

-Ainda não nos abusou. –Lembrou Hinata lançando um olhar subliminar à Ino.

-Esquece! Eu não sei fazer sexo oral se não for em homens!

-Então nos beije. –Sugeriu Ino. Eu estava exausta, mesmo bêbada estava tendo noção do que fazia e apesar de bom, ia ser estranho depois. Ino se levantou e me puxou para cama, mesmo eu dizendo que não queria mais. Ficou na minha frente de quatro e me beijou, explorando minha boca, mesmo sem ter resposta. –Vamos lá... Já começou, termine! –Sussurrou.

Aprofundei o beijo com a mesma intensidade dela, aos poucos fui me integrando àquela loucura, mas de uma forma limitada. Nada a mais que carícias em ambas, que se tocavam de uma forma voraz, promiscua, talvez até experiente para duas jovens hetero. Ou elas vêem muitos vídeos pornôs ou tem de sobra aquele dom mágico chamada ‘instinto’. Instinto lésbico. Haha, que gozado.

Não demorou muito para as duas chegarem ao seu ápice, gargalharam do feito enquanto eu via a cena, tímida, com um sorriso bobo no rosto. Aquilo era estranho e ao mesmo tempo divertido. O que a bebida não faz, hein? Nós três jogamos o corpo para trás, caindo juntas na cama bagunçada, exausta, rindo, eu tímida, Ino orgulhosa e Hinata realizada. Nos cobrimos com o lençol e demos as mãos, olhando pro teto, pensando na melhor coisa para dizer. Acho que não havia nada para dizer e também se houvesse, não seria boa coisa, estávamos bêbadas.

Os cabelos claros de Ino estavam espalhados pelo travesseiro, misturados com os de Hinata, cor de ébano. Três olhos brilhantes mirando um ponto qualquer, tendo um turbilhão de pensamentos, um turbilhão de lembranças dos minutos anteriores. Sim, aquela noite foi memorável. Mas será que iria nos unir mais ainda ou nos afastar? Eu não sabia, só tinha certeza de uma coisa: as duas belas moças ao meu lado tinham o mesmo pensamento.

-Isso não irá se repetir. –Garantiu Ino, ofegante, com uma expressão neutra.

-Não vai sair daqui, certo? –Perguntou Hinata.

-Claro que não! Isso é só entre agente. –Sorriu a loura. –Nosso segredo. Virou o rosto angelical para mim, com seus olhos radiantes de algo que não conseguia decifrar.

-Nada vai mudar entre a gente? –Perguntei me perdendo no turquesa de sua íris delgada como um arco.

-Absolutamente nada! –Certificou com um sorriso doce, daqueles que parecem realmente uma sobremesa para comer de vagarinho. Estranha essa minha comparação, não? Mas era assim que eu me sentia em relação a ela naquele momento. Seu rosto delineado transbordava algo confortante, algo que eu não tinha.

-Menos o seu brinquedinho pervertido, Ino. Não vou esquecer dele! –Falou a morena num tom sonolento. Me virei para Ino, seus olhos de azuis já haviam se escondido sob suas pálpebras, então percebi que precisava fazer o mesmo, ou não acordaria tão cedo no dia seguinte, mais tarde, na verdade, porque já se passava de meia noite.

Eu me esqueceria daquela noite, ou me lembraria como apenas uma prática inocente de afeto entre melhores amigas. Sim, acredito que nada mudaria entre a gente e nossa opção sexual. Haha! Eu estava preocupada com minha opção sexual? Como poderia? Estou certa de que quero passar o resto da minha vida com um homem. Qual? Bem, não faço idéia, ou melhor, na verdade tenho uma idéia de quem eu gostaria de passar o resto da minha vida, mas esse alguém está fora de cogitação. Dois dias ao lado dele foi o bastante. Não foi?

Oh céus, dois dias não foi o bastante.

Sakura’s POV off~

-Ah!!! Finalmente isso acabou! Estava ficando com sono! –Bocejou Naruto.

-É por isso que eu nunca compareço nesses eventos. –Disse saindo do salão. –Esse fuso horário é um saco!

-Eu sei...

-Oi, atrapalho? –Perguntou uma moça ruiva acompanhada por uma outra de cabelos negros cortados na altura do ombro. Ambas trajando vestidos que valorizavam as generosas curvas de seus corpos brancos.

-Não! –Falou Naruto com um tom discreto de malícia. –De forma alguma!

-Sei que são estrangeiros e não pretendem voltar essa noite, estou certa? –Supôs a ruiva olhando para Sasuke.

-Não mais! –Respondeu Naruto a olhando dos pés à cabeça, sem nenhuma sutileza.

-Conhecemos bons hotéis. Se quiserem, podemos acompanhá-los até lá, como boas anfitriãs... –Sei. Esse papo de boa anfitriã nem eu caio. Sexo era o que elas queriam e sexo eu não iria dar. Já vi que isso ia ser complicado porque Naruto estava tão fácil que comeria as vadias ali mesmo se deixassem.

