A Hóspede
29 “Estou com medo...”
Notas iniciais
-Naruto... –Falou sorrindo.
-Prazer!
-O prazer é todo meu! –Respondeu a olhando da cabeça aos pés.
-Ok, pode soltá-la! –Falei o olhando mortalmente enquanto Sakura, meio que escondida atrás de mim. Não sabia que ela tinha um lado tímido. Achava que ela nem sabia o que era timidez, afinal, ‘aquele’ dia da nevasca ela se mostrou bem saidinha. –Pega logo sua bagagem e vamos, ainda tenho que passar em uns lugares com Sakura, preciso deixá-la em casa até 20h.
-Mora com os pais, rosada? –Debochou o loiro.
-Não. Moro com três amigas e vamos cear juntas, portanto, preciso está lá cedo para ajudar nas coisas. –Explicou a rosada ignorando a infantilidade do louro.
-Três amigas? –Perguntou animado. –E elas são assim como você? –Perguntou com um olhar que só eu conhecia, um olhar sussurrando ‘hoje vai ter!’. Esse Naruto não tem jeito!
-Naruto! Por favor! –Pedi entre dentes. Sakura riu.
-Elas são muito mais interessantes do que eu, isso te garanto! –Afirmou Sakura levando a safadeza do Naruto como uma coisa natural. Peguei as bagagens dele e saí, enquanto os dois vinham atrás, dando corda ao assunto que por mim nem teria surgido.
-E são solteiras?
-Bem, a Hinata sim. A Ino troca de namorado como troca de roupa, mas não pense que ela é vadia ou coisas do tipo. Ela está em busca do homem perfeito e não se cansa de decepcionar-se.
-Humm... Acho que essa é difícil para mim!
-Você não vai pegar ninguém, Naruto! Vamos para casa!
-Ah! Queria conhecer mais sua namorada e as amigas dela. –Falou triste, fazendo bico.
-Eu sei bem o que você quer! –Falei irônico. –Você pensa que me engana? Pode até enganar a Sakura que não te conhece, mas eu você não dobra! –Saímos do aeroporto, já no estacionamento indo em direção ao Sonata preto.
-Sasuke, eu sei muito bem ao que Naruto se refere e dou todo apoio. Afinal, acho que Hinata ia adorar conhecê-lo, Ino também. Mas você sabe, cada uma da sua maneira.
-O que ela quis dizer com isso, Sasuke? –Perguntou o loiro confuso.
-Pergunte a ela! –Respondi indiferente destravando o carro a cerca de cinco metros de distância do mesmo.
-Sakura, o que você quis dizer com isso?!
-Espera! –Ela pegou seu celular no mesmo instante em que abria a porta do lado passageiro. Já no carro, com Naruto e eu dentro também, ela fez uma breve dança com os dedos sobre a tela touch scream e deixou a ligação no viva-voz. –Ino? –Chamou.
-Oi. Você já está chegando? Eu Hinata já preparamos boa parte da comida e doces, estamos pondo a mesa e esperando o Gaara chegar.
-Quem é Gaara?
-Meu namorado, o da farmácia, sabe?
-Ah! Menos uma! –Bufou Naruto inconformado, logo levando um tapa de mim.
-Não. –Respondeu impaciente. -Bem, eu estou indo comprar minha parte da comida.
-Ainda?!
-Calma, eu estou com o Sasuke e com o amigo dele, de carro.
-Você o que?! –Berrou.
-Para de gritar Ino porca! Vai estourar meu telefone com essa sua voz de taquara rachada!!! –Bronqueou em um tom mais alto do que o da outra. –Liguei para saber se posso levá-los para cear com a gente.
-Eles vão levar algo?
-Ino, tá no viva-voz, só para avisar. –Falou rubra de vergonha. Mas eu não ligava. Era feio para amiga dela interesseira, não para ela.
-Sakura, não é necessário... Naruto e eu vamos ficar em casa, conversar, não queremos incomodar o natal de vocês. –Falei com ar de bom moço. Mas realmente, eu não queria passar o natal com as amigas dela, queria ficar só com ela e com o Naruto. E não é egoísmo para alguém que passou quase dez natais sozinho.
-Sasuke, ela se deu o trabalho de usar os créditos do celular dela, perturbar a tal Ino, gastar saliva e tempo para pedir permissão para nos levar à sua residência para cearmos com elas no natal e você dispensa todo esse esforço como se não fosse nada? –Sakura riu com a ironia dele. Aquilo não era esforço nenhum comparado ao que eu estava fazendo por ela.
-Sakura, são eles? –Perguntou Ino sussurrando.
-Sim, são eles. –Respondeu sorrindo meiga. –E aí? Posso levá-los para vocês conhecê-los?
-C-claro! Amigo seu é amigo meu também! –Falou com uma simpatia duvidosa, mas de certo ângulo até engraçada. Só pelo telefone já posso imaginar que essa Ino é uma figura! –Ahm... Mas vem logo. E traga mais bebidas!
