A Hóspede

30 A Hospedeira


Notas iniciais
7º da noite

–Eu...


–Sakura!!! Tem um galego gostoso no meu sofá!!! –Entro de supetão uma morena coberta pó ruma toalha branca modelando suas curvas delineadas. –Ah, você é o...


–Sasuke! Idiota! Não sabe bater?! –Perguntou Sakura furiosa. Antes que a moça pudesse lhe dar uma resposta, a rosada a expulsou. –Vá se vestir!


–Não antes de saber quem é o deus grego lá na sala! –Cruzou os braços fazendo bico.


–É o Naruto, amigo do Sasuke.


–E ele vai ficar muito feliz ao saber que você teve esta reação ao vê-lo! –Acrescentei.


–Você não contaria. Contaria?


–Eu não.


–Mas eu sim, amiguinha! –Pirraçou – Eu o trouxe porque sabia que você gostaria dele. Vista-se e vá se apresentar molestada!


–Tá! Tá! Mas Sasuke, você vai ter que me dar licença, tudo bem?


–Certo. –Levantei da cama e saí do quarto. Fui para a pequena sala me sentar com o Naruto. Coitado, deve estar se sentindo deslocado.


–Que cara é essa?! –Perguntou.


–É a cara que eu tenho!


–Você me entendeu. –Abraçou uma almofada. –Aconteceu alguma coisa?


–Não. –Respondi pensativo. Não havia mesmo acontecido nada. Sakura iria me dizer algo sério mas foi interrompida. Só isso. Se houver algum problema, este seria a curiosidade que eu estou agora para saber o que a rosada iria me dizer. Bem, não vejo nada mais sério do que uma doença ou uma outra pessoa na vida amorosa dela. Seja o que for, não estou disposto a desistir dela. Não agora que a encontrei.


Sakura’s POV on~


–Nossa Sakura! Caprichou no meu presente esse ano, hein! –Comentou Hinata se despindo na minha frente. –Ino já o viu? –Riu. –Deve estar se remoendo de inveja de nós por estarmos solteiras e ela não! –Essa Hinata tem um quê de macabra que pelo amor de Deus... –Onde o encontrou?


–Eu estava com o Sasuke e de repente ele ligou pedindo para buscá-lo no aeroporto pois iria passar o natal com aqui em Ottawa. –Falei a observando colocar as roupas íntimas. Um conjunto da Hope: calcinha de algodão rosa e um sutiã da mesma cor com bolinhas brancas. Eu não estava excitada, mas juro que tive vontade de beijá-la.


–Ah, é mesmo. Como foi que você e Sasuke se encontraram? –Perguntou colocando o sutiã.


–Do nada ele me ligou e em seguida apareceu na cafeteria. –Falei abotoando o fecho.


–E...? –Tirou do armário uma saia cintura alta preta e um camisete branco riscado, ambos da M&Officer.


–E fomos para a praça conversar. –Completei enquanto colocava cada botão da blusa em sua devida casa. –Ele disse que sentia minha falta. Que está apaixonado por mim.


–Ah!!! –Abafou o grito com a palma da mão. –Jura?! –Perguntou surpresa.


–Juro. –Falei tímida.


–E agora vocês estão namorando, né? –Perguntou como se já soubesse disso.


–Não sei. –Respondi com um sorriso triste. –Não quero apressar as coisas.


–Apressar o que? Essas semanas você só ficou pensando nele, eu tenho certeza. Você anda estranha. Meia doente. É por causa dele! –Falou sentando-se na cama enquanto colocava a ankle boot preta. –Sah, esse cara, parece gostar de você mesmo para estar fazendo tudo isso. Você vai deixar isso escapar?


–Ele vai me deixar de qualquer maneira. –Falei escorando no guarda-roupa.


–Não custa tentar! –Se aproximou de mim. –Você é linda! Eu no lugar dele estaria feliz da vida por poder chamar você de namorada. –Sorri amarelo.


–Tenho que te contar uma coisa, Hinata. –Falei com a voz baixa. Ela arrumou meu cabelo atrás da orelha e não demonstrou mudança de humor, curiosidade nem nada. –Eu estou...


–Grávida? –Completou. –Eu já sabia. –Dessa vez eu me espantei. Como ela sabia? Fiz tudo certinho, escondido, não dei (muitos)sinais de que estava grávida. Como ela... –Sabia desde quando me pediu ajuda com a tabelinha, desde quando parou de beber e de fumar. –Disse escolhendo uma roupa no meu armário. Pegou uma meia calça grossa, cinza; um vestido jeans preto com botões de cobre(presente de minha mãe) e um scarpien vinho. –Desde quando parou de roubar absorvente meu e da Ino. –Tirou minha blusa, como se ela fosse minha mãe e eu a filha. –Não precisa ficar com essa cara de boba. Eu sou sua amiga, te conheço tanto quanto você me conhece e já devia saber que cedo ou tarde eu ia descobrir. –Falou me vestindo.


–Eu não contei por medo da reação de vocês. –Falei enquanto ela subia meia de algodão por minhas pernas. –Ainda não acredito que isso aconteceu. –Falava baixo, com a voz rouca e distante, com uma tristeza palpável, vergonha, culpa.


–Mas aconteceu. Você precisa lidar com isso. Não é como se perder em uma nevasca, dessa vez, não vai ter ninguém para te dar abrigo. Você vai ter que seguir em frente rumo ao que você quer e ao que deve fazer. –Abaixei a cabeça.


–Não sei o que devo fazer.


–Se nem você sabe, como espera que Sasuke saiba o que fazer? –Perguntou levantando meu rosto. –Sakura, você tem vinte e cinco anos, você é uma mulher independente, tem total consciência e responsabilidades por suas escolhas. Agora, você não tem que ouvir conselhos de ninguém, você não vai ser amparada, segurada no colo como uma adolescente de quinze anos grávida. Ninguém vai ter ‘dó’ de você porque não há de que sentir pena. Você não é mais a hóspede de ninguém, você é a hospedeira. Você é o lar dessa criança, assim como o Sasuke foi o seu lar. E se ele de alguma forma ignorar isso é porque ele não é maturo, é um covarde que mentiu quando disse que estava apaixonado por você. –Limpei as lágrimas. –Agora, lava o rosto, passa um rimel, coloca um sorriso nesse rosto porque hoje é natal! –Sorri. – Você é linda e esperta. Vai saber o que fazer, quando fazer. –Saiu do quarto.


Aquelas palavras mexeram comigo de uma forma que eu não esperava. Me senti corajosa para lidar com isso. Contaria ao Sasuke de uma vez por todas e seja o que Deus quisesse, eu seguirei em frente com essa criança. Com ou sem pai. Com ou sem o conforto que ele pode dar. Eu vacilei quando não insisti para que ele arranjasse uma camisinha, assim como ele, portanto, eu assumo a culpa já que ela ficou comigo, literalmente. Sim, vou começar a chamar esse feto de ‘culpa’. Pois no lugar de uma criança, só sinto isso no meu ventre.



–Olá! –Cumprimentou o loiro que a deixara entusiasmada. Por um momento pensei que ela diria “Você vem sempre aqui?”. Do jeito que ela é atiradinha e brincalhona seria possível.


–Oi... –Se levantou, a olhando da cabeça aos pés(indiscretamente), recebendo dela uma abraço, em seguida, depositando um beijo barulhento no rosto da moça, quase que na nuca. Aquilo me surpreendeu. Já vi pessoas apressadas que desconhecem os limites da liberdade, mas esse loiro era um caso a ser estudado. Hinata nem se fala! Meteu a boca falando de mim porque transei com um cara que mal conhecia e está aí, recebendo beijinho na nuca de um americano nunca viu na vida(tirando os poucos minutos atrás, que foi uma olhada de relance).


–Será que as duas dondocas poderiam me ajudar aqui na cozinha? –Perguntou Ino se segurando para não nos esfaquear com a peixeira que segurava. Mesmo nos momentos de extremo ódio ela mantinha a classe em frente aos homens –bonitos-, para nossa sorte. Do jeito que ela é impulsiva, era capaz de nos estilhaçar por não ajudarmos ela a ornar o peru.


–Não podemos deixar nossos convidados sozinhos aqui! –Insistiu Hinata fazendo bico, como se a principio quisesse praticar bons modos.


–Vocês se importam meninos? –Perguntou Ino amigavelmente, apertando mais a faca na sua palma.


–Ahm... –Limpou a garganta. –C-claro que não, podem ir lá cozinhar, fazer as coisas, Sasuke e eu ficamos de boa aqui. Suave! Hehe! –Concordou o loiro apreensivo, hora olhando a face sínica da loura, hora olhando a faca reluzente que ela segurava.


–Eu sabia que não se importariam! –Sorriu. –Vocês! –Apontou para Hinata e eu com a faca(podia jurar que Naruto recuou e deu um gemido discreto). –Para cozinha agora!


–Tá! Tá! –Bufou Hinata. –Só um instantinho! –Sussurrou para o loiro a logo entrou na cozinha sendo acompanhada por Ino. Eu apenas sorri para Sasuke, um sorriso amarelo e falso, pois tudo o que eu queria expressar no momento era meu medo em relação a reação que ele teria quando eu lhe contasse que estou grávida.


Ao entrarmos na cozinha, Ino fechou a porta e fez cara de séria. Em seguida jogou a faca na pia e sussurrou:


–Menina!!! Onde você encontrou aqueles pedaços de céu? Roubou de Zeus? –Eu ri, Hinata fez cara de safada.


–Já disse. É o Sasuke e o amigo dele, Naruto. –Expliquei lavando as mãos e colocando um avental.


–Até ontem ele era um estranho com quem você dormiu e ficou toda apaixonada, agora ele está sentado no nosso sofá com pose de cavalheiro! Até quando vou ficar por fora das coisas?


–Até o dia que você nos provar que é confiável! –Falou Hinata abrindo os armários e pegando ingredientes.


–Eu sou confiável! Por que não seria? –Falou Ino chateada.


–Você não é boa em guardar segredos e, se tratando de homens, você esquece que tem amiga! –Ino recuou, ofendida.


–Isso não é verdade! Eu sempre penso em vocês! Não trocaria vocês por homem nenhum!


–E pelo Naruto e pelo Sasuke? –Provocou Hinata


–Eu tenho namorado!!!


–É o terceiro só nesse mês, fora os outros com quem dormiu casualmente!


–Sakura, manda a Hinata calar a boca antes que eu faça isso por ela! –Pediu Ino desamarrando seu avental.


–Só estou respondendo a sua pergunta Ino. No fundo você sabe que estou falando a verdade.


–Está falando que eu sou uma vadia!


–Estou dizendo que se você não estivesse namorando, você ia correndo jogar charme para os dois da sala sem se importar com o que Sakura e eu achamos a respeito disso. –Ino se calou. Não tinha argumentos. Eu que permaneci calada no meio daquela discussão toda me manifestei tentando mudar os rumos do assunto.


–Alguém pode me passar o molho de carne? –Perguntei colocando talos de agrião por cima das batatas assadas e em volta do peru.


–Aff Sakura! –Saiu Ino da cozinha, brava, batendo o pé de tanto estresse que supostamente seria impossível de camuflar a tempo dos garotos perceberem.


–Parabéns Hinata! Deixou a princesinha irritada! –Ironizei pegando o molho de carne que ninguém se disponibilizou a pegar.


–Mais cedo ou mais tarde ela teria que ouvir isso!


–De preferência mais tarde e num dia comum! Mas é claro, você precisava expor sua revolta contra a rapariguice dela justo hoje, no natal. –Falei calmamente. Não estava nervosa. Nem um pouco. –Creio que este natal não seja um dos melhores.


–Por que diz isso? –Perguntou Hinata se aproximando.


–Mal pressentimento. –Respondi terminando de ornar o peru, o colocando no forno que permanecia quente mesmo após trinta minutos apagado. –Eu, no lugar dele, rejeitaria. –Falei arrumando a cozinha, mudando o foco do assunto(anteriormente em Ino para Sasuke).


–Como pode dizer isso? –Perguntou Hinata assustada.


–Veja: apesar de tudo, nos conhecemos um dia desses, transamos, conversamos um pouco e agora ele está na minha casa. Legal. Agora, tenta encaixar um bebê nesse contexto mal acabado. Vê se tem cabimento de uma gravidez no meio disso, no meio de pessoas que mal se conhecem. Não há! Não tenho provas de que seja dele, tenho apenas minha palavra.


–Mas você tem certeza que é...


–Hinata! Não to tentando dar o golpe do baú! Qual foi a última vez que me viu com um homem antes do Sasuke? –Ela se calou. –Criar hipóteses não irão trazer respostas, afirmações e certezas, preciso contar de uma vez por todas. –Tirei o avental e sacudi o cabelo.


–Espera aí, tipo assim, agora? –Perguntou me seguindo.


–Sim.


–Não! Espera! –Me agarrou pelo antebraço, inquieta.


–Esperar o que Hinata? Não posso esconder isso!


–Não estou pedindo para esconder, muito pelo contrário! Só peço que espere, não acabe com o clima dessa noite logo no começo. Vá com calma! –Respirei fundo e raciocinei um pouco. Ela tinha razão. Uma notícia dessas acabaria com a nossa noite. –Ela vai saber de qualquer forma, mas por hora, use o silêncio a seu favor, aproveite enquanto ele não sabe, o deixe confortável e, quando você se sentir segura e ver que ele está seguro, fale. Tudo bem?


–Tá. –Respondi.


–Tira essa cara de monga, pegue as comidas e leve pra sala.


Quando cheguei na sala, me espantei. Sentado no sofá de fronte ao que Naruto e Sasuke estavam sentados, havia um ruivo. Não pude ver seu rosto, mas seu cabelo era irreconhecível. Fui me aproximando devagar, depositando o assado na mesa de centro, tentando ao máximo das minha forças não levar o meu olhar à ele, mas foi inevitável.


–Ora, a rosada estressada! Não vai me dar oi?


Fudeu.

Sakura’s POV off~



Notas finais
PS estou pensando em cancelar a história por falta de review.
Comentem! Me instiguem! A história já está nas retas finais, mas posso cancelar a qualquer momento por falta de incentivo.
Obrigada!