-Por mim tudo bem! E você Sasuke? –Perguntou me olhando maliciosamente, dando uma piscada discreta confirmando o que eu já desconfiava.

-Meu motorista sabe onde nos levar. –Falei seco me afastando dos três.

-Dá uma licencinha, vou falar com meu amigo ali, já volto! –E então o louro me seguiu furioso, me arrastando para um canto do salão. –O que pensa que está fazendo? Como tem coragem de dispensar duas doças daquelas loucas por sexo?

-Porque são loucas e só querem sexo. –Respondi irritado.

-Só estão sendo gentis!

-Eu também estou sendo gentil não incentivando elas a transar com qualquer um. –Respondi indo em direção à saída, mas Naruto me segurou.

-Você é gay? –Perguntou nervoso.

-Me erra Naruto!!! Você é louco? Me mato antes de virar isso!!! –Respondi mais nervoso do que ele.

-Mas ta parecendo! –Insistiu. –O quê que tem? É só sexo, só uma noite, sem compromisso! –O caso é que foi numa dessas de ‘só sexo sem compromisso’ eu que eu me encantei por certa mulher. –Não temos ninguém para trair, ninguém para ser fiel... É só diversão! –Depois de me acusar de homossexual, ele me convenceu. É só uma noite, como qualquer outra que tive.

Com exceção daquela.

-Ok. –Disse num longo suspiro e ele voltou animado para as moças enquanto eu fiquei para trás resmungando.

Talvez não seja uma má idéia e sim uma oportunidade de esquecer a hóspede dos meus pensamentos...

_._o0o_._

Não funcionou.

Transei com a ruiva, o que foi totalmente estranho porque Lea e Naruto não paravam de flertar. Seu nome é Karin, filha de produtor. Ela é bonitinha, mas muito chata e oferecida. Vadia, dizendo no modo popular. Gemia igual atriz pornô violentada, realmente um desastre.

Agora estava na cama fingindo estar dormindo enquanto eu estava na sacada, fumando sem camisa. Estava frio, mas nada comparado com o frio glacial que fazia no Canadá, tanto que era suportável ficar na sacada ‘despido’.

Eu pensava coisas banais como na noite (não com Karin, a noite do evento), nas palavras do Naruto e no meu futuro. De certo modo ele tem razão, vou morrer sozinho. Isso vai soar muito gay, eu sei, porém, eu levaria ele comigo para Ottawa, assim eu o veria sempre construindo sua vida, mulher, filhos... Seria como se ele fizesse por mim o que eu mesmo não farei, como criar uma família, envelhecer com alguém.

Ninguém me entende da forma que eu desejaria que me entendesse... São só idéias banais, pensamentos banais que vão ficar aqui dentro de mim adormecidos até que alguém ou algo os desperte.

Senti uma par de mãos quentes deslizar pelas minhas costas e uma boca sussurrar no meu ouvido.

-Não vai para cama? Já são três da manhã...

-Já vou. –Respondi indiferente.

-Você fuma? –Perguntou surpresa.

-Desde hoje.

-E está gostando dos efeitos da nicotina? –Perguntou com uma voz sensual que não me alterou nenhum pouco.

-Não estou sentindo efeito nenhum. –Respondi jogando o filtro do cigarro sacada abaixo.

-Bom, se não descansar bem, amanhã não terá pique para os nossos passeios! –Passeios? –Vamos no parque do museu municipal de Berlim, depois...

-Quem disse que vamos sair? –Ela me olhou confusa e respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, de certo ângulo até poderia ser, mas não me interessava nenhum pouco. Não sairia com ninguém.

-Eu? –Eu poderia dar risada da ingenuidade dela, porém, era mais educado acender outro cigarro e ignorar. Isso, ignorar até que a paciência se esgote, ou ela vai embora ou eu mando ela se ir fuder.

-Amanhã meus planos são outros. –Informei fitando os prédios acendendo e apagando suas luzes.

-Ah, então tudo bem... O que faremos então? –Perguntou sem graça, mais com uma esperança infantil.

-Eu vou pegar um vôo para o Canadá, agora você vai para o parque ou sei lá para onde. –Agora ela se tocou.

-Onde fica o nós nisso?

-Não existe nós!

-Como não? O que aconteceu agora pouco? –Insistiu nervosa.

-Sexo. -Respondi calmamente. –E não foi eu que desejei fazer, foi você.

-Como consegue ser tão frio? É assim que age com todas as vadias que dorme? Só goza nelas e depois sai de fininho? –Ok, agora ela pegou pesado.

-Primeiro, eu nem queria estar aqui com você! Quem estava bancando a puta em abstinência? Não era eu. Você chegou a perguntar se eu queria algo com você? Não, já chegou me agarrando e ainda fala em nós? –Ela já estava rubra de raiva, realmente uma pena. –Por favor, tenha mais amor próprio! –Voltei ao meu cigarro tentando ignorá-la só que ela não parava de falar, até que viu que era inútil e acabou adormecendo, eu capotei uns minutos depois.