-Tá. –Respondeu entediada. –Até mais. –E desligou. Olhou para mim e sorriu de uma forma adorável que tive vontade de beijá-la, e provavelmente teria feito isso se Naruto não estivesse ali, observando cada movimento das minhas células e átomos. Ele com aqueles olhos grandes e azuis -assustadores- e atentos, com um cinismo e malicia que só eu decifrava. Ah! Eu adoro esse cara! Mas ás vezes tenho vontade de esmurrá-lo por ele ser tão.. Tão ele! Acho que não tem adjetivo que o qualifique tão bem quanto ele mesmo. –Bem, acho que passaremos o natal juntos! –Falou alegre. –E você poderá se engraçar com Hinata, Naruto!
-Hehehe! Valeu Sakura! To te devendo essa! –Falou afagando os cabelos róseos dela.
-É, está mesmo! –Concordou. –Agora vamos, Sasuke. Se chegarmos tarde não aproveitaremos nada!
-Tem razão.
Liguei o carro e saí em direção ao supermercado onde ela pegou tudo o que necessitava de comes e bebes(e depois de ser xingado e estapeado por ela com seu orgulho ferido, Naruto conseguiu prendê-la nos braços para que eu pudesse pagar tudo). Fomos ao centro da cidade, na Clock House para ela comprar os presentes das meninas. Estava emburrada e repedia a todo o momento que iria me pagar o supermercado enquanto analisava as roupas nas raias. Naruto pegou um suéter de lã na cor cinza; Sakura comprou um cachecol roxo para Ino e um vestido de renda forrado, de mangas longas e gola alta, todo em branco(pedi para Sakura ir no fim da loja pegar um chapéu Panamá para mim enquanto eu ia olhar o carro na rua. Ela foi. Eu voltei e paguei novamente as compras dela. Sou mal. Quando ela voltou, fui quase massacrado por palavras e ameaças).
-É aqui. – Guardei bem o endereço para eu nunca mais a perder de vista. Guardei na garagem do prédio e em seguida pegamos o elevador para o segundo andar. Em silencio. Eu estava sem graça. Não visitava a casa dos outros, não era convidado para jantares particulares, não estava acostumado com o Naruto do meu nado nem com essa coisa de amizade e relacionamento amoroso. Não sabia o que fazer ou dizer(a não ser na cama).
Apartamento 29. Final do corredor, à direita. Havia uma espada-de-são-jorge plantada em um grande vaso de gesso ao lado da porta. Sob o número pintado, um visco natalino em forma de rosquinha.
-Ino?! –Chamou dando ‘leves’ batidas na porta. Naruto estava atrás de mim com cara de bobo, segurando a sacola com seu suéter de U$$ 90,00 e os aperitivos, eu carregava as bebidas e Sakura os presentes para as moças.
Depois de meio minuto a tranca foi aberta e a loura deu as caras. Era uma mulher linda com olhos cristalinos; cabelo longo, escorrido caídos sobre o vestido justo de veludo acima do joelho com um generoso decote. Imagino as milhares de cenas pervertidas que passaram pela cabeça do Naruto.
-Olá! –Cumprimentou. –Sou Ino, prazer! –Deixou um beijo no meu rosto, tirando a marca do batom em seguida. Repetiu o mesmo ritual com Naruto. –Bom, já está quase tudo pronto, só falta assar os salgados. Você trouxe, Sah?
-Estão aqui! –Naruto estendeu a sacola à loira que lhe lançou um olhar provocante. Bem que a Sakura avisou que ela não perdia tempo.
-Pode vir me ajudar, Sakura? –Perguntou Ino enquanto eu colocava as bebidas sobre a mesa de centro da sala.
-Ahm... –Me olhou. – Posso dar uma palavrinha com o Sasuke antes? –Perguntou.
-Tudo bem, então. –Falou saindo da sala. –Mas não demore!
-Vamos para o meu quarto. –Gente, eu sou homem. Sabem bem que não considerei a frase só uma frase, não sabem? Bem que eu queria uma rapidinha para compensar o tempo de abstinência dela, mas pelo jeito era apenas uma conversa e das sérias.
-Entre. –Abriu a porta a encostando após entrarmos. O quarto não era grande: duas camas de solteiro; dois closet; um computador e o grandioso pôster do Oasis. –Sasuke, preciso te contar algo muito importante.
-O que?
-Bom, antes de tudo, por favor, prometa que vai me escutar até o fim! –Pediu com uma expressão de súplica.
-Está bem, prometo. –Falei colocando minha mão sobre a dela. –Mas é algo assim tão sério?
-É. –Respondeu instantaneamente. Sob minha palma, pude sentir seus dedos trêmulos.
-Você está chateada? Doente? Tem outro cara? Pode falar! –Disse guardando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.
-Não é nada disso. –Se levantou, caminhando para longe de mim. –Estou com medo da sua reação.
-Ok. Agora você está me assustando. O que aconteceu de tão grave que eu preciso saber? –Ela respirou fundo, cruzou os dedos e por fim se pronunciou.